quarta-feira, abril 05, 2006

Pequenos sim, fracos não!

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Bruno de Oliveira

No encerramento dos Estaduais de 2006, comecei a analisar os resultados e cheguei a uma conclusão óbvia, até. Mas que chamou muito minha atenção. O número de times pequenos em destaque aumentou de forma considerável. Foi-se o tempo em que Campeonato Baiano significava final ente Bahia e Vitória. Ou que Campeonato Carioca era decidido em um Fla-Flu, ou num Vasco e Botafogo. Foi-se o tempo, amigo, em que Cruzeiro e Atlético lotavam o Mineirão para um duelo final.

O real significado de tal fenômeno divide-se entre a total incompetência de nossos grandes clubes, se é que ainda podemos chamá-los assim, e a ousadia de determinados pequenos. É o retrato perfeito de nosso futebol. Enquanto dirigentes corruptos insistem em comandar e afundar a elite, trabalhos sérios são realizados em times, até então, sem expressão. E os resultados começam a aparecer. É o caso do Ipatinga, de Minas, do Adap, do Paraná, do Colo-Colo, de Ilhéus, Bahia, e de tantos outros espalhados pelo país.

Campeão mineiro do ano passado, o Ipatinga ficou conhecido como “filial” do Cruzeiro, graças a uma parceria entre os clubes. Manteve sua estrutura, reduziu o número de jogadores emprestados da “matriz” e conseguiu destaque novamente esse ano. Liderou a fase de classificação de seu estadual, eliminou o América na semifinal e chegou à decisão, por incrível que pareça, como favorito. Antes, aliás, eliminou o Botafogo da Copa do Brasil com duas vitórias convincentes. Não foi campeão estadual, mas provou que pode ameaçar a hegemonia da Raposa e do Galo.

Já no Paraná, a surpresa foi o Adap. O pequeno time de Campo Mourão terminou na modesta quarta posição de seu grupo, conquistando vaga para as quartas de final contra o poderoso Atlético, campeão da outra chave. As duas vitórias sobre o atual vice-campeão da América garantiram a Associação Desportiva Atlética do Paraná na semifinal. Dessa vez, o Coritiba foi a vítima. Após perder o primeiro jogo, a zebra do campeonato venceu o segundo confronto e levou a vaga nos pênaltis. Mais um grande caía. Se o título não vier, e provavelmente não virá, já que perdeu a primeira partida da final por 3 a 0 para o Paraná, a Adap já se sentirá satisfeita por ter derrubado os dois clubes com mais tradição do estado.

No Rio, a situação é ainda pior. Com exceção feita ao glorioso América, nenhum time pequeno preza por organização e planejamento. Mas mesmo assim, Fluminense, Flamengo e Vasco sequer disputaram finais. Coube aos modestos Madureira, Cabofriense e Americano fazerem companhia ao Diabo na luta pelas primeiras posições. O único grande minimamente organizado é o Botafogo, virtual campeão. De resto, só decepções. A situação catastrófica acena para resultados ainda piores quando o Brasileiro começar.

Outros exemplos poderiam ser dados pelo país. No Pará, o Ananindeua ameaça o título do Paysandu. Na Bahia, o Colo-Colo é o campeão do primeiro turno. Como exceções, os campeonatos Paulista e Gaúcho foram os únicos, dos grandes do Brasil, a terem a elite na frente. Em São Paulo, apesar do Noroeste mostrar boa organização e ameaçar no começo, o título vai ficar entre o Tricolor e o Peixe. Já no Sul, o bom e velho Gre-Nal decide o campeão. Se estas situações não servirem como lição, poderemos ver, novamente, grandes times lutando contra o rebaixamento no Brasileirão. Ou pequenos conquistando a Copa do Brasil, como aconteceu nos últimos dois anos, com Santo André e Paulista. A verdade é que os Estaduais desse ano serviram para mostrar aos grandes que pequenos são aqueles que fraquejam ano após ano. E mesmo assim não aprendem.

segunda-feira, abril 03, 2006

Tricolor adia festa santista

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Daniele Pechi

Quem se preparou para comemorar hoje teve que guardar os fogos para a semana que vem. O São Paulo entrou em campo com uma vontade impressionante: atacou a todo momento, foi superior em todo o jogo e ainda contou com um jogador a mais no segundo tempo (o santista Luiz Alberto foi expulso). Apesar de tudo isso, o Tricolor saiu atrás no placar, por uma falta de sorte, ou melhor, de competência da arbitragem.

O trio desta tarde superou qualquer outro desde o início do campeonato, foi um festival de erros que prejudicaram tanto santistas como são-paulinos. Se fôssemos contabilizar todos, não caberiam na página do blog...lamentável. Seria mais fácil perguntar o que foi marcado corretamente.

Após isso, o tricolor teve um pênalti a seu favor, vamos tomar todas as marcações como verdade, pois os parênteses tornariam o texto muito cansativo.

O segundo tempo começou com o mesmo ritmo do primeiro e o São Paulo fez mais dois, ganhando de virada. O jogo acabou 3x1 e adiou a comemoração do título pelo Santos, que continua dependendo só dele para ser campeão. Domingo é o grande dia.

A vitória tricolor deu ânimo ao campeonato dado por muitos como já vencido.

Quanto aos outros grandes clubes, Corinthians e Palmeiras, estes estão apenas cumprindo tabela. Com o time “B”, que foi mal hoje, o Corinthians arrancou um 1x0 sofrido pra cima da macaca e o Verdão apanhou do Rio Branco em casa, por 2x0.

Mais uma vez, um espaço dedicado ao futebol se indigna com a má preparação dos árbitros e assistentes, que influenciam diretamente nos resultados. O que se viu hoje foi o resultado de anos de descaso, má administração nas Federações (infelizmente, não se pode falar só da paulista) e ligação dos dirigentes dos próprios clubes. No país do futebol, onde o mesmo poderia gerar cifras muito maiores do que geram e que talentos continuam escondidos por falta de investimento, é triste saber que todos sabem disso, eles fingem que tudo é mesmo assim e a gente finge que acredita!

sábado, abril 01, 2006

RUMO A 2006: Trinidad e Tobago

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Henrique Moretti

Numa Copa do Mundo com tantos estreantes (são seis, ao todo), Trinidad e Tobago é um dos mais renegados. Apontado por muitos como o pior time da competição, o pequeno país do Caribe não fará mais que número pelos gramados alemães, se der a lógica.

A classificação para o Mundial, na verdade, só foi conseguida graças ao generoso (para dizer o mínimo) número de vagas concedido aos países da CONCACAF – Américas Central e do Norte. São três vagas diretas e uma para a repescagem.

E foi dessa “brecha” no regulamento da FIFA que Trinidad soube se aproveitar. A campanha nas eliminatórias não foi nenhuma maravilha, com quatro vitórias e cinco derrotas no hexagonal final e disputa até a última rodada com a Guatemala pela concessão da repescagem.

Os Soca Warriors, como são conhecidos, levaram a melhor, e tiveram o direito de disputar classificação à Copa contra o representante asiático Bahrein. Os jogos, em ida-e-volta, mostraram-se emocionantes, com um empate por 1x1 em Porto de Espanha, e uma vitória tobaguenha por 1x0 em plena casa do adversário, garantindo a estadia na Alemanha no mês de Junho.

O técnico da seleção é o experiente holandês Leo Beenhakker, que já levou a Laranja a uma Copa do Mundo, em 1990. Ele pode ser considerado responsável direto pela inédita classificação da menor nação da história a chegar a uma competição desse porte (possui aproximadamente 1,1 milhões de habitantes). O ex-treinador do Ajax substituiu o demitido Bertille Saint Clair já com o hexagonal final das eliminatórias em andamento e reabilitou a equipe, que chegou a vencer três de seus últimos quatro jogos.

Outros heróis da classificação caribenha são os veteranos Dwight Yorke, ex-artilheiro do Manchester United (foto abaixo), Russell Latapy e Stern John (este goleador da equipe na campanha para a Copa, com 12 gols). Os três podem formar a linha de frente da seleção, que joga em um 4-4-2 disfarçado de 4-3-3, já que o (ex)atacante Yorke não possui mais a velocidade dos tempos áureos de Premier League e, como pôde se observar na disputa do Mundial de Clubes pelo Sydney, ele agora costuma atuar pela faixa do meio de campo, armando jogadas. O defensor Kenwyne Jones é outro que também já teve passagem pelo Campeonato Inglês.

Infelizmente, os Soca Warriors acabaram não dando muita sorte no sorteio das chaves da Copa da Alemanha e estarão no Grupo B, junto de Inglaterra, Suécia e Paraguai. Assim, suas antes já remotas chances de classificação caem ainda mais, considerando a qualidade dos jogadores ingleses e suecos, e a maior experiência dos paraguaios. Uma zebra rubro-negra, nesse caso, é praticamente descartada.

Apesar desse rótulo de azarão, Trinidad e Tobago não tem do que reclamar. Afinal, o simples fato de estar na maior competição esportiva do mundo já é um grande feito, que lembra àquele obtido pela sua vizinha Jamaica no Mundial 98. Como daquela vez, animação e excentricidade por parte dos caribenhos, ao menos, devem estar garantidas.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1908
Afiliação à FIFA: 1963
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não disputou
Campanha nas Eliminatórias: 4º colocado no Zonal da CONCACAF
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 49º
Time-Base: Kelvin Jack, Avery John, Andrews, Jones, Lawrence; Edwards, Spann, Whitley (Latapy), Yorke; Birchall e Stern John
Formação: 4-4-2
Técnico: Leo Beenhakker
Principal Destaque: Dwight Yorke (Sydney)

Avaliação: * (Mero Participante)

sexta-feira, março 31, 2006

O desabafo de um pseudo-escritor

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Christian Avgoustopoulos


Certamente a maioria dos que me conhece bem já tiveram a oportunidade de bater um longo papo comigo, daqueles cheio de ramificações, que vão vertendo em outros assuntos sem uma aparente relação, tomando um sentido tão complexo quanto essa confusa idéia que deixo registrada aqui, nessas linhas. Outros não tão conhecidos podem eventualmente num dia ocioso terem lido algum texto meu, seja este de caráter esportivo, o tema que tenho explorado nas minhas ultimas construções literárias, ou sobre um outro tema qualquer.

Neste mundo cheio de patentes, diplomas e certificações em geral, peço licença aos jornalistas, filósofos, escritores, professores, historiadores e etc. por estar utilizando do poder de escrever esse texto, já que não sou formado e não tenho nenhuma das qualificações acima para ser conceituado capaz de redigir um. Mas por outro lado, me sinto incentivado por algumas poucas pessoas que num momento esporádico qualquer dedicam 5 minutos de suas vidas para lerem o que escrevo, para compartilharem (ou não) de minhas idéias, ou apenas pra me dar uma força, por pura camaradagem mesmo.

Não é fácil escrever analisando uma posição que vá de encontro àquilo que as pessoas já têm como informação. Pouca gente se interessa em saber sobre o futebol na Romênia, sobre a Copa UEFA, sobre os times menos cotados dos principais campeonatos ou sobre jogadores que fazem sucesso em times médios. É de certa forma até compreensível, pois geralmente as pessoas gostam de falar sobre o melhor, sobre o mais importante. Mas muitas vezes perdem a oportunidade de averiguar se de fato o melhor é aquilo mesmo que acreditam ser. E, talvez o principal, perdem a oportunidade de conhecer o trabalho de muitos profissionais que têm recursos demasiadamente escassos e ainda assim tentam alcançar o mais alto nível, de forma até heróica.

Mas o que me deixa mais chateado é ver pessoas com qualificação, que dedicaram anos e anos a estudos e que teriam tudo para serem bons cronistas e jornalistas serem medíocres e limitados, e ainda assim “auxiliarem” as pessoas a formarem sua opinião tendo uma base muito mais poderosa que a minha. Jornalistas que acima de tudo mostram uma visão sempre ufanista e parcial, preterindo clubes e jogadores em detrimento de uma crença cega de que, se não é brasileiro não é bom, salvo as exceções dos estrangeiros que realmente tenham um potencial muito, muito grande. Por outras vezes também mostram total desconhecimento sobre o jogo ou as equipes envolvidas em suas matérias e transmissões. Por questões éticas prefiro guardar os nomes desses profissionais comigo mesmo, para não interferir ainda mais na sua opinião, leitor. Mas tenho certeza que alguns nomes passaram pela sua cabeça nesse instante.

Obviamente, há muita gente qualificada, que tem capacidade e que faz jus a seus títulos, mas estes por outro lado, com todo o perdão da força do termo, se prostituem em alguns momentos ao terem que concordar com seus colegas de trabalho, para manter um clima agradável e de perfeita harmonia em suas coberturas, até mesmo nas não esportivas. E há também alguns que têm excelente capacidade e não conseguem trabalhar num sistema que não acreditam. Muitos desses perdem seu espaço e passam a ser pouco valorizados, talvez tanto quanto eu, um cidadão comum, sem diploma, sem credibilidade, sem cultura ou base técnica naquilo que está desenvolvendo, que por um instante tem seus lampejos poéticos e só pode estar delirando quando pensa que pode ser um escritor.


Detalhe para a ilustração: Alguns profissionais, mesmo que sem esse objetivo em mente, acabam deixando o futebol, em algumas circunstâncias, com sua mística arranhada. Essas crianças fazem o contrário. Mesmo vivendo num plano com um monte de dificuldades e privações, neste isolado momento de diversão brincam de fazer embaixadinhas com a bola, mostrando ao mundo que mesmo com todos seus problemas ainda conseguem promover esta cena de rara beleza ao esporte. Penso que aqueles que vivem direta ou indiretamente do esporte tem por obrigação honrar esta imagem, e lembrar que o que fazem está servindo de exemplo e formando opiniões de pessoas de todo mundo, das mais distintas raças e classes sociais..

segunda-feira, março 27, 2006

Empate no clássico gera polêmica

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Daniele Pechi

O jogo entre Corinthians e Palmeiras estava, apesar de disputado, calmo até os 30 do primeiro tempo. Foi quando Carlitos recebeu um lançamento, avançou, driblou, fez um golaço saiu comemorando o tento que feito no maior rival alvinegro e que deixaria o Timão na frente de novo (o jogo já estava 1x1). Após apontar o centro do campo (o que validaria o gol), o juiz Cleber Wellington Abade anulou sua decisão e deu falta de Tevez em Leonardo...Aí a confusão armou-se: os jogadores partiram para cima do árbitro, que foi tirar suas dúvidas com a assistente Ana Paula, sendo que o lance era do outro assistente. Resumindo, a falha de comunicação entre eles resultou numa marcação muito tardia, independentemente se certa ou errada, e a confusão só comprova a tese de que a arbitragem brasileira realmente anda muito mal preparada. A partida ficou mesmo no empate que empurrou o Verdão para o terceiro lugar, com 33 pontos.

Se teve alguém que não reclamou e, pelo contrário, está rindo à toa, é Vanderlei Luxemburgo. O Santos venceu o Juventus no sábado e viu o empate de hoje aumentar sua vantagem, que agora é de quatro pontos.

O Tricolor do Morumbi ainda não se entregou e venceu o Rio Branco, em Americana, por 4x2. Apesar dos erros infantis cometidos pela defesa, o São Paulo se recuperou no segundo tempo, o qual passou inteiro com um jogador a mais - Júnior Paulista foi expulso aos 42 da primeira etapa. Com os mesmos 33 pontos do Palmeiras, o Tricolor, que agora ocupa a segunda colocação e ainda conta com um confronto direto com o Santos. mantém a esperança de conseguir o bi. Para isso acontecer o Peixe teria que perder dois de seus últimos três jogos. Porém é difícil para uma equipe que tem 77% de aproveitamento, perder duas de suas últimas três partidas, não? É melhor os são-paulinos começarem a rezar desde hoje...


Zona de rebaixamento

Parece inevitável a queda do Mogi Mirim, que soma apenas nove pontos. Só tem mais nove a ser disputados, o que somaria 18. O mais bem colocado da “zona da morte”, o Guarani, já tem 17. Marília e Portuguesa precisam ganhar todas e contar com tropeços de Portuguesa Santista, Santo André e São Bento, que estão livres por muito pouco.

O Guarani respira um pouco mais aliviado, pois tem o mesmo número de pontos da Briosa. Essa “vaga” ainda não está decidida e parece que só será na última rodada do campeonato.

domingo, março 26, 2006

Bola na rede

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Ricardo Stabolito Junior

Em 1997, Gustavo Kuerten se tornou o primeiro tenista brasileiro a ganhar um torneio de Grand Slam – Roland Garros. Ele foi para a França quase como um desconhecido no país e voltou como um herói nacional, impulsionando uma grande moda entre os garotos e garotas do Brasil: praticar tênis.

Acreditava-se que o empurrão de Guga serviria para colocar definitivamente o Brasil no mapa do esporte, criando uma nova geração de campeões. Quando o tenista chegou ao seu terceiro e último título em Roland Garros (2001), jogar tênis já não era mais frisson que fora um dia.

Hoje, três tenistas se revezam na briga pelo posto de melhor do Brasil: Flávio Saretta, Ricardo Mello e Marcos Daniel. No entanto, nenhum alçou vôos mais longos do que meados da posição 50 no ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) em seus melhores momentos. Além disso, quando os melhores tenistas do Brasil se rebelaram contra o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás (foto acima), e não disputaram a Copa Davis, as jovens promessas do esporte assumiram a seleção, mas não conseguiram vencer jogadores de países de terceiro escalão do tênis no continente.

Esses fatos nos permitem concluir que aquela nova geração que acreditávamos estar em formação no país provavelmente não existe, ou, se existe, não se desenvolveu de maneira correta. Mas por que será que ela não se desenvolveu?

O principal motivo parece ser a não interferência do governo, através do ministério dos esportes, na época áurea de Guga. Quando não se interfere no ciclo de uma “moda” (como foi o tênis entre os jovens no Brasil) é inevitável seu prematuro final e ela não se torna uma tendência. Ao invés do ministério buscar formas de profissionalizar o esporte no país, criar um forte e estruturado circuito nacional ou dar apoio financeiro para os jovens talentos para que eles não abandonassem o esporte, a única ação ligada ao tênis foi o início de uma campanha (bem sucedida, por sinal) para trazer um torneio do ATP Tour ao país - o Brasil Open. Assim, o que se iniciou como uma moda, acabou como uma moda.

Outro motivo, de natureza incontrolável, foi a própria carreira de Gustavo Kuerten. O tenista conseguiu se manter competitivo por, mais ou menos, cinco anos – de 1997 (primeiro torneio de Roland Garros) até 2002. Uma sucessão de contusões que o persegue até hoje fez com que ele não conseguisse mais se manter entre os melhores e mais constantes desde tal época tenistas do circuito desde tal época. No fim, cinco anos parecem não ter sido tempo suficiente para que se criasse uma geração de campeões.

Além disso, o tênis é um esporte que requer equipamentos muito caros para a maioria da população brasileira. Diferente do futebol, que pouco os exige e pode ser jogado em praticamente qualquer local, o tênis é um esporte de caráter elitista praticado em clubes e campos especializados. Logo, o tênis se mostra fora da realidade econômica brasileira.

Não é possível dizer com certeza que o Brasil “desperdiçou passivamente” uma geração de campeões porque faz apenas nove anos que a “explosão” do tênis no Brasil ocorreu. É possível que uma safra de talentos que insistiram no esporte esteja agora competindo em torneios juvenis por aqui ou aproveitando um patrocínio e treinando no exterior. Mas, o mais provável, é que a bola do tênis brasileiro parou na rede.

sábado, março 25, 2006

O Novo Técnico do Timão

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Guilherme Ferreira Ceciliano

Paulo César Gusmão deve assumir o Corinthians segunda feira, logo após o clássico contra o Palmeiras. É um nome de consenso entre o clube e a MSI e demonstrou mais vontade de assumir o clube do que Paulo Autuori.

Depois de muito tentar Paulo Autuori, Emerson Leão, Vanderlei Luxemburgo e até Luis Felipe Scolari, o Corinthians deve substituir Antônio Lopes pelo ex-treinador de goleiros do técnico do Santos, PC Gusmão. Foi uma escolha acertada, mas um simples olhar para um passado recente e veremos que não era a melhor das opções. O Sonho de Kia era Felipão, da seleção de Portugal. Faltou ao iraniano lembrar que o técnico pentacampeão deixou dois discípulos com grande potencial: Tite e Cuca. Não que Gusmão seja um nome ruim, mas os gaúchos tem experiência em Taça Libertadores e conseguiram fazer milagres no passado.

Cuca começou a ganhar projeção como técnico quando dirigiu o time do Paraná em 2003. O time tricolor fazia uma boa campanha no Brasileirão, mantinha-se entre os dez primeiros daquele ano com um time razoável. Porém no meio da competição Cuca largou o Paraná e foi para o Goiás. O clube esmeraldino encontrava-se na ultima posição do campeonato e tinha somente o artilheiro Dimba como destaque. Depois da chegada do treinador o time embalou e ficou com um honroso 9º lugar. O projeção goiana levou o treinador ao (na época) mediano São Paulo. Junto com ele, chegaram um pacote de jogadores de médio porte, que em 2005 seriam ídolos do time na conquista do tricampeonato da Libertadores. O tricolor paulista foi eliminado da competição sulamericana de 2004 pelo campeão Once Caldas. Foi demitido e depois disso pensaram que Cuca era santo milagreiro e Flamengo e Grêmio tentaram resolver problemas estruturais com o técnico. Ledo engano. O técnico também foi para o São Caetano, onde fazia campanha razoável, até que, inexplicavelmente, saiu do time do ABC. Cuca tem perfil forte, sabe armar times equilibrados e faz com que jogadores se doem ao máximo ao esquema.

Tite, a outra sugestão do humilde colunista, tem, com certeza, o maior feito da era pós-Parreira. Mesmo sem ter ganhado nenhum título (Geninho ganhou o Paulista em 2003 e Lopes o Brasileiro em 2005) ele conseguiu uma das maiores recuperações da história do clube. Diferente de Márcio Bittencourt, que também tem seus méritos, Tite tirou o time da zona de rebaixamento (22º) em 2004 com um elenco tecnicamente muito inferior. Para isso ele deu padrão tático ao time sem inventar, afastou medalhões, como Rincón, e baixou para cerca de 1 gol por jogo a média de gols sofridos do time, que até sua chegada só tinha tomado goleadas no Brasileirão (em que posteriarmente terminaria na 5º colocação). Tite tem um perfil durão, e é o modelo mais promissor de Felipão que existe hoje no Brasil. Porém, não tem um bom relacionamento com o chefão da MSI e por isso seu nome nem foi citado para substituir Antônio Lopes. Vale lembrar também que Tite já participou da Libertadores com o Grêmio em 2002 pois ganhou a Copa do Brasil em 2001.

Tanto Cuca quanto Tite têm perfil semelhante ao de Felipão, sonho de consumo de Kia, mas nenhum deles foi relacionado para substituir Antônio Lopes. Sendo assim, PC Gusmão deve chegar. É um técnico promissor, com alguma experiência como treinador e alguns títulos como interino. Deve armar no Timão um 4-3-1-2 com Mascherano, Marcelo Mattos e Ricardinho fazendo a proteção para Roger enconstar na estupenda dupla de atacantes. Resta saber se ele conseguirá dar um jeito na defesa alvinegra, principal ponto falho no time. Se conseguir trazer Edu Dracena junto com ele será um começo. Mas só o começo. Cuca e Tite, porém, eram especialistas em armar muralhas.


>>Goiás de Cuca em 2003 (4-3-2-1):

Rodrigo Calaça; Gustavo, Fabão, Renato Goiano, Leandro Smith; Marabá, Josué, Danilo; Grafite, Araújo; Dimba

>>Corinthians de Tite em 2004 (3-5-2):

Fábio Costa; Anderson, Váldson, Betão (Filipe Alvim); Edson, Wendel, Fabinho, Renato, Fábio Baiano; Gil e Jô (Bobô)


Antigos Treinadores do Timão:

_Tite 2004 (39 jogos, média de 1,2 gol pró e 0,89 gol contra)
_Tite 2005 (12 jogos, média de 1,25 gol pró e 0,75 gol contra)
_Passarella (15 jogos, média de 1,8 gol pró e 1,45 gol contra)
_Bittencourt (26 jogos, média de 2,07 gols pró e 1,26 gol contra)
_Lopes (36 jogos, média de 2,08 gols pró e 1,11 gol contra)

Quem ganhou reforços com a MSI:

_Tite: Marinho, Marcelo Mattos, Tevez e Carlos Alberto
_Passarella: Gustavo Nery e Roger
_Bittencourt: Wescley, Mascherano e Nilmar
_Lopes: J. Herrera, Ricardinho, Rafael Moura, Xavier e Rubens Júnior

quarta-feira, março 22, 2006

RUMO A 2006: Sérvia e Montenegro

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Henrique Moretti


Chamando-se Iugoslávia até o ano de 2003, a seleção de Sérvia e Montenegro alcança na Copa da Alemanha sua primeira participação em competições internacionais de futebol com o novo nome.

Para chegar lá, os “Plavi” (azuis, em sérvio) realizaram uma campanha impecável nas eliminatórias européias. Num grupo complicado, com Espanha, Bélgica e Bósnia-Herzegovina (curiosamente ex-integrante iugoslava), obtiveram a primeira colocação e a vaga para o Mundial sem necessitar da repescagem, que ficou para a Espanha.

A fortaleza da equipe, que tem uma certa tradição no cenário futebolístico com o antigo nome, chegando às semifinais da Copa de 1930 e revelando craques como Predrag Mijatovic, está na defesa.

Formada por bons jogadores, como Nemanja Vidic, recém-contratado pelo Manchester United, e Mladen Krstajic, capitão da equipe e atleta do Schalke 04, a zaga sérvia atingiu a impressionante marca de apenas um gol sofrido (16 a favor) na campanha para a Alemanha, em 10 partidas disputadas.

Mas quem pensa que a seleção da Sérvia só possui sistema defensivo está redondamente enganado. No meio-campo e ataque o time esbanja criatividade, com os meias Dejan Stankovic (titular da Inter de Milão) e Predrag Djordjevic (Olimpiakos) municiando o rápido Mateja Kezman (Atlético de Madrid) e o grandalhão Savo Milosevic (Osasuna).

Kezman (foto abaixo) foi inclusive o artilheiro da equipe nas Eliminatórias, com 5 gols marcados, anotando em jogos decisivos, como no empate diante da Espanha em Madrid (1x1) e na vitória sobre a Bósnia (1x0), ambas partidas do returno. O jovem meia Simon Vukcevic, de 20 anos, também merece destaque. Atleta do time russo Saturn, Vukcevic foi o grande nome da seleção vice-campeã européia sub-21, em 2004, e aparece como zebra na busca pelo prêmio de melhor jogador jovem da Copa, oferecido pela FIFA.

O técnico é Ilija Petkovic, que assumiu o cargo deixado por Dejan Savicevic após má campanha nas fase de classificação para a Euro 2004 (os sérvios acabaram eliminados).

Curiosamente o sobrenome do treinador é o mesmo do meia Dejan Petkovic, unanimidade no Brasil, porém renegado na seleção sérvia. O craque do Fluminense não é convocado há anos e já perdeu as esperanças de participar da Copa.

Para a Alemanha, os resultados dos comandados de I. Petkovic serão botados à toda prova. Isso porque o sorteio não foi nada grato para os sérvios, colocando-os no chamado "grupo da morte, com Argentina, Holanda e Costa do Marfim.

Teórica terceira força da chave, a equipe, cujo maior segredo é a harmonia, segundo o próprio treinador, quer justificar a fama de “brasileiros da Europa” (pela habilidade se seus jogadores), e para isso nada melhor do que, num evento do porte de uma Copa do Mundo, passar pelos argentinos. Possível, porém difícil de se acreditar.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1919
Afiliação à FIFA: 1921
Participações em Mundiais: 8 (1930, 1950, 1958, 1962, 1974, 1982, 1990, 1998)
Melhor Resultado: Semifinalista (1930)
Última Copa: Não participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º lugar do Grupo 7 da Zona Européia
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 46º
Time-Base: Jevric, Duljaj, Vidic, Krstajic, Dragutinovic; Nadj, Koroman, Stankovic, Djordjevic; Milosevic e Kezman.
Formação: 4-4-2
Técnico: Ilija Petkovic
Principal Destaque: Dejan Stankovic (Internazionale)
Avaliação: ** (Bom time, porém num grupo muito difícil)

terça-feira, março 21, 2006

As sensações da temporada

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Christian Avgoustopoulos


Ultimamente no futebol uma das coisas mais comuns e interessantes que vêm acontecendo são as misteriosos e surpreendentes equipes campeãs de alguns dos principais torneios mundiais. Vale lembrar que o até então desconhecido Once Caldas (Colômbia), foi o campeão da Taça Libertadores da América em 2004, classificando-se para a final da Copa Toyota contra o FC Porto, que certamente era um dos times menos cotados a vencer a Liga dos Campeões da UEFA naquela edição. Além disso, a Grécia naquele mesmo ano sagrou-se campeã européia, deixando até o mais entendido dos críticos boquiaberto. E as últimas edições da Copa do Brasil? Os dois últimos campeões foram o Santo André e o Paulista de Jundiaí, ambos da Segunda Divisão nacional, batendo na final times de tradição: Flamengo e Fluminense, respectivamente. Antevendo que mais uma vez a zebra pode correr solta pelos gramados, comecei a observar os times menos cotados aos títulos com um pouco mais de atenção. Nesta edição da Copa dos Campeões dois times de certa forma surpreenderam ao chegar até as quartas de final, e mesmo sendo menos cotados pela mídia e pelos espectadores continuam sonhando com a taça. São eles o Benfica, de Portugal, e o Villarreal, da Espanha.


Benfica:

O clube lusitano encontra-se em um momento muito positivo, e tenta voltar a alcançar seu desempenho vencedor de décadas passadas. O clube é o maior detentor de títulos nacionais, sendo 31 vezes campeão português ao longo de sua história. Na década de 60 atingiu seu auge ao sagrar-se bicampeão europeu nas temporadas de 60/61 e 61/62. Porém, nos últimos anos o Benfica não vinha conseguindo resultados que fizessem jus à sua história. Seu último título nacional havia sido em 93/94, e desde a temporada 98/99 o clube não participava de uma edição da Liga dos Campeões da UEFA.

O título português na ultima temporada lhe deu o direito de voltar a figurar entre os grandes clubes do futebol europeu, e até o momento ele vem fazendo bonito, já deixando para trás o tradicionalíssimo Manchester United na fase de grupos e o atual campeão da UCL, o Liverpool, nas oitavas de final, vencendo as duas partidas disputadas contra o time da terra dos Beatles. Enfrenta agora nas quartas de final o time favorito ao título, o FC Barcelona, que conta com um elenco que certamente deixa com inveja qualquer clube de futebol, além do atual eleito melhor jogador do mundo, o brasileiro Ronaldinho Gaúcho. Porém, o time português também tem seus destaques, dentre eles Simão Sabrosa, que vem sendo sondado por alguns clubes e está valorizado no mercado. Na foto, outro destaque: o principal atacante do time, Nuno Gomes, da seleção portuguesa.


Ficha Técnica:

SL Benfica
Treinador: Ronald Koeman
Cidade: Lisboa
Estádio: Estádio da Luz / Capacidade: 65.000 torcedores
Time Base: Moretto; Nelson, Anderson, Luisão e Leo; Petit, Manuel Fernandes, Geovani e Simão; Mantorras e Nuno Gomes


Villarreal:

O Villarreal é sem dúvida uma das equipes emergentes no futebol mundial. Com um bom trabalho da diretoria, que ao longo dos últimos anos tem trazido jogadores excepcionais, como o craque argentino Riquelme, o Villarreal saltou da posição de um time pequeno espanhol a um dos mais respeitados. É a primeira vez que disputa a Liga dos Campeões, e vem fazendo uma campanha excelente. A equipe na fase de grupos esteve na chave do próprio Benfica, juntamente com Manchester United e Lille, da França, deixando todos para trás e assegurando a primeira posição do grupo.

Nas oitavas de final eliminou o Rangers, da Escócia, com um empate por 2x2 na Escócia e um por 1x1 na Espanha, garantindo a vaga no numero de gols marcados fora de casa. Apesar de ser um time de pouca tradição, o Villarreal é mais bem cotado a chegar longe do que o Benfica pelos críticos esportivos, e talvez uma equipe mais temida pelas demais. O próprio Rijkaard, técnico do Barcelona, havia dito que o Villarreal era a única equipe que ele não gostaria de ter que enfrentar nesta fase. O "yellow submarine", apelidado assim por seus torcedores, devido a seu uniforme monocromático amarelo, enfrenta a Inter de Milão num jogo em que o treinador da equipe italiana, Roberto Mancini, descarta o favoritismo: "Alguns espectadores nos consideram favoritos, pensando ser um confronto fácil, e isso me preocupa, por não ser verdade. A esta altura do campeonato qualquer resultado é possível, e eles jogam num campo pequeno, o que dificulta as coisas".


Ficha Técnica:

Villarreal FC
Treinador: Manuel Pellegrini
Cidade: Villarreal
Estádio: El Madrigal / Capacidade: 23.000 torcedores
Equipe Base: Viera; Javi Venta, Gonzalo Rodríguez, Peña e Arruabarrena; Senna, Tacchinardi, Sorín e Riquelme; Forlán e José Mari

E você, já tem sua aposta para quem triunfa nesta edição da Liga dos Campeões? Deixe seu palpite na nossa enquete ao lado, talvez ele seja vencedor!

segunda-feira, março 20, 2006

Palmeiras faz bonito e se mantém muito perto do líder

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Daniele Pechi

O dia parecia não estar muito favorável para o Palmeiras, que já aos quarenta segundos do primeiro tempo sofreu um gol marcado por Almir para a Ponte Preta, em pleno Parque Antártica. Em tarde inspirada, Almir marcou mais um aos 27. A virada palestrina começou aos 34 com Marcinho e dois minutos foram suficientes para mais dois gols que levaram o Verdão com a parcial vitória para o intervalo.

Na volta, a Ponte buscou o empate, mas acabou tomando mais um! E de um jogo que parecia definido, o que se viu foram surpresa, virada e mais três pontos para o segundo colocado, que agora com 32 espera um deslize do líder Santos para assumir a ponta.

Mas se depender do Santos, o título do Paulista fica mesmo é na baixada! Confirmando o seu ótimo desempenho em casa (100% de aproveitamento), o Peixe venceu o Ituano por 2x0 e retomou a liderança que por alguns minutos ficou com o time de Émerson Leão. A alegria durou pouco.


Um inimigo a menos

No sábado, o São Paulo decepcionou em casa e conseguiu apenas um empate diante do Noroeste. A partida terminou em 1x1 e deixou o Tricolor muito longe do título! Tem quatro pontos a menos que o líder num campeonato que está a quatro rodadas do fim.


Timão perde mais uma...e culpa a arbitragem

Com uma escalação que misturava nomes familiares a outros totalmente desconhecidos, o Corinthians entrou em campo com um time disposto simplesmente a terminar de cumprir tabela. Várias estréias vindas da categoria de base, misturadas a titulares como Marcelo Matos deram a cara nova à equipe, que, apesar de tudo, mostrou um bom entrosamento e vontade de vencer. Apresentar um bom serviço pode assegurar a esses meninos a escalação para os próximos jogos.

Ontem, em Rio Preto, o 2x1 foi justo pelo que fez o América em campo e as reclamações corintianas não tinham lá tanta razão. Na verdade, um pênalti não foi marcado a favor, assim como um contra também não. Isso não justifica o erro do juiz, mas ao menos mostra que não haveria alteração no placar.

Entre tantas dúvidas que pairam o Parque São Jorge, uma que se destaca é: será que no maior clássico paulista (Corinthians x Palmeiras), o Timão entrará com esse mesmo time misto? Se a resposta for sim, não perdem apenas os torcedores do Corinthians, mas sim os admiradores do futebol!

quinta-feira, março 16, 2006

RUMO A 2006: Togo

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Henrique Moretti

Dentre as várias seleções estreantes que obtiveram classificação para o Mundial da Alemanha, a presença da seleção togolesa é uma das que mais surpreende.

Pequeno país localizado a Oeste Africano, Togo tem uma história no futebol irrelevante. Nenhum título no currículo e apenas meia dúzia de participações em Copas Africanas de Nações. Soma-se a isso modestas campanhas nas eliminatórias recentes: quarto colocado de sua chave nas últimas três oportunidades.

Assim, a classificação da equipe comandada até então pelo nigeriano Stephen Keshi faz as seleções mais tradicionais do continente negro refletirem. Como todos sabem, forças regionais da qualidade de Camarões, Nigéria e Senegal não estarão na Alemanha. O último, aliás, eliminado pelos próprios togoleses, que garantiram a primeira colocação do Grupo 1 do Zonal Africano, dois pontos à frente da zebra da último Mundial e quatro à frente de Zâmbia.

Ao técnico Keshi, que disputou como capitão da Nigéria a Copa de 1994, nos EUA, cabe grande parte do mérito pela classificação histórica. A princípio nem mesmo o treinador esperava tal resultado, dizendo aspirar um posto entre os três primeiros de seu grupo. Porém, os jogos se passavam e Togo se punha a cada rodada mais próximo da Alemanha. Um grande passo rumo à classificação veio ao arrancar um empate diante de Senegal em Dakar (a partida em Togo havia sido vencida por 3x1 pelos donos-da-casa) com excelente participação do atacante Emmanuel Adebayor. Ali, faltando duas rodadas para o término do Zonal, Togo passou de zebra a favorito à vaga.

Adebayor aliás, é o grande destaque da equipe. Recém-transferido do francês Mônaco para o inglês Arsenal, o atacante foi artilheiro do zonal regional com 11 gols e é o único do elenco a ser um jogador de nível internacional. Os meias Cherif Touré-Maman, do Metz, e Abdel Coubadja também se destaca,, sendo o último autor de gols decisivos na vitória da equipe sobre Congo, na última partida da campanha.

Porém, a festa togolesa deve acabar por aí. Apesar de no Mundial os africanos estarem num grupo apenas razoável, com França, Coréia do Sul e Suíça, dificilmente conseguirão a classificação.

Isso porque “os Gaviões”, como são conhecidos, não conseguiram passar por recentes testes de fogo, como na derrota em amistoso diante do Paraguai por 4x2. Na Copa Africana 2006, no Egito, Togo foi ainda pior, acumulando três derrotas em três jogos, diante de Angola, Camarões e Congo.

Para piorar, Adebayor (foto abaixo) ainda teve problemas disciplinares com o técnico Keshi, o que acarretou na demissão do nigeriano, mesmo com ele ostentando o prêmio de melhor treinador africano do ano passado.

Seu substituto é o alemão Otto Pfister, de 67 anos, que possui grande experiência no continente, tendo dirigido as seleções de Gana, Costa do Marfim e Senegal, além de clubes egípcios.

Só que o pouco tempo que o alemão terá para acertar a equipe para a disputa da Copa faz-se crer ainda mais em desclassificação togolesa na primeira fase. E o despreparo dos dirigentes, demitindo o técnico responsável pelo passaporte para o Mundial às vésperas da competição, faz, e muito, por merecê-la.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1960
Afiliação à FIFA: 1962
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não Participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º lugar do Grupo 1 da Zona Africana
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 58º
Time-Base: Agassa, Nibombe, Abalo, Mathias, Aziawonou; Atte-Oudeyi, Coubadja, Mamah, Touré-Maman; Adebayor e Senaya
Formação: 4-4-2
Técnico: Otto Pfister
Principal Destaque: Emmanuel Adebayor (Arsenal)
Avaliação: * (Mero participante)

terça-feira, março 14, 2006

Fora de Rotina

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Christian Avgoustopoulos

Domingo. Dia de passar com amigos e familiares, acordar e almoçar tarde, fazer qualquer coisa depois do almoço e se preparar para uma longa semana de trabalho. Isso faz parte da rotina de uma grande parcela da população. Esse fim de semana, porém, estava predestinado a me mostrar algo de diferente. Saí para viajar, fui num camping passar o fim de semana num trailer, a convite de um amigo meu. Hoje em dia camping não é mais como antigamente, a estrutura que se tem é semelhante à de um hotel. Após um tempo na piscina do camping, resolvo dar uma olhadinha no que esta passando na TV. Assisto os 15 minutos finais de Real Madrid x Valencia. Tive a impressão nesse tempinho que o jogo foi bom. Lances de perigo dos dois lados, ambos buscando a vitória, o único resultado que interessava a ambos para continuar sonhando com a possibilidade de vencer o Campeonato Espanhol.

Aos 43 do segundo tempo, pênalti para a equipe merengue, após Canizares derrubar Ronaldo. O próprio Ronaldo parte para a cobrança...e erra! Bate mal e Canizares defende sem sequer dar rebote. O jogo termina com esse momento inusitado. Um jogador conceituado como Ronaldo, tido como uma das esperanças da seleção brasileira na Copa do Mundo, não costuma e nem pode perder uma chance como essa, mesmo estando numa fase conturbada.

Jogo encerrado, 0x0...a noite passa e acordo cedo para assistir a 1ª etapa da F1 no ano. Apesar de decepcionado com a segunda posição de Schumacher na bandeirada final (minha paixão pela Ferrari sempre foi intensa), gosto do espetáculo, uma bela corrida, que passou a impressão de que teremos um ano muito interessante neste esporte automotivo. Mas o mais surpreendente dos eventos esportivos estava por vir. Ainda com um pouco de sono decido assistir Ascoli x Roma. Um jogo que era apontado por muitos dos profissionais entendidos do esporte com favoritismo decisivo para a equipe da capital, que desde novembro do ano passado não conhecia a derrota. Do outro lado, um surpreendente Ascoli, que vem fazendo uma campanha excelente na Serie A, longe do rebaixamento e até com uma mínima possibilidade de alcançar uma vaga para as competições européias da temporada seguinte, algo que deve ser bem considerado analisando as limitações da equipe, que só está na primeira divisão do italiano devido a problemas financeiros do Torino, impedido de jogar a Serie A devido a problemas com o balancete financeiro anual.

Começa o jogo, bem disputado, equilibrado...até que o Ascoli marca o primeiro gol, com o camisa 99, Quagliarella, ao receber um passe vindo da esquerda, só tendo o trabalho de empurrar o esférico para o gol. Isso esquentaria o jogo, afinal esperava-se que a Roma começaria impor seu jogo para buscar reverter o placar. Mas logo em seguida, um cruzamento certeiro, oriundo de uma bola parada gerou o segundo gol do Ascoli, por intermédio de Paci, que concluiu de cabeça. O Ascoli fazia 2x0 na Roma e ia dominando a partida, jogando organizado e bonito. Ainda no primeiro tempo o Ascoli chega ao terceiro gol. E que golaço! O homem do jogo, Quagliarella (foto acima), perdoem-me a hipérbole, lembrando Maradona, recebe uma bola na esquerda, aproxima-se da área, e na saída do goleiro dá um lindo passe de cobertura, encobrindo o mesmo, para que Budan complete de cabeça com o gol vazio. Final do primeiro tempo, 3x0, com um surpreendente domínio do Ascoli no jogo.

O segundo tempo começava. O placar de 3x0 numa virada de tempo sempre me faz lembrar da final da edição passada da UCL, com o Milan saindo vencedor nos 45 minutos iniciais por 3x0 e permitindo o empate do Líverpool no segundo tempo, com três gols em 6 minutos. Confesso que o Ascoli era o time de minha preferência nesse jogo, e eu torcia para que conseguissem essa vitória pelo surpreendente e bonito jogo que vinham fazendo. A partida seguia, e aos 25 do segundo tempo, eu já começava a perder um pouco do interesse, pensava que a partida já estava liquidada. Pensamento que mudou em 5 minutos. Aos 27 o brasileiro Taddei marcou o primeiro do Roma, jogador que sofreu muitas críticas no tempo em que defendeu o Palmeiras. Agora mostrava sua estrela e ótima fase na equipe italiana. Passados 3 minutos a Roma chegava ao segundo gol. Num cruzamento despretensioso, uma falha do zagueiro Comotto. O defensor do Ascoli desvia a bola que entra em seu próprio gol: 3x2.

Naquele momento mais uma vez aquela fatídica final de Champions League passava por minha cabeça. A Roma parecia determinada a defender sua seqüência de jogos sem derrotas e pressionava, mesmo que desordenadamente, a equipe do Ascoli, que já mostrava sinais de apreensão após o segundo gol. E mesmo com sua qualidade, o time romano não conseguiu marcar o terceiro gol, o jogo foi seguindo e acabou assim, Ascoli 3 x 2 Roma. Os torcedores emocionados cantavam, enquanto se via a euforia dos atletas do Ascoli, que comemoravam aquela vitória com muito mais intensidade do que uma equipe que encontra-se na 11ª posição de uma liga.

Talvez a idéia desse texto pareça tão irrelevante quanto um time que está em 11º comemorar esfuziante uma vitória, mas este jogo além disso teve uma pitada de magia, de emoção, de apreensão, de arte, de liberdade! Enfim, uma clássica partida de futebol.

segunda-feira, março 13, 2006

Lopes não agüenta e pede demissão

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Daniele Pechi

A derrota de hoje foi a gota d´água! Logo após o clássico entre Corinthians e São Paulo o agora ex- técnico do Corinthians comunicou seu pedido de demissão, que já estava mais do que anunciada. Qualquer derrota do Timão era motivo para uma possível troca de técnico, mas a última semana tornou a situação insustentável! O empate com o Marília, seguido da derrota para o Tigres no meio da semana, que deixou o time em terceiro lugar no grupo 4 da Libertadores, somado ao placar de 2x1 contra o São Paulo ontem no Morumbi decretaram o fim da era Lopes no Timão.

As especulações já começaram, mas uma coisa é certa: Kia não quer Leão para comandar o time, deixou bem claro em suas declarações. Paulo Autuori está bem cotado e Marcio Bittencourt também.

Se acontecer, a volta do ex- técnico só ratificaria a suspeita da crise de bastidores que se instalou desde a chegada da parceria. Marcio, que acertou o time, foi mandado embora após colocar o Corinthians na liderança do Brasileirão 2005...


Dos bastidores para o campo

A atuação do Tricolor foi muito superior à do time do Parque São Jorge, que estava apático em campo e só foi reagir no final do segundo tempo. Além de tudo, perdeu uma cobrança de pênalti, desperdiçada por Rafael Moura. Nilmar, um dos únicos que pareciam estar em campo fez o gol mais bonito da partida, por cobertura, e tem oito gols de vantagem na artilharia. Do lado são-paulino, marcaram Danilo e André Dias. Mineiro foi expulso, mas nem parecia que o outro time tinha um homem a mais...

Permanecendo com apenas 25 pontos e sem o técnico, o Paulista está cada vez mais distante do Timão, que hoje pode ter dado um adeus definitivo a competição.


Líder tropeça

O Santos perdeu hoje para o Guarani por 2x1 e passa a ter a liderança ameaçada pelos vices São Paulo e Palmeiras: a diferença caiu para apenas dois pontos. O Verdão fez a lição de casa e saiu do Canindé com os tres pontos, ganhando pelo mesmo placar. A vantagem do Peixe é não estar na competição sul-americana, assim pode entrar com força total, enquanto os outros poupam jogadores.

domingo, março 12, 2006

Alex, Riquelme e a mídia

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Dante Baptista

Uma vez, no programa “Bem Amigos”, do SporTV, o jornalista Renato Maurício Prado levantou uma questão interessante. Ele afirmou que Alex, brasileiro do Fenerbahçe, e Riquelme, argentino do Villareal, têm um futebol semelhante, e o que os diferencia é a imprensa. Enquanto o brasileiro nunca foi unanimidade na opinião pública nacional, o argentino é amado pela ‘hermana’.

Os dois começaram praticamente na mesma época, e em 99/2000, eram camisa 10 de seus respectivos clubes, Palmeiras e Boca Juniors. Nos duelos entre as equipes, os dois roubaram a cena e foram a atração. Chegaram às suas respectivas seleções também na mesma época. Eram, sem dúvida, os dois principais jogadores da América do Sul no momento.

Riquelme teve um caminho mais fácil. Era o camisa 10 do Boca, clube mais popular da Argentina. Dono de qualidade técnica inquestionável, levou o time argentino ao título da Libertadores e do Mundial em 2000. Sua habilidade o levou para o Barcelona, onde não teve sucesso. Sua redenção chegou com a transferência para o Villareal, clube em que teve ótima atuação, e que o levou ao posto de principal ídolo da seleção argentina e na esperança para a Copa de 2006.

Já a trajetória de Alex foi mais tortuosa. Depois do sucesso no Palmeiras, foi contratado pelo Parma, onde não teve espaço para jogar. Foi emprestado ao Flamengo, numa tentativa de montar um time com grandes craques. Chegaram Denílson, entre outros. Mais uma vez, não deu certo. O fracasso da Seleção Olímpica em 2000 não fez bem para Alex, que só recuperou o excelente futebol no Cruzeiro, em 2003, que conduziu ao título brasileiro. Neste momento, voltara a ser titular do Brasil, inclusive como capitão na Copa América, depois de perder a vaga para o Mundial 2002. Porém, a conturbada transferência para o clube turco e a falta de visibilidade atrapalharam Alex, que não está sequer cotado para a Copa do Mundo.

Na argentina, qualquer camisa 10 que se destaque, é comparado e taxado de novo Maradona. Foi assim com Ortega, Aimar, Tevez, D’Alessandro. E foi assim com Riquelme. Lá, o jogador do Villareal é ídolo, e amado pela imprensa. Então, releva-se o fato de o camisa 8 da Seleção azul-celeste não ter uma grande regularidade. Alex não teve a mesma sorte. Mesmo tido como craque, o jogador foi taxado como ‘sonolento’ e irregular por boa parte da imprensa, e essa dúvida virou uma marca na carreira do jogador.

Dois jogadores de futebol muito parecido, mas que o destino e a imprensa deram rumos diferentes. Mas, com certeza, seria ótimo ver esses dois craques em suas seleções. É uma pena que Alex não poderá mostrar tudo o que sabe na Alemanha. Será um dos grandes craques brasileiros que nunca disputou uma Copa do Mundo, como Marcelinho Carioca, Amoroso, Evair e Djalminha. Já Riquelme será a esperança argentina para o Mundial.

sexta-feira, março 10, 2006

RUMO A 2006: Angola

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Henrique Moretti

Se o vencedor da Copa do Mundo fosse o mais simpático, já haveria um campeão prévio: a seleção de Angola.

Jovem país que só obteve sua independência de Portugal há três décadas e que possui apenas 26 anos com federação de futebol afiliada à FIFA, Angola conseguiu chegar à competição máxima do futebol mundial, após cinco tentativas frustradas (a primeira foi para o México 86).

Os "pelancas negras", como são conhecidos, são detentores do pior ranking FIFA (atualmente o 63º posto) entre as 32 seleções que participarão do Mundial da Alemanha. Por isso mesmo, sua qualificação para a fase final do evento pode ser considerada milagrosa, considerando que o pobre país tem problemas graves de infraestrutura e uma história recente de guerra civil. Para dificultar ainda mais a tarefa, os angolanos acabaram caindo na mesma chave da Nigéria, a 4, nas eliminatórias africanas.

As vagas para o continente negro são destinadas apenas aos líderes de cada um dos cinco grupos, e Angola alcançou o que parecia impossível. Terminou em primeiro, com 21 pontos, mesma pontuação das "Super Águias" nigerianas, ficando à frente no confronto direto, onde ocorreu uma vitória angolana em Luanda (1x0), ainda em 2004, e um empate no campo do adversário (1x1), na antepenúltima rodada das eliminatórias.

O golpe de misericórdia para os nigerianos foi dado na última rodada, quando Fabrice Akwa, principal jogador da seleção vermelha, preta e amarela, fez o gol da vitória sobre Ruanda a 10 minutos do apito final, fazendo com que a implacável goleada de 5x1 aplicada pela Nigéria sobre Zimbábue de nada adiantasse. Festa no país, terceiro a falar português entre os que estarão na Copa, fato inédito.

Grande parte do mérito dessa seleção cabe ao treinador Luis Oliveira Gonçalves, remanescente da triunfal campanha angolana na Copa Africana de Nações sub-20, em 2001 e que comandou a equipe sub-21 durante o Mundial da Argentina, no mesmo ano.

A base do time é formado por jogadores que atuam na própria Angola, ou em times portugueses, como os atacante Mantorras, do Benfica, e Figueiredo, do obscuro Varzim, da segunda divisão. O capitão Akwa (foto abaixo), que também já atuou no Benfica, hoje está no futebol do Qatar. Detalhe para a idade dos dois últimos, que já passou da casa do 30 anos, o que mostra uma seleção um pouco envelhecida. De resto, a se destacar os nomes peculiares de alguns atletas, como Lebo-Lebo e Zé Calanga além de Arsenio "Love", esse apelidado. O bom atacante Johnson, conhecido do povo brasileiro, não está nos planos.

Porém, nem tudo em Angola é "mar de rosas", longe disso. Os resultados recentes deixam grandes dúvidas na cabeça do torcedor angolano. Derrotas por 1x0 para Japão e Coréia em amistosos e má campanha na Copa Africana de Nações podem abalar a confiança da equipe para a disputa do Mundial. Na CAN, inclusive, os angolanos não conseguiram sequer chegar à segunda fase, num grupo que teve como classificados Camarões e Congo. Togo (que também vai à Copa do Mundo) completava a chave.

Na Alemanha, Angola estará acompanhada do país que lhe colonizou por muito tempo, Portugal, do cabeça-de-chave México e do mediano Irã. A curiosidade fica por conta de sua estréia, contra os portugueses, dia 8 de Junho, na cidade de Colonia.

Os favoritos às vagas são claramente mexicanos e lusitanos, enquanto Angola, se conquistar um ponto que seja, deve ficar satisfeita. Afinal somente participar de uma competição desse porte para um país tão pobre, novo e sem tradição já é uma verdadeira conquista. Agora, se a Copa fosse de simpatia...


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1979
Afiliação à FIFA: 1980
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não Participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º colocado do Grupo 4 do Zonal Africano
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 63º
Time-Base: João Pereira, Jacinto, Kali, Jamba (Lebo-Lebo), Delgado; André, Yamba Asha, Mendonça, Akwa; Figueiredo e Mantorras
Formação: 4-4-2
Técnico: Luis Oliveira Gonçalves
Principal Destaque: Fabrice Akwa (Qatar)
Avaliação: * (Mero participante)

quinta-feira, março 09, 2006

Jorge Andrade é a primeira baixa da Copa

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Henrique Moretti

Que, às vésperas da maior competição do mundo envolvendo seleções, a bruxa estava solta, todos já sabiam. Graves contusões ocorreram ainda no ano passado, afetando jogadores como o brasileiro Ricardo Oliveira, o espanhol Xavi, o paraguaio Roque Santa Cruz e o tcheco Jan Koller, os três últimos titulares absolutos de suas seleções nacionais. Mais recentemente, o “atacado” foi o craque italiano Francesco Totti, numa lesão no tornozelo que abalou as estruturas da Azzurra e do mundo futebolístico em geral. Nenhum desses hoje, porém, lamenta mais uma contusão que Jorge Andrade.

O experiente zagueiro português, de 27 anos, jogador do Deportivo La Coruña, da Espanha, rompeu o tendão rotuliano do joelho direito na derrota por 3x2 do La Coruña diante do Barcelona no último sábado pela Liga Espanhola (coincidentemente, Andrade marcou um dos gols de sua equipe). O defensor foi operado ainda no fim-de-semana e a previsão de retorno é de 5 a 6 meses, o que torna impossível sua participação na Copa do Mundo, que tem início em 90 dias. Jorge pode ser considerado a primeira baixa da competição, já que, dos atletas atualmente impossibilitados de jogar e que seriam figuras carimbadas de suas respectivas seleções, ele é o único cuja presença na Alemanha é totalmente descartada.

A curiosidade ficou por conta do lance bobo que resultou na lesão: tentando impedir que Samuel Eto’o alcançasse uma bola perigosa, o zagueiro chocou-se com Jose Molina, goleiro de sua própria equipe.

Homem de confiança do esquema de Felipão, Jorge Andrade irá fazer falta, já que formava a dupla de zaga titular da seleção ao lado de Ricardo Carvalho, do Chelsea. Como forma de reconhecimento, o técnico da seleção portuguesa, além de lamentar bastante o infortúnio, já informou que conta com a presença do camisa 14 do Deportivo na viagem para a Alemanha, fazendo parte da delegação mesmo sem chances de jogar.

Revelado na equipe portuguesa do Estrela Amadora, Andrade acabou se destacando no FC Porto. Transferiu-se para o La Coruña no segundo semestre de 2002, onde atingiu as semifinais da Uefa Champions League 2003/04. Foi também, vice-campeão da Eurocopa de 2004, disputada em Portugal, como titular da defesa lusitana.

Para os amantes do futebol, resta torcer para uma boa recuperação do português, assim como para um rápido retorno dos outros jogadores hoje contundidos e que ainda tem chances de jogar o Mundial. Desses, Xavi aparenta ter a situação mais complicada e dificilmente jogará nos gramados alemães. R. Oliveira deve voltar em Abril mas corre riscos de não ser convocado, preterido por Fred, em melhor ritmo.

Totti, Koller e Santa Cruz também lutam contra o tempo, mas, ao que parece, devem seguir rumo à Alemanha, nem que seja no sacrifício.

quarta-feira, março 08, 2006

Cadê o respeito?

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Bruno de Oliveira


Gordo, velho, "baladeiro" e sem interesse. Para muitos, esse é Ronaldo. O atacante do Real Madrid tem sido alvo de duras críticas nas últimas semanas. Com apenas 3 gols em 2006, um deles no último amistoso da seleção, o Fenômeno definitivamente não vive uma boa fase. Mas seria essa fase suficiente para justificar tantos ataques?

Primeiro foi Pelé, que disse que Ronaldo deveria se preocupar mais com o futebol e deixar um pouco de lado seus compromissos pessoais e sociais. Agora, foi a vez de Platini abrir a boca. Para o ex-meia francês, o atacante está “com anos e quilos demais”. Aos 29 anos, e dentro de seu peso ideal, segundo Parreira, que esteve com o jogador semana passada, Ronaldo parece pagar pelo momento conturbado que vive o Real. Com um time montado pra vender camisas, os espanhóis não sabem o que é um título desde 2003. E estão vendo no atacante o bode expiatório perfeito para a má fase.

Após estourar no Cruzeiro e obter números incríveis em sua passagem pelo PSV, o atacante chegou ao Barça com o apelido de Fenômeno. Suas arrancadas inigualáveis e seus gols espetaculares lhe renderam prêmios e elogios de todo o mundo. Ronaldo virou patrimônio universal. Só que, com as contusões, vieram as dúvidas. As duas cirurgias sofridas no joelho fizeram com que muitos dissessem que ele estava acabado pro futebol. Mas o Fenômeno provou o contrário. Voltou sendo artilheiro da Copa de 2002 com oito gols e levando o Brasil ao penta.

O problema é que Ronaldo já não era mais o mesmo. E nem poderia ser diferente. Com as cirurgias, e com o passar do tempo, o atacante mudou seu estilo de jogar. Já não dá mais arrancadas como antes, assim como já não dribla mais como gostava de fazer. Mas a experiência lhe trouxe uma noção maior de posicionamento e de tática. O que parece difícil de se compreender para torcedores, diretores e antigos admiradores do craque. Não se pode esperar de Ronaldo os lances maravilhosos de tempos atrás. Muito menos cobrá-lo por isso. O que se pode esperar e cobrar de Ronaldo são gols.

Acontece que eles não têm vindo. E assim, abre-se espaço para vaias, críticas e principalmente comparações. Os torcedores do Real, ao mesmo tempo em que criticam seu jogador, assistem Eto’o, Shevchenko e Henry marcarem gols atrás de gols. Logo, partem para o simplismo, dizendo que os três são melhores que o brasileiro. E se esquecem de algumas coisas. Em 96/97, quando Ronaldo fazia sua melhor temporada e conquistava o mundo, Henry ainda era apenas uma promessa do Mônaco, mesmo sendo apenas um ano mais novo. Shevchenko, hoje artilheiro do Milan, ainda passava frio na Ucrânia. E Samuel Eto’o se contentava com a equipe B do Real. Nenhum deles, aliás, participou de três finais de Copa, tendo vencido duas. E nenhum deles foi eleito três vezes o melhor do mundo. É uma grande diferença.

Que hoje os três vivem uma fase melhor, ninguém discorda. Mas ainda há um grande abismo entre Ronaldo e eles. O brasileiro já venceu tudo que podia. Se hoje não vive bom momento, amanhã pode estar por cima novamente. Pode, inclusive, se tornar o maior artilheiro em Copas do Mundo. O que não é difícil, já que tem mostrado ser um jogador de decisão. Se hoje a fase é ruim, amanhã Ronaldo pode calar a todos novamente. Agora, esquecer de tudo o que já fez para o futebol e ofendê-lo quando a bola não entra, é, no mínimo, uma enorme falta de respeito.