quarta-feira, fevereiro 01, 2006

O nômade Luizão chega ao Flamengo

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Henrique Moretti

Não há jogador no mundo hoje que retrate melhor o chamado “Futebol Profissional” do que Luizão. O atacante, revelado no início dos anos 90 pelo Guarani de Campinas, se consagrou vencendo o Campeonato Paulista pelo Palmeiras, a Taça Libertadores da América pelo Vasco e os Campeonatos Brasileiro e Mundial pelo Corinthians, vem passando por uma fase peculiar. Em pouco mais de 4 anos, conseguiu a proeza de hoje chegar a seu oitavo clube, o Flamengo. Nesse período, Luizão já “amou” o Corinthians, o Grêmio, o Hertha Berlim, o Botafogo, o São Paulo, o Nagoya Grampus e o Santos, e agora assina com o Flamengo dizendo-se torcedor do clube da Gávea e que “tem a cara da equipe”.

A “peregrinarão” de Luizão, 30 anos completados em Novembro passado, teve início quando, às vésperas da Copa do Mundo de 2002, entrou na justiça contra o Corinthians, reivindicando direitos de imagem atrasados, e partiu em direção ao Grêmio de Porto Alegre, onde pouquíssimo tempo ficou. Acabou no Hertha Berlim, da Alemanha, onde passou boa parte do ano lesionado. Assim, em 2004, transferiu-se ao Botafogo, sua segunda passagem pelo futebol carioca, onde apresentava um bom futebol até ter nova contusão no joelho e perder o fim da temporada.

O matador então foi tratar-se no famoso Refis do São Paulo Futebol Clube e, como em boa parte dos casos de atletas lá tratados, acertou para jogar no clube que leva o nome da capital paulista, sem antes porém tentar acerto com o Corinthians (onde parecia anteriormente estar brigado). Seu início não foi bom, preterido pelo técnico Emerson Leão. Incomodado portanto com a reserva, Luizão acertou por fora um pré-contrato com a equipe japonesa Nagoya Grampus, cuja transferência se concretizaria em meados de 2005.

Para sua surpresa, o futuro lhe sorriu, e Luizão com a mudança no comando tricolor (entrada de Paulo Autuori o lugar de Leão), ganhou vaga de titular no time e foi um dos principais destaques na conquista da Copa Libertadores da América pelos são-paulinos.

No entanto, com o contrato já assinado com a equipe japonesa, Luizão viu-se obrigado a cumpri-lo, seguindo rumo ao Oriente, jurando amor ao São Paulo e chorando, prometendo voltar.

Para o espanto de todos, poucos meses depois, com a saída de Robinho do Santos para o Real Madrid, o matador revelado pelo Guarani voltava ao futebol paulista para um dos principais rivais do São Paulo, a equipe da baixada.

Luizão se dizia profissional e que não estava satisfeito no longínquo futebol japonês. Mas a alegria que ele teve na equipe da capital não permaneceu no Santos, com Luizão afundando na crise santista que culminou com a demissão do então treinador Nelsinho Baptista. Nem mesmo a chegada de Vanderlei Luxemburgo, no início de 2006, foi suficiente para manter o atacante na Vila Belmiro.

Finalmente, no último dia do mês de Janeiro de 2006, Luiz Carlos Goulart chega ao Flamengo para resolver a eterna falta do “camisa 9” pelos lados da Gávea, dizendo que “seu estilo de jogo se assemelha ao que a torcida quer, que é muita luta” e que “é movido pelos gritos da arquibancada, jogador com rótulo de clube de massa".

A torcida do mais querido vê com olhos de contestação a contratação do experiente jogador. A questão aqui é: qual Luizão jogará no Flamengo? O que vibrou no São Paulo ou o que decepcionou no Santos?

Indo além, como saber quanto tempo Luizão desta vez ficará?


PERFIL

Nome: Luiz Carlos Goulart
Nascimento: 14/11/75
Altura: 1,78 m
Peso: 77 kg
Posição: Atacante
Clubes: Guarani (1991/1992); Paraná (1993); Guarani (1994/1995); Palmeiras (1995/1996); Deportivo La Coruña-ESP (1997), Vasco (1998), Corinthians (1999-2002), Grêmio (2002), Hertha Berlim-ALE (2002-2003), Botafogo (2004), São Paulo (2005), Nagoya Grampus-JAP (2005) e Santos (2005)
Principais títulos: Copa do Mundo (2002), Mundial de Clubes da Fifa (2000), Copa Libertadores (1998 e 2005), Campeonato Brasileiro (1999)

terça-feira, janeiro 31, 2006

Euro 2008 - Sorteio da fase Eliminatória

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Christian Avgoustopoulos


Nesta Sexta Feira ocorreu o sorteio de grupos para a fase classificatória da Euro 2008, que está com taça nova (foto). 50 seleções, subdivididas em 7 potes gerariam 7 grupos, 1 com 8 seleções, e os demais com 7. Segue então a apresentação dos grupos com uma ligeira análise das possibilidades de cada seleção:

Grupo A:
Portugal
Polônia
Sérvia e Montenegro
Bélgica
Finlândia
Armênia
Azerbaijão
Cazaquistão

É o grupo de 8 seleções. Um dos mais complicados, não só pelo alto nível das principais seleções, como também pelas distâncias das viagens, principalmente para Portugal. Podemos observar 3 seleções que estão classificadas para a Copa do Mundo: Portugal, Polônia e Sérvia, o que comprova a força do grupo em questão. A Bélgica também tem chances de brigar por uma das vagas, e a Finlândia, com chances menores, corre por fora nesse disputada e aberta chave.


Grupo B:
França
Itália
Ucrânia
Escócia
Lituânia
Geórgia
Ilhas Faroe

Outro grupo extremamente complicado, também com 3 seleções que irão para a Copa. França e Itália, seleções de enorme tradição no futebol, devem ser apontadas como favoritas para as duas vagas. Mas a emergente Ucrânia, que tem apresentado um bom futebol, de alto nível, deve ser apontada também como uma das seleções que brigam por uma das vagas. A Escócia deve ser observada, mas com chances bem menores.


Grupo C:
Grécia
Turquia
Noruega
Bósnia
Hungria
Moldávia
Malta

Grupo equilibrado e aberto. Os gregos, atuais campeões europeus, aparecem com boas possibilidades de chegarem à fase final e defenderem seu título. Novamente, assim como nas eliminatórias para a Copa do mundo, Grécia e Turquia estão juntas (foto), porém com adversários teoricamente mais frágeis que os que tinham para a disputa da Copa. Noruega e Bósnia correm por fora por uma das vagas, com ligeira vantagem para os nórdicos. Hungria também merece atenção especial, embora com pouquíssimas chances. Curioso o fato de nenhuma seleção deste grupo estar qualificada para o Mundial.


Grupo D:

República Tcheca
Alemanha
Eslováquia
Irlanda
País de Gales
Chipre
San Marino

Alemanha e Republica Tcheca podem ser apontados como os mais fortes desse grupo, mas Eslováquia e Irlanda aparecem com boas chances de brigar por uma das vagas, principalmente pela aposentadoria de Nedved e a contestação de muitos críticos quanto a força da seleção alemã. Grupo aberto com ligeira vantagem para os alemães e tchecos, que estão na Copa.


Grupo E:
Inglaterra
Croácia
Rússia
Israel
Estônia
Macedônia
Andorra

Amplo favoritismo da Inglaterra neste grupo, que deve confirmar a 1a posição. A briga pela segunda vaga fica entre Croácia e Rússia, com chances iguais, e Israel correndo por fora. Certamente, não é um dos grupos mais complicados. As demais seleções não devem aprontar nenhuma surpresa.


Grupo F:
Suécia
Espanha
Dinamarca
Letônia
Islândia
Irlanda do Norte
Liechtenstein

Grupo complicado, marcado pelo grande equilíbrio entre Espanha, Suécia e Dinamarca, que devem disputar sem favoritismo as 2 vagas. Interessante observar a repetição do duelo regional entre Suécia e Dinamarca, que estiveram na mesma chave na Euro 2004. A Letônia, que também havia se classificado para a edição anterior da Eurocopa, pode surpreender e brigar indiretamente por uma das vagas.


Grupo G:
Holanda
Romênia
Bulgária
Eslovênia
Albânia
Belarus
Luxemburgo

Neste grupo o favoritismo é total da seleção holandesa (foto), que deve sem problemas assegurar a 1ª posição. A Romênia finalmente aparece com boas possibilidades de voltar a disputar a fase final de um torneio, o que não ocorre desde a Euro 2000. A Bulgária também pode brigar pela segunda vaga, fazendo o duelo balcã com os romenos.



Todas as partidas serão realizadas no período compreendido entre 2 de setembro de 2006 a 21 de novembro de 2007. Áustria e Suíça já estão classificadas para a fase final, por serem os anfitriões do torneio. Em caso de empate entre 2 ou mais seleções, o critério de desempate será o numero de pontos obtidos entre as seleções em questão (confronto direto). Caso o empate persista, os critérios seguintes são saldo de gols, gols pró e gols marcados fora de casa. Ambos critérios contados apenas nas partidas entre as seleções empatadas.

domingo, janeiro 29, 2006

Parabéns, Baixinho!

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Pedro Galindo

Romário. É nessa palavra em que se resume uma figura enigmática do futebol brasileiro. Esse é o nome que às vezes se confunde com a palavra ‘mito’. Um mito polêmico, mas um mito. Sua habilidade em disparar declarações polêmicas, as famosas “escapadas” das concentrações, e principalmente, seus gols – ao todo quase mil – são a marca registrada desse jogador, que certamente foi um dos maiores (e um dos mais longevos também!) da década de 90. Tudo isso pode ser sintetizado em apenas uma alcunha: o Rei do Rio.

Sua vida é uma verdadeira história de sucesso, recheada de gols e títulos por quase todos os lugares em que passou. Ele começou sua carreira no mesmo clube em que joga atualmente, o Clube de Regatas Vasco da Gama. Com 19 anos, subiu ao elenco profissional do time cruz-maltino. Nesse mesmo ano (1985), conquistou o campeonato sul-americano sub-20, com a Seleção Brasileira, e no ano seguinte sagrou-se artilheiro do Cariocão. Dois anos depois, conquistou o campeonato carioca, feito que se repetiria no ano seguinte. Em 1988, transferiu-se para o PSV Eindhoven, da Holanda. Na terra de Van Gogh, sua carreira meteórica continuou impressionando a todos. Com o “Baixinho” em seu elenco, o time da Phillips conseguiu uma “dobradinha” – Copa Holandesa e Campeonato Holandês – logo na sua primeira temporada. Durante todo o tempo que passou em Eindhoven, foram três ligas e três copas. Depois desse sucesso estrondoso na Holanda, o gigante espanhol Barcelona se interessou pelo craque. Então, o “peixe” seguiu para a Espanha, terra da maior liga do mundo. Mas isso não foi suficiente para barrar sua ascensão no futebol: em uma primeira temporada avassaladora, Romário fez 33 gols em 30 jogos pela Liga Espanhola, se sagrou campeão do mundo com a Seleção Brasileira, sendo escolhido o melhor jogador da Copa. De quebra, terminou o ano de 1994 como o melhor jogador do mundo escolhido pela FIFA.

Apesar de ter se adaptado à vida espanhola, o craque sentia falta da vida nas praias do Rio, do futevôlei, e da vida boêmia que a Cidade Maravilhosa lhe proporcionava. Então, numa das maiores transferências da história do futebol brasileiro, o Flamengo repatriou o Baixinho, e não demorou a colher os frutos. Romário foi artilheiro também no rubro-negro carioca, onde jogou por dois anos (95 e 96). Novamente, chamou a atenção de clubes europeus, e decidiu retornar à Espanha, só que desta vez ao Valencia. Não chegou a atuar muitas vezes pelo clube, e voltou ao Brasil apenas um ano depois de sua saída, mais uma vez ao Flamengo, onde permaneceu por mais alguns anos, até que, no final de 1999, ele trocou o Flamengo pelo seu clube de origem, o Vasco. Foi artilheiro do Campeonato Carioca, do Brasileirão e da Copa Mercosul, no ano seguinte. Em 2001, o craque continuou brilhando, se tornando o artilheiro do Brasileirão, ainda pelo Vasco. Em 2002, mais uma transação polêmica, na qual ele foi para o Fluminense. O tricolor carioca foi um dos clubes em que obteve menos sucesso: não conquistou nenhum título, embora tenha continuado uma fonte interminável de gols, mesmo com a idade já avançada.

Romário permaneceu no “Flu” até 2004, quando, aos 38 anos, acertou sua volta ao clube que o revelou. Sua passagem pelo Vasco foi marcada pelas críticas da imprensa a respeito da sua “esticada” na carreira. E, quando todos menos esperavam, o “Baixinho” reassumiu com primor a função de colocar a bola para dentro das redes, ao terminar o Campeonato Brasileiro de 2005 como artilheiro, com 22 gols em pouco mais da metade das partidas do Vasco no campeonato.

Dessa marca que o “Gênio da Área”, como gosta de ser chamado, alcançou, podem ser tiradas duas conclusões:

1) Romário é, realmente, um gênio. Um jogador que conseguiu fazer história, sendo artilheiro de um campeonato difícil como o Brasileiro aos 40 anos. Só deuses do futebol conseguem proezas como essa, logo, o Baixinho se enquadraria nessa categoria, o que deixa seu lugar guardado na história do esporte bretão.

2) O campeonato brasileiro, infelizmente, está em um nível tão medíocre que até um jogador de 40 consegue ser artilheiro. Com a debandada de craques para o futebol europeu, aqui em nossas terras só sobra o “bagaço”, o que facilita o trabalho de “ex-jogadores em atividade”, como Romário.

Os críticos optariam pela segunda alternativa. Até porque é a mais lógica. Não restam dúvidas de que se Adriano, Ronaldo, Aílton, e muitos outros “matadores” estivessem aqui, a briga pela artilharia seria muito mais acirrada. Eu, particularmente, prefiro acreditar na magia, na inteligência e no toque refinado e decisivo do “Baixinho”. Romário sempre será uma referência de atacante no futebol do mundo todo, uma inspiração a todas as crianças que sonham em ser jogadores de futebol (ou seja, todas as crianças), e, sobretudo, um ícone da cultura nacional. Mesmo aos 40 anos, o artilheiro do Brasileirão é o principal atrativo usado na campanha de venda do Brasileirão-2006 fora do Brasil. Ele é o símbolo da tradicional malandragem do brasileiro, o símbolo do talento natural do povo da nossa nação com a bola nos pés – não é exatamente um adepto dos treinamentos: já nasceu com o dom. Resta-me, então, a mim e a todos os brasileiros, desejar boa sorte a este gênio, nessa que parece ser sua “última cruzada” na carreira: alcançar o milésimo gol. Boa sorte, Romário, e parabéns pelos seus 40 anos!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Grafite vai embora. Mais um final infeliz

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Dante Baptista

Depois de Cicinho e Amoroso, Grafite anunciou a sua saída do Tricolor. O camisa 9 são-paulino aceitou a oferta de 11 milhões de reais para jogar no modesto Le Mans, da França, conforme anunciado na última quarta-feira, após a derrota de 1 a 0 do São Paulo para o Juventus.

A diretoria tricolor, que se orgulhava de negociar com jogadores 'sem novelas', viu duas delas no começo da temporada. A primeira foi com Amoroso, que foi para o Milan, e agora com Grafite. Nem mesmo a proposta de aumentar em 100% o valor do salário do atacante o seduziu. Pelo tom do discurso, parecia que estava orientado pelos empresários a agir de tal forma.

Grafite saiu alegando que não teve reconhecimento da diretoria, e por isso estava se transferindo para o Le Mans. O jogador deve ter se esquecido dos meses em que esteve em recuperação depois da contusão no joelho e, mesmo sem condições técnicas, ainda entrou nas duas partidas do Mundial de Clubes.

O caso de Grafite, bem como o de Amoroso, ilustra a influência dos empresários nas decisões dos jogadores. Enquanto Nivaldo Baldo tratou da renovação (frustrada) de Amoroso como uma batalha pessoal, o mesmo serviu para o ex-camisa 9, que atacou indiretamente a diretoria.

Infelizmente, os empresários pouco pensam no lado pessoal do jogador. Interessam-se apenas pelo financeiro. Qual visibilidade terá Grafite, que não é dos jogadores mais técnicos, no modesto Le Mans? Trocar o atual campeão do mundo por um time debutante na fraca primeira divisão francesa não parece ser uma boa escolha.


Coluna republicada do http://futeblog.uniblog.com.br - Futebol com Informação e Opinião

quinta-feira, janeiro 26, 2006

RUMO A 2006: Suécia

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Henrique Moretti

Pequeno e frio país escandinavo, a Suécia tem tradição quando o assunto é futebol. Desde os primórdios da Copa do Mundo FIFA, os suecos já aprontavam das suas. Em 1938, no Mundial da França, foram semifinalistas e em 1958, como anfitriões, eliminaram a forte Alemanha Ocidental e só caíram na final ante o Brasil. Mais recentemente, boa campanha no Mundial de 1994, nos EUA, onde Kennet Andersson e cia., que levou a equipe à nova semifinal, em outra eliminação para os brasileiros.

Para a Copa da Alemanha, a base da de 2002 foi mantida, sendo até o técnico Lars Lagerback remanescente (na época fazia dupla com Tommy Soderbergh). Daquela vez, a equipe, que era considerada a zebra do Grupo da Morte, surpreendeu argentinos e nigerianos conquistando a vaga junto com a Inglaterra, e em primeiro lugar. A eliminação veio nas Oitavas para Senegal num dolorido Gol de Ouro, após grandes chances suecas.

Na última EURO, em 2004, nova boa campanha na primeira fase, eliminando a Itália, e derrota nas quartas, contra a Holanda, nos pênaltis, novamente com a seleção amarela perdendo boas oportunidades.

Tentar acabar com a escrita de parar logo no início da segunda fase é o objetivo desta vez para a Suécia, que nas Eliminatórias obteve ótima campanha, com 8 vitórias em 10 jogos, 30 gols marcados, apenas 4 sofridos, e co-liderança do grupo 8 com a Croácia, perdendo a liderança apenas no confronto direto.

A segura defesa da equipe tem o bom Isaksson no gol, substituto do conhecido ex-goleiro Hedman, e o experiente Mellberg como pilastra e capitão. Na parte ofensiva, além do grande trio Fredrik Ljungberg, Henrik Larsson e Zlatan Ibrahimovic (foto abaixo), o time ainda conta com o veterano meia Svensson, e os jovens Kim Kallstrom e Christian Wilhelmsson. Porém, há uma grande discrepância de nível técnico entre titulares e reservas, sendo estes restritos a poucos nomes de qualidade.

No sorteio para a Copa-2006, os escandinavos caíram num grupo razoável, novamente com a forte Inglaterra, favorita à liderança e treinada pelo sueco Sven-Goran Eriksson, o valente Paraguai e o fraco Trinidad e Tobago. Chegar è segunda fase parece tarefa bem possível para eles, já que o Paraguai está envelhecido e com o desfalque de Santa Cruz. Para acabar de vez com o tabu de eliminação nas oitavas, um primeiro lugar seria interessante, já que assim provavelmente fugiriam de um confronto contra a Alemanha.

E buscando alçar esses vôos mais altos que a Suécia chega à Alemanha. Com um excelente poderio ofensivo formado por Ljungberg, Larsson e Ibrahimovic, a seleção pode ir longe. Assim como pode, em caso de um mal dia do trio, voltar mais cedo pra casa.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1904
Afiliação à FIFA: 1904
Participações em Mundiais: 10 (1934, 1938, 1950, 1958, 1970, 1974, 1978, 1990, 1994, 2002)
Melhor Resultado: Vice-campeão (1958)
Última Copa: Oitavas-de-final (2002)
Campanha nas Eliminatórias: 2º colocada do Grupo 8 da Zona Européia
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 14º
Time-Base: Isaksson, Ostlund, Lucic, Mellberg, Edman; Linderoth, Svensson, Kallstrom (Wilhelmsson), Ljungberg; Larsson e Ibrahimovic
Técnico: Lars Lagerback
Principal Estrela: Zlatan Ibrahimovic (Juventus)
Formação: 4-4-2
Avaliação: *** (Passa da Primeira Fase)


FALTAM 134 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
imagem: www.fifaworldcup.com

sábado, janeiro 21, 2006

RUMO A 2006: Polônia

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Henrique Moretti

Depois do vexame realizado na Copa do Mundo de 2002, na Coréia e Japão, onde foi eliminada logo na primeira fase, a Polônia busca na Alemanha 2006 apagar aquela má lembrança e tentar voltar aos tempos de glória, como nas Copas de 74 e 86, em que levada por jogadores talentosos como Zbigniew Boniek e Kazimierz Deyna alcançou o terceiro lugar.

A equipe hoje treinada pelo técnico Pawel Janas por muito pouco não terminou as Eliminatórias Européias como líder de um grupo que tinha Inglaterra, Áustria e País de Gales: ficou na segunda posição, e se classificou diretamente ao Mundial pelo índice técnico, com apenas duas derrotas – para os ingleses – e com direito a goleada de 8x0 frente ao Azerbaijão.

A defesa, que possui três zagueiros e tem como nome mais conhecido o goleiro Jerzy Dudek, herói da última conquista da UCL pelo Liverpool e hoje lá renegado, mostrou força, com média inferior a um gol sofrido por jogo. De resto, vários jogadores desconhecidos do grande público, poucos desses titulares nas maiores ligas inglesas. Como destaques se sobressaem o atacante Ebi Smoralek e o meia Jacek Krzynowek, dos alemães Borussia Dortmund e Bayer Leverkusen, e os artilheiros da Polônia nas eliminatórias, Zurawski e Frankowski (a direita da foto, com Zewlakow), ambos com sete gols.

Olisadebe, africano naturalizado polonês que foi o principal jogador do time na Copa 2002, já não integra mais os planos para esse próximo Mundial. Pesa muito contra ele as recentes contusões pelo Panathinaikos e a falta, portanto, de ritmo de jogo.

No sorteio para a maior competição de seleções do planeta, a sorte sorriu para o lado da Polônia, que caiu num grupo mais que acessível, o A. Os adversários são a anfitriã Alemanha e as incógnitas Equador e Costa Rica. A briga pela segunda vaga (os alemães são favoritos à liderança) deve ser boa, porém com aparente vantagem para os poloneses.

No mais, brilho ninguém vai esperar da Polônia para a Copa, mas muita vontade e disciplina tática deverão compensar a falta de talento de seus jogadores. A expectativa de superar a campanha de 2002 é bem possível de ser realizada.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1919
Afiliação à FIFA: 1923
Participações em Mundiais: 6 (1938, 1974, 1978, 1982, 1986, 2002)
Melhor Resultado: Semifinais (1974, 1982)
Última Copa: Primeira Fase (2002)
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 23º
Time-Base: Dudek, Klos (Jop), Zewlakow, Baki; Sobolewski, Zurawski, Szymkowiak, Baszcynki, Krzynowek; Frankowski e Smolarek
Técnico: Pawel Janas

Principal Estrela: Ebi Smolarek (Borussia Dortmund)
Formação: 3-5-2
Avaliação: ** (Em grupo teoricamente fácil, tem tudo para chegar à segunda fase)

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Copa Africana de Nações: prévia do "africano da vez"

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Pedro Galindo

Hoje, dia 20 de janeiro, começa em Cairo, no Egito, a 25ª edição da Copa Africana de Nações. O torneio, que é o mais importante do continente negro - o equivalente à Copa América ou à Euro - terá a participação de 16 equipes que foram selecionadas de acordo com a sua campanha nas Eliminatórias Africanas. A atual campeã, Tunísia, vai em busca do bi, mas conta com alguns adversários difíceis no meio do caminho, como Costa do Marfim, Nigéria, África do Sul, Camarões (o maior vencedor da história do torneio, junto ao Egito e a Gana, com quatro títulos cada), entre muitos outros africanos tradicionais. A divisão dos grupos foi feita da seguinte forma:

Grupo A: Egito, Costa do Marfim, Líbia e Marrocos;
Grupo B: Angola, Camarões, República do Congo e Togo;
Grupo C: Tunísia, Guiné, África do Sul e Zâmbia;
Grupo D: Gana, Nigéria, Senegal e Zimbábue.


Apesar da aparente formação de um "grupo da morte" - o grupo D - o equilíbrio parece ter sido a principal marca do sorteio. A cada dia que passa, mais jogadores são revelados por toda a África, haja vista o crescente trabalho que as seleções africanas vêm dando nas Copas do Mundo e, principalmente, nas competições de base. E isso faz com que o torneio tenha se nivelado bastante: não há mais nenhuma "superpotência", como já foram Camarões, na década de 90, e Egito, na década de 60. Possui, sim, vários elencos de alto nível, que têm condições de competir com a maioria das seleções do mundo, em iguais condições, como talvez seja o caso da seleção da Costa do Marfim.

Esse torneio, que já teve um nível técnico baixíssimo - para se ter uma idéia, a primeira vitória de uma seleção africana na história das copas foi apenas em 1978, numa vitória da seleção da Tunísia sobre o México, por 3x1 -, agora já tem excelentes jogadores atuando, talvez até alguns que possam ser considerados craques, como o nigeriano Jay Jay Okocha ou o senegalês El-Hadji Diouf. Outros exemplos de grandes jogadores que atuarão no certame são os costa-marfinenses Didier Drogba (foto acima) e Kalou, os camaroneses Samuel Eto'o (foto a direita), artilheiro do Barcelona, e Geremi, meia do Chelsea. Também participará o meia ganês Essien (foto abaixo), também dos Blues, além do nigeriano Obafemi Martins. Alguns deles, como é o caso dos camaroneses (talvez o melhor time da competição), querem tentar apagar o "fiasco" nas eliminatórias, quando o time, que era considerado favorito, não conseguiu a vaga para o maior torneio de seleções do mundo, após perder a vaga em um pênalti desperdiçado no final do segundo tempo do último jogo, contra o Egito. Outra seleção que vai com o mesmo objetivo dos Leões camaroneses é a nigeriana. Depois de desperdiçar uma boa geração, que não conseguiu se classificar para a Copa da Alemanha - perdeu a vaga para a "zebra" Angola -, a seleção campeã na Olimpíada de Atlanta vai lutar pelo caneco, ao qual é fortíssima candidata. Outras seleções que correm por fora são, principalmente, África do Sul, Gana e Costa do Marfim.

Outra "finalidade" desse torneio, já citada no título, é tentar prever quem será o "africano da vez", ou seja, a surpresa africana na Copa seguinte. Como exemplos, a Nigéria, que em 94 ganhou a Copa Africana e foi bastante longe na Copa dos EUA, em relação às outras seleções do continente, ou a seleção camaronesa que foi campeã em 1988 e, logo depois, surpreendeu o mundo com um futebol alegre e, principalmente, com os gols do "artilheiro-quarentão" Roger Milla.

A fórmula de disputa é bastante simples: o torneio tem um formato similar ao da Copa do Mundo, só que com a metade dos times. O primeiro e o segundo lugar de cada grupo se classificam, se enfrentam em partidas eliminatórias até dois deles chegarem à final. Muito provavelmente, teremos partidas de altíssimo nível técnico durante todo o certame e, sobretudo, na final, que com certeza encherá os olhos daqueles que adoram ver o alegre, contagiante e altamente técnico futebol africano. Olho neles, porque na Copa, sempre tem um que surpreende.


Transmissão: ESPN Brasil

Jogo de Abertura:
20/01/2006
- sexta-feira - Egito x Líbia - 15 horas – AO VIVO

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Clássico abre Candangão 2006

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Leandro Alarcon


Começo cheio de rivalidade no Campeonato Candango 2006. Logo na primeira rodada, os principais times do Distrito Federal, Gama e Brasiliense, fizeram o principal clássico da região.

O confronto aconteceu graças à decisão da Federação Metropolitana de Futebol de não fazer o sorteio direcionado, permitindo a possibilidade de formação do chamado grupo da morte, com Gama e Brasiliense na mesma chave.

Foi o que aconteceu. Os principais times do Distrito Federal cairiam na mesma chave e são os grades favoritos as duas vagas do grupo “A”, que conta ainda com Capital, CFZ, e UNAÍ-MG. No grupo “B” todos possuem chances iguais de classificação, com uma pequena vantagem para o Ceilândia, que no ano passado surpreendeu ao ficar com o vice-campeonato e que neste ano, além de reforçar o elenco, reformou o seu estádio que esteve fechado na temporada passada.

A briga no grupo “B” ainda conta com mais um tempero. Como o regulamento garante aos dois melhores colocados do campeonato, participação na série “C” do Brasileiro deste ano e Gama e Brasiliense já estão garantidos na série “B”, os dois times que saírem do grupo “B”, deverão disputar a terceira divisão do nacional deste ano, isso é claro, se os favoritos não tropeçarem em nenhuma zebra pelo caminho.


Brasiliense x Gama

O primeiro tempo foi movimentado, com os dois times criando várias chances de gol, até que o meia Canela fez o gol do Gama. O Brasiliense não se abateu e ainda no primeiro tempo conseguiu buscar o empate com o estreante Allann Delon.

Apesar de o Gama ter mais a posse de bola no primeiro tempo e ter criado algumas boas chances, não conseguiu converter as oportunidades criadas em gol, terminado o primeiro tempo no 1x1 mesmo.

No segundo tempo o Brasiliense veio com força total, abrindo espaços para as jogadas de contra ataque do Gama, mas novamente o alviverde não soube aproveitar suas chances e acabou sendo vítima do velha máxima do futebol, “quem não faz leva”. Iranildo, de falta, aos 21 minutos, virou para o Jacaré. O jogo seguiu equilibrado, mas acabou assim, Brasiliense 2 x 1 Gama.


J
ogos da rodada

Brasiliense 2 x 1 Gama

Unaí 2 x 2 CFZ/Brasília

Ceilândia 2 x 1 Dom Pedro

Guará 0 x 4 Luziânia

terça-feira, janeiro 17, 2006

Matthäus no Furacão. É uma boa?

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Dante Baptista


O Atlético-PR anunciou a contratação do técnico Lothar Matthäus. Campeão do Mundo pela Alemanha em 1990, terá o desafio de ser o primeiro técnico de uma grande potência européia a dirigir um time brasileiro de grande porte. A idéia de dirigir o Furacão partiu do próprio Matthäus, que se impressionou com a estrutura do clube. Ele recebeu o sim da esposa, e só espera a resposta dos advogados para vir ao Brasil em definitivo.

Porém, trazer o alemão para dirigir o Atlético é uma grande jogada de marketing. O nome de Matthäus é conhecido no mundo todo, e a sua vinda para o Brasil projetaria o nome do Furacão a esferas internacionais. O time paranaense também conta com o apelo da colônia alemã no sul do país, e, por ser um grande vendedor de jogadores, ter um técnico como Matthäus ajudaria nas negociações.

Porém, como toda jogada de marketing, a vinda de Matthäus traz problemas. O alemão ainda é inexperiente e reconhecidamente não é um bom técnico. Seu currículo tem, além de times alemães, a seleção húngara, a qual ele não conseguiu classificar nem para a repescagem das eliminatórias.

Fora isso, o provável técnico do Furacão terá de se adaptar a dois problemas recorrentes dos estrangeiros que vêm ao Brasil. Língua e calendário. E, no caso de Matthäus, não se sabe o que é pior. A distância entre a língua brasileira e a alemã é enorme e dificulta a obtenção de bons resultados a curto prazo.

E, para conseguir se adaptar a um calendário com várias competições simultâneas e sem o plantel e o dinheiro europeus, Mathäus terá dificuldades. Mesmo tentando aliar o talento brasileiro à disciplina do velho continente, a missão é complicada. Há o risco de o tiro sair pela culatra.

Como em qualquer previsão, só o tempo pode dizer o que vai acontecer. Porém, é um risco muito grande para um clube em franca ascensão como o Atlético trazer um técnico ainda sem know-how no futebol brasileiro. Mesmo com o nome que tem Lothar Matthäus, a aposta é arriscada e pode não dar o resultado desejado. O exemplo de contratações apenas pelo marketing já foi dado pelo Real Madrid, e ficou provado que não dá certo. Cuidado, Furacão...


Coluna republicada do http://futeblog.uniblog.com.br - Futebol com Informação e Opinião


domingo, janeiro 15, 2006

Fim da linha para Carlos Bianchi

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Henrique Moretti

O técnico argentino Carlos Bianchi durou pouco no comando do Atlético de Madrid. Sua passagem pelo clube da capital espanhola durou exatamente 219 dias, tendo se iniciado em Junho de 2005. O golpe de misericórdia foi realizado na derrota da última quarta-feira (0x1) para o Zagaroza em pleno estádio Vicente Calderón, pelo jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Rei. “El Virrey” teve inclusive sua cabeça pedida por parte dos torcedores atleticanos.

Essa notícia, tal qual a da demissão de Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid, deixa o torcedor sul-americano com muitas dúvidas na cabeça. Como pode um treinador comprovadamente vencedor na América, com vários títulos importantes por Boca Juniors e Vélez Sarsfield ir tão mal quando o desafio é no Velho Continente?

Bianchi, que já havia fracassado na Roma no fim dos anos 90, sabe que será muito duro receber uma nova boa oportunidade de trabalho na Europa. E o caso do Atlético é bem peculiar. Depois da equipe terminar entre os 10 primeiros da última Liga Espanhola, tendo inclusive brigado diretamente por vagas nas copas européias, o presidente Enrique Cerezo resolveu abrir os cofres do clube para realmente ganhar títulos, depois de longo jejum. Para alcançar o objetivo, nada melhor seria que apostar num técnico já consagrado, como Bianchi, e lhe dar a devida liberdade para contratar.

Ao todo, 22 milhões de euros foram gastos na construção do time, com as contratações dos argentinos Maxí Rodriguez e Luciano Galleti, do sérvio e montenegrino Mateja Kezman - que sofreu muito com contusões - e do búlgaro Martin Petrov, todos defensores de suas seleções nacionais. Todos esses somado à juventude e talento de Fernando Torres (na foto com Kezman), provável dono da camisa 9 da Fúria na Copa 2006, e à habilidade do baixinho meia também argentino Ariel Ibagaza.

O teórico timaço ficou apenas no papel e o Atlético amargou muitos pontos perdidos dentro da própria casa, problemas inusitados, como o da intoxicação estomacal que tirou de cena vários jogadores do elenco na semana retrasada, e uma apenas medíocre 12ª posição no campeonato nacional, a quatro pontos da zona de rebaixamento, e o que era pra ser uma volta triunfal de Bianchi ao futebol (ficou afastado dos gramados por mais de um ano devido a problemas familiares) acabou se transformando num vexame que talvez não tenha mais volta para o argentino.

Só resta agora ao “Virrey” provar novamente que tem condições de realizar um grande trabalho na Europa. Treinar a Seleção Argentina pós-Copa do Mundo pode ser um bom (re)começo.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Se arrependimento matasse...

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Leandro Alarcon

E o Luis Fabiano quer voltar. O ex-atacante do São Paulo de 25 anos, declarou ao jornal de esportes espanhol “Marca”, na última terça-feira, que pretende voltar ao futebol brasileiro, o jogador, que só fez dois jogos seguidos pelo Sevilla, admitiu não ter conseguido se adaptar ao futebol europeu e que não está contente no clube.

Mesmo depois de pedir desculpas à torcida, as declarações do jogador fazem lembrar uma antiga discussão, até quando ou quanto vale a pena se transferir para o futebol europeu. Luis Fabiano foi o principal artilheiro do São Paulo entre 2001 e 2004, quando se transferiu para o Porto e de lá foi emprestado ao Sevilla da Espanha. Os dois clubes são tradicionais e visados pela mídia, mas o jogador acabou caindo no esquecimento do torcedor.

Quando atuava no tricolor paulista, o jogador era tido como grande promessa para fazer parte do grupo que vai a Copa da Alemanha, enquanto hoje sua presença no mundial é improvável. Além de Luis Fabiano, outros atletas tiveram a carreira dificultada ao irem jogar fora do país.

A vontade de ganhar euros, além da promessa de um futebol bem organizado, leva jogadores e empresários a fechar negócios que poderiam ser até mais lucrativos se não fossem concluídos com tanta pressa. Bom exemplo disso é o jogador Diego, que em 2002 fez uma ótima parceria com Robinho no Santos, os “meninos da Vila”, como eram chamados, foram fundamentais para a conquista do Brasileiro daquele ano. Porém, ao tratarem de suas carreiras seguiram caminhos diferentes.

Diego achou melhor aproveitar a boa fase e em 2004 aceitou a primeira proposta da Europa que recebeu - do Porto. Resultado, um gol em 15 jogos, além de amargar o banco de reservas. Hoje suas chances de ir à Copa também são pequenas. Já Robinho teve paciência e permaneceu no futebol brasileiro, onde continuou chamando atenção da mídia. O que aconteceu com ele? Também conseguiu contrato na Europa – um bom contrato, diga-se de passagem - e ninguém tem dúvidas se ele vai para a Copa do Mundo.

É claro que é muito fácil falar agora que tudo já aconteceu e está encaminhado, mas basta olhar um pouco para o passado e perceber que não é primeira vez que promessas são perdidas e nunca mais encontradas, como é o caso de França, Marcelinho Carioca, Vampeta...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Estaduais 2006: Começando tudo de novo

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Pedro Galindo

Janeiro, tempo de praia, lazer e, sobretudo, férias. Mas também é o mês em que os jogadores de futebol voltam a trabalhar, o mês em que começam todos os estaduais – que já foram muito mais importantes outrora. E com os estaduais vêm também as contratações, novos treinadores, e várias novidades na maioria dos times.

Nos principais campeonatos do Brasil, o Carioca e o Paulista, muitas novidades, principalmente no Paulistão. O Santos foi o que trouxe mais reforços (era, talvez, o time mais fraco dos grandes). O excelente volante chileno Maldonado e o goleiro Fábio Costa foram as principais, junto com o atacante Reinaldo, ex-São Paulo. No Palmeiras, algumas contratações de relativo peso: o lateral-artilheiro Paulo Baier, ex-Goiás, e o “Animal” Edmundo foram as que mais chamaram a atenção. Já Corinthians e São Paulo (atual campeão) trouxeram poucos nomes: o atacante Rafael Moura, ex-Paysandu, e Xavier, ex-volante do Vitória, da Bahia, reforçam o alvinegro, enquanto o campeão mundial trouxe apenas o meia Rodrigo Fabri, apesar de ainda procurar um substituto para Cicinho. Um destaque também para o São Caetano, que trouxe de volta Adhemar, maior artilheiro da história do clube, e tem tudo para trazer o meia Rosembrick, que foi destaque da Série B de 2005 pelo Santa Cruz.

Já no Rio de Janeiro, poucas novidades. O Vasco trouxe os meias Fábio Baiano, ex-Flamengo e Corinthians, Ramon, que estava no Botafogo, e o lateral Léo Inácio, ex-Flamengo. No rival vermelho e preto, algumas contratações de expressão: Ronaldo Angelim, bom zagueiro ex-Fortaleza, e os ex-Fluminense Juan e Toró. No Botafogo, o meia Lúcio Flávio, ex-Paraná e Coxa, e o lateral Neném são os únicos reforços de renome. Nas Laranjeiras, chegaram alguns bons jogadores. Os laterais Rogério, ex-Corinthians, e Jean, que estava no Feyenoord, chegam para substituir os do ano passado. Junto com o goleiro Diego, ex-Atlético Paranaense, são as principais contratações do “Flu" (na imagem levantando a taça do ano passado) para a temporada.

Em Belo Horizonte também foi formado um grande elenco: o Cruzeiro. No ano do aniversário de 85 anos do clube, o presidente Alvimar Perrela decidiu soltar o dinheiro e trazer reforços de peso. A “Raposa” trouxe os atacantes Araújo, que segundo a IFFHS foi o maior artilheiro do mundo em 2005 (33 gols em 33 jogos pelo Gamba Osaka, do Japão), Élber, que fez história no futebol alemão, e o habilidoso Gil, ex-Corinthians. Trouxe também o volante Jonílson, depois de uma complicada negociação com o Botafogo. Além de todos esses reforços, o Cruzeiro ainda conseguiu manter a maioria dos seus jogadores da última temporada (apenas três do time titular saíram), o que o torna um potencial candidato às conquistas importantes de 2006.

Apesar de terem perdido muita importância nos últimos anos, devido à sua baixa rentabilidade, os campeonatos estaduais ainda são um bom teste para os clubes, que aproveitam para avaliar se seus plantéis são suficientes para o restante da temporada. Alguns deles já começaram, como os campeonatos pernambucano, baiano, cearense e goiano, e tiveram grandes jogos: já na abertura do campeonato goiano aconteceu o maior clássico local, entre Goiás e Vila Nova. O time rubro ganhou por 3x0, causando preocupação ao treinador do time alviverde Geninho.

Outra grande vantagem dos estaduais – e, talvez, o principal motivo pelo qual eles existem até hoje – é sua capacidade de manter as rivalidades locais acesas. Uma excelente alternativa ao prejuízo dos estaduais seria a volta dos bem-sucedidos campeonatos regionais, que fez sucesso em todas as regiões do Brasil, empolgando a todos, levando gente aos estádios e, principalmente, dando renda aos falidos clubes brasileiros. Porém, apesar de todos esses empecilhos, a expectativa é que tenhamos excelentes campeonatos estaduais, com um bom nível técnico e, principalmente, diversão a todos os amantes do futebol.


terça-feira, janeiro 10, 2006

Mercado Europeu de Inverno

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Henrique Moretti


Chegando ao início de mais um ano, como todos sabem os clubes europeus vão às compras mais uma vez. Porém, via de regra essa janela que se abre na Europa entre o fim do turno e o início do returno dos campeonatos nacionais é apenas para reparos.

Poucas contratações foram realizadas, sendo a que talvez mais chamou atenção foi a compra do bom lateral-direito holandês Jan Kromkamp pelo Liverpool (ao lado em sua apresentação), em troca do espanhol Josemi (de mesma posição), que seguiu rumo ao Villareal – a equipe do submarino amarelo recebeu também uma quantia em dinheiro.

Esta parece ter sido uma excelente sacada do técnico dos Reds Rafa Benitez, pois na atual safra mundial não há muitos bons jogadores da posição, e Kromkamp é um dos únicos. Mesmo sendo um pouco desconhecido do grande público, o lateral é presença praticamente certa na equipe titular da Holanda para a Copa 2006.

Outras aquisições importantes foram a do italiano Antonio Cassano (posando com sua camisa 19), que saiu da Roma, onde estava em litígio, em direção ao Real Madrid (que parece não se cansar de contratar atacantes). O avante que se destacou na EURO 2004 foi comprado pelo time da capital italiana por 30 milhões de euros há poucos anos e vendido hoje por apenas 1/6 disso, tudo porque o seu contrato estava para acabar em Junho. Cicinho, que já estava acertado com o clube merengue, também apresentou-se.

Outro atacante italiano que mudou de país foi o decadente Christian Vieri, que trocou o Milan, onde não fez grande coisa, pelo francês Mônaco. Com a mudança, Vieri pretende poder jogar regularmente visando uma vaga na Azzurra que vai ao Mundial da Alemanha.

Contratações menos bombásticas, porém boas, fez o Manchester United, trazendo o zagueiro Vidic, titular da seleção de Sérvia e Montenegro, por surpreendentes 7 milhões de euros, e o bom lateral francês Evra, que veio do Mônaco para substituir o lesionado argentino Heinze. A equipe de Alex Fergunson parece estar mais preocupada com a próxima temporada, já que foi eliminada precocemente da Copa dos Campeões e vencer a Premier League é tarefa quase impossível.

No sempre badalado Chelsea, apenas uma aquisição. E por empréstimo. Foi a do volante português Maniche (foto ao lado), xodó do técnico Jose Mourinho, que já o treinou em duas oportunidades. Maniche estava no Dinamo de Moscou, da Rússia, e foi trazido para cobrir a brexa que Essien deixará quando estiver na disputa da Copa da África, no fim do mês de Janeiro.

As contratações de menos peso foram na Espanha a do brasileiro Robert, pelo Betis, por empréstimo junto ao PSV, para substituir temporariamente o machucado Ricardo Oliveira; em Portugal as do meia francês Robert, do goleiro brasileiro Moretto e do meia Manduca (destaques do primeiro turno da Superliga), todas realizadas pelo Benfica. Na Itália, Palermo e Parma trocaram seus goleiros Guardalben e Luppatelli por empréstimo até o meio do ano. Ainda o inglês Portsmouth trouxe o atacante naturalizado polonês Olisadebe do Panathinaikos.

Assim, especulações não faltaram e ainda chamam a atenção circulando na mídia européia, porém de realmente concreto a janela de início de 2006 só apresentou esses nomes. Alguns clubes vão se acertando para o fim da temporada ainda pensando em títulos, outros já pensam no início da próxima, quando aí sim transferências de peso devem acontecer, inclusive com a já tradicional debandada dos jovens talentos brasileiros ao Velho Continente.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Um 2006 de Futebol e Paz

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Christian Avgoustopoulos

Pois é, estamos em 2006. Nosso centenário esporte vem ganhando força a cada ano que passa. Mais do que um esporte, jogo ou simples entretenimento, o futebol vem se consolidando como um dos mais significativos fatores humanos que nossos recentes antepassados nos deixaram como legado.

Desde uma simples brincadeira com os filhos no quintal de casa à uma Copa do Mundo, a magia e atração do futebol são inegáveis e superam muitas vezes fatores históricos de maior relevância em nossa sociedade, como por exemplo política e religião. E estamos agora iniciando mais um ano, mais batalhas por vir, mais espetáculos a serem oferecidos para nós pelos heróis da bola, pelos incansáveis atletas, sejam de raça ou de técnica, goleiros ou centroavantes, veteranos ou juvenis. E o segredo desse esporte é justamente essa aglutinação. A mistura desses fatores leva ao equilíbrio, à variedade, a algo mais do que o arroz com feijão, ou até mesmo (e por que não?) a sublime simplicidade do arroz com feijão

Já na Europa o ano está recomeçando. Mercado de reparo em janeiro, contratações apenas para ajustar pequenas deficiências de cada equipe. Fase final de Copa dos Campeões, segundo turno dos campeonatos nacionais. E ao meio do ano, o momento do clímax. Mais uma vez veremos uma grande massa de pessoas em sintonia num mesmo foco. Sim, que venha a Copa! Mais uma vez teremos a chance de ver as melhores seleções do mundo peleando com sua bandeira no peito em busca da mais fascinante competição que temos no mundo. Coisa linda! Uma guerra branca, sem armas, sem politicagem, sem alianças e conspirações. E cada um de nós estará representado pelos 23 jogadores convocados de cada país, que estarão em campo tentando superar seus limites e encher de orgulho seu povo. Quem dera se o mundo só visse o nacionalismo e a auto-afirmação dos povos apenas nos esportes, nas danças, nas festas.

E a sociedade também sobrevive e tenta se fortalecer neste novo ano que chega. A humanidade também está enfrentando uma grande e difícil partida. E essa partida é contra a fome, a guerra, o racismo, a desigualdade, a injustiça. Será que esse time é tão forte assim para nos deter? Talvez um esquema tático pudesse nos ajudar a vencer esse jogo. Ao invés de um 4-4-2 ou um 3-5-2, que tal um 6 bilhões unido e solidário? Talvez lembrando o carrossel de Rinus Michels, com todos atuando em todas as posições que podem, fazendo o seu melhor, sempre com alegria e muita determinação. Que a habitual troca de camisas no final das partidas seja o maior exemplo de fraternidade para aqueles que talvez ainda não conheçam esse nobre sentimento, que sirva de lição para aqueles que por motivos imperialistas e tiranos fazem coisas que tiram um pouco do brilho que nossa vida deve ter.

Sim, mais um ano chega. Novos atletas estão surgindo, veteranos vão cedendo o seu lugar a eles. Opa, mas não é assim simples. Os novos tem que conquistar esse espaço, Romário que o diga. E quem assistiu a partida beneficente montada pelo Zico? Maradona, Zico, Dinamite...pena que o ciclo natural da vida lhes tire parte do vigor físico, porque é muito gratificante vê-los fazerem o que sabem. Longa vida a todos eles, que possam ensinar os mais jovens a serem melhores do que eles, e que sirvam de exemplo também na formação de nosso caráter.

E dessa maneira simples e bem sincera, de coração mesmo, desejo um excelente ano para todos nós. Que tenhamos boas histórias pra contar, boas ações a cumprir e bons jogos para apreciar

Finalizando, gostaria de tomar a liberdade de usar deste pequeno espacinho de texto para dedicar minhas singelas palavras ao meu querido Papú (avô em grego), que nos deixou no dia 29/12/2005. Tenho certeza de que ele foi convocado por Deus para uma partida muito mais importante lá em cima. Que os Deuses estejam contigo Papú!

domingo, janeiro 08, 2006

RUMO A 2006: Paraguai

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Henrique Moretti

Considerada por muitos a atual terceira força do futebol sul-americano, ultrapassando o tradicional Uruguai, o Paraguai completará em 2006 na Alemanha sua terceira participação consecutiva em Copas do Mundo.

De partida, a alta cúpula paraguaia esforçou-se para não cometer o mesmo erro do Mundial da Coréia-Japão, onde o treinador das Eliminatórias Sergio Markarían foi substituído às vésperas da competição pelo experiente italiano Cesare Maldini, aposta que desagradou aos atletas e frustrou as esperanças do Paraguai de ir mais longe daquela vez (eliminação nas oitavas, diante da Alemanha). Assim, o uruguaio Aníbal Ruiz, no cargo desde 2003, está confirmadíssimo para a Copa do Mundo.

Dentro das quatro linhas, a equipe que se tornou facilmente relacionada a veteranos da brilhante campanha na França 98 (eliminação nas oitavas diante dos donos da casa apenas no gol de ouro), como Jose Chilavert, Celso Ayala, Francisco Arce e Carlos Gamarra (abaixo, em ação na Copa 2002) já não é mais a mesma. Desses quatro ícones guaranis, apenas o último segue na seleção nacional. Esse que é conhecidíssimo da torcida brasileira, o sensacional zagueiro Gamarra não tem mais o preparo físico de outras épocas, porém ainda mostra no Palmeiras a elegância e lealdade que marcaram sua carreira, sendo capitão e peça chave do esquema de Aníbal Ruiz.

Esquema que começa com Villar sendo um bom substituto para o falastrão Chilavert, Nuñez ocupando a vaga que era de Arce e Cáceres, um dos únicos a se salvar da péssima campanha do Atlético-MG no último Brasileirão, formando o miolo de zaga com Gamarra.

No meio, o jovem Barreto, vice-campeão das Olimpíadas de Atenas, oferece proteção à defesa, enquanto Paredes, da italiana Reggina, e Acuña são os encarregados da criação para o rápido e novo atacante do Werder Bremen Nelson Haedo Valdez (foto acima, acompanhado de Villar), e para o ponto de referência da equipe, o centroavante Roque Santa Cruz, que pode ficar de fora do Mundial devido a uma séria contusão no joelho. Comissão técnica e torcida paraguaias esperam que os 6 meses previstos para a recuperação do atleta sejam diminuídos para ele estar apto em Junho. Sem o atacante do Bayern, a opção fica por conta do veterano Cardozo ou do veloz Cuevas, que se destacou classificando a seleção para a fase final da Copa 2002.

Além da inesperada baixa de seu goleador Santa Cruz, o Paraguai viu-se com mais problemas quando o sorteio da Copa foi realizado. O time guarani estará no complicado grupo B, ao lado de Inglaterra, Suécia e Trinidad & Tobago. Ingleses e suecos aparecem como franco-favoritos na chave, e apesar de toda disposição e garra que é característica dos paraguaios, a classificação para a Segunda Fase é improvável.

Contudo, os comandados de Ruiz esperam que o recente retrospecto de não voltar para a casa logo na fase inicial seja mantido, com uma nova classificação às oitavas, o que já ficaria de ótimo tamanho para a reformulada esquadra paraguaua.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1906
Afiliação à FIFA: 1921
Participações em Mundiais: 6 (1930, 1950, 1958, 1986, 1998, 2002)
Melhor Resultado: Oitavas de finais: (1998, 2002)
Última Copa: Oitavas de finais (2002)
Títulos Continentais: Bicampeão da Copa América (1953, 1979)
Ranking FIFA: 30º
Time-Base: Villar, Nuñez, Cáceres, Gamarra, Caniza; Ortíz, Barreto, Paredes, Acuña; Valdez e Cuevas (Santa Cruz)
Técnico: Aníbal Ruiz
Principal Estrela: Roque Santa Cruz (Bayern de Munique)
Formação: 4-4-2
Avaliação: ** (Em grupo difícil, briga por vaga à segunda fase)

FALTAM 152 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
imagens: www.fifaworldcup.com

sábado, janeiro 07, 2006

RUMO A 2006: Equador

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Henrique Moretti


Surpresa nas Eliminatórias para a Copa de 2002, quando alcançou a segunda posição, apenas atrás da líder Argentina e a frente do campeoníssimo Brasil (e sem nunca haver participado de uma fase final), o Equador já aparece em 2006 como realidade.

A campanha nas recentes eliminatórias foi novamente boa e tranqüila, com classificação em 3º lugar e com uma rodada de antecedência, confirmando assim a nova tendência de que equatorianos e paraguaios estarem roubando a posição do Uruguai (que nem vai à Copa) como terceira força sul-americana.

O time do técnico colombiano Luis Fernando Suárez conta com um plantel equilibrado e inteligente taticamente. Jogadores experientes, como o lateral De la Cruz, já há algum tempo no futebol inglês, o zagueiro Hurtado, e o interminável goleador Delgado, que hoje atua no futebol local, se juntam à jovens como os meio-campistas Lara e Valencia (foto abaixo contra o Uruguai).

Só que, ao que tudo indica, o principal aliado equatoriano não estará no Mundial da Alemanha em Junho: o estádio Olímpico de Quito e sua altitude de mais de 2500 metros. Foi lá que 23 dos 28 pontos da equipe nas Eliminatórias foram conquistados, tendo terminada invicta em seu campo nesta fase. Inclusive vitórias contra Brasil e Argentina foram obtidas.

Resolver esse pequeno problema da falta do fator-campo é o desafio de Suárez e seus comandados, para não repetir o feito de 2002, quando o Equador foi eliminado em apenas 2 jogos contra Itália e México, porém não chegou a passar vexame, tendo vencido e ajudado a eliminar a Croácia em sua terceira partida.

Para 2006, o grupo equatoriano é teoricamente mais tranqüilo que o da última Copa, acompanhado na chave A pela dona da casa Alemanha, a sua concorrente direta pela segunda vaga Polônia e a frágil Costa Rica.

Em suma, passagem do Equador à segunda fase não será considerada nenhuma surpresa, apesar do pequeno favoritismo polonês. Isso, se o time não sentir novamente falta de Quito.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1925
Afiliação à FIFA: 1926
Participações em Mundiais: 1 (2002)
Melhor Resultado: Primeira Fase (2002)
Última Copa: Primeira Fase (2002)
Campanha nas Eliminatórias: 3º colocado da Zona Sul-americana
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 37º
Time-Base: Mora, De la Cruz, Hurtado, Espinoza, Ambrosi; Ayoví, Tenório (Lara), Méndez, Valencia; Delgado e Borja
Técnico: Luiz Fernando Suárez
Principal Estrela: Agustín Delgado (Barcelona - EQU)
Formação: 4-4-2
Avaliação: ** (Briga por vaga à Segunda Fase)

FALTAM 153 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
imagens: www.fifaworldcup.com

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Copa São Paulo de Juniores: Testando as Promessas

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Pedro Galindo


Logo na primeira semana do ano, teve início a principal competição que envolve jogadores jovens do Brasil. A Copa São Paulo de Futebol Junior, que vem sendo realizada desde 1969, tem 22 grupos de quatro clubes nessa edição, e confrontos que prometem ser um bom laboratório para as categorias de base dos clubes brasileiros. O maior campeão da história da "Copinha", como é chamado o certame, é o Corinthians, que a venceu seis vezes, inclusive as duas últimas edições.

A principal finalidade desse torneio é tornar promessas em realidade, o que tem acontecido com freqüência. Não são poucos os exemplos de grandes jogadores que “nasceram” para o futebol na Copinha. Sylvinho, lateral do Barcelona, Edu, hoje no Valencia, e Fred, ex-Cruzeiro e atualmente no Lyon, são alguns exemplos mais recentes. O luso-brasileiro Deco é outro grande jogador que se originou do torneio. Mais exemplos, desta vez mais antigos, são Toninho Cerezo, Cafu, Careca e Denner (foto abaixo). Se for analisado o histórico da competição, vê-se que inúmeros jogadores que fizeram fama começaram nesse “laboratório”.

A Copinha foi criada em 1969, uma iniciativa da prefeitura da cidade de São Paulo para comemorar o aniversário da cidade. Inclusive, a final tradicionalmente ocorre no dia 25 de janeiro, dia de sua fundação. Além disso, foi uma tentativa de fazer os clubes revelarem novos valores, devido às conseqüências que, como todos sabem, o esporte pode trazer à sociedade. Em sua primeira edição, apenas quatro times jogaram o torneio, número que agora cresceu para 88. Isso não é exatamente bom: pensar que, quanto mais clubes, mais revelações vão aparecer, é ilusório. Poucos jogadores se destacam, a ponto de serem levados á clubes maiores ou promovidos às categorias principais, em apenas três jogos, como pode acontecer com algumas equipes. Com isso, poucos conseguem realmente aparecer no cenário nacional.

Outro gravíssimo problema são os empresários. O que vem ocorrendo ultimamente é a formação de “agremiações”, às vésperas do torneio, montadas exclusivamente para ganhar dinheiro. Times sem a menor tradição e muito menos futuro, participando do torneio, que fica servindo para os empresários tentarem empurrar “goela abaixo” as suas “promessas” para as equipes grandes.

Esse torneio, que é importantíssimo para o futuro do futebol brasileiro, merece sérias modificações. Uma delas, e possivelmente a mais urgente, é a tabela. Para começar, uma redução no número de clubes participantes. Depois, uma divisão das equipes em grupos maiores, como por exemplo, grupos de oito times. Seriam mais jogos para se observar as promessas, que é o real objetivo do certame. Essa redução seria possível graças à outra atitude que precisa ser tomada: a restrição a certos clubes participantes – se é que assim se pode chamar de clubes esse aglomerado de jogadores liderados por um empresário. Com essas medidas básicas, poder-se-ia haver um torneio que cumprisse melhor suas propostas. Com isso, tudo indica que teria prosseguimento a soberania verde e amarela nos gramados internacionais.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Futebol Alemão: O Fim de uma potência Mundial?

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Alden Calviño

Tricampeã do mundo, finalista em 1982, 1986 e 2002, nação de célebres jogadores como, Matthäus (foto), Voller, Muller, Brehme, a Alemanha pode estar com os dias contados no cenário futebolístico.

Como o atual técnico da seleção e ex-jogador Jürgen Klinsmann afirmou no recente Fórum do Futebol no Rio de Janeiro, não se vêem mais crianças jogando futebol nas ruas, a tradicional “pelada”, coisa comum nos países sub-desenvolvidos, segundo o próprio.

Mas qual seria o problema que ocorre com as crianças da Alemanha? Qual a causa desse desaparecimento dos garotos?

Maior economia da Europa, 3º maior PIB do mundo, a Alemanha fora das “quatro linhas” vai muito bem, obrigado.

Contudo, um dos grandes contratempos vividos na Alemanha hoje em dia é a baixa taxa de natalidade, e a alta taxa de longevidade, o que inclusive fizeram com que os políticos alemães, em Março de 2005, chegarem a realizar um apelo para a população ter mais filhos.

Com esse problema, não há a renovação no futebol alemão, pois as crianças hoje são minoria num país envelhecido.

Isso sem contar que, em uma nação extremamente capitalista, os jovens desde cedo são incentivadas pelos pais a estudarem e assim conseguirem um lugar ao Sol no concorrido e disputado mercado alemão, alternativa mais plausível a que se aventurarem no mundo do futebol.

Esse dilema não ocorre em países subdesenvolvidos, ainda de acordo com Klinsmann, pois as chances de uma criança que convive com mais oito irmãos são menores em se conseguir um estudo que se preze, ao passo que os países do 3º Mundo ainda contam com diversos problemas na área educacional.

Logo esses garotos que não terão muitas chances no estudo acabam entrando num mundo não menos rentável e de mais fácil entrada, o futebol.

Em um estudo realizado em Lagos, capital da Nigéria, 9 em cada 10 crianças sonham em se tornar jogadores de futebol, e diariamente praticam o esporte jogado na rua, com o intuito de se destacar, e em breve chegar à Europa, sonho de consumo dos atletas de países subdesenvolvidos.

Um outro fator importante a se destacar são os imigrantes africanos. Estes têm mais dificuldades em entrar na Alemanha, diferentemente da França, onde facilmente conseguem acesso. Caso semelhante também ao da Holanda, que durante muito tempo teve jogadores de suas colônias, Suriname, Antilhas, dentre outros.

Isso fez com que as seleções destes países se fortalecessem dentro de campo, numa grande mistura de raças, e assim organizaram fortes equipes, vide a França de 1998.

Alguns poderão afirmar que na atual seleção da Alemanha existem jovens jogadores que podem dar à um futuro promissor à Seleção, casos de Schweinsteiger, Podolski e Mertesacker. Mas apenas isso será suficiente para uma seleção tricampeã do mundo?

Muitos crêem que não, que isso seria muito pouco para o quilate da seleção alemã; outros pensam que sim e que o fussball voltará ao seu auge e se tornará novamente uma potência futebolística.

De agora em diante é esperar para ver se os problemas extra-campo irão permitir à Alemanha a se firmar novamente no cenário mundial ou ela irá só assistir de camarote o crescimento e um possível domínio do futebol africano.