sábado, março 25, 2006

O Novo Técnico do Timão

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Guilherme Ferreira Ceciliano

Paulo César Gusmão deve assumir o Corinthians segunda feira, logo após o clássico contra o Palmeiras. É um nome de consenso entre o clube e a MSI e demonstrou mais vontade de assumir o clube do que Paulo Autuori.

Depois de muito tentar Paulo Autuori, Emerson Leão, Vanderlei Luxemburgo e até Luis Felipe Scolari, o Corinthians deve substituir Antônio Lopes pelo ex-treinador de goleiros do técnico do Santos, PC Gusmão. Foi uma escolha acertada, mas um simples olhar para um passado recente e veremos que não era a melhor das opções. O Sonho de Kia era Felipão, da seleção de Portugal. Faltou ao iraniano lembrar que o técnico pentacampeão deixou dois discípulos com grande potencial: Tite e Cuca. Não que Gusmão seja um nome ruim, mas os gaúchos tem experiência em Taça Libertadores e conseguiram fazer milagres no passado.

Cuca começou a ganhar projeção como técnico quando dirigiu o time do Paraná em 2003. O time tricolor fazia uma boa campanha no Brasileirão, mantinha-se entre os dez primeiros daquele ano com um time razoável. Porém no meio da competição Cuca largou o Paraná e foi para o Goiás. O clube esmeraldino encontrava-se na ultima posição do campeonato e tinha somente o artilheiro Dimba como destaque. Depois da chegada do treinador o time embalou e ficou com um honroso 9º lugar. O projeção goiana levou o treinador ao (na época) mediano São Paulo. Junto com ele, chegaram um pacote de jogadores de médio porte, que em 2005 seriam ídolos do time na conquista do tricampeonato da Libertadores. O tricolor paulista foi eliminado da competição sulamericana de 2004 pelo campeão Once Caldas. Foi demitido e depois disso pensaram que Cuca era santo milagreiro e Flamengo e Grêmio tentaram resolver problemas estruturais com o técnico. Ledo engano. O técnico também foi para o São Caetano, onde fazia campanha razoável, até que, inexplicavelmente, saiu do time do ABC. Cuca tem perfil forte, sabe armar times equilibrados e faz com que jogadores se doem ao máximo ao esquema.

Tite, a outra sugestão do humilde colunista, tem, com certeza, o maior feito da era pós-Parreira. Mesmo sem ter ganhado nenhum título (Geninho ganhou o Paulista em 2003 e Lopes o Brasileiro em 2005) ele conseguiu uma das maiores recuperações da história do clube. Diferente de Márcio Bittencourt, que também tem seus méritos, Tite tirou o time da zona de rebaixamento (22º) em 2004 com um elenco tecnicamente muito inferior. Para isso ele deu padrão tático ao time sem inventar, afastou medalhões, como Rincón, e baixou para cerca de 1 gol por jogo a média de gols sofridos do time, que até sua chegada só tinha tomado goleadas no Brasileirão (em que posteriarmente terminaria na 5º colocação). Tite tem um perfil durão, e é o modelo mais promissor de Felipão que existe hoje no Brasil. Porém, não tem um bom relacionamento com o chefão da MSI e por isso seu nome nem foi citado para substituir Antônio Lopes. Vale lembrar também que Tite já participou da Libertadores com o Grêmio em 2002 pois ganhou a Copa do Brasil em 2001.

Tanto Cuca quanto Tite têm perfil semelhante ao de Felipão, sonho de consumo de Kia, mas nenhum deles foi relacionado para substituir Antônio Lopes. Sendo assim, PC Gusmão deve chegar. É um técnico promissor, com alguma experiência como treinador e alguns títulos como interino. Deve armar no Timão um 4-3-1-2 com Mascherano, Marcelo Mattos e Ricardinho fazendo a proteção para Roger enconstar na estupenda dupla de atacantes. Resta saber se ele conseguirá dar um jeito na defesa alvinegra, principal ponto falho no time. Se conseguir trazer Edu Dracena junto com ele será um começo. Mas só o começo. Cuca e Tite, porém, eram especialistas em armar muralhas.


>>Goiás de Cuca em 2003 (4-3-2-1):

Rodrigo Calaça; Gustavo, Fabão, Renato Goiano, Leandro Smith; Marabá, Josué, Danilo; Grafite, Araújo; Dimba

>>Corinthians de Tite em 2004 (3-5-2):

Fábio Costa; Anderson, Váldson, Betão (Filipe Alvim); Edson, Wendel, Fabinho, Renato, Fábio Baiano; Gil e Jô (Bobô)


Antigos Treinadores do Timão:

_Tite 2004 (39 jogos, média de 1,2 gol pró e 0,89 gol contra)
_Tite 2005 (12 jogos, média de 1,25 gol pró e 0,75 gol contra)
_Passarella (15 jogos, média de 1,8 gol pró e 1,45 gol contra)
_Bittencourt (26 jogos, média de 2,07 gols pró e 1,26 gol contra)
_Lopes (36 jogos, média de 2,08 gols pró e 1,11 gol contra)

Quem ganhou reforços com a MSI:

_Tite: Marinho, Marcelo Mattos, Tevez e Carlos Alberto
_Passarella: Gustavo Nery e Roger
_Bittencourt: Wescley, Mascherano e Nilmar
_Lopes: J. Herrera, Ricardinho, Rafael Moura, Xavier e Rubens Júnior

quarta-feira, março 22, 2006

RUMO A 2006: Sérvia e Montenegro

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Henrique Moretti


Chamando-se Iugoslávia até o ano de 2003, a seleção de Sérvia e Montenegro alcança na Copa da Alemanha sua primeira participação em competições internacionais de futebol com o novo nome.

Para chegar lá, os “Plavi” (azuis, em sérvio) realizaram uma campanha impecável nas eliminatórias européias. Num grupo complicado, com Espanha, Bélgica e Bósnia-Herzegovina (curiosamente ex-integrante iugoslava), obtiveram a primeira colocação e a vaga para o Mundial sem necessitar da repescagem, que ficou para a Espanha.

A fortaleza da equipe, que tem uma certa tradição no cenário futebolístico com o antigo nome, chegando às semifinais da Copa de 1930 e revelando craques como Predrag Mijatovic, está na defesa.

Formada por bons jogadores, como Nemanja Vidic, recém-contratado pelo Manchester United, e Mladen Krstajic, capitão da equipe e atleta do Schalke 04, a zaga sérvia atingiu a impressionante marca de apenas um gol sofrido (16 a favor) na campanha para a Alemanha, em 10 partidas disputadas.

Mas quem pensa que a seleção da Sérvia só possui sistema defensivo está redondamente enganado. No meio-campo e ataque o time esbanja criatividade, com os meias Dejan Stankovic (titular da Inter de Milão) e Predrag Djordjevic (Olimpiakos) municiando o rápido Mateja Kezman (Atlético de Madrid) e o grandalhão Savo Milosevic (Osasuna).

Kezman (foto abaixo) foi inclusive o artilheiro da equipe nas Eliminatórias, com 5 gols marcados, anotando em jogos decisivos, como no empate diante da Espanha em Madrid (1x1) e na vitória sobre a Bósnia (1x0), ambas partidas do returno. O jovem meia Simon Vukcevic, de 20 anos, também merece destaque. Atleta do time russo Saturn, Vukcevic foi o grande nome da seleção vice-campeã européia sub-21, em 2004, e aparece como zebra na busca pelo prêmio de melhor jogador jovem da Copa, oferecido pela FIFA.

O técnico é Ilija Petkovic, que assumiu o cargo deixado por Dejan Savicevic após má campanha nas fase de classificação para a Euro 2004 (os sérvios acabaram eliminados).

Curiosamente o sobrenome do treinador é o mesmo do meia Dejan Petkovic, unanimidade no Brasil, porém renegado na seleção sérvia. O craque do Fluminense não é convocado há anos e já perdeu as esperanças de participar da Copa.

Para a Alemanha, os resultados dos comandados de I. Petkovic serão botados à toda prova. Isso porque o sorteio não foi nada grato para os sérvios, colocando-os no chamado "grupo da morte, com Argentina, Holanda e Costa do Marfim.

Teórica terceira força da chave, a equipe, cujo maior segredo é a harmonia, segundo o próprio treinador, quer justificar a fama de “brasileiros da Europa” (pela habilidade se seus jogadores), e para isso nada melhor do que, num evento do porte de uma Copa do Mundo, passar pelos argentinos. Possível, porém difícil de se acreditar.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1919
Afiliação à FIFA: 1921
Participações em Mundiais: 8 (1930, 1950, 1958, 1962, 1974, 1982, 1990, 1998)
Melhor Resultado: Semifinalista (1930)
Última Copa: Não participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º lugar do Grupo 7 da Zona Européia
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 46º
Time-Base: Jevric, Duljaj, Vidic, Krstajic, Dragutinovic; Nadj, Koroman, Stankovic, Djordjevic; Milosevic e Kezman.
Formação: 4-4-2
Técnico: Ilija Petkovic
Principal Destaque: Dejan Stankovic (Internazionale)
Avaliação: ** (Bom time, porém num grupo muito difícil)

terça-feira, março 21, 2006

As sensações da temporada

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Christian Avgoustopoulos


Ultimamente no futebol uma das coisas mais comuns e interessantes que vêm acontecendo são as misteriosos e surpreendentes equipes campeãs de alguns dos principais torneios mundiais. Vale lembrar que o até então desconhecido Once Caldas (Colômbia), foi o campeão da Taça Libertadores da América em 2004, classificando-se para a final da Copa Toyota contra o FC Porto, que certamente era um dos times menos cotados a vencer a Liga dos Campeões da UEFA naquela edição. Além disso, a Grécia naquele mesmo ano sagrou-se campeã européia, deixando até o mais entendido dos críticos boquiaberto. E as últimas edições da Copa do Brasil? Os dois últimos campeões foram o Santo André e o Paulista de Jundiaí, ambos da Segunda Divisão nacional, batendo na final times de tradição: Flamengo e Fluminense, respectivamente. Antevendo que mais uma vez a zebra pode correr solta pelos gramados, comecei a observar os times menos cotados aos títulos com um pouco mais de atenção. Nesta edição da Copa dos Campeões dois times de certa forma surpreenderam ao chegar até as quartas de final, e mesmo sendo menos cotados pela mídia e pelos espectadores continuam sonhando com a taça. São eles o Benfica, de Portugal, e o Villarreal, da Espanha.


Benfica:

O clube lusitano encontra-se em um momento muito positivo, e tenta voltar a alcançar seu desempenho vencedor de décadas passadas. O clube é o maior detentor de títulos nacionais, sendo 31 vezes campeão português ao longo de sua história. Na década de 60 atingiu seu auge ao sagrar-se bicampeão europeu nas temporadas de 60/61 e 61/62. Porém, nos últimos anos o Benfica não vinha conseguindo resultados que fizessem jus à sua história. Seu último título nacional havia sido em 93/94, e desde a temporada 98/99 o clube não participava de uma edição da Liga dos Campeões da UEFA.

O título português na ultima temporada lhe deu o direito de voltar a figurar entre os grandes clubes do futebol europeu, e até o momento ele vem fazendo bonito, já deixando para trás o tradicionalíssimo Manchester United na fase de grupos e o atual campeão da UCL, o Liverpool, nas oitavas de final, vencendo as duas partidas disputadas contra o time da terra dos Beatles. Enfrenta agora nas quartas de final o time favorito ao título, o FC Barcelona, que conta com um elenco que certamente deixa com inveja qualquer clube de futebol, além do atual eleito melhor jogador do mundo, o brasileiro Ronaldinho Gaúcho. Porém, o time português também tem seus destaques, dentre eles Simão Sabrosa, que vem sendo sondado por alguns clubes e está valorizado no mercado. Na foto, outro destaque: o principal atacante do time, Nuno Gomes, da seleção portuguesa.


Ficha Técnica:

SL Benfica
Treinador: Ronald Koeman
Cidade: Lisboa
Estádio: Estádio da Luz / Capacidade: 65.000 torcedores
Time Base: Moretto; Nelson, Anderson, Luisão e Leo; Petit, Manuel Fernandes, Geovani e Simão; Mantorras e Nuno Gomes


Villarreal:

O Villarreal é sem dúvida uma das equipes emergentes no futebol mundial. Com um bom trabalho da diretoria, que ao longo dos últimos anos tem trazido jogadores excepcionais, como o craque argentino Riquelme, o Villarreal saltou da posição de um time pequeno espanhol a um dos mais respeitados. É a primeira vez que disputa a Liga dos Campeões, e vem fazendo uma campanha excelente. A equipe na fase de grupos esteve na chave do próprio Benfica, juntamente com Manchester United e Lille, da França, deixando todos para trás e assegurando a primeira posição do grupo.

Nas oitavas de final eliminou o Rangers, da Escócia, com um empate por 2x2 na Escócia e um por 1x1 na Espanha, garantindo a vaga no numero de gols marcados fora de casa. Apesar de ser um time de pouca tradição, o Villarreal é mais bem cotado a chegar longe do que o Benfica pelos críticos esportivos, e talvez uma equipe mais temida pelas demais. O próprio Rijkaard, técnico do Barcelona, havia dito que o Villarreal era a única equipe que ele não gostaria de ter que enfrentar nesta fase. O "yellow submarine", apelidado assim por seus torcedores, devido a seu uniforme monocromático amarelo, enfrenta a Inter de Milão num jogo em que o treinador da equipe italiana, Roberto Mancini, descarta o favoritismo: "Alguns espectadores nos consideram favoritos, pensando ser um confronto fácil, e isso me preocupa, por não ser verdade. A esta altura do campeonato qualquer resultado é possível, e eles jogam num campo pequeno, o que dificulta as coisas".


Ficha Técnica:

Villarreal FC
Treinador: Manuel Pellegrini
Cidade: Villarreal
Estádio: El Madrigal / Capacidade: 23.000 torcedores
Equipe Base: Viera; Javi Venta, Gonzalo Rodríguez, Peña e Arruabarrena; Senna, Tacchinardi, Sorín e Riquelme; Forlán e José Mari

E você, já tem sua aposta para quem triunfa nesta edição da Liga dos Campeões? Deixe seu palpite na nossa enquete ao lado, talvez ele seja vencedor!

segunda-feira, março 20, 2006

Palmeiras faz bonito e se mantém muito perto do líder

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Daniele Pechi

O dia parecia não estar muito favorável para o Palmeiras, que já aos quarenta segundos do primeiro tempo sofreu um gol marcado por Almir para a Ponte Preta, em pleno Parque Antártica. Em tarde inspirada, Almir marcou mais um aos 27. A virada palestrina começou aos 34 com Marcinho e dois minutos foram suficientes para mais dois gols que levaram o Verdão com a parcial vitória para o intervalo.

Na volta, a Ponte buscou o empate, mas acabou tomando mais um! E de um jogo que parecia definido, o que se viu foram surpresa, virada e mais três pontos para o segundo colocado, que agora com 32 espera um deslize do líder Santos para assumir a ponta.

Mas se depender do Santos, o título do Paulista fica mesmo é na baixada! Confirmando o seu ótimo desempenho em casa (100% de aproveitamento), o Peixe venceu o Ituano por 2x0 e retomou a liderança que por alguns minutos ficou com o time de Émerson Leão. A alegria durou pouco.


Um inimigo a menos

No sábado, o São Paulo decepcionou em casa e conseguiu apenas um empate diante do Noroeste. A partida terminou em 1x1 e deixou o Tricolor muito longe do título! Tem quatro pontos a menos que o líder num campeonato que está a quatro rodadas do fim.


Timão perde mais uma...e culpa a arbitragem

Com uma escalação que misturava nomes familiares a outros totalmente desconhecidos, o Corinthians entrou em campo com um time disposto simplesmente a terminar de cumprir tabela. Várias estréias vindas da categoria de base, misturadas a titulares como Marcelo Matos deram a cara nova à equipe, que, apesar de tudo, mostrou um bom entrosamento e vontade de vencer. Apresentar um bom serviço pode assegurar a esses meninos a escalação para os próximos jogos.

Ontem, em Rio Preto, o 2x1 foi justo pelo que fez o América em campo e as reclamações corintianas não tinham lá tanta razão. Na verdade, um pênalti não foi marcado a favor, assim como um contra também não. Isso não justifica o erro do juiz, mas ao menos mostra que não haveria alteração no placar.

Entre tantas dúvidas que pairam o Parque São Jorge, uma que se destaca é: será que no maior clássico paulista (Corinthians x Palmeiras), o Timão entrará com esse mesmo time misto? Se a resposta for sim, não perdem apenas os torcedores do Corinthians, mas sim os admiradores do futebol!

quinta-feira, março 16, 2006

RUMO A 2006: Togo

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Henrique Moretti

Dentre as várias seleções estreantes que obtiveram classificação para o Mundial da Alemanha, a presença da seleção togolesa é uma das que mais surpreende.

Pequeno país localizado a Oeste Africano, Togo tem uma história no futebol irrelevante. Nenhum título no currículo e apenas meia dúzia de participações em Copas Africanas de Nações. Soma-se a isso modestas campanhas nas eliminatórias recentes: quarto colocado de sua chave nas últimas três oportunidades.

Assim, a classificação da equipe comandada até então pelo nigeriano Stephen Keshi faz as seleções mais tradicionais do continente negro refletirem. Como todos sabem, forças regionais da qualidade de Camarões, Nigéria e Senegal não estarão na Alemanha. O último, aliás, eliminado pelos próprios togoleses, que garantiram a primeira colocação do Grupo 1 do Zonal Africano, dois pontos à frente da zebra da último Mundial e quatro à frente de Zâmbia.

Ao técnico Keshi, que disputou como capitão da Nigéria a Copa de 1994, nos EUA, cabe grande parte do mérito pela classificação histórica. A princípio nem mesmo o treinador esperava tal resultado, dizendo aspirar um posto entre os três primeiros de seu grupo. Porém, os jogos se passavam e Togo se punha a cada rodada mais próximo da Alemanha. Um grande passo rumo à classificação veio ao arrancar um empate diante de Senegal em Dakar (a partida em Togo havia sido vencida por 3x1 pelos donos-da-casa) com excelente participação do atacante Emmanuel Adebayor. Ali, faltando duas rodadas para o término do Zonal, Togo passou de zebra a favorito à vaga.

Adebayor aliás, é o grande destaque da equipe. Recém-transferido do francês Mônaco para o inglês Arsenal, o atacante foi artilheiro do zonal regional com 11 gols e é o único do elenco a ser um jogador de nível internacional. Os meias Cherif Touré-Maman, do Metz, e Abdel Coubadja também se destaca,, sendo o último autor de gols decisivos na vitória da equipe sobre Congo, na última partida da campanha.

Porém, a festa togolesa deve acabar por aí. Apesar de no Mundial os africanos estarem num grupo apenas razoável, com França, Coréia do Sul e Suíça, dificilmente conseguirão a classificação.

Isso porque “os Gaviões”, como são conhecidos, não conseguiram passar por recentes testes de fogo, como na derrota em amistoso diante do Paraguai por 4x2. Na Copa Africana 2006, no Egito, Togo foi ainda pior, acumulando três derrotas em três jogos, diante de Angola, Camarões e Congo.

Para piorar, Adebayor (foto abaixo) ainda teve problemas disciplinares com o técnico Keshi, o que acarretou na demissão do nigeriano, mesmo com ele ostentando o prêmio de melhor treinador africano do ano passado.

Seu substituto é o alemão Otto Pfister, de 67 anos, que possui grande experiência no continente, tendo dirigido as seleções de Gana, Costa do Marfim e Senegal, além de clubes egípcios.

Só que o pouco tempo que o alemão terá para acertar a equipe para a disputa da Copa faz-se crer ainda mais em desclassificação togolesa na primeira fase. E o despreparo dos dirigentes, demitindo o técnico responsável pelo passaporte para o Mundial às vésperas da competição, faz, e muito, por merecê-la.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1960
Afiliação à FIFA: 1962
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não Participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º lugar do Grupo 1 da Zona Africana
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 58º
Time-Base: Agassa, Nibombe, Abalo, Mathias, Aziawonou; Atte-Oudeyi, Coubadja, Mamah, Touré-Maman; Adebayor e Senaya
Formação: 4-4-2
Técnico: Otto Pfister
Principal Destaque: Emmanuel Adebayor (Arsenal)
Avaliação: * (Mero participante)

terça-feira, março 14, 2006

Fora de Rotina

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Christian Avgoustopoulos

Domingo. Dia de passar com amigos e familiares, acordar e almoçar tarde, fazer qualquer coisa depois do almoço e se preparar para uma longa semana de trabalho. Isso faz parte da rotina de uma grande parcela da população. Esse fim de semana, porém, estava predestinado a me mostrar algo de diferente. Saí para viajar, fui num camping passar o fim de semana num trailer, a convite de um amigo meu. Hoje em dia camping não é mais como antigamente, a estrutura que se tem é semelhante à de um hotel. Após um tempo na piscina do camping, resolvo dar uma olhadinha no que esta passando na TV. Assisto os 15 minutos finais de Real Madrid x Valencia. Tive a impressão nesse tempinho que o jogo foi bom. Lances de perigo dos dois lados, ambos buscando a vitória, o único resultado que interessava a ambos para continuar sonhando com a possibilidade de vencer o Campeonato Espanhol.

Aos 43 do segundo tempo, pênalti para a equipe merengue, após Canizares derrubar Ronaldo. O próprio Ronaldo parte para a cobrança...e erra! Bate mal e Canizares defende sem sequer dar rebote. O jogo termina com esse momento inusitado. Um jogador conceituado como Ronaldo, tido como uma das esperanças da seleção brasileira na Copa do Mundo, não costuma e nem pode perder uma chance como essa, mesmo estando numa fase conturbada.

Jogo encerrado, 0x0...a noite passa e acordo cedo para assistir a 1ª etapa da F1 no ano. Apesar de decepcionado com a segunda posição de Schumacher na bandeirada final (minha paixão pela Ferrari sempre foi intensa), gosto do espetáculo, uma bela corrida, que passou a impressão de que teremos um ano muito interessante neste esporte automotivo. Mas o mais surpreendente dos eventos esportivos estava por vir. Ainda com um pouco de sono decido assistir Ascoli x Roma. Um jogo que era apontado por muitos dos profissionais entendidos do esporte com favoritismo decisivo para a equipe da capital, que desde novembro do ano passado não conhecia a derrota. Do outro lado, um surpreendente Ascoli, que vem fazendo uma campanha excelente na Serie A, longe do rebaixamento e até com uma mínima possibilidade de alcançar uma vaga para as competições européias da temporada seguinte, algo que deve ser bem considerado analisando as limitações da equipe, que só está na primeira divisão do italiano devido a problemas financeiros do Torino, impedido de jogar a Serie A devido a problemas com o balancete financeiro anual.

Começa o jogo, bem disputado, equilibrado...até que o Ascoli marca o primeiro gol, com o camisa 99, Quagliarella, ao receber um passe vindo da esquerda, só tendo o trabalho de empurrar o esférico para o gol. Isso esquentaria o jogo, afinal esperava-se que a Roma começaria impor seu jogo para buscar reverter o placar. Mas logo em seguida, um cruzamento certeiro, oriundo de uma bola parada gerou o segundo gol do Ascoli, por intermédio de Paci, que concluiu de cabeça. O Ascoli fazia 2x0 na Roma e ia dominando a partida, jogando organizado e bonito. Ainda no primeiro tempo o Ascoli chega ao terceiro gol. E que golaço! O homem do jogo, Quagliarella (foto acima), perdoem-me a hipérbole, lembrando Maradona, recebe uma bola na esquerda, aproxima-se da área, e na saída do goleiro dá um lindo passe de cobertura, encobrindo o mesmo, para que Budan complete de cabeça com o gol vazio. Final do primeiro tempo, 3x0, com um surpreendente domínio do Ascoli no jogo.

O segundo tempo começava. O placar de 3x0 numa virada de tempo sempre me faz lembrar da final da edição passada da UCL, com o Milan saindo vencedor nos 45 minutos iniciais por 3x0 e permitindo o empate do Líverpool no segundo tempo, com três gols em 6 minutos. Confesso que o Ascoli era o time de minha preferência nesse jogo, e eu torcia para que conseguissem essa vitória pelo surpreendente e bonito jogo que vinham fazendo. A partida seguia, e aos 25 do segundo tempo, eu já começava a perder um pouco do interesse, pensava que a partida já estava liquidada. Pensamento que mudou em 5 minutos. Aos 27 o brasileiro Taddei marcou o primeiro do Roma, jogador que sofreu muitas críticas no tempo em que defendeu o Palmeiras. Agora mostrava sua estrela e ótima fase na equipe italiana. Passados 3 minutos a Roma chegava ao segundo gol. Num cruzamento despretensioso, uma falha do zagueiro Comotto. O defensor do Ascoli desvia a bola que entra em seu próprio gol: 3x2.

Naquele momento mais uma vez aquela fatídica final de Champions League passava por minha cabeça. A Roma parecia determinada a defender sua seqüência de jogos sem derrotas e pressionava, mesmo que desordenadamente, a equipe do Ascoli, que já mostrava sinais de apreensão após o segundo gol. E mesmo com sua qualidade, o time romano não conseguiu marcar o terceiro gol, o jogo foi seguindo e acabou assim, Ascoli 3 x 2 Roma. Os torcedores emocionados cantavam, enquanto se via a euforia dos atletas do Ascoli, que comemoravam aquela vitória com muito mais intensidade do que uma equipe que encontra-se na 11ª posição de uma liga.

Talvez a idéia desse texto pareça tão irrelevante quanto um time que está em 11º comemorar esfuziante uma vitória, mas este jogo além disso teve uma pitada de magia, de emoção, de apreensão, de arte, de liberdade! Enfim, uma clássica partida de futebol.

segunda-feira, março 13, 2006

Lopes não agüenta e pede demissão

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Daniele Pechi

A derrota de hoje foi a gota d´água! Logo após o clássico entre Corinthians e São Paulo o agora ex- técnico do Corinthians comunicou seu pedido de demissão, que já estava mais do que anunciada. Qualquer derrota do Timão era motivo para uma possível troca de técnico, mas a última semana tornou a situação insustentável! O empate com o Marília, seguido da derrota para o Tigres no meio da semana, que deixou o time em terceiro lugar no grupo 4 da Libertadores, somado ao placar de 2x1 contra o São Paulo ontem no Morumbi decretaram o fim da era Lopes no Timão.

As especulações já começaram, mas uma coisa é certa: Kia não quer Leão para comandar o time, deixou bem claro em suas declarações. Paulo Autuori está bem cotado e Marcio Bittencourt também.

Se acontecer, a volta do ex- técnico só ratificaria a suspeita da crise de bastidores que se instalou desde a chegada da parceria. Marcio, que acertou o time, foi mandado embora após colocar o Corinthians na liderança do Brasileirão 2005...


Dos bastidores para o campo

A atuação do Tricolor foi muito superior à do time do Parque São Jorge, que estava apático em campo e só foi reagir no final do segundo tempo. Além de tudo, perdeu uma cobrança de pênalti, desperdiçada por Rafael Moura. Nilmar, um dos únicos que pareciam estar em campo fez o gol mais bonito da partida, por cobertura, e tem oito gols de vantagem na artilharia. Do lado são-paulino, marcaram Danilo e André Dias. Mineiro foi expulso, mas nem parecia que o outro time tinha um homem a mais...

Permanecendo com apenas 25 pontos e sem o técnico, o Paulista está cada vez mais distante do Timão, que hoje pode ter dado um adeus definitivo a competição.


Líder tropeça

O Santos perdeu hoje para o Guarani por 2x1 e passa a ter a liderança ameaçada pelos vices São Paulo e Palmeiras: a diferença caiu para apenas dois pontos. O Verdão fez a lição de casa e saiu do Canindé com os tres pontos, ganhando pelo mesmo placar. A vantagem do Peixe é não estar na competição sul-americana, assim pode entrar com força total, enquanto os outros poupam jogadores.

domingo, março 12, 2006

Alex, Riquelme e a mídia

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Dante Baptista

Uma vez, no programa “Bem Amigos”, do SporTV, o jornalista Renato Maurício Prado levantou uma questão interessante. Ele afirmou que Alex, brasileiro do Fenerbahçe, e Riquelme, argentino do Villareal, têm um futebol semelhante, e o que os diferencia é a imprensa. Enquanto o brasileiro nunca foi unanimidade na opinião pública nacional, o argentino é amado pela ‘hermana’.

Os dois começaram praticamente na mesma época, e em 99/2000, eram camisa 10 de seus respectivos clubes, Palmeiras e Boca Juniors. Nos duelos entre as equipes, os dois roubaram a cena e foram a atração. Chegaram às suas respectivas seleções também na mesma época. Eram, sem dúvida, os dois principais jogadores da América do Sul no momento.

Riquelme teve um caminho mais fácil. Era o camisa 10 do Boca, clube mais popular da Argentina. Dono de qualidade técnica inquestionável, levou o time argentino ao título da Libertadores e do Mundial em 2000. Sua habilidade o levou para o Barcelona, onde não teve sucesso. Sua redenção chegou com a transferência para o Villareal, clube em que teve ótima atuação, e que o levou ao posto de principal ídolo da seleção argentina e na esperança para a Copa de 2006.

Já a trajetória de Alex foi mais tortuosa. Depois do sucesso no Palmeiras, foi contratado pelo Parma, onde não teve espaço para jogar. Foi emprestado ao Flamengo, numa tentativa de montar um time com grandes craques. Chegaram Denílson, entre outros. Mais uma vez, não deu certo. O fracasso da Seleção Olímpica em 2000 não fez bem para Alex, que só recuperou o excelente futebol no Cruzeiro, em 2003, que conduziu ao título brasileiro. Neste momento, voltara a ser titular do Brasil, inclusive como capitão na Copa América, depois de perder a vaga para o Mundial 2002. Porém, a conturbada transferência para o clube turco e a falta de visibilidade atrapalharam Alex, que não está sequer cotado para a Copa do Mundo.

Na argentina, qualquer camisa 10 que se destaque, é comparado e taxado de novo Maradona. Foi assim com Ortega, Aimar, Tevez, D’Alessandro. E foi assim com Riquelme. Lá, o jogador do Villareal é ídolo, e amado pela imprensa. Então, releva-se o fato de o camisa 8 da Seleção azul-celeste não ter uma grande regularidade. Alex não teve a mesma sorte. Mesmo tido como craque, o jogador foi taxado como ‘sonolento’ e irregular por boa parte da imprensa, e essa dúvida virou uma marca na carreira do jogador.

Dois jogadores de futebol muito parecido, mas que o destino e a imprensa deram rumos diferentes. Mas, com certeza, seria ótimo ver esses dois craques em suas seleções. É uma pena que Alex não poderá mostrar tudo o que sabe na Alemanha. Será um dos grandes craques brasileiros que nunca disputou uma Copa do Mundo, como Marcelinho Carioca, Amoroso, Evair e Djalminha. Já Riquelme será a esperança argentina para o Mundial.

sexta-feira, março 10, 2006

RUMO A 2006: Angola

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Henrique Moretti

Se o vencedor da Copa do Mundo fosse o mais simpático, já haveria um campeão prévio: a seleção de Angola.

Jovem país que só obteve sua independência de Portugal há três décadas e que possui apenas 26 anos com federação de futebol afiliada à FIFA, Angola conseguiu chegar à competição máxima do futebol mundial, após cinco tentativas frustradas (a primeira foi para o México 86).

Os "pelancas negras", como são conhecidos, são detentores do pior ranking FIFA (atualmente o 63º posto) entre as 32 seleções que participarão do Mundial da Alemanha. Por isso mesmo, sua qualificação para a fase final do evento pode ser considerada milagrosa, considerando que o pobre país tem problemas graves de infraestrutura e uma história recente de guerra civil. Para dificultar ainda mais a tarefa, os angolanos acabaram caindo na mesma chave da Nigéria, a 4, nas eliminatórias africanas.

As vagas para o continente negro são destinadas apenas aos líderes de cada um dos cinco grupos, e Angola alcançou o que parecia impossível. Terminou em primeiro, com 21 pontos, mesma pontuação das "Super Águias" nigerianas, ficando à frente no confronto direto, onde ocorreu uma vitória angolana em Luanda (1x0), ainda em 2004, e um empate no campo do adversário (1x1), na antepenúltima rodada das eliminatórias.

O golpe de misericórdia para os nigerianos foi dado na última rodada, quando Fabrice Akwa, principal jogador da seleção vermelha, preta e amarela, fez o gol da vitória sobre Ruanda a 10 minutos do apito final, fazendo com que a implacável goleada de 5x1 aplicada pela Nigéria sobre Zimbábue de nada adiantasse. Festa no país, terceiro a falar português entre os que estarão na Copa, fato inédito.

Grande parte do mérito dessa seleção cabe ao treinador Luis Oliveira Gonçalves, remanescente da triunfal campanha angolana na Copa Africana de Nações sub-20, em 2001 e que comandou a equipe sub-21 durante o Mundial da Argentina, no mesmo ano.

A base do time é formado por jogadores que atuam na própria Angola, ou em times portugueses, como os atacante Mantorras, do Benfica, e Figueiredo, do obscuro Varzim, da segunda divisão. O capitão Akwa (foto abaixo), que também já atuou no Benfica, hoje está no futebol do Qatar. Detalhe para a idade dos dois últimos, que já passou da casa do 30 anos, o que mostra uma seleção um pouco envelhecida. De resto, a se destacar os nomes peculiares de alguns atletas, como Lebo-Lebo e Zé Calanga além de Arsenio "Love", esse apelidado. O bom atacante Johnson, conhecido do povo brasileiro, não está nos planos.

Porém, nem tudo em Angola é "mar de rosas", longe disso. Os resultados recentes deixam grandes dúvidas na cabeça do torcedor angolano. Derrotas por 1x0 para Japão e Coréia em amistosos e má campanha na Copa Africana de Nações podem abalar a confiança da equipe para a disputa do Mundial. Na CAN, inclusive, os angolanos não conseguiram sequer chegar à segunda fase, num grupo que teve como classificados Camarões e Congo. Togo (que também vai à Copa do Mundo) completava a chave.

Na Alemanha, Angola estará acompanhada do país que lhe colonizou por muito tempo, Portugal, do cabeça-de-chave México e do mediano Irã. A curiosidade fica por conta de sua estréia, contra os portugueses, dia 8 de Junho, na cidade de Colonia.

Os favoritos às vagas são claramente mexicanos e lusitanos, enquanto Angola, se conquistar um ponto que seja, deve ficar satisfeita. Afinal somente participar de uma competição desse porte para um país tão pobre, novo e sem tradição já é uma verdadeira conquista. Agora, se a Copa fosse de simpatia...


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1979
Afiliação à FIFA: 1980
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não Participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º colocado do Grupo 4 do Zonal Africano
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 63º
Time-Base: João Pereira, Jacinto, Kali, Jamba (Lebo-Lebo), Delgado; André, Yamba Asha, Mendonça, Akwa; Figueiredo e Mantorras
Formação: 4-4-2
Técnico: Luis Oliveira Gonçalves
Principal Destaque: Fabrice Akwa (Qatar)
Avaliação: * (Mero participante)

quinta-feira, março 09, 2006

Jorge Andrade é a primeira baixa da Copa

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Henrique Moretti

Que, às vésperas da maior competição do mundo envolvendo seleções, a bruxa estava solta, todos já sabiam. Graves contusões ocorreram ainda no ano passado, afetando jogadores como o brasileiro Ricardo Oliveira, o espanhol Xavi, o paraguaio Roque Santa Cruz e o tcheco Jan Koller, os três últimos titulares absolutos de suas seleções nacionais. Mais recentemente, o “atacado” foi o craque italiano Francesco Totti, numa lesão no tornozelo que abalou as estruturas da Azzurra e do mundo futebolístico em geral. Nenhum desses hoje, porém, lamenta mais uma contusão que Jorge Andrade.

O experiente zagueiro português, de 27 anos, jogador do Deportivo La Coruña, da Espanha, rompeu o tendão rotuliano do joelho direito na derrota por 3x2 do La Coruña diante do Barcelona no último sábado pela Liga Espanhola (coincidentemente, Andrade marcou um dos gols de sua equipe). O defensor foi operado ainda no fim-de-semana e a previsão de retorno é de 5 a 6 meses, o que torna impossível sua participação na Copa do Mundo, que tem início em 90 dias. Jorge pode ser considerado a primeira baixa da competição, já que, dos atletas atualmente impossibilitados de jogar e que seriam figuras carimbadas de suas respectivas seleções, ele é o único cuja presença na Alemanha é totalmente descartada.

A curiosidade ficou por conta do lance bobo que resultou na lesão: tentando impedir que Samuel Eto’o alcançasse uma bola perigosa, o zagueiro chocou-se com Jose Molina, goleiro de sua própria equipe.

Homem de confiança do esquema de Felipão, Jorge Andrade irá fazer falta, já que formava a dupla de zaga titular da seleção ao lado de Ricardo Carvalho, do Chelsea. Como forma de reconhecimento, o técnico da seleção portuguesa, além de lamentar bastante o infortúnio, já informou que conta com a presença do camisa 14 do Deportivo na viagem para a Alemanha, fazendo parte da delegação mesmo sem chances de jogar.

Revelado na equipe portuguesa do Estrela Amadora, Andrade acabou se destacando no FC Porto. Transferiu-se para o La Coruña no segundo semestre de 2002, onde atingiu as semifinais da Uefa Champions League 2003/04. Foi também, vice-campeão da Eurocopa de 2004, disputada em Portugal, como titular da defesa lusitana.

Para os amantes do futebol, resta torcer para uma boa recuperação do português, assim como para um rápido retorno dos outros jogadores hoje contundidos e que ainda tem chances de jogar o Mundial. Desses, Xavi aparenta ter a situação mais complicada e dificilmente jogará nos gramados alemães. R. Oliveira deve voltar em Abril mas corre riscos de não ser convocado, preterido por Fred, em melhor ritmo.

Totti, Koller e Santa Cruz também lutam contra o tempo, mas, ao que parece, devem seguir rumo à Alemanha, nem que seja no sacrifício.

quarta-feira, março 08, 2006

Cadê o respeito?

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Bruno de Oliveira


Gordo, velho, "baladeiro" e sem interesse. Para muitos, esse é Ronaldo. O atacante do Real Madrid tem sido alvo de duras críticas nas últimas semanas. Com apenas 3 gols em 2006, um deles no último amistoso da seleção, o Fenômeno definitivamente não vive uma boa fase. Mas seria essa fase suficiente para justificar tantos ataques?

Primeiro foi Pelé, que disse que Ronaldo deveria se preocupar mais com o futebol e deixar um pouco de lado seus compromissos pessoais e sociais. Agora, foi a vez de Platini abrir a boca. Para o ex-meia francês, o atacante está “com anos e quilos demais”. Aos 29 anos, e dentro de seu peso ideal, segundo Parreira, que esteve com o jogador semana passada, Ronaldo parece pagar pelo momento conturbado que vive o Real. Com um time montado pra vender camisas, os espanhóis não sabem o que é um título desde 2003. E estão vendo no atacante o bode expiatório perfeito para a má fase.

Após estourar no Cruzeiro e obter números incríveis em sua passagem pelo PSV, o atacante chegou ao Barça com o apelido de Fenômeno. Suas arrancadas inigualáveis e seus gols espetaculares lhe renderam prêmios e elogios de todo o mundo. Ronaldo virou patrimônio universal. Só que, com as contusões, vieram as dúvidas. As duas cirurgias sofridas no joelho fizeram com que muitos dissessem que ele estava acabado pro futebol. Mas o Fenômeno provou o contrário. Voltou sendo artilheiro da Copa de 2002 com oito gols e levando o Brasil ao penta.

O problema é que Ronaldo já não era mais o mesmo. E nem poderia ser diferente. Com as cirurgias, e com o passar do tempo, o atacante mudou seu estilo de jogar. Já não dá mais arrancadas como antes, assim como já não dribla mais como gostava de fazer. Mas a experiência lhe trouxe uma noção maior de posicionamento e de tática. O que parece difícil de se compreender para torcedores, diretores e antigos admiradores do craque. Não se pode esperar de Ronaldo os lances maravilhosos de tempos atrás. Muito menos cobrá-lo por isso. O que se pode esperar e cobrar de Ronaldo são gols.

Acontece que eles não têm vindo. E assim, abre-se espaço para vaias, críticas e principalmente comparações. Os torcedores do Real, ao mesmo tempo em que criticam seu jogador, assistem Eto’o, Shevchenko e Henry marcarem gols atrás de gols. Logo, partem para o simplismo, dizendo que os três são melhores que o brasileiro. E se esquecem de algumas coisas. Em 96/97, quando Ronaldo fazia sua melhor temporada e conquistava o mundo, Henry ainda era apenas uma promessa do Mônaco, mesmo sendo apenas um ano mais novo. Shevchenko, hoje artilheiro do Milan, ainda passava frio na Ucrânia. E Samuel Eto’o se contentava com a equipe B do Real. Nenhum deles, aliás, participou de três finais de Copa, tendo vencido duas. E nenhum deles foi eleito três vezes o melhor do mundo. É uma grande diferença.

Que hoje os três vivem uma fase melhor, ninguém discorda. Mas ainda há um grande abismo entre Ronaldo e eles. O brasileiro já venceu tudo que podia. Se hoje não vive bom momento, amanhã pode estar por cima novamente. Pode, inclusive, se tornar o maior artilheiro em Copas do Mundo. O que não é difícil, já que tem mostrado ser um jogador de decisão. Se hoje a fase é ruim, amanhã Ronaldo pode calar a todos novamente. Agora, esquecer de tudo o que já fez para o futebol e ofendê-lo quando a bola não entra, é, no mínimo, uma enorme falta de respeito.

terça-feira, março 07, 2006

Quem sabe em 2010...

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Allan Brito

Há pouco mais de 90 dias para o início da Copa do Mundo 2006, o mundo já vive aquela expectativa mágica que envolve o maior espetáculo futebolístico da Terra. As 32 seleções que disputarão o Mundial estão ansiosas. Porém, por outro lado, há muita decepção também. Países como Uruguai, Grécia e Nigéria, que de uma forma ou de outra, já marcaram seus nomes na história do futebol, não estarão na Alemanha esse ano. Fica o espaço para a atração das seleções estreantes, mas perde-se o brilho, por exemplo, da atual campeã européia, ou mesmo da primeira seleção campeã do mundo de futebol.


Grécia


Otto Rehhagel. Esse é o nome do alemão operador do milagre acontecido em Lisboa. Não há outra definição, se não milagre, para o título da Grécia. Nem o técnico da seleção grega, nem o mais otimista torcedor e nem mesmo os próprios jogadores acreditavam num triunfo tão brilhante como o acontecido na Eurocopa 2004. Com gols de cabeça e muita marcação, a Grécia superou poderosas favoritas como República Tcheca e França para chegar à final, quando conquistou o título mais importante de sua história no futebol. Mas, o que aconteceu com esses grandes campeões nas eliminatórias? O feio futebol-resultado não deu certo e os gregos sequer conseguiram ir para a repescagem. Estranho ver uma Copa do Mundo sem a campeã européia, mas tudo bem nesse caso. Muita decepção, mas na verdade, apenas a "justiça futebolística" sendo feita. Tardiamente, sim! Mas está feita. O milagreiro alemão não deu conta dessa vez.



Dinamarca


Onde foi parar a "Dinamáquina" de 1986? Aquela seleção que assustou muita gente na Eurocopa e até mesmo na Copa do Mundo em meados de 80 parece ter sido apenas um fantasma, um rascunho de um futebol promissor. Depois de tanto assustar, a Dinamarca nunca mais fez grandes aparições nos Mundiais e dessa vez, apesar de ter ficado na frente da Grécia nas Eliminatórias, não conseguiu superar Ucrânia e Turquia e vai assistir a Copa em casa. Não é uma seleção de tradição, mas uma seleção que sempre deixa aquela expectativa dos sustos nos grandes times. Na Eurocopa de 1992 conseguiu seu único título importante, mas parece a cada competição mais distante da poderosa máquina de sustos. Fica pra próxima!



Turquia


Que sufoco em 2002! Levantamos de madrugada para assistir a estréia do Brasil quatro anos atrás e enquanto ainda mal abríamos os olhos vimos uma seleção turca fazer o seu gol no questionado time de Felipão. Os brasileiros conseguiram virar o jogo, com certa ajuda do árbitro, mas aquele jogo ficou marcado. Depois disso a Turquia ainda fez acontecer na Ásia, sendo eliminada apenas na semifinal pelos mesmos adversários da estréia, dessa vez com um pouco menos sufoco. Mas um time tão ridicularizado antes da Copa surpreendeu a muitos e fez história. Porém, a equipe já era velha e a renovação não foi feita com qualidade. Uma possível grande atração da Copa da Alemanha acabou caindo fora na repescagem contra a Suíça.



Nigéria, Camarões e Senegal


"Um dia, no século XXI, uma seleção africana ganhará uma Copa do Mundo." Essa afirmação pode até se tornar uma realidade, mas sem Nigéria, Camarões e Senegal vai ficar difícil isso acontecer agora, em 2006. Isso porque só a Tunísia não é estreante em Copas do Mundo entre as 5 classificadas do continente negro. Porém, é sempre necessário lembrar que Senegal também estava nessa condição em 2002 e chegou até as quartas-de-final, deixando uma esperança no coração dos torcedores de Togo, Gana, Costa do Marfim e Angola. Mas aquele trio deixa saudades, até porque na Copa do Mundo a camisa é muito importante sim. E nesse caso, quem tem camisa e história no futebol é a Nigéria, campeã olímpica em 1996, Camarões, campeã olímpica em 2000 e Senegal, sétima colocada no Mundial mais recente. O futebol rápido e alegre fazia a Copa brilhar ainda mais. Veremos se esse brilho continuará forte na Alemanha, mesmo que os personagens tenham mudado.



Uruguai


Não deu para os bicampeões mundiais na repescagem. Nos pênaltis, os Socceroos, apelido da seleção australiana, conseguiram a vitória e impediram que todos os campeões da Copa do Mundo estivessem nessa edição da Alemanha. Feitos históricos, como a final de 1950, ficaram para um remoto passado que dá sinais de não poder mais ser revivido. Em 2002 os uruguaios sequer conseguiram vencer e voltaram para casa eliminados por Dinamarca e Senegal. Antes disso, nem haviam conseguido a classificação para a Copa da França. É melhor todos irem se acostumando com a idéia que o Uruguai fará falta daqui pra frente, pois se tornou apenas um fantasma do passado brilhante e deixará eternas saudades.


Fica a pergunta: Qual dessas equipes fará mais falta à Copa do Mundo 2006? Difícil escolher, mas a nossa enquete está localizada ao lado, ajudem-nos a decidir!

segunda-feira, março 06, 2006

Em jogo de seis pontos, Santos mantém liderança isolada

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Daniele Pechi

A partida entre Santos e Palmeiras tinha tudo para ter muitos gols, mas o que se viu mesmo foram muitas bolas na trave e show de Maldonado e Gamarra, que salvaram seus times por diversas vezes. O santista, além de defender, também atacava e se revelou o destaque da partida, que foi marcada por muitas reclamações. A arbitragem mais uma vez foi a culpa da derrota do Palmeiras, segundo Leão, que ficou sem Washington para o próximo jogo. O atacante foi expulso logo após o fim da partida, também por reclamação. Apesar do equilíbrio do primeiro tempo, na segunda etapa o jogo foi diferente . O time da Vila, que voltou para o segundo tempo com alterações, melhorou o desempenho que já era bom e mesmo assim não conseguia o gol, que só foi sair aos 40 minutos, através de pênalti cobrado por Léo Lima. E ficou nisso, a partida terminou 1x0 para o Santos, que disparou na liderança, com 31 pontos!


Timão passa sufoco

Em pleno Pacaembu, o Corinthians empatou em 1x1 com o fraco time do Marília, que botou muita pressão e arrancou o empate aos 47 do segundo tempo. Perdido em campo e com Mascherano voltando de contusão (não está ainda em suas melhores condições físicas), o Timão se acomodou e perdeu a vitória no último minuto! Pra variar, o gol saiu com Nilmar, que botou mais um na conta. O mal resultado trouxe mais uma vez à tona as vaias para o técnico Antônio Lopes, que foi chamado de “burro” e precisa ganhar quarta feira no México. Caso contrário, pode estar correndo risco. O MAC, que só dependia de si mesmo para sair da zona de rebaixamento, ficou por lá mesmo, mas da lanterna já subiu para o 18º lugar e tem grandes chances de escapar da Série A-2 se continuar reagindo.


Se um fica, o outro sai!

O São Bento cumpriu sua missão nessa tarde e venceu o São Paulo por 2x0. Com 15 pontos, empurrou o Guarani para a tão temida zona do rebaixamento e conseguiu saiu dela! O Tricolor, que não perdia há 10 partidas, viu o título do Paulista ficar mais distante com a derrota de hoje: está em segundo, mas tem 5 pontos a menos. Além disso, poupar atletas para os jogos da Libertadores é inevitável e com um time mais fraco, correr atrás da taça fica ainda mais difícil...

domingo, março 05, 2006

RUMO A 2006: Inglaterra

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Henrique Moretti


Lampard, Gerrard, Beckham, Owen e Rooney. Não há dúvida de que a seleção da Inglaterra conta com craques que formam uma das equipes mais fortes a fim de conquistar a Copa do Mundo 2006.

Alguns dos melhores jogadores do mundo estão no English Team, num timaço que vem sendo considerado por todos o mais forte que os britânicos já construíram desde o que conquistou o Mundial de 1966, em casa, com Bobby Moore e cia.

O técnico sueco Sven-Goran Eriksson (ao lado, com a bandeira inglesa), primeiro estrangeiro a treinar a Inglaterra na história, vê com ótimos olhos a possibilidade de finalmente levantar a taça e acabar com esse jejum de títulos, que já incomoda. Desde 2000 no comando, Eriksson é um grande conhecedor da equipe, e seus melhores resultados foram alcançar as quartas-de-final da Copa 2002, caindo diante do campeão Brasil, e da Euro 2006, perdendo para Portugal.

Porém, atualmente o técnico sueco se segura no cargo mais por falta de opções no mercado que pelos seus próprios méritos, afinal, além dos insucessos citados, a campanha nas eliminatórias para o Mundial da Alemanha não foi das melhores.

Mesmo contando com um grande plantel de jogadores, a classificação veio apenas na última rodada, em primeiro lugar, é verdade, mas com a equipe quase indo parar na repescagem por culpa da irregular Polônia. Outros times medianos, como País de Gales, Áustria e Irlanda do Norte, completavam a chave que parecia tranqüila.

As críticas vieram e, para piorar essa relação treinador-imprensa, Sven acabou sendo alvo, no início do ano, de uma “pegadinha” de um dos tablóides sensacionalistas ingleses. Um “jornalista”, fingindo-se de dono de milionária equipe árabe, gravou uma conversa na qual o técnico afirma, entre outras coisas, que Beckham estaria prestes a sair do Real Madrid e que Ferdinand não gostava de treinar.

As declarações pegaram mal tanto dentro quanto fora do elenco, fazendo com que o sueco acionasse a justiça processando o tal tablóide. A sensatez da federação acabou imperando e ele foi mantido para a Copa, apesar de já haver sido informado de ante-mão que não continua após a competição.

Para se despedir do cargo em que está prestes a completar 6 anos, Eriksson conta com uma defesa sólida, passando pela experiência do lateral-direito Gary Neville e do zagueiro Sol Campbell, provável opção no banco de reservas, pasmem. Os titulares do setor devem ser os seguros Rio Ferdinand e John Terry, havendo ainda o excelente Jamie Carragher brigando por vaga. Pela esquerda, Ashley Cole ainda se recupera de contusão para ser uma peça importante na equipe. O goleiro é Paul Robinson, do Tottenham, que tenta substituir o aposentado David Seaman à altura.

Para o meio-campo, o que parecia ser a solução para o esquema inglês pode se transformar num dilema. Dois dos melhores volantes do mundo, Frank Lampard e Steven Gerrard (respectivamente segundo e terceiro melhores jogadores da Europa, segundo a France Football), sofrem com sobrecarga na marcação quando têm a companhia dos ofensivos David Beckham e Joe Cole.

Tentando resolver o problema, Eriksson experimentou Ledley King, zagueiro de origem, como volante de contenção, sacando assim Cole.

O resultado do novo esquema variou muito, ora obtendo sucesso, como na vitória diante de Gales e Polônia pelas eliminatórias, ora falhando, como diante da Argentina em amistoso recente (foto abaixo), onde a vitória inglesa só veio após a entrada do meia do Chelsea. A dúvida deve persistir até o início do Mundial.

Solução é, sim, o ataque da equipe. Wayne Rooney e Michael Owen formam uma das melhores duplas do mundo no setor, com o eterno garoto prodígio não tendo mais que sofrer com a companhia do fraco Emile Herskey, tal qual no Japão e na Coréia. Shaun Wrigth-Phillips, revelação contratada a peso de ouro pelo Chelsea, surge como boa opção para meio e ataque. Outra carta na manga é o grandalhão Peter Crouch, expecialmente para jogadas aéreas.

No caminho para o título, a Inglaterra tem em seu grupo na Copa a boa Suécia, o defensivo Paraguai e o fraquíssimo Trinidad e Tobago. A classificação deve ser obtida com certa facilidade, ficando a briga pelo primeiro lugar com os suecos. Briga importante, pois faria a seleção líder da chave fugir de um iminente confronto contra a anfitriã Alemanha, já nas oitavas.

Portanto, se passar no primeiro posto, o English Team estaria no rumo certo para fazer desse Mundial a sua grande competição. Segunda favorita ao título para muitos, os comandados do Spice Boy Beckham tentam derrubar a liderança brasileira nas casas de apostas (vício da terra da rainha) e fazer a alegria da fanática torcida. Se assim for, que seja sem os temidos hooligans.



FICHA TÉCNICA

Fundação: 1863
Afiliação à FIFA: 1905
Participações em Mundiais: 11 (1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1982, 1986, 1990, 1998, 2002)
Melhor Resultado: Campeã (1966)
Última Copa: Quartas-de-final (2002)
Campanha nas Eliminatórias: 1ª colocada do Grupo 6 da Zona Européia

Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 9º
Time-Base: Robinson, Gary Neville, Ferdinand, Terry, Ashley Cole; King (Joe Cole), Gerrard, Lampard, Beckham; Owen e Rooney
Formação: 4-4-2
Técnico: Sven-Goran Eriksson
Principal Destaque: Frank Lampard (Chelsea)
Avaliação: ***** (Favorita)

sábado, março 04, 2006

Quem pega esse rebote?

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Ricardo Stabolito Junior

Nos últimos anos, o esporte brasileiro vem sendo “passado a limpo”. Fora dos campos e quadras, escândalos e investigações são os protagonistas de um complicado processo de “moralização esportiva nacional”.

Apesar de o futebol receber uma maior cobertura da imprensa, nenhum outro esporte sofreu uma ruptura tão significativa quanto o basquete. Isso porque seu primeiro resultado foi a criação de uma Liga independente desvinculada da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) batizada Nossa Liga de Basquete (NLB).O líder da NLB, Oscar Schmidt, intenta fazer no Brasil o mesmo que já acontece em vários países – uma liga profissional independente da confederação nacional. Argentina, Itália e EUA (com a famosa NBA) já possuem ligas em tal formato e, ao que parece, esse é um dos fatores que contribuíram para a evolução do basquete nesses países.

A CBB é radicalmente contra a proposta da NLB. Durante o processo de criação da liga independente, Schmidt esteve aberto a conversações com o presidente da confederação, Gerasime Nicolas Bozikis (vulgo Grego). No entanto, Bozikis se limitou a ameaçar os times que se aliassem à Nossa Liga e a ignorar a possível existência da NLB. Em uma das suas últimas ações, chegou a impedir jogadores de times pertencentes à NLB de defender a seleção brasileira.

O receio de Bozikis tem motivo. O Campeonato Brasileiro de Basquete é o único torneio realmente rentável que a CBB possui em seu calendário anual. Um campeonato nacional sem interferência direta da confederação representaria renegá-la quase totalmente às práticas amadoras, porque os torneios estaduais e regionais, com exceção do paulista, possuem pouquíssima visibilidade.

Mas existem outras diferenças entre as duas propostas de certame. O Nacional da CBB sempre primou por uma exclusão do norte e nordeste do país, pois os times das regiões mais ricas do país atraem, logicamente, mais publicidade; na NLB acontece um processo de integração nacional, com a inclusão de alguns times dessas regiões outrora esquecidas.

Enquanto o formato do Nacional da CBB se mantém nos padrões clássicos onde todos jogam contra todos e os melhores classificam-se aos playoffs, a NLB adota uma mescla dos regulamentos da NBA e do Campeonato Italiano onde além das fases clássicas é instituída a chamada Liga de Verão – um tipo de repescagem que mantém todos os times jogando por mais tempo e com mais chances de classificação.

Além disso, NLB e CBB confrontam os dois canais esportivos fechados de maior audiência do país. Enquanto o Campeonato Nacional da CBB é transmitido pela SporTV (e, conseqüentemente, pela Rede Globo), a Nossa Liga tem ao seu lado o canal ESPN Brasil (e a gigante mundial ESPN).

O que assistimos aqui se assemelha muito a um jogo de basquete. A bola está no ar, após um arremesso mal feito e NLB e CBB estão prontos para pegar o rebote. Agora só o tempo dirá quem ficará com ele.