quinta-feira, junho 29, 2006

Pedras azuis em nosso sapato

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Luiz Mendes Junior

Quis a sorte que encontrássemos novamente os franceses em uma Copa do Mundo, não na decisão, como em 98, mas nas quartas-de-final, como quando perdemos melancolicamente em 86, levando um suado empate para a disputa de pênaltis.

As equipes francesas de 1986 e 1998 lembravam nosso Brasil de algum modo, talvez mais o time de 86, também habilidoso, com um Zico de nome Platini e outros craques muito técnicos, jogando um futebol meio europeu e meio brasileiro, sem a típica cintura dura alemã, mas também sem a vocação ofensiva e o brilho da Holanda, quando campeão em 98, e sem uma solidez defensiva de italianos inspirados, quando eliminado nas semi-finais de 86. Lá e cá, com Platini ou Zidane, mandaram-nos para casa sem troféu, e pretendem repetir a façanha, prometendo resgatar lembranças de uma estranha final em que Ronaldo não foi Ronaldo por motivos ainda obscuros, e também calar quaisquer especulações remanescentes de quem permanece acreditando na hipótese de uma decisão arranjada.

Não, não é mais aquela França, mesmo com “Zizou” e outros em campo! Contudo, penso que a atual pode nos ser quase tão indigesta quanto sua antecessora, como em 97, no mesmo Saint Dennis da final, quase com a mesma escalação, num pequeno torneio quadrangular que contava também com Itália e Inglaterra, onde os “Azuis” nos arrancariam um empate que já anunciava sua capacidade de se igualar ao Brasil entre as quatro linhas, mesmo que contássemos com um inspiradíssimo Romário. A verdade é que essa geração de jogadores sempre atuou bem contra o Brasil, vencendo-nos em 98 e 2001, empatando em 97 e 2003.

De 97 para cá, jamais os derrotamos, e isso mostra o quão legítima pode ter sido a “suspeita” decisão de Paris. Sabemos, no entanto, que cada jogo é uma história, e que essa França, apesar de experiente e perigosa, não tem mais o brilho de outrora, e tampouco joga em casa. Penso que se atuarmos com um time bem montado, teremos todas as chances do mundo para proporcionar uma honrosa despedida a Zinedine Zidane, apesar das iminentes dificuldades.

Mudando agora o foco, Alemanha e Argentina disputarão, a meu ver, o jogo mais esperado da Copa, e também um duelo chave que poderá determinar os rumos do futebol alemão.

Por que digo isso?

Dois motivos interligados. Primeiramente, os alemães não vencem um clássico (leia-se “clássico” jogos contra equipes de grande tradição) desde 2000, e uma vitória (ou mesmo um triunfo nos pênaltis) contra a Argentina solidificará de vez os méritos de Klismann no comando do time; Klismann que propôs uma alteração radical na maneira da Alemanha jogar, priorizando um futebol ofensivo, ousado e vibrante, que tornasse sua seleção não apenas competitiva, mas também apreciável aos espectadores, menos sisuda, menos fria, menos “alemã”, buscando justamente modificar essa terrível associação, a imagem do país que “descobriu um modo de ganhar Copa sem precisar jogar bola”. Vencer os argentinos pode mudar permanentemente a maneira alemã de encarar futebol, e isso, para Klismann, significaria mais do que melhorar esse esporte em seu país, mas também no resto do mundo, visto que muitos olham a Alemanha como referência.

Por essas e outras, penso seriamente em torcer para eles amanhã. Conseguirei?

Luiz Mendes Junior também escreve no blog:www.noticiasdofront3.blogspot.com

quarta-feira, junho 28, 2006

As oitavas-de-final

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Renato Bosi de Magalhães

Depois de um jogo promissor entre Alemanha e Suécia, em que a seleção alemã ganhou de 2 a 0, mas poderia ter sido 4 ou 5, tal foi a superioridade do time dirigido por Klinsmann, tivemos nessas oitavas-de-final jogos entediantes.

A Argentina encontrou muitas dificuldades para passar do México. Saviola, que vinha sendo um dos destaques da seleção portenha, foi um dos piores em campo. Sorín também jogou muito mal, e graças a um golaço do Maxi Rodríguez na prorrogação, nossos vizinhos da América do Sul passaram de fase.

Inglaterra X Equador também foi duro de assistir. A equipe dirigida por Sven-Goran Eriksson, que chegou com toda pompa de melhor seleção inglesa dos últimos quarenta anos, fez mais uma péssima partida. Beckham e Joe Cole fazem nesse Mundial mais ou menos o que deles se espera. Já Gerrard e Lampard não são nem sombras daqueles grandes jogadores de Liverpool e Chelsea, respectivamente. Junto com Ronaldinho Gaúcho, são as maiores decepções até agora. Rooney se esforça, mas ainda está fora de forma devido à contusão que o tirou dos gramados por alguns meses. O gol de falta do Beckham retratou bem o que foi o jogo, já que os ingleses não conseguiram envolver os equatorianos na bola rolando.

Portugal venceu a Holanda em uma partida que teve bons lances, mas a violência dos jogadores de ambas as equipes estragou o espetáculo. Estou surpreso com as boas atuações de Figo. Ele vem se movimentando bastante. Não é aquele jogador da Inter de Milão e do Real Madrid, que ficava parado na ponta direita só alçando bola na área. Já a Itália passou da Austrália no seu famoso futebol de resultados. Os australianos reclamaram do pênalti, que levou a vitória aos italianos. Mas é bom lembrar que a Austrália começou a atacar a azzurra depois de uma expulsão injusta de Materazzi.

Suíça e Ucrânia fizeram um dos piores jogos dessa Copa. As duas bolas na trave no primeiro tempo resumem o jogo. E esse “espetáculo” só poderia mesmo ir aos pênaltis. E a Suíça foi eliminada sem tomar nenhum gol nesse Mundial.

O Brasil ganhou de 3 a 0 de Gana, mas o time africano teve a posse de bola na maioria do tempo. A sorte dos brasileiros é que, assim como os australianos, os ganeses têm uma pontaria de dar dó. Já a França levou a melhor sobre a Espanha. Como já havia acontecido contra Togo, Vieira foi “o cara” do jogo. Deu um belo lançamento para Ribery no primeiro gol e ele próprio fez o segundo. Zidane ainda fez o terceiro. O meia ex-Real Madrid ainda fez outras boas jogadas, principalmente num lançamento primoroso para Malouda, que não conseguiu uma boa finalização.

Eu achava que a Copa começaria de verdade nas oitavas, mas pelos jogos chatos que tivemos e os confrontos que se formaram para a próxima fase (principalmente Brasil x França e Alemanha x Argentina), o Mundial da Alemanha começa verdadeiramente nas quartas-de-final.

terça-feira, junho 27, 2006

A tradicional surpresa africana...

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Henrique Moretti

Desde 1986 o continente africano leva ao menos um representante para a segunda fase da Copa do Mundo. Marrocos, na Copa do México, foi a primeira seleção oriunda da “Mãe-África” a conseguir tal feito, que acabou repetido por Camarões, de Roger Milla, em 1990, na Itália; pela Nigéria, de Amokachi, em 1994, nos EUA, e de West, na França, em 1998; além do surpreendente Senegal, de Diouf, na Copa da Coréia e do Japão, há quatro anos.


Porém, apesar do retrospecto positivo das equipes do Continente Negro nos últimos tempos, não se esperava, dos menos aos mais entendidos, que dessa vez um africano conseguisse passar da primeira fase do Mundial alemão. Pois Gana conseguiu.


A seleção de Gana provou que nunca se deve duvidar do futebol da África, e, contrariando os prognósticos, obteve a classificação no grupo que se mostrou no mais difícil da Copa, o E. Na verdade, a qualidade dos adversários era o maior obstáculo para Gana, e, isso, particularmente, fez com que o colunista não apostasse nas “Estrelas Negras”.


Porque potencial, muitos sabiam que eles tinham. A equipe, conhecida por ser uma potência nas categorias de base - foi duas vezes campeã mundial Sub-17 e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992 -, teve uma campanha impecável nas Eliminatórias, deixando a África do Sul, anfitriã do Mundial de 2010, para trás com larga folga, e apenas 4 bolas chegaram às redes ganesas em toda a fase preliminar. E essa fortaleza na defesa é que diferencia Gana das demais seleções africanas e, conseqüentemente, foi uma das principais razões para que a equipe levasse a melhor sobre EUA e República Tcheca, só sendo derrotada pela tricampeã mundial Itália.


Se é assim, é bom o Brasil tomar cuidado na etapa de oitavas de finais, quando canarinhos e ganeses ficarão frente a frente em Dortmund, no próximo dia 27, porque o clichê de que as seleções africanas têm alegria, muita ginga, dribles, porém inocência na defesa e falta de disciplina tática, cai por terra quando o assunto é a seleção de Essien e cia.


O time é treinado pelo sérvio Ratomir Djukovic e apresenta um zagueiraço, John Mensah, que desde a CAN 2006 (em que a equipe, desfalcada, não obteve nem sequer vaga à segunda fase) vem se destacando. Seu parceiro seria o conhecido Samuel Kuffour, com passagem pelo Bayern e hoje na Roma. Seria porque, ao falhar bisonhamente na estréia diante da Itália, Kuffour foi sacado do time sem dó por Djukovic, dando lugar a Mohammed. A fortaleza continua no meio-campo, com verdadeiros “tanques de guerra”. Essien, Muntari e Appiah são jogadores de muita força física e que aliam marcação firme com boas saídas ao ataque, que parecia (e se confirmou) como a principal deficiência do time, aparecendo Amoah e Gyan, que não são maus jogadores – longe disso -, porém a quantidade de chances de gols que desperdiçam impressiona.


E é com esse time que os comandados de Djukovic tentarão surpreender os pentacampeões brasileiros. E eles levam toda a África consigo, já que Costa do Marfim, Tunísia, Togo e Angola não foram capazes de avançar. O único (porém não menos relevante) contra-tempo para a partida decisiva de Dortmund é o desfalque de Essien, infeliz ao tomar o segundo cartão amarelo logo aos 4 minutos do jogo contra os EUA.



Zidane uma vez mais


Foi duro. Foi difícil. Foi sofrido. Mas a França está nas oitavas de final da Copa do Mundo 2006. A partida contra Togo, quando todos pensavam que fosse ser fácil, tomou rumos desfavoráveis aos franceses, que além de jogarem pela classificação depois do vexame de 2002 tentavam manter a carreira de Zidane ao menos até as oitavas de finais.


O camisa 10 e capitão dos “Blues”, que anunciou sua aposentadoria ao término da Copa, estava suspenso para a partida, após receber dois cartões amarelos nas duas primeiras partidas, contra Suíça e Coréia e, no dia de seu 34º aniversário, restava-lhe apenas torcer para os companheiros prolongarem a vida francesa no Mundial.


Porém Togo parecia estar disposto a encerrar mais cedo a carreira do brilhante jogador, e apesar da pressão francesa no primeiro tempo, o gol acabou não saindo, com o desespero já tomando conta do time treinado por Raymond Domenech. Mas no segundo tempo Vieira e Henry furaram o bloqueio do bom goleiro Agassa e obtiveram a classificação para enfrentar a Espanha nas oitavas.


Outro destaque da equipe foi David Trezeguet, que deve ter finalmente convencido o teimoso Domenech que sua presença entre os 11 titulares é indispensável.


Assim, no aniversário de Zidane os agraciados com presente foram os fãs do futebol, que têm a oportunidade de ver o craque em campo por mais uma vez. Mas nada impede os franceses de torcerem por mais 3 jogos com Zizou nos gramados.


Coluna também publicada em www.voleio.com

domingo, junho 25, 2006

Enfim, a hora da verdade chegou

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Luiz Mendes Junior

(Parte 1, escrita em 24/06 as 11 da manhã, antes de Alemanha x Suécia)


Esta Copa começou muito boa, e parece ter aliviado seu ritmo na terceira rodada em virtude da classificação prematura de alguns favoritos. República Tcheca e Itália foram exceções, visto que ainda precisavam brigar pela vaga no último jogo antes das oitavas. Outros participantes, já eliminados, preocuparam-se em realizar honrosas despedidas, como no caso da Costa do Marfim, que apesar de se revelar grande surpresa no mundial, apresentando um futebol tecnicamente superior ao de times como Equador e Gana, viu-se eliminada na fase preliminar, e por razões óbvias. Cair num grupo com Holanda e Argentina não lhe deu muita chance. Fez excelentes partidas, mas não teve sorte suficiente e cometeu pecados inadmissíveis nestes dois confrontos, pecados que Gana e Equador também praticaram, mas em chaves e jogos onde era permitido.

Os alemães de Klismann evoluíram substancialmente quando comparados a si mesmos meses atrás perdendo feio para Estados Unidos e Itália. Demonstraram fragilidade na estréia, mas se solidificaram defensivamente em seguida, evidenciando também uma empolgação e um volume de jogo incomum ao país em copas recentes. Sem dúvida, jogar em casa também pesa bastante nesse contexto, e a equação “jogadores jovens, aplicados e empenhados + filosofia ofensivista de Klismann + fator campo + adversários medianos ou fracos até agora” vem resultando numa Alemanha empolgante que contradiz sua imagem de time frio e calculista. Frios talvez sejam os suecos ante a problemática de encará-los como donos do espetáculo. Alemanha e Suécia duelarão uma hora após eu escrever esta coluna e tal confronto representará um teste definitivo para a torcida germânica saber se realmente pode sonhar com o título. Seus jovens representantes podem ter melhorado muito desde a preparação, mas ainda não provaram força contra oponentes mais duros, visto que pegaram uma chave tranqüila. A seleção equatoriana surpreendeu vagamente com duas largas vitórias, mas, além de jogar sua terceira partida desfalcada, está longe de ter valido aos alemães como um grande teste. Caísse num grupo mais complicado, decerto estaria fazendo as malas agora. Claro que ver os sul-americanos nas quartas após vencerem os ingleses não é impossível, mas bastante improvável, mesmo com os defeitos apresentados pelo “English Team”, que ainda não encantou nessa copa.

O único grupo a classificar uma equipe considerada zebra antes do início do torneio foi a chave E. Gana começou frenética contra os italianos, mas também errando em conclusões e na marcação. Vacilou semelhantemente contra a República Tcheca, perdendo gols impossíveis, mas sua maciça prevalescência técnica, aliada à superioridade numérica em virtude de expulsão, garantiu um triunfo que a colocaria diante do Brasil nas oitavas. Seus jogadores são rápidos como manda a tradição africana em copas e destoam do estereótipo “alegres, desleixados e dribladores” característico de Camarões em 90 e Nigéria em 94, preferindo um estilo de muita força física, pegada, toques rápidos, marcação na saída de bola e numero excessivo de faltas. Possui média de dribles baixa quando comparada à Costa do Marfim e Brasil. 7,7 dribles por jogo, segundo o instituto Datafolha, contra 25,3 do Brasil e 29,3 da Costa do Marfim. Sua média de faltas é a maior da copa. 25 por jogo contra 11,7 dos brasileiros.

Portugal e Holanda prometem um duelo menos físico e de técnica apurada, enquanto a França, que dificilmente brilhará nessa copa (embora possa apresentar um ataque melhor com Trezeguet em campo), terá sua defesa duramente testada pela primeira vez. Ostenta um time limitadíssimo que, ao menos, não parece frágil. O favoritismo, todavia, será da fúria.

Brasil e Japão realizaram um interessante duelo em Dortmund. Parreira soube aproveitar sua última chance de testar jogadores que poderiam mudar o caráter sonolento do time. Colocou em campo uma esquadra leve, veloz e muito ofensiva que trouxe esperanças à torcida e mais respeito dos adversários. Insistir com Ronaldo foi e ainda é uma aposta perigosa. O fenômeno vem ganhando ritmo a cada partida, mas ainda atrapalha o ataque quando trava certas triangulações e, nas bolas altas, não tem metade da eficiência de Adriano, apesar do gol de cabeça que marcou. De “causa perdida”, viu-se promovido à “esperança”, e isso nos deixa felizes. Parreira ignorou o óbvio, mas pode sair triunfante assim mesmo, provando o poder de suas “loucas” convicções. Com Robinho jogando, ainda prefiro Adriano como homem de referência. Contudo, manter os demais reservas na equipe seria insensato. Gana não tem tradição, mas é um time de muita força física que pressionará nossa retaguarda e exigirá empenho e eficiência nas divididas. Brasil X Gana promete ser brigado, corrido, com algum espaço para jogar, contra-ataques e uma pressão enorme contra nós nos primeiros minutos, como os africanos têm feito sempre. Somos, claro, favoritos, e seríamos mais se a seleção estivesse devidamente ajeitada no tempo certo. Sucesso contra os ganeses será quase uma garantia de bom futebol contra os espanhóis, caso estes triunfem sobre a França e nos peguem na fase seguinte, pois praticam um estilo vagamente próximo ao de Gana.

Estranha foi a tímida comemoração de certos jogadores australianos e de Gus Hiddink com a vaga obtida após um jogo marcado pela mais estapafúrdia arbitragem da copa até agora, pois pareciam menos contentes com a classificação do que decepcionados por não serem líderes do grupo, já que, pensam, poderiam ter vencido o Brasil com um pouco mais de sorte, e, assim, evitar a “Azzurra”, super favorita contra eles. Diferentemente de certos selecionados tradicionais, ganeses e australianos não parecem muito humildes ante os penta-campeões. De certo, é saber que a copa entrará num desenlace interessante com grandes seleções se cruzando em embates dramáticos e épicos até o grande campeão ser decretado. O nível técnico deste mundial deve crescer e muito a partir de agora.

(Parte 2, escrita em 24/06 as 2 da tarde, antes de Argentina x México)

Vitória categórica da Alemanha ante os suecos e notícia devastadora para o Brasil. Copa do mundo é assim. Desvios brutais, surpresas e estórias diferentes a cada rodada.

Jogo a jogo, os alemães mostram saber aproveitar seu mando de campo para acuar adversários e, com 15 minutos passados, já complicaram a vida dos suecos com dois gols. Torcerei para a Argentina ante os mexicanos porque os donos do espetáculo precisam de um freio nesse mundial, e, penso, os favoritos portenhos serão seu maior obstáculo até a decisão. Depois disso, só com muita reza e macumba para segurá-los, por mais limitados que possam ser. Um time grande jogando em casa e bem preparado é sempre um problema, e, não por acaso, à exceção do Brasil, todos os campeões mundiais possuem ao menos um título no próprio solo.

Falando em Brasil, um possível desastre pode provocar desfechos melancólicos ao sonho do Hexa. Robinho não é a grande estrela do time, mas sua presença em campo vale como elo propulsor importantíssimo para fazer o tal “quadrado” funcionar. Se sua recente dor na coxa for contusão séria, Parreira terá três opções para administrar uma possível sobrevida sem ele. Abolir o quarteto e escalar Juninho no lugar de Adriano, rezando para não precisar colocar coringas ao longo da partida, visto que não possuirá cartas adicionais na manga; isso até pode melhorar a seleção, solidificando o meio-de-campo e diminuindo a fragilidade demonstrada até aqui, mas talvez também prejudique o dinamismo das subidas ao ataque, descaracterizando aquele futebol alegre e dinâmico que muita gente quer ver do Brasil. Parreira também pode testar seu “quadrado” com Fred, buscando manter as características da equipe que deseja montar, ou fazer o mais provável, voltando à escalação original com dois atacantes “pesados”, atitude que decerto representaria um retrocesso fatal em termos de brilho ofensivo e eficiência.

Que os Deuses futebolísticos nos sejam benevolentes e preservem Robinho, para que, pelo menos, mostremos algo próximo a nosso real potencial nessa copa! Se já não bastassem as trapalhadas da CBF e do próprio treinador, o destino parece também estar indisposto a colaborar conosco. Copa é assim mesmo, vide ausências de Maradona em 94 (dopping) e Zidane em 2002 (contusão). Felizmente vencemos os alemães no Japão, e eles só poderão ser tetra em 2006, para desespero do reserva mais bem-humorado da copa.

Luiz Mendes Junior também escreve no blog:www.noticiasdofront3.blogspot.com

sexta-feira, junho 23, 2006

Coisas curiosas do futebol

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Ricardo Stabolito Junior

O Brasil entra em todos os torneios de futebol que disputa com um time, no mínimo, competitivo. Isso é muito bom, afinal, todos gostam de torcer por um time forte e campeão. Mas pensem: e se o Brasil não fosse a potência no futebol que é, se ela fosse uma mera coadjuvante na Copa do Mundo?

Neste ano, em vista da seleção brasileira ter a obrigação de passar pela primeira fase com o time que tem, resolvi eleger um outro time para quem torceria na primeira fase do Mundial. Mas não seria um time qualquer – seria um com pouca tradição no futebol. E não seria uma torcida de momento, assistiria com atenção a todos os jogos dessa seleção, assim como faria com a do Brasil.

Minha escolha não foi difícil. Lembrando dos tempos em que ainda jogava Fifa 97 no “jurássico” console Mega-Drive, escolhi a estreante Trinidad e Tobago. Quando organizava Copas do Mundo no jogo, sempre pegava a seleção caribenha. Lembrei-me com carinho de craques como Yorke (que na época jogava no Manchester United – fato no mínimo estranho para mim naquela época), Wise, Latapy e John. Detalhe: só os conhecia por sobrenome, pois o jogo só informava a inicial do primeiro nome do jogador.

A conquista da vaga por Trinidad já havia sido muito sofrida. Após conseguir o quarto lugar no hexagonal final das eliminatórias da Concacaf, passando a Guatemala nas últimas rodadas, conseguiu uma vaga na repescagem contra o quinto colocado da Ásia – o Bahrein. No primeiro jogo, realizado em Trinidad, um “péssimo” empate de 1 a 1, o que concedia ao time asiático a vaga caso empatasse sem gols o segundo jogo. E, com um gol do grandalhão Lawrence no segundo jogo, conseguiu a vaga inédita para a Copa do Mundo.

A opinião entre os especialistas era unânime: se Trinidad e Tobago fizer pontos nessa Copa, será uma grande surpresa. No seu grupo estavam uma das favoritas ao título do Mundial (Inglaterra), um dos melhores “coadjuvantes” (Suécia) e uma seleção que já não era mais surpresa em Mundiais (Paraguai).

Quase em todos os dias da primeira fase perdi parte do jogo das dez da manhã, só assisti inteiro ao jogo de estréia de Trinidad e Tobago. Abrindo o segundo dia de Mundial, enfrentou a Suécia e algumas coisas já me tocaram profundamente. Tirando Yorke, era a primeira vez que vi as faces de muitos dos jogadores que me fizeram campeões no vídeo-game. Muitos deles já eram veteranos – e como não seriam – já que em 97 já integravam a seleção nacional.

Quando o jogo começou, entendi que sofreria muito com a seleção caribenha. O time não tinha ataque, a ponto do grande ídolo e atacante Dwight Yorke jogar praticamente como volante. Mesmo que com falta de competência, a Suécia atacou o jogo inteiro. Mas, com um homem a menos, o time de Trinidad e Tobago se segurava contando com a barreira Shaka Hislop no gol – único jogador do elenco que jogava na primeira divisão da Inglaterra. E eu vibrava, como raramente em um jogo do Brasil, a cada vez que aquele selecionado de jogadores de terceira, quarta divisão da Inglaterra, barrava o ataque dos consagrados Ibrahimovic, Larsson e Ljungberg.

Na jogada de maior perigo da partida, o atacante Glenn (que joga nos Estados Unidos), num dos raros chutões da zaga trinitina que gerou um contra-ataque, colocou a bola na trave do gol sueco. Nesse momento, quase explodi. E, de resto, só ataques cada vez mais desesperados da Suécia.

Quando estava nos descontos do segundo tempo, me dei conta que estava levantado, apreensivo e com minhas mãos entrelaçadas, implorando pelo apito final do juiz. E quando ele o fez, estourei em alegria. Todos os jogadores indo abraçar o heróico goleiro de 37 anos, Hislop, que garantiu o empate com grandes defesas. Todos estavam rindo e muitos felizes sabendo que fizeram o melhor que podiam e conseguiram algo quase inacreditável. Na torcida, todos agitavam bandeiras e gritavam com orgulho o nome do país e dos jogadores.

Depois do jogo, fiz questão de ver todos os comentaristas falarem que estavam errados sobre Trinidad e Tobago, que ele não seria um saco de pancadas e era de uma resistência admirável. Ciente do seu papel na Copa, o time soube valorizar o que podia fazer e o fez com grande excelência.

Fiquei extremamente feliz, até mais do que com a vitória do Brasil sobre o Japão “jogando bonito”. Fiquei feliz porque, naquele dia, os meus heróis do vídeo-game se tornaram heróis para uma nação inteira e todos puderam ver o potencial da seleção caribenha que vi no antigo Fifa 97, já há muito tempo atrás.

Contra a Inglaterra, o time novamente mostrou resistência sobrenatural segurando o empate por 80 minutos. No final, acabou sendo vazada num gol irregular do grandalhão Peter Crouch, favorecido com uma das faltas mais bizarras que já vi – ele puxou o longo cabelo do volante Sancho, o impedindo de saltar – e por um chute de fora da área de Gerrard. Contra o Paraguai, a defesa ruiu ainda no primeiro tempo com um infeliz gol contra do mesmo Sancho.

Após o empate contra os suecos, percebi algo importante: o futebol é algo bem curioso. Não que já não soubesse isso, mas consegui percebê-lo mais do que nunca. É muito curioso pensarmos como nesse esporte um mísero empate (como o de Trinidad contra a Suécia) pode ser mais emocionante e, até mesmo, importante do que uma taxativa vitória (como a do Brasil contra o Japão). Porque, para mim, ele foi.

quinta-feira, junho 22, 2006

Impressões

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Renato Bosi de Magalhães

Começo pela Argentina, óbvio. O futebol que a seleção portenha vem apresentando é de encher os olhos. A poucos dias da Copa, o técnico José Pekerman ainda vinha procurando o time ideal. Agora tem um time talentoso, pronto para buscar o terceiro título da história.

A respeito do Brasil, não esperava partidas tão burocráticas e confesso que não vejo uma seleção sensacional, capaz de golear quem vier pela frente. Parreira é o técnico, que diz “show é ganhar a Copa” e, segundo, porque a seleção que encantou naquele jogo contra a Argentina, na Copa das Confederações, era outra. Jogavam Cicinho, Gilberto e Robinho. São jogadores de uma movimentação e um potencial ofensivo muito maior do que Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo.

A Itália, do apagado Totti e do aceso Pirlo, não me surpreende, nem me desaponta. Pode tanto ser eliminada na primeira fase (se perder para a República Tcheca), quanto ser campeã, com seu ferrolho defensivo. Não nos esqueçamos que a Itália campeã de 82 empatou seus três jogos na primeira fase.

A Espanha é a seleção que proporcionou a maior surpresa, ao golear a boa Ucrânia por 4 a 0. Ela possui um meio-campo que alia a marcação e o bom toque de bola, e tem na frente Luis García e o “matador” Fernando Torres, enquanto para a Alemanha eu não dava nada antes do início do Mundial. Mas, com o apoio da torcida, jogando com sua conhecida disciplina tática, e contando com a boa fase de Lahm e Schweinsteiger, além de Ballack e dos gols de Klose, é uma forte candidata ao título.

A França é a que mais decepciona. Com os bons marcadores Makelele e Vieira na contenção, e contando lá na frente com Zidane e Henry, contava com um melhor futebol. E Trezeguet não jogar de titular é brincadeira.

Holanda e Portugal são seleções organizadas, possuem jogadores capazes de decidir uma partida, além de excelentes técnicos, mas não enxergo nelas potencial para serem campeãs. As equipes da Ásia não evoluíram. Esperava mais principalmente do Japão e do Irã. Já das que representam a África, gostei. Costa do Marfim apresentou um futebol alegre, vistoso. Deu azar ao cair no “grupo da morte”. Gana, que basta vencer os Estados Unidos para se classificar, também foi bem. Já de Tunísia, Angola e Togo, não esperava muita coisa. E, se não apresentaram um futebol de encher os olhos, mostraram alguns bons jogadores. Destaco a dupla de ataque togolês, formada por Kader e Adebayor.

Estou um pouco decepcionado com esse início de Copa. Quem sabe daqui para frente melhora.

quarta-feira, junho 21, 2006

A fantástica Espanha

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Pedro Galindo

Durante essas últimas semanas, tentei ao máximo escapar da faculdade e de todas as outras obrigações para assistir à tão aguardada Copa do Mundo. Até agora não tive tanto tempo para, realmente, acompanhar todos os jogos, observar táticas e jogadores, mas confesso que fiquei impressionado com a “Fúria”.

A seleção treinada por Luís Aragonés tem todos os pré-requisitos de uma seleção forte e consistente: goleiro altamente confiável – talvez até o melhor do mundo –, dupla de zaga de bons valores individuais, formada por Carles Puyol, destaque do bi-campeão espanhol Barcelona, e Pablo, do Atlético de Madrid. Tem também um meio-campo que pode ser considerado completo, com Alonso, Senna, Xavi e Luis García – um dos mistérios desse 4-3-3. No ataque, duas promessas da Liga Espanhola: David Villa, atacante goleador do Valencia, e Fernando Torres, do Atlético de Madrid, uma das maiores revelações dos últimos tempos, na Espanha, e não menos goleador que seu parceiro de ataque. A equipe conta ainda com excelentes jogadores no banco, como os goleiros Cañizares e Reina, os meias Cesc Fábregas, Joaquín, Albelda e Reyes, e o maior goleador da seleção espanhola em todos os tempos, o atacante merengue Raúl González. Juntos, todos esses jogadores vêm conseguindo excelentes resultados há um bom tempo, e apareceram nessa primeira fase como uma das equipes favoritas ao título mundial.

Apesar de não terem caído num grupo muito complicado, os espanhóis conseguiram um bom resultado logo no primeiro jogo, contra o adversário que todos diziam ser o mais difícil da chave: contrariando a todos que previam um jogo complicadíssimo, a “Fúria” venceu implacavelmente a Ucrânia de Schevchenko por 4x0, já mostrando seu excelente estilo de jogo e seu toque de bola consistente. No segundo jogo, uma surpresa: contra a supostamente fraca Tunísia, os espanhóis tomaram um gol logo no começo da partida, o que tornou um jogo que tinha tudo pra ser fácil em uma partida dificílima. Então, com um toque de bola consciente e uma pressão tranqüila, a equipe conseguiu a virada e terminou vencendo por 3x1, com gols de Fernando Torres (2 vezes) e Raúl, que não marcava havia muito tempo. Agora, eles têm pela frente a fraquíssima Arábia Saudita, e têm tudo para dar um verdadeiro chocolate no time comandado pelo brasileiro Marcos Paquetá.

O que faz desse time da Espanha tão completo é o mesmo fator que, supostamente, tornaria a seleção inglesa, de quem se esperava tanto, tão completa quanto: o meio-campo polivalente. Ambas as seleções tem meias que sabem marcar e armar, chutar de longe e fazer lançamentos. Essa é a principal característica de jogadores como Cesc Fábregas, Gerrard, Xavi e Lampard, entre outros. O diferencial entre as duas equipes está apenas no estilo de jogo: enquanto a seleção do país peninsular se destaca pelo toque de bola diferenciado e pelo estilo de jogo mais cadenciado e paciente, o English Team joga o tempo todo se aproveitando dos lançamentos precisos de David Beckham e Steven Gerrard, que buscam quase sempre a cabeça do grandalhão Peter Crouch. O potencial dos excelentes atacantes Michael Owen e Wayne Rooney quase não é aproveitado, tornando a equipe dependente de apenas um tipo de jogada. É por isso que a seleção espanhola vem dando espetáculo e convencendo a todos, enquanto a equipe da Rainha Elizabeth se classificou em primeira de seu grupo, mas ainda não convenceu de fato.

A seleção do Rei Juan Carlos ainda conta com uma excelente invenção tática de Aragonés: uma espécie de 4-3-3, que pode se contrair a um 4-4-2 a qualquer momento. Isso se explica pelo fato de o meia Luís García, do Liverpool, jogar quase na ponta-esquerda, apesar de ser considerado meia-ofensivo. Portanto, ele fica variando de posição durante o jogo inteiro, tanto formando o meio com os outros três, quanto se juntando a Torres e Villa no ataque.

A tabela das oitavas de final também não previa muitas dificuldades para a seleção espanhola, mas terminou por lhes trazer um obstáculo dificílimo, logo de cara: tudo indica que eles enfrentarão a França, que apesar da má fase, sempre é um adversário a ser temido. Mas é assim que as seleções que se dizem favoritas têm que provar seu valor, eliminando as outras candidatas ao título. Potencial, todos sabemos que a Seleção Espanhola tem de sobra, resta saber se eles vão ter fôlego e grandeza suficiente para chegar até o fim.

terça-feira, junho 20, 2006

Time que desce quadrado

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Luiz Mendes Junior

Terminado este segundo desafio do selecionado brasileiro, prontificam-se “entendidos” de plantão – incluindo quem vos escreve – a diagnosticar prós e contras da partida, emitir veredictos, sugestões, e, claro, criticar o que “deve” ser criticado.

Indignações, ufanismos, homenagens, premeditações, alertas e pedidos desesperados a parte, confesso sentir um misto de esperança e desespero, de Copa das Confederações e Olimpíadas de Atlanta, embora deva confessar a prevalescência do segundo presságio ante o primeiro. Vitórias tranqüilizam, mas performances atabalhoadas ainda preocupam, e também os sinais de que Parreira permanecerá desafiando a lógica e ignorando o óbvio. Até quando?

Ronaldo esteve melhor do que na estréia, e isso é consenso na imprensa esportiva, mas, se uns globais aqui e ali preferem focar atenções na “micro-evolução” do fenômeno e demais pontos positivos da performance de anteontem, mantendo a visão predominantemente ufanista da emissora, outros permanecem céticos, quer insistindo nos óbvios defeitos do time, quer apelando ao “espírito do futebol-arte de 82”, quer insistindo em análises individuais de jogadores e esquecendo um pouco o âmbito coletivo.

Freqüentemente assisto ao badalado debate “Linha de Passe - Mesa Redonda” na ESPN Brasil, que conta com alguns dos mais bem vistos comentaristas futebolísticos da mídia nacional, incluindo Juca Kfouri, Fernando Calazans e o “expert” Paulo Vinícius Coelho. Sou fã do programa e de alguns participantes, mas admito discordar de inúmeros pontos por eles levantados. Penso que, tal qual nossos “entendidos” da CBF, da comissão técnica e futebol brasileiro em geral, também estes ocasionalmente contribuem com certos vícios opinativos não mais condizentes com o futebol como ele é jogado hoje, mas isto é assunto para outra resenha.

Retomando o programa em si, Juca Kfouri questionou anteontem a pertinência das opiniões “indulgentes” que havia emitido a quase todos os jogadores brasileiros após perceber ter também depreciado o time no âmbito conjunto, mas seu paradoxo era absolutamente sensato e pertinente, pois possuímos uma equipe que mal se entende em campo, com problemas táticos crônicos, e que consegue contrabalançar tais defeitos com marcantes esforços individuais. A “defesa”, tão elogiada por todos, pode até ir bem quando analisada individualmente, embora, num contexto geral, permaneça fraca, porque “lá atrás” os jogadores precisam se desbaratar para compensar os problemas defensivos (e ofensivos também) gerados “na frente” com a falta de movimentação e de combate. Por melhor que atuem Lúcio, Juan, Zé Roberto e companhia, estarão sempre eles no “fio da navalha”, precisando fazer mil estripulias – vide os monumentais carrinhos de Zé Roberto – para compensar uma flagrante fragilidade da seleção, evidenciada tão logo nossos dois primeiros adversários precisaram atacar depois que abrimos o marcador.

Outro ponto dissidente entre eu e os integrantes da mesa está na análise da atitude aparentemente pragmática de Parreira em relação aos resultados obtidos até agora. Trajano, Kfouri e Calazans enfatizam e criticam os discursos do técnico quando este enaltece a importância de vencer e marcar pontos em detrimento de tudo, como em 1994. Todavia, diferentemente da mesa, penso que Parreira não está repetindo sua filosofia “um a zero” de 1994 em 2006, mas apenas usando esse discurso para encobrir a ineficácia de não conseguir o que deseja desse time. Apostar no quarteto em si já deixa clara uma estratégia predominantemente ofensiva de velocidade e triangulações em vez de investir num meio-de-campo sólido e menos dinâmico como o de 1994, que marcava bem com seus quatro integrantes e contava com dois volantes pouco ofensivos, embora um deles contribuísse constantemente com passes longos a Bebeto e Romário. O meio-de-campo atual tem apenas um volante fixo e seus dois “meias-atacantes”, apesar de se esforçarem em contribuir defensivamente, são bem menos eficazes nesse quesito do que eram Raí e Zinho (ou Zinho e Mazinho).

Não me desagradaria ver Parreira adotando uma filosofia conservadora como a de 1994, mesmo que isso diminuísse o poder do ataque e o “show” proporcionado, mas meu desespero maior está em vê-lo perdido entre o que diz fazer mas não faz, e o que quer fazer e não consegue. Se Parreira pretende apostar na leveza e virtuosidade ofensiva do time, que tire então Ronaldo e facilite a vida de Adriano, colocando Robinho em campo. Não é minha escalação preferida, mas é inegável o fato dela ao menos fazer este quarteto funcionar devidamente e a equipe jogar mais ou menos como Parreira deseja, arriscando-se além da conta, mas também criando várias oportunidades de gol.

Contra uma Argentina, isso pode ser suicídio, contra a Croácia, foi perigoso, mas contra a Austrália, valeria a pena se Robinho começasse atuando. Como diria Paulo Vinícius Coelho, durante a transmissão do jogo, a diferença do time com Robinho em campo é flagrante, embora Parreira permaneça insistindo no “Fenômeno”. Acho impossível que apenas ele não perceba a “ululância” da questão. Mas Robinho pode também ter contribuído com sua permanência no banco ao tomar um cartão amarelo gratuito. Por quê? Porque nosso próximo confronto seria uma oportunidade perfeita para testar o rei das pedaladas por noventa minutos e também o quarteto em sua melhor formação. Pendurado, Robinho talvez fique de fora, pois imagino que Parreira o considere, mesmo na reserva, mais importante do que Ronaldo, que também tem um amarelo, mas deve entrar em campo contra o Japão.

Ruim é saber que o primeiro teste do “quadrado mágico” em sua melhor formação desde a final da Copa das Confederações pode ser um batismo de fogo contra Itália ou República Tcheca. Lembremos que este selecionado canarinho só fez dois grandes clássicos com seu quarteto (ou três, se considerarmos a Alemanha da Copa das Confederações), ambos contra a Argentina, e este quadrado falhou feio na primeira oportunidade enquanto funcionou razoavelmente bem na segunda, pelo menos por um tempo e meio, e com o adversário desfalcado de 6 titulares. Com Ronaldo no lugar de Robinho, o quarteto jamais encarou um clássico.

Antes de fechar a resenha de hoje, gostaria de insinuar algo provavelmente inverídico a partir de uma pergunta que até pode valer boas reflexões e futuras observações. Alguém por acaso reparou que os maiores destaques desta seleção em termos de empenho e dedicação advém justamente de jogadores que não eram titulares em 2002?

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domingo, junho 18, 2006

Enfim, uma grande Copa

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Luiz Mendes Junior

(este texto foi redigido em 16 de junho, horas depois do jogo Holanda e Costa do Marfim)


Não tenho dúvidas de que este mundial será o melhor tecnicamente desde 1982 e selará um fim a grande parte daquele mar cético de pseudo-analistas que clamam aos quatro ventos a mediocridade do futebol apresentado em copas desde 1986, mesmo quando se referem à de 98, um campeonato de bom nível, em minha opinião.

Sucedida uma semana de jogos, quase todos os grandes fizeram valer o peso da camisa em campo e no placar. A Alemanha começou ofensiva, mas também frágil contra um adversário que permitia esse capricho. Colocou os pés no chão contra a Polônia, expondo menos o setor defensivo sem diminuir demais o volume das subidas ao ataque e sem apelar muito para o chuveirinho, merecendo sua dramática vitória e fazendo jus àquele velho slogan de que “alemães não desistem nunca”.

Os ingleses ainda não brilharam e, apesar de não estarem, pelo menos por enquanto, entre os três mais fortes da competição, demonstraram solidez, garra e preparo para lutar pelo título nos jogos que fizeram. Infelizmente, não pude assistir à magistral goleada espanhola sobre os ucranianos, mas partindo do que vi, li e ouvi a respeito, podemos considerar a “fúria” uma favorita, apesar do velho jargão de que sempre morre na praia. Em 2002, quem a matou não foram os coreanos, mas os juízes.

A chave E também mostrou que suas duas grandes forças estão preparadas para dar exibições consistentes. Itália e República Tcheca devem realizar um dos melhores jogos da primeira fase e prometem problemas monstruosos a seus respectivos adversários do grupo F, caso concretizem uma provável classificação às oitavas. Portugal pode ter começado aquém da capacidade contra Angola, mas ainda tem potencial e possibilidades visíveis de crescimento. A França, por outro lado, até pode ir longe, mas dificilmente apresentará muito mais futebol do que na estréia, algo amarrado, burocrático e sem objetividade como na última Euro, apesar de Henry e Zidane. Talvez Togo os propicie chances para uma boa performance, mas qualquer adversário de prestígio deverá trazê-los de volta a mediocridade, mesmo quando triunfarem.

Já o grupo da morte justificou sua fama. A Argentina começou bem, mesmo sob pressão e já mostrou avassaladores recursos contra Servia e Montenegro. Holanda e Costa do Marfim protagonizaram um dos melhores confrontos da copa até aqui, sendo que os africanos podem, tal qual Camarões em 82, sair aplaudidíssimos, mesmo eliminados na primeira fase, visto que encararam dois gigantes de cabeça erguida e não mereceram perder para os holandeses. Terão chances para uma bela despedida contra os sérvios.

Surpresas boas também vieram do Equador com duas largas vitórias, mas os sul-americanos ainda precisam provar que não encolherão diante dos poderosos. Terão um excelente teste segunda-feira contra a Alemanha, e, caso peguem a Inglaterra nas oitavas, precisarão jogar mais do que vêm jogando para seguir adiante.


O grupo F vem mostrando ao Brasil as conseqüências drásticas das apostas que fez no período de preparação, pois enquanto boa parte dos trinta e dois participantes passaram o ano realizando amistosos significativos para testar suas forças, corrigir erros e afiar qualidades, a CBF preferiu uma política de marketing e preservação física de nossos atletas, evitando situações que pudessem contundi-los ou duelos mais competitivos, temendo uma eventual perda do rumo otimista conquistado na eliminatória e na copa das confederações. Em suma, o que ocorreu com os alemães meses atrás ao perceber sua fragilidade numa derrota de 4 a 0 para a Itália e em vitórias magras contra oponentes pífios, sucede hoje com o Brasil, que escolheu se preparar durante o mundial, baseando-se numa filosofia de “crescer dentro da competição”, apostando na histórica capacidade verde e amarela de superar obstáculos nas piores situações e “encontrar seu futebol”. O que nossos experts da CBF e da comissão técnica esquecem é que copa do mundo não é campeonato de pontos corridos e que um simples tropeço na primeira fase (ou nas oitavas) pode interromper esse crescimento, calcificando uma impressão enganosa de nossa seleção para os próximos quatro anos, simplesmente porque o time não se preparou adequadamente.

2006 será uma copa forte e, ao contrário de 2002, contará com um bom número de seleções tradicionais nas fases decisivas e também duelos memoráveis. Fico sentido em ver que poderíamos (e ainda podemos) exercer um papel importante e digno nessa grande festa, mesmo sem conquistar título, mas a CBF sucumbiu à soberba de apegar-se à imagem vencedora do selecionado, vendê-la a quem quisesse, desperdiçar datas fifa com amistosos desnecessários de cunho político, promocional ou financeiro (vide Brasil e Rússia no inicio do ano a 15 graus abaixo de zero para promover uma marca de cerveja), tornar a amarelinha um grande caça-níqueis que pode culminar com uma participação humilhante dentro do mundial, transformando o slogan “Joga bonito” em piada internacional e até manchando o brilho do penta, visto que seus principais protagonistas (à exceção de Rivaldo) não foram capazes de endossar os méritos do título obtido há quatro anos quando estiveram na copa em que os grandes times realmente foram grandes.

Sinceramente, espero estar enganado e ver a história se repetindo com outra bela virada da seleção, mas isso também faria a CBF cometer os erros de sempre, não?

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quinta-feira, junho 15, 2006

O ovo fabergé canarinho

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Luiz Mendes Junior

Faz mais ou menos uma semana que saiu na TV uma reportagem sobre “como vencer o Brasil na copa”, segundo opiniões de cronistas esportivos estrangeiros. Um deles comparava nossa equipe a um ovo fabergé, maravilhosamente bem elaborado, belíssimo, magnânimo e também frágil. Muito frágil.

Estou certo de que qualquer brasileiro, quer torcedor, narrador, comentarista esportivo, técnico ou jogador da seleção, concorda que nossa equipe esteve mal, apesar da recente vitória sobre a Croácia, como também concorda que Ronaldo esteve péssimo, mas decerto divergirá, e muito, ao tentar diagnosticar os motivos da pífia atuação. Já imagino Trajanos, Calazans e PVCs procurando explicar a fraca eficácia do “quarteto mágico” e possíveis soluções ofensivas para o time que o permitiriam fluir melhor, “tocar a bola mais rápido”, colocar Robinho no lugar de Ronaldo, problemas físicos de A, B ou C, e, se alguém porventura cogitar que um atacante precisa sair, decerto clamará por outro. Dia desses, um cronista famoso bradou aos quatro ventos o quão decepcionado ficaria se Parreira abrisse mão se de seu quarteto, “acovardando-se”, jogando um “futebol de resultados”.

Individualmente, a seleção não esteve mal, principalmente atrás. Dida, Cafu, Lúcio e Juan mostraram-se eficazes, Kaká, Zé Roberto e Ronaldinho Gaúcho produziram. Adriano jogou mal, mas colaborou tirando Nico Kovac da partida. Nosso entrosamento ofensivo esteve aquém dos objetivos, mas isso era esperado, pelo menos por quem entende que copa do mundo não é comercial da Nike, que o slogan “joga bonito” nem sempre prevalece em campo ao longo de uma partida. Aliás, encarnar demasiadamente essa campanha publicitária pode arrebentar nosso ovo fabergé de maneira humilhante nessa copa, e bem cedo.

Até entendo a relevância em discutir atuações individuais na análise da estréia canarinho, de questionar Adriano e Ronaldo na escalação titular, mas considero isso menor do que tocar no tabu evitado por grande parte da crônica esportiva nacional. Até onde vale a pena insistir no “quarteto” ? Até onde devemos apostar nessa formação leve e ofensiva demais que deixa espaços sempre que sobe, sobrecarregando Emerson, Zé Roberto e toda o sistema defensivo, que precisa de um entrosamento, uma coordenação, uma fluência muito bem treinada e orquestrada para não sucumbir à tendência natural que possui de vulnerabilizar a equipe sempre que perdemos a bola, deixando nossos defensores no fio da navalha, criando riscos desnecessários em partidas que poderíamos jogar e triunfar com mais tranqüilidade?

O tal “quadrado mágico” surgiu nas eliminatórias, quando Parreira decidiu trocar seu 4-4-2 com um volante fixo e dois “móveis” por outro de um volante fixo e um “móvel”, abrindo brecha para a escalação de um meia leve ou um atacante, buscando melhorar a capacidade ofensiva do time, o que de fato ocorreu. Esta modificação funcionou mal no primeiro teste, mas duas partidas depois, contra o Paraguai, provou-se, no mínimo, um recurso valioso. Dias mais tarde, contra a Argentina em Buenos Aires, desastre: o time leve do Brasil viu-se surpreendido por um adversário pegador, tomando 3 gols no primeiro tempo, e apenas jogando de igual para igual quando trocou um integrante do quarteto por Juninho pernambucano (ou outro volante, não me lembro bem), desfazendo a formação. Questionou-se então a eficácia e a aplicabilidade do “quadrado”, mas era cedo para desistir, e Parreira decidiu testá-lo definitivamente na Copa das Confederações.

A novidade tática soou, para grande parte da imprensa esportiva, como uma “evolução” das “tendências conservadoras” atribuídas ao técnico. Pouco importava a nossos cronistas se a seleção atuasse mal com seu “quadrado” em campo, pois os problemas estariam sempre em outro setor, e sempre haveria uma nova fórmula mágica de fazer o quarteto funcionar. De fato, há, mas cogito se realmente vale a pena correr riscos significativos para busca-las com tão pouco tempo disponível em vez de partir para iniciativas mais simples.

Por fim, a Copa das Confederações chegou e o quarteto, então com Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Adriano fez seu teste, obtendo certo êxito em alguns confrontos e gerando problemas em outros. Sim, o Brasil venceu sua competição após partida brilhante contra uma Argentina desfalcada, embora perigosa, mas correu riscos idiotas e desnecessários na primeira fase enfrentando equipes medianas e por pouco não se viu eliminado por um Japão oportunista, que apenas soube tirar vantagem de nossas clamorosas deficiências.

Nas semi-finais, também penamos para vencer uma Alemanha que tinha os mesmos defeitos defensivos crônicos do Brasil e era bem inferior tecnicamente. Contra a Argentina, o quadrado pareceu funcionar sem deixar grandes buracos, mas apenas até metade do segundo tempo, quando Juninho Pernambucano (ou outro volante, não me lembro exatamente) entrou em campo para colocar mais “pegada” e ordem no meio. Vencemos, o quarteto foi “aprovado” e a equipe da Copa das Confederações acabaria servindo de base para a Copa de 2006, embora parte de seu elenco (incluindo um membro do quarteto) não fosse mais o mesmo. De novembro para cá, comentaristas esportivos têm se esforçado em debater quem deveria formar o “quadrado mágico”, mas raramente questionam sua real necessidade, temendo o desperdício de talentos que a adoção de um “triângulo” significaria. Eis decerto a problemática do Brasil nesta copa.

O que é melhor? Tentar aproveitar o maior número de talentos possíveis, comprometendo a solidez do time e apostando na “magia” do ovo fabergé ou diminuir um pouco seu brilho em nome da rigidez? Outra pergunta: Até onde tirar um centro-avante para colocar Juninho Pernambucano (em vez de Robinho) seria, de fato, um desperdício de talento? Há quatro anos, Felipão trocou seu esquema sólido de dois volantes por outro com dois “meias” às vésperas da copa do mundo, tornando sua equipe tão frágil quanto este Brasil que jogou ontem, mas numa chave que permitia esse luxo. Quis repetir a fórmula nas oitavas de final e quase foi enxotado pela seleção belga, algo que comprometeria gravemente a história de toda uma geração de atletas, caso ocorresse. Voltou a jogar com dois volantes contra a Inglaterra e vislumbrou sua equipe dando um salto qualitativo impressionante até o fim da competição. O problema é que esses erros nem sempre deixam margem a uma segunda chance, nem sempre nos permitem um jogo seguinte que comprove nosso real potencial, e a imagem do erro vira a imagem de uma era.

Ontem, apesar do adversário forte, tivemos uma segunda chance. Resta saber se Parreira esperará ainda uma terceira ou quarta até fazer o necessário, quer abolindo o quarteto, substituindo Ronaldo ou ambos. O que não se pode é apostar demais no brilho e esquecer a solidez, preocupar-se em abrir brechas na defesa adversária ignorando as próprias deficiências, porque sempre haverá situações numa copa do mundo onde o ataque enfrentará dificuldade para fluir e dependerá da eficácia de uma defesa igualmente destrutiva, evitando que percamos jogos para nossa própria fragilidade em vez do mérito oponente. Se for para sairmos mais cedo desse mundial, que seja sucumbindo ao talento alheio e não a nosso malfadado desleixo defensivo, como tanto aconteceu. Assim teríamos, de certo modo, aproveitado essa geração para fazer história, mesmo sem ganhar o título, em vez de pagar um grande mico.

Ontem, corremos riscos idiotas. A simples substituição de um centro-avante por Juninho Pernambucano teria tornado o jogo completamente diferente do que foi. A Croácia jogou bem, mas só deu tanto trabalho a nosso goleiro porque Parreira permitiu, mantendo Ronado e o quadrado tempo demais em campo, mesmo quando já vencia por 1 x 0.

quarta-feira, junho 14, 2006

A vez dos coadjuvantes

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Renato Bosi de Magalhães

O Brasil não jogou o que dele se esperava. O seu artista principal não foi o badalado Ronaldinho Gaúcho, mas sim Kaká, que fez um belo gol, se livrando de dois defensores croatas antes de chutar de fora da área.

A Inglaterra passou com um magro 1 a 0 pelo Paraguai. Não foi nenhum sufoco, pois os atacantes paraguaios não ofereceram perigo, mas os ingleses jogaram mal. Quem esperava uma bela partida do Gerrard ou do Lampard, por exemplo, se decepcionou. Quem “brilhou” foi Gamarra, com um gol contra na falta cobrada pelo Beckham. Ou seja, não foi um Ferdinand ou um Ashley Cole o coadjuvante que brilhou, mas sim o zagueiro do Palmeiras.

No jogo da Itália contra Gana, o melhor em campo foi Pirlo. Ele marcou o primeiro gol e roubou a bola que resultou no segundo, de Iaquinta. A grande estrela Totti fez um ou outro bom lance, mas ainda está longe daquele jogador que arrebenta na Roma.

O grande astro da Holanda, Van Nistelrooy, viu o seu companheiro de ataque Robben acabar com a defesa de Sérvia e Montenegro e se tornar, até agora, o grande destaque individual da Copa.

Portugal espera que com Deco e Cristiano Ronaldo a equipe possa enfim fazer uma bela Copa do Mundo. Com a ausência do meia do Barcelona, a esperança para o jogo contra Angola estava em Cristiano Ronaldo. Mas ele somente fez algumas firulas e não deu trabalho algum para os angolanos. O melhor em campo foi o veterano Figo, que deu o passe para o gol do Pauleta.

No jogo República Tcheca 3 X 0 Estados Unidos, o craque Nedved jogou bem, mas o destaque ficou por conta de Rosicky, que jogará a próxima temporada no Arsenal, e que foi duas vezes ao gol dos americanos.

A Austrália de Kewell e Viduka conseguiu, de virada, ganhar do Japão, graças aos reservas Cahill e Aloisi, autores dos gols nos últimos minutos do jogo. Já o México contou com o oportunismo de Omar Bravo para vencer os iranianos. Borgetti esteve apagado o tempo inteiro.

Tivemos exceções, claro. A principal delas foi o astro argentino Riquelme, que comprovou em campo a bola que joga no Villarreal e foi a estrela da partida Argentina X Costa do Marfim. Dos seus pés saíram os dois gols na vitória de 2 a 1 contra os africanos.

Portanto, nada mais importante que num jogo coletivo como o futebol, os coadjuvantes apareçam e ajudem suas seleções a vencerem as partidas.

terça-feira, junho 13, 2006

Quando os detalhes fazem toda a diferença

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Luiz Mendes Junior

Há três grupos nessa Copa que serão implacáveis com pequenos erros. A chave C, claro, conhecida como “grupo da morte”, e também as E e F, respectivamente, da Itália e do Brasil. Nossos segundo e terceiro adversários fizeram um jogo de detalhes, de poucos espaços disponíveis, marcação forte e defesas avançando suas linhas, congestionando o meio-de-campo. É certo que não teremos metade da moleza de 2002 na primeira fase. O Brasil não poderá estrear bamba como fez contra os turcos e nem abrir as avenidas das duas partidas subseqüentes. Se passar às oitavas, provavelmente encarará um duelo de vida ou morte com Itália ou República Tcheca.

De volta à chave F, pode-se dizer que o Japão perdeu por detalhes, mas também perdeu na imposição de seu estilo. Não chegou a marcar mal, contudo abriu mais brechas defensivas do que o adversário, e, ao contrario deste, precisou que seu goleiro intervisse freqüentemente a fim de evitar o pior. Viu-se facilitado por dois erros da arbitragem no primeiro tempo, sendo que um impediu um possível gol australiano (impedimento inexistente) e outro propiciou a abertura do placar (falta não marcada do atacante no goleiro).

De qualquer modo, penso que a tônica da partida não esteve só nos vacilos individuais japoneses que impediram sua possível vitória, apesar destes exercerem peso fundamental. Talvez a capacidade maior dos “aussies” em determinar como o jogo seria jogado tenha se constituído no grande diferencial, ponto chave que Parreira sempre enfatiza durante entrevistas. “Austrália e Japão” sucedeu-se mais à cara de Hiddink e do estilo pegador com muito contato, marcação e espaços mínimos disponíveis adotado pelos australianos do que a la Zico, futebol ofensivo, triangulações rápidas e prevalescência da técnica.

Os japoneses não souberam cadenciar quando necessário, recurso que sempre facilita a equipe mais técnica, como também não souberam impor a típica velocidade asiática. Uma Austrália “pesada” fez valer esse peso sobre um Japão “leve”, tornando o jogo sua imagem e semelhança, embora pudesse ter saído com uma derrota se o arqueiro nipônico não errasse feio, posicionando-se mal num escanteio, possivelmente empolgado pela defesa recém-realizada.

Outros detalhes, como um passe impreciso para a conclusão atabalhoada de um contra-ataque, ainda com a partida em “1 x 0”, também pesaram contra Zico e seus pupilos, que foram derrotados, sobretudo, na determinação dos parâmetros do jogo, mas também nesses detalhes individuais. A ótica predominantemente criativa do galinho talvez não se sustente quando desacompanhada de uma igual eficiência destrutiva, problema já evidenciado em amistosos contra Malta e Alemanha. Não nos surpreendamos, todavia, se essa equipe se classificar e tirar pontos do Brasil, pois tem capacidade para isso.

Pelo grupo E, Itália e República Tcheca mostraram a que vieram e decerto não imaginam precisar estar com capacidade inferior a 100% nas fases iniciais da competição para almejarem título. Rosicky e companhia evidenciaram uma fragilidade americana conhecida de seus últimos amistosos, mas também triunfaram pela qualidade técnica de time grande que possuem com Nedved em campo.

Gana, até então uma incógita para mim, mostrou empenho, força, volume de jogo, e pouca objetividade nas conclusões, talvez pela ausência de um grande craque. Não está no nível da Costa do Marfim, mas é bem melhor do que Angola e, decerto, Tunísia e Togo, podendo tirar pontos importantes de República Tcheca, Estados Unidos e até sonhar com a classificação. Seus adversários italianos souberam neutralizá-los - mesmo que conseguissem tornar o jogo rápido como gostam - e souberam contra-atacar como fazem sempre, demonstrando talento e rapidez nos pés de Pirlo, Totti, Camoranesi e outros, aproveitando as aberturas defensivas criadas nas subidas ganesas e os eventuais vacilos dos africanos, como aquele que gerou o segundo gol.

Ao Brasil, um alerta de que nossos primeiros três confrontos deverão ser duelos de espaços curtos, velocidade e pouca chances para errar, onde a imposição do estilo de jogo será fundamental, como também adaptar-se às condições adversas de longos momentos truncados e brigados com entrosamento, triangulações e muita paciência. Capacidade, nossos craques certamente possuem.

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O ataque mais pesado da Copa

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Henrique Moretti


Acompanhando a programação da ESPN Brasil no decorrer da semana que culminou com o início da Copa do Mundo FIFA 2006, me chamou a atenção uma observação de Paulo Vinícius Coelho, na qual, em suporte à tese de que Robinho merece uma vaga no time, o jornalista classificou a dupla de ataque titular da seleção brasileira, composta por Adriano e Ronaldo, como “o ataque mais pesado” entre os favoritos ao título da maior competição do futebol mundial.

Atribuiu assim à dupla o título de “ataque alemão”, mais germânico, curiosamente, que o dos próprios anfitriões do Mundial, que dessa vez apostam em Klose, que apesar de bom cabeceador não é nenhum gigante (1,82m), e Podolski, cuja uma das maiores qualidades que possui é a agilidade.

Adriano, de 1,89m e 87 kg, e Ronaldo, de 1,83 e peso variando entre o dito ideal 82kg, e o dito real, com 5kg a mais. A soma do conjunto, portanto, varia de 169 a 174kg, como destacou PVC, sendo assim, realmente, a mais “de peso” (literalmente) entre as principais favoritas deste Mundial: Itália, Alemanha, Argentina, Inglaterra, França, e o próprio Brasil.

Eu iria além: a dupla da seleção de Parreira pode ser considerada a mais pesada entre todos os times da competição, talvez só sendo derrotada pela parceria tcheca, Koller e Baros. Porém, no caso tcheco, onde a soma dos pesos estaria por volta dos 178kg, uma peculiaridade deve ser destacada: Koller, do alto de seus 2,02m, não teria como ser um jogador leve, convenhamos, com os 100kg de sua massa correspondendo a quase 60% do total da dupla.

Antes que o prezado leitor pense que tudo isso não passa de uma grande bobagem, paremos com números e mais números e vamos ao que realmente interessa.

A verdade é que o ataque brasileiro não vive grande fase. Adriano passou por grande seca de gols durante a temporada na Internazionale, de Milão, enquanto Ronaldo, apesar de ainda fazer bons jogos, não conseguiu atuar em mais que sete partidas consecutivas nessa temporada (número que precisaria fazer caso queira realmente chegar à decisão da Copa). Para piorar, o “Fenômeno” passou por uma semana mais que conturbada: bolhas, febre e até um atrito com o presidente Lula.

O petista indagou Parreira, numa videoconferência com a delegação da seleção brasileira, sobre a situação verdadeira de Ronaldo. Queria saber se, afinal, a eterna discussão do excesso de peso procedia ou não. Como Ronaldo não é flor que se cheire, a declaração acabou tendo repercussão na concentração da equipe, em Königstein. O careca replicou dizendo que “assim como é mentira que ele encontra-se gordo, deve ser mentira o boato de que Lula bebe demais”. Declaração um tanto quanto ofensiva quando o acusado não é nada menos que o Presidente da República.

Em treinos e amistosos vê-se que o ataque, composto por dois centroavantes típicos, além de ser lento, não tem o estilo do futebol brasileiro: da agilidade, da leveza, da arte. O trombador Adriano e o experiente Ronaldo são hoje jogadores que gostam de ocupar a mesma faixa de campo. Logo, o reserva Robinho, no lugar de qualquer um dos dois, daria uma maior mobilidade, como se mostrou recentemente nas partidas ante Nova Zelândia e Lucerna.

Minha opção, para não ficar em cima do muro, seria ainda por Ronaldo, que de uma forma ou de outra ostenta uma trajetória invejável na seleção brasileira e, o mais importante, de muitos títulos, o que não pode ser renegado de uma hora pra outra.

Ainda assim, a declaração recente de Parreira, quando disse que “Ronaldo está fazendo o que se queria dele: gols”, justificando as bolas na rede do combinado de Lucerna, leva a uma imediata reflexão: o jogador do Real Madrid, que sempre foi marcado por arrancadas, dribles, passes e, conseqüentemente, gols, hoje tem a missão de “apenas” colocar a redonda pra dentro?

Então o quanto ainda é imprescindível Ronaldo, quando ele, segundo o próprio treinador, não passa mais do que foram Túlio, Luizão, Guilherme e tantos outros matadores brasileiros?



Cissé, o azarado


O atacante francês Djibril Cissé não precisou mais de que 10 minutos de partida, no amistoso entre França e China (o último da preparação dos Blues para o Mundial), para se machucar gravemente e ficar fora do sonho maior de qualquer jogador: a Copa do Mundo.

Cissé fraturou tíbia e fíbula da perna direita após choque com o meia Zheng Zhi, e acabou cortado da delegação francesa pelo treinador Raymond Domenech. O chinês não teve culpa no lance.

Esta já é a segunda grave contusão do atacante em menos de 2 anos: em outubro de 2004, atuando pelo Liverpool, Cissé passou por cirurgia delicada, após sofrer fratura na perna esquerda, e ficou quase 6 meses longe dos gramados.

O volante Claude Makelele lamentou muito a infelicidade do companheiro e garantiu que a França quer brilhar pelo atacante do Liverpool: "Levaremos ele conosco e tentaremos chegar o mais longe possível para que ele também participe de alguma forma", explicou.

Para o lugar do cortado Cissé, Domenech justificou a fama de tomar decisões polêmicas, chamando o atacante Sidney Govou, do Lyon, ao invés de Anelka e Giuly, que eram considerados favoritos à vaga.


Coluna também publicada no site: www.voleio.com

A seleção brasileira estréia no Mundial 2006 diante da Croácia, nesta terça, às 16h, em Berlim. Já a França abre sua participação um pouco mais cedo, às 13h, desafiando a Suíça, em Stuttgart. Horários de Brasília