quinta-feira, abril 27, 2006

Previsões/ Raio-X para 2006 (Parte 3)

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Guilherme Ferreira Ceciliano

O Raio-X do Brasileirão, em sua 3ª parte:


***** Goiás (Geninho/ 3-5-2)
Chances no Brasileirão: Brigando pela Libertadores
O melhor time brasileiro no início Libertadores da América está pronto para encarar o Brasileirão. Não creio que estará na liderança ao final do primeiro turno, porém deverá estar muito bem tendo em vista os grandes jogadores que possui. Jadílson, mais uma vez, está em ótima fase jogando como Paulo Baier, só que do lado esquerdo. O ataque esmeraldino mais uma vez é muito veloz (Roni e Welliton), porém diferentemente daquele de 2004, que tinha Alex Dias e Leandro, não consegue ser tão incisivo.
Destaques: Jadílson, Roni, Romerito, Souza, Nonato, Jefferson Feijão e Vampeta
Promessas: Welliton (foto)


** Santa Cruz (Giba/ 3-5-2)
Chances no Brasileirão: Brigando pra não cair
Um time interessante com alguns bons valores como Carlinhos Bala e Rosembrick. Porém não deve resistir à qualidade dos outros times, até porque perdeu o técnico Givanildo para o Atlético-PR. No ataque, Thiago Gentil, ex-Palmeiras, faz dupla com Bala.
Destaques> Carlinhos Bala (foto), Thiago Gentil, Zada, Rosembrick e Xavier
Promessas: Não apresenta


**** Santos (Vanderlei Luxemburgo/ 3-6-1 ou 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Brigando pela Libertadores
Aos trancos e barrancos, o Santos foi campeão paulista esse ano. Porém o Campeonato Brasileiro é mais longo e o time de Luxemburgo terá que apresentar um futebol melhor para tentar levar o tri. Acredito que ele consiga fazer esse time jogar no seu esquema preferido, 4-3-1-2, que fez o Cruzeiro campeão da competição em 2003. Na função de Alex deve jogar Léo Lima que tem contrato até o meio do ano e, como disse na sua chegada, gostaria de voltar para Europa por cima. Rodrigo Tabata ainda esta devendo, mas, assim como Danilo no São Paulo, deve melhorar daqui pra frente.
Destaques: Manzur, Fábio Costa, Kléber, Rodrigo Tabata, Maldonado, Léo Lima e Reinaldo
Promessas: Felipe, Rogério e Jardel


*** Palmeiras (Interino: Marcelo Vilar/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Brigando na “zona morta” da tabela
Em crise existencial, o Palmeiras começa o campeonato brasileiro sob forte desconfiança. O técnico Leão foi demitido e seu substituto ainda não foi definido. Salvador Hugo Palaia, vice de futebol, reclamava de uma conspiração contra eles e a torcida pega no pé de jogadores que não agüentam a pressão e pedem pra sair (como Lúcio e Alceu). A bem da verdade é que o Palmeiras não ganha títulos desde 2000 (a extinta Copa dos Campeões) e dentro de campo o time é apático, quase que covarde. Apenas Marcos, Edmundo, Juninho e Leão põe a cara para bater com a torcida e, como nem sempre eles jogam em função da idade avançada, o time fica vulnerável e treme sob a pressão da arquibancada.
Destaques: Edmundo (foto), Marcos, Marcinho, Gamarra, Juninho Paulista
Promessas: Willian, Cláudio, Michel, Ilsinho, Roger e Thiago Gomes


*** Atlético-PR (Givanildo Oliveira/ 3-5-2)
Chances no Brasileirão: Entre os desesperados e os classificados da Sul Americana
Trocar um técnico frio como Lotthar Mathäus pelo baiano Givanildo Oliveira parece não ter sido uma boa idéia. Nunca vi treinador nordestino se destacar no sul. E a maldição se estica para o técnico do Furacão que ainda não conseguiu bons resultados com o time vice-campeão da Libertadores. Assim como Hélio dos Anjos no Juventude, terá que impor seu estilo e armar o time durante o primeiro turno. Pelo menos o plantel conta com excelentes valores como Dagoberto, Michel Bastos e Fabrício.
Destaques: Denis Marques, Fabrício, Dagoberto, Pedro Oldoni e Paulo André
Promessas: Jancarlos, Michel Bastos, Caetano, Evandro Goéber e Moreno


Legenda:
{avaliação - de uma a cinco estrelas} Time (Treinador / esquema)

terça-feira, abril 25, 2006

O Adeus do mestre

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Dante Baptista


O futebol ficou mais triste a partir de sexta-feira passada. Aos 74 anos, faleceu Telê Santana, vítima de uma infecção abdominal. O mestre, como era chamado, foi um dos principais técnicos do futebol mundial.

Entre outras conquistas, foi o primeiro técnico a vencer um Campeonato Brasileiro, com o Atlético-MG em 1971, foi o único técnico a dirigir o Brasil em duas Copas do Mundo e, mesmo sem vencê-las, montou dois dos maiores times que o brasileiro viu com a Amarelinha. Mas foi no São Paulo a sua consagração: a geração de Zetti, Cafu, Raí, Leonardo e Juninho conseguiu 11 títulos em quatro anos. Entre eles, um Brasileiro, duas Libertadores e dois Mundiais. Em 1996, foi obrigado a deixar o futebol por conta de uma isquemia cerebral.

Telê pregava o futebol-arte, jogado de forma ofensiva e leal. Era extremamente exigente nos treinamentos e cuidava também do psicológico do atleta. Ficará a lembrança e a certeza de que o futebol deve muito a Telê Santana da Silva!

segunda-feira, abril 24, 2006

Direitos, funcionam pra você?

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Daniele Pechi


Não parece, mas o Estatuto do Torcedor já vai completar 3 anos! Na data do lançamento, ele foi muito comemorado e divulgado, principalmente pelo ministro dos esportes, na época Agnelo Queiroz, que se vangloriava de seu promissor projeto. Hoje, quem se lembra que esse estatuto existe?

Mudanças radicais ocorreriam no futebol segundo sua vigência, principalmente no que diz respeito à segurança, à venda de ingressos e ao atendimento médico caso algum incidente ocorresse.

Mas, como garantir a segurança dos torcedores se a própria polícia apóia as torcidas organizadas? Os mesmos que decidiram acabar com elas foram os que permitiram suas voltas gradativas aos estádios. Hoje, a situação é a mesma de antes, com apenas uma diferença: as brigas não ocorrem mais nos estádios, mas sim nas suas imediações.

Antes de chegar ao jogo propriamente dito, é preciso passar pela humilhação da compra dos ingressos. O torcedor é tratado como gado, enfrenta filas enormes e ainda fica com o resto, afinal, o primeiro lote é sempre dos cambistas.

É, entrar nesse assunto traz a polícia de volta para a conversa, pois ela é a única que não vê esses criminosos agindo. Todo mundo sabe que o esquema existe, como ele funciona e que basta estar perto da bilheteria para surgirem dois ou três oferecendo o ingresso esgotado. Alguém, que não os torcedores, ganham muito com isso...

A morte do jogador Serginho, do São Caetano, em 2004, mostrou o quanto pode ser perigoso precisar de maiores cuidados dentro de um estádio de futebol. Segundo o Estatuto, é obrigação do organizador da partida:

Art. 16 III Disponibilizar um médico e dois enfermeiros-padrão para cada dez mil torcedores presentes à partida.

IV Disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida.


A ambulância realmente existia mas não com os equipamentos adequados, e a partida era no Morumbi. Será que numa partida de segunda ou terceira divisão isso existe?

Bom, só para ilustrar, separei outros trechos que se referem ao que já foi comentado:

Art.13 O torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas.

Art.20

2º A venda (dos ingressos) deverá ser realizada por sistema que assegure a sua agilidade e amplo acesso à informação.

Art. 21 A entidade detentora domando de jogo implementará, na organização da emissão e venda de ingressos, sistema de segurança contra falsificações, fraudes e outras práticas que contribuam para a evasão da receita decorrente do evento esportivo.


Não seria exagero colar todo o texto, pois nem as medidas mais simples como o direito a um número razoável de banheiros decentes e de pessoas que auxiliem os torcedores a encontrarem seus lugares foram cumpridas.

Admiro os que apesar de todo esse desrespeito ainda insistem em ir apoiar o seu time de coração, mesmo sabendo que correm risco de serem atacados pelos animais organizados. Após esses três anos, como torcedora, não queria um estatuto “para inglês ver”, só o básico já me bastaria: queria ter o direito de ir aos estádios e voltar viva para casa.


Para os que se interessaram, o Estatuto pode ser lido integralmente no seguinte endereço:
http://www.presidencia.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.671.htm

sexta-feira, abril 21, 2006

Previsões/ Raio-X para 2006 (Parte 2)

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Guilherme Ferreira Ceciliano

2ª parte do "resumão" das equipes do Campeonato Brasileiro:


Juventude ( Hélio dos Anjos/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Lutando contra o rebaixamento
O Juventude já fez boas campanhas em campeonatos brasileiros. Mas esse ano nada indica que isso deva se repetir. O técnico Hélio dos Anjos é acostumado à escola nordestina de futebol e por isso terá dificuldades em implantar seu estilo à escola gaúcha, muito semelhante a da Argentina. O alviverde da serra que se cuide, caso contrário fará o clássico gaúcho ano que vem contra o rival Caxias na Série B.
Destaques: Zé Rodolpho, Éder Ceccon
Promessas: Não apresenta


***** São Paulo (Muricy Ramalho/ 3-5-2)
Chances no Brasileirão: Brigando pelo título
O campeão mundial vem sendo o melhor time do Brasil. Marca pressão, sabe se defender como poucos e tem muita qualidade no ataque, ainda mais agora que anunciou o selecionável Ricardo Oliveira. Se ele conseguir se recuperar rápido da lesão deve deixar o Tricolor Paulista um time perigosíssimo para quem o enfrente. Resta apenas o treinador Muricy Ramalho adotar um rodízio (tendo um vista o ótimo banco de reservas) para preservar alguns titulares importantes.
> Rogério Ceni, Júnior, Lugano, Mineiro, Ricardo Oliveira
>> Denílson, Thiago Ribeiro e Hernanes


***** Internacional (Abel Braga/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Brigando pela Libertadores
O vice-campeão brasileiro se reforçou bem com a chegada de Fabiano Eller, Rubens Cardoso e Adriano Gabiru e ainda renovou com Jorge Wagner. Assim, o elenco está mais forte do que no ano passado, mas o time perdeu uma peça importante: Muricy Ramalho. O melhor treinador de 2005 rumou para o São Paulo e deixou o comando do time para Abel Braga, que consegue armar grandes times, porém sem poder de decisão (vide as passagens de Abelão pelo Flamengo e Fluminense).
Destaques: Fabiano Eller, Tinga, Jorge Wágner, Mossoró, Rafael Sóbis, Élder Granja e Fernandão
Promessas: Chiquinho, Renan, Rentería


** Vasco (Renato Gaúcho/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Na “zona morta” da tabela

Se Renato Gaúcho tivesse em mãos um time razoável, com certeza o levaria para a Sul-Americana. Porém o time do Vasco é muito limitado tecnicamente, apesar de ser voluntarioso. O ex-bad boy de Fluminense e Grêmio se revelou um técnico durão e motivador e hoje o Vasco é um time guerreiro em campo e com isso não deve correr riscos de rebaixamento, pelo menos até o fim do primeiro turno.
Destques: Edílson, Morais, Ramóm e Ygor
Promessas: Ernani


* Figueirense (Adílson Batista/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Lutando contra o rebaixamento
O Figueirense perdeu, ao longo dos anos que esteve na primeira divisão, seus principais jogadores: Marcinho Guerreiro, Bilu, Selmir, Michel Bastos, Edmundo, Sérgio Manoel e Cléber. Com um elenco campeão catarinense e todo reformulado em relação ao ano passado o time terá que provar seu valor ao longo da competição. Dentro de campo, destaque para o atacante Schwenk, ex-Cruzeiro e Botafogo, que já salvou o alvinegro carioca da 2ª divisão em 2004.
Desyaques: Edson Bastos, Schwenk
Promessas: Vinícius Fininho


Legenda:
{avaliação - de uma a cinco estrelas} Time (Treinador / esquema)

quinta-feira, abril 20, 2006

Previsões/ Raio-X para 2006 (Parte 1)

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Guilherme Ferreira Ceciliano


Início de campeonato Brasileiro, várias esperanças em campo. O que se esperar dos 20 times que disputam a maior competição do futebol nacional nesse ano de 2006?
A resposta você encontra aqui, no Raio-X de todas equipes
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1a parte:

**** Grêmio (Mano Menezes/ 4-5-1)
Chances no Brasileirão: Sul-Americana para cima

Falta ao time gaúcho apenas um homem-gol. Tem "o novo Tite" no banco de reservas, que armou um ótimo setor defensivo. Na articulação, destaque para o bom passador Tcheco e o excelente centralizador Lucas. Ainda pretende contratar os bons laterais Lúcio, do Palmeiras, ou Fábio Santos, do São Paulo, para dar mais técnica para a zaga. Hugo, ex-Corinthians, já chegou para melhorar as jogadas ofensivas junto com Rafinha, ex-Portuguesa, São Paulo e Santo André.

Destaques: Galatto, Patrício, Marcelo Oliveira, Herrera, Hugo e Tcheco

Promessas: Lucas, Rafinha e Bruno Coutinho


* Ponte Preta (Osvaldo Alvarez/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Lutando para não cair
A tônica da equipe campineira nos últimos anos é sempre essa: começa o campeonato entre os primeiros, e termina à beira da degola. Tem sido assim nos últimos campeonatos. E ao que tudo indica, dessa vez não vai ser diferente. A única diferença é que agora caem quatro e só há 20 times na série A.
Destaques: Jean, Luciano Baiano, Luís Mário
Promessas: Não tem


**** Fluminense (Oswaldo Oliveira/ 3-5-2)
Chances no Brasileirão: Lutando pela Sul-Americana
Se Oswaldinho conseguir dar um padrão ao time, conseguirá bons resultados. Individualmente a equipe é muito bae e já conta com uma zaga segura (Thiago Silva e Thiago Gosling), mas não vai chegar a lugar algum na competição se não se arrumar rápido. Conta com os ótimos garotos Lenny e Arouca junto com os experientes Rogério e Petkovic.
Destaques: Petkovic, Rogério, Roger, Tuta e Diego
Promessas: Lenny e Arouca

*** São Caetano (Nelsinho Baptista/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Sul-Americana
Nelsinho Baptista tem o apoio da diretoria e usou o Paulistão como laboratório para o time que se forma para o Brasileirão. Deve ser o São Caetano surpreendente dos últimos tempos porque se arma bem, tem jogadores experientes (como Ânderson Lima e Paulo Miranda) e, principalmente, tem tranqüilidade para administrar eventuais resultados ruins por não ter torcida representativa.
Destaques: Gustavo, Triguinho, Fabiano Gadelha, Paulo Miranda e Ânderson Lima
Promessas: Élton, Leandro Lima, Marcelinho


*** Botafogo (Carlos Roberto/ 4-4-2)
Chances no Brasileirão: Sul-Americana
O melhor dos times cariocas no estadual deve estar entre os dez primeiros ao final do primeiro turno. Isso porque consegue aliar a defesa regular (praticamente a mesma do último campeonato) com um ataque com mais opções. Dodô vem em boa fase, Reinaldo é um atacante interessante e no banco o time possui as promessas Felipe Adão (parente de Cláudio Adão) e Ricardinho. Na armação de jogadas o time perdeu o bom Lúcio Flávio por contusão e contratou Thiago. Porém, o titular no meio deve ser Joílson (e não Jonílson, volante ex-Bota agora no Cruzeiro), que tem se apresentado de forma regular.
Destaques: Dodô, Lúcio Flávio, Clayton, Scheidt, Zé Roberto e Ruy
Promessas: Lopes, Diguinho, Felipe Adão, Thiago e Rafael Tesser


Legenda:
{avaliação - de uma a cinco estrelas} Time (Treinador / esquema)

segunda-feira, abril 17, 2006

Um futebol de amadores

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Daniele Pechi

A vinda de Ricardo Oliveira para o São Paulo me trouxe uma dúvida: como um time brasileiro consegue trazer um jogador de tanto peso sem parcerias, com um orçamento equivalente ao de Corinthians ou Palmeiras, por exemplo?

Não importa com que intenções ele tenha vindo, mesmo que seja só para mostrar a Parreira que já está bem e merece ser convocado. Para isso, vai ter que comer a bola e mesmo com esse pouco tempo de contrato, Ricardo pode ser decisivo num (quem sabe) bi da Libertadores, que colocaria novamente o São Paulo no Mundial de Clubes da FIFA.

Enquanto isso, o Corinthians faz parcerias que tomam a administração, brincam de “entender de futebol” e quando se cansam deixam o clube cheio de dívidas. Foi assim com a Hicks Muse e o banco Excel...muita ingenuidade é acreditar que com a MSI tudo será diferente.

Seria perdoável se tantos erros não fossem da mesma administração. Porém, Alberto Dualib, nesses 13 anos de continuísmo fez tudo direitinho: modificou o estatuto (permitindo suas reeleições), conseguiu maioria absoluta entre os conselheiros e praticamente acabou com a oposição, o que garante sua permanência no poder até quando bem entender.

Não se pode esquecer também do escândalo, aliás, bem abafado, de sua neta, Carla Dualib, que trabalha no departamento de marketing do clube e exigiu sua parte do dinheiro russo da parceria do vovô.

É, depois da política, o nepotismo apareceu também no futebol. Se neste caso ele não é ilegal, é no mínimo imoral e deve ser combatido, mas se todo mundo já esqueceu do caso, também vou deixar pra lá! Assim como também vou esquecer que até hoje o Timão não tem um estádio e que este mesmo presidente está se tornando apenas uma figura representativa que caiu na própria armadilha. Com Kia no poder, o rei só reina. Para bom entendedor...

O Palmeiras também sofreu com Mustafá Contursi (12 anos de poder). Em 2002, a equipe caiu para a segunda divisão do Brasileiro, subiu no ano seguinte, mas continuou com a política do bom e barato. Em 2005 assumiu Afonso della Mônica, candidato da situação, que até agora também não ganhou títulos. O elenco do Verdão realmente precisa de mais reforços e as críticas públicas de Leão à diretoria são constantes.

O Santos, que passou muitos anos mal, não está de volta à cena graças ao bom trabalho da diretoria, não. Deu foi uma sorte enorme de ter tido uma safra tão boa em 2002, com Diego, Robinho, Elano, Renato, Paulo Almeida e Alex, todos vendidos para sanar dívidas.

Depois de tudo isso cheguei a uma resposta: o São Paulo faz o simples. Tem uma diretoria competente, que sabe negociar e que faz um ótimo trabalho de bastidores. O tricolor tem uma diretoria de profissionais, no sentido literal da palavra!

Se toda empresa precisa de profissionais qualificados para dar certo e crescer, porque no futebol isso não acontece?

É triste ter que assistir aos campeonatos europeus para poder ver os melhores jogadores brasileiros, que deveriam estar aqui, não fosse pela quantidade de amadores que trabalham no futebol nacional. Não ao continuísmo, profissionalização já! Parece até manifestação política, né? Mas por aqui os únicos profissionais têm sido os empresários dos atletas, que estão certos, fazendo o seu trabalho. Parecem que são os únicos a perceberem que o futebol pode gerar muito dinheiro, é só saber faze-lo.

Bom, por isso mesmo é que como o São Paulo, eu nado contra a corrente e ao invés de comemorar o início do Brasileirão, lamento! Lamento porque quero transparência no futebol, porque quero não precisar possuir TV a cabo para ter notícias dos brasileiros que brilham lá fora e deveriam estar aqui, nos gramados tupiniquins.

sexta-feira, abril 14, 2006

Gêmeas na derrota

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Ricardo Stabolito Junior

No cenário nacional, a queda das chamadas “torres gêmeas” do futebol baiano – Bahia e Vitória – já era evidente desde o rebaixamento das ex-potências para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Problemas políticos, financeiros e estruturais nesses clubes se agravaram de tal forma que, ano passado, os dois foram rebaixados para a terceira divisão do futebol brasileiro. Para os especialistas, ambos haviam chegados ao fundo do poço.

Embora enfraquecidos, ninguém acreditava que Bahia e Vitória poderiam ter sua hegemonia estadual abalada. No ano anterior, o Ipitanga chegou a eliminar o Bahia nas semifinais do Campeonato Baiano, mas não ofereceu ameaça ao Vitória nas finais, ficando com o vice-campeonato. Esse ano, a chance de ambos caírem existia, mas considerada menor já que nenhum clube do interior apresentava futebol ao nível daquele que o Ipitanga havia apresentado ano passado.

O Vitória mostrou um futebol objetivo e acabou a primeira fase do primeiro turno do campeonato invicto e como melhor time no geral (já que os clubes estão divididos em dois grupos). Na outra chave do campeonato, o Colo-Colo de Ilhéus acabara líder e o Bahia acabou classificado “a duras penas”, com um time que tinha como base o da Copa São Paulo de futebol junior, que chegou até as quartas de final em janeiro.

Nas semifinais, o Vitória eliminou o Ipitanga com alguma dificuldade, perdendo a invencibilidade no campeonato no primeiro jogo realizado em Terra Nova (onde o adversário manda seus jogos). O Bahia sucumbiu diante do Colo-Colo (foto). A essa altura, o time de Ilhéus era a grande sensação da primeira fase do torneio.

Poucos acreditavam que o Vitória poderia perder o título do primeiro turno após o primeiro jogo da final. Um motivo foi o bom empate conquistado pelo time da capital em Ilhéus, que lhe credenciava a jogar por nova igualdade no jogo derradeiro em casa. O outro motivo é que o time do Colo-Colo não era tão chamativo e perigoso quanto o igualmente surpreendente Ipitanga do ano anterior que, por sinal, o Vitória havia vencido.

E então, no segundo jogo da final, o Vitória perdeu em pleno Barradão para o “acertadinho” time do Colo-Colo, por 1 a 0. A ameaça de Ilhéus, bem modesta em relação a outras que já haviam aparecido (Juazeiro e Ipitanga), conseguiu vencer o primeiro turno do Campeonato Baiano batendo as duas ex-potências nacionais e, agora, potências abaladas do estado, inclusive.

O Colo-Colo foi um time que não apresentou grandes valores individuais, mas se mostrou bastante empenhado e entrosado. Perdeu poucos pontos em casa e foi competente na fase mata-mata. Entra no segundo turno como favorito e, se o ganhar, levará o estadual sem uma grande final, o que seria o desacato definitivo a soberania Bahia-Vitória. Vale lembrar: não há como um Ba-Vi decidir o estadual esse ano novamente.

Em um processo de renovação e reestruturação, Bahia e Vitória devem aprender a lidar com fracassos nunca antes sofridos por eles. Mas ambos têm suas salvações à vista. O Bahia tem um processo de renovação que aparece exatamente no momento em que o time necessita, com jovens valores que levaram o clube a inédita quartas-de-final da Copa São Paulo no início do ano. Já o Vitória apresenta um time promissor que se manteve a primeira fase do estadual invicto e leva vantagem do empate para o Mineirão no confronto da Copa do Brasil contra o Cruzeiro – um dos bons times que aparecem para a disputa da série A do Brasileirão. Ninguém sabe exatamente em que esses “projetos” culminarão. Por enquanto, o que se sabe é que Bahia e Vitória, um dia incontestáveis torres gêmeas da Bahia, hoje são apenas gêmeas na derrota.

quinta-feira, abril 13, 2006

RUMO A 2006: Costa do Marfim

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Henrique Moretti

Dos cronistas esportivos, quase todos são unânimes em afirmar que a Costa do Marfim é a equipe mais forte do continente africano no Mundial 2006. Se é assim, quem sou eu para discordar?

Para ter alcançado tal patamar, os marfinenses possuem excelentes respaldos. O primeiro deles é o experiente técnico Henri Michel, treinador da França na Copa de 1986, de Camarões na de 1994 e de Marrocos na de 1998 (curiosamente, enfrentou o Brasil em todas essas oportunidades, vencendo apenas na primeira). Seu comando foi imprescindível para a Costa do Marfim vencer o grupo mais difícil das eliminatórias africanas – o 3, que continha os fortes Camarões e Egito – com sete vitórias, um empate e apenas duas derrotas, ambas para os leões indomáveis.

E dramaticidade não faltou para essa qualificação. Os elefantes marfinenses lideravam a chave desde o início até a oitava rodada, quando uma inesperada derrota para Camarões em casa mudou a situação. Com um 3x2, Eto’o e cia. lhes ultrapassaram por um ponto. Entretanto, o quadro se transformou novamente no último jogo do zonal: Camarões empatou em casa com o Egito, com direito a pênalti desperdiçado no último minuto, entregando a vaga na Copa de bandeja para a Costa do Marfim, que acabou batendo o Sudão.

A outra fortaleza da seleção é a própria equipe, que apesar de nunca haver disputado um Mundial conta com jogadores de grande qualidade. Didier Drogba, do Chelsea, Aruna Dindane, do Lens, Arouna Koné, do PSV, e Bonaventure Kalou, do PSG, por exemplo, formam uma espécie de “quadrado mágico” do ataque africano. Ciryl Domoraud também pode aparecer como titular do setor.

Na meia-cancha, Yayá Touré tem qualidade para sair jogando e Didier Zokora, já pretendido pelo Arsenal, oferece proteção à defesa, formada também por nomes conhecidos como o de Kolo Touré, do Arsenal, e o de Mark Zoro, do Messina. O goleiro é Jean Tizie, que apesar de não inspirar enorme confiança, não compromete.

O time, conhecido pela troca de passes rápida e boa saída no contra-ataque, foi a única das estreantes africanas que não deu vexame na última Copa Africana de Nações, disputada no Egito. Com muitos gols de Drogba e mesmo com um relevante desfalque de Dindane, a Costa do Marfim chegou ao vice-campeonato da competição, vencida pelos donos da casa.

As chances de Costa do Marfim no Mundial da Alemanha só não são maiores por culpa do sorteio dos grupos, ingrato para seu lado, que os colocou junto à Holanda, Argentina e Sérvia e Montenegro, favoritíssimos na luta pelas duas vagas.

Assim, as possibilidades de classificação dos elefantes para a segunda fase, admite-se, não são muitas, porém a experiência de Michel, o faro de gol de Drogba (foto) e o alegre futebol do time como um todo podem reverter a primeira previsão. Bons resultados em amistosos eles até ostentam, como um empate diante da Itália e uma derrota apenas no finzinho frente à Espanha. É esperar para ver!


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1960
Afiliação à FIFA: 1960
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não participou
Campanha nas Eliminatórias: 1º colocado do Grupo 3 do Zonal Africano
Títulos Continentais: Campeã da Copa das Nações Africanas (1992)
Ranking FIFA: 32º

Time-Base: Tizie, Boka, Kolo Touré, Meité, Zoro; Zokora, Yaya Touré, Kalou, Arouna Koné (Domoraud); Dindane e Drogba
Formação: 4-4-2
Técnico: Henri Michel
Principal Destaque: Didier Drogba (Chelsea)

Avaliação: ** (Bom time, mas num grupo dificílimo)

quarta-feira, abril 12, 2006

Erros e acertos de um surpreendente Noroeste

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Henrique Moretti

O Noroeste de Bauru foi a surpresa do Paulistão. Inesperada para muitos, mas não para torcida e mídia bauruenses. A combinação planejamento + dinheiro em caixa + salários pagos em dia sempre é certeza de bons resultados. E não foi diferente com o único time que representa a “cidade sem limites” desde a extinção do BAC (sim, aquele mesmo em que Pelé começou).

A chave do sucesso desse Noroeste que assusta chama-se Damião Garcia. O eterno dono da Kalunga, que patrocinou o Corinthians por longos anos, inclusive na conquista do Brasileiro de 90, chegou ao comando do Norusca em 2004. Com ele, a esperança no fim do túnel surgiu. Afinal, desde 1994 a equipe disputava divisões de acessos do Campeonato Paulista, e há dois anos na Série A-3 se encontrava.

Então, com melhorias na estrutura, no plantel de jogadores e boa injeção de dinheiro o time bauruense foi se reerguendo, terminando num bom terceiro lugar a competição a terceirona daquele ano, o que lhe deu o duro acesso à Série A-2. Dos jogadores de hoje, o plantel tinha o bom zagueiro Bonfim e o goleiro Maurício.

“Seu” Damião queria mais e o ano de 2005 foi definitivamente o que transformou o Noroeste de volta aos bons tempos. Mas a obscura segunda divisão do Paulista nunca é fácil e sua caminhada foi árdua, como não poderia deixar de ser. Começou com o técnico Juninho Fonseca, ex-Corinthians, que não durou mais de três jogos à frente do clube. Três expressivas derrotas bastaram para por em desconfiança o futuro de seu trabalho no clube. Seu sucessor foi Ivo Secchi, que foi por muito tempo auxiliar de Osvaldo Alvarez, o Vadão.

Ivo deu início a uma boa arrancada, que tirou a maquininha vermelha da lanterna do grupo e a levou para a quarta colocação, que garantia uma classificação para outra fase.

Porém, o técnico era considerado “teimoso” pelo presidente Damião e pelo gerente do clube, Celso Zisly, outro homem importante no reencontro do Noroeste com a glória, infelizmente morto num choque entre torcidas, na partida contra o Palmeiras, em Bauru. Essa teimosia refletia-se por exemplo na insistência de deixar o lateral-direito Tigrão, em boa fase, no banco de reservas, no grande número de volantes no time titular. O atacante Gileno, então ídolo da torcida, era constantemente preterido e ainda o meia Luciano Bebê, até hoje no clube, jogava mais recuado que de costume.

Assim, seu substituto foi Paulo Comelli. E a escolha foi mais que acertada. O treinador, que levou o eterno rival Marília à fase final da Série B do Brasileirão em 2003, soube-se aproveitar do bom momento do time e com uma equipe ofensiva levou o Norusca ao quadrangular semifinal, onde os dois primeiros atingiriam a tão sonhada vaga na elite do futebol estadual.

Porém, a defesa do time ainda era uma incógnita e o ataque cismava em perder um incrível número de gols. Assim, tropeços para São Bento, em casa, e Bandeirante, fora, foram inevitáveis. A partir da terceira rodada o Noroeste começou a mudar, e com duas vitórias seguidas pra cima do Mirassol, com destaque para o meia-atacante Luiz Carlos e o volante, hoje zagueiro, Edmilson, colocaram a equipe em posição priviligiada para na quinta rodada garantir o acesso, em cima do Bandeirante em Bauru, num Alfredo de Castilho abarrotado. Edmilson, novamente, foi o destaque do jogo, autor de um gol de falta.

O vice-campeonato frente ao Juventus não foi capaz de impedir a alegria dos bauruenses, que viam finalmente seu time de volta à Série A-1, após 14 anos.

Mas o ano ainda não havia terminado, e o Norusca fez bonito ainda na Copa Federação Paulista de Futebol, já sem o técnico Comelli, que acordou que só voltaria para a disputa do Paulistão e sem os destaques Gileno, negociado com a Ponte Preta, e Gilmar Fubá. A equipe conquistou seu primeiro título de primeira divisão, batendo o Rio Claro na final e conquistando vaga para disputar a Copa do Brasil de 2006.

Enfim, 2006 chegou e agora um Noroeste campeão impressionou. Comelli manteve a base, trazendo o goleiro Mauro (ao lado), o volantes Luciano Santos, o meia Lenílson e os atacantes Rodrigo Tiuí e Leandrinho, entre outros.

A equipe, mesmo sem muito tempo para treinar esse meio-time novo, obteve logo na primeira partida uma vitória contra o Corinthians, com o estádio lotado. É certo que houve a ajuda do auxiliar do árbitro Paulo César de Oliveira, que invalidou gol legalíssimo de Marcelo Mattos, mas o domínio do Noroeste na partida foi claro.

Provando que o resultado não foi mera coincidência, a maquininha continuou voando alto, com vitórias sobre equipes do interior, como América, Santo André e Ponte Preta, e apenas um tropeço diante do São Caetano, no ABC. À esta altura, o time já era líder, acompanhado por Santos e Palmeiras, mas considerado “cavalo paraguaio” por não ter enfrentado ainda os outros grandes, o que ocorreu na oitava rodada na Vila Belmiro, quando o Santos bateu o Noroeste por 1 a 0, numa partida que o resultado mais justo seria no mínimo um empate. Ali, a equipe da Baixada assumia a liderança.

Entretanto o Norusca não desanimou, batendo Paulista e Marília na seqüência e botando a liderança em jogo diante do Palmeiras, em Bauru (o Santos enfrentaria o Rio Branco na mesma rodada) no fim-de-semana.

No meio de semana ocorreria a estréia do time na Copa do Brasil, diante do XV de Novembro, no Sul do país. Aí ocorreu o grande erro na brilhante campanha noroestina. Comelli e diretoria, querendo “dar um passo maior que a perna”, que no caso seria conquistar o título da Série A-1, abdicaram da primeira partida pela competição nacional poupando a equipe para o jogo diante do Palmeiras, sofrendo um irreversível 4 a 1 que abalou as estruturas de um time até então com duas derrotas na temporada, e pelo placar mínimo.

Para piorar a situação, a partida diante da equipe de Emerson Leão não foi nada boa, com o Palmeiras abrindo dois gols de vantagem logo no início. Os destaques do Noroeste, como Cláudio, lateral-esquerdo, os meias Lenílson e Luciano Bebê, e os atacantes Leandrinho e Tiúi (na foto, frente ao MAC) cansaram de perder chances de gol, culminando com uma impressionante derrota por 3 a 1, depois de obter mais que o dobro das finalizações do adversário.

A fatídica semana tornou-se num verdadeiro marco para os noroestinos, pois ainda se somou a nova derrota, contra o Rio Branco, que acabou com as chances de título da equipe no Paulistão. A Copa do Brasil também estava distante, e nem mesmo uma vitória por 2 a 0 foi capaz de tirar a vaga do XV.

Era a hora da volta por cima, que surpreendentemente ocorreu. Vitórias sobre Guarani, Portuguesa Santista e Mogi Mirim deram novo ânimo à equipe de Bauru, que tinha como objetivo garantir vaga para a Copa do Brasil 2007 e a Série C do Brasileirão, de 2006.

Um empate com o São Paulo no Morumbi também foi um resultado a ser comemorado, e de quebra ainda complicou o Tricolor na briga pelo título, que ficou mesmo com o Santos de Vanderlei Luxemburgo.

Saldo da campanha noroestina: quarto lugar, melhor colocação na história da competição e título simbólico de melhor time do interior paulista. Ainda, boa média de público foi obtida, e bons valores surgiram no cenário nacional, tal qual os zagueiros Bonfim e Fábio (esse emprestado pelo Corinthians), o lateral Cláudio, os volante Hernani e Luciano Santos, o meia Lenílson e o atacante Leandrinho.

Agora, resta saber se o fôlego continuará alto por Bauru, e se o planejamento será adequado para o grande desafio da Série C do Brasileiro, tentando fazer frente ao rival MAC, hoje na B.

Para isso, o contrato de Paulo Comelli foi renovado, e o time agora precisará manter a base e encontrar bons substitutos para os que saírem, caso de Lenílson, acertado com o São Paulo, e de Luciano Santos e Rodrigo Tiuí (na foto, frente ao MAC), apalavrados com Coritiba e Palmeiras, respectivamente.

O “cavalo paraguaio” de Bauru assustou, acertou (errou também) e mostrou ser, enfim, original. A melhor equipe do interior paulista hoje espera manter vôos altos, e tenta, porque não, alçar viagens ainda mais atrevidas, rumo ao cenário nacional. Já deixou a impressão, muito válida inclusive para grandes clubes, de que com planejamento tudo é possível. E alcançável.

segunda-feira, abril 10, 2006

Agora quem dá bola é o Santos

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Daniele Pechi


Eram poucos os que em janeiro apontariam o Santos como favorito ao título do Paulistão 2006.

Repatriado, Vanderlei Luxemburgo voltou, trabalhou, contratou, dispensou, montou seu time e mostrou que continuava o mesmo Luxa de sempre. A diretoria acertou na escolha do treinador e quebrou o jejum: após 21 anos sem um estadual, a hora chegou!

Com um São Paulo que passou muito tempo comemorando o seu Mundial tão esperado, um Corinthians com tantos problemas de bastidores e um Palmeiras que precisa de reforços já não é de hoje, o Paulista sorriu para o Peixe.

O Tricolor bem que tentou, mas por ter demorado demais para entrar na competição, por um ponto, deixou escapar o bi.

O Timão tinha um elenco invejável, mas os altos e baixos deixaram a equipe apenas em sexto lugar. Problemas de Kia com Dualib, a demissão de Lopes, a estranha vinda de Marcelinho....tudo isso acontecendo no decorrer de apenas 19 rodadas. Ademar Braga acabou ficando como técnico mesmo, Marcelinho não é relacionado nem para o banco e a parceria com a MSI continua tão obscura como sempre.

O velho clichê de que o futebol é uma caixinha de surpresas também se comprovou: Quem, sinceramente, já tinha ouvido falar do Noroeste? Talvez os moradores de Bauru. É, mas o Norusca veio, subiu da Segundona e passou muitas rodadas na liderança. Acabou em quarto, mas incomodou e provou que tudo o que um time precisa é de investimentos sérios, declarados e de procedência não duvidosa, de preferência e preparação.

O Norusca não tinha se quer um “grande” jogador, mas estava entrosado e com muita vontade, e a campanha foi louvável.

Essa história faz lembrar uma outra equipe que surgiu forte não só no cenário paulista, mas no brasileiro . Um adolescente que já esteve em final de Libertadores. Por mais que não se conheça de futebol, é impossível não reconhecer o São Caetano, aquele do uniforme azul, sabe?

Não deu para a Lusa, fora da primeira divisão do Brasileiro desde 2003, caiu também no Paulista, junto com Guarani, Portuguesa Santista e Mogi Mirim.

Falar mal da arbitragem seria chover no molhado, e outra, hoje é dia de festa, esqueçamos dos problemas! Parabéns ao Santos e a seus jogadores e comissão técnica. Depois de tanto esperar, a baixada comemora!

Se não foi o time que jogou mais bonito, foi o mais regular, o que realmente importa nos pontos corridos.

A fórmula de disputa também foi muito questionada: Pode não ser a mais emocionante, mas é a mais justa...

Também, satisfazer a todos tiraria toda a graça e a magia que faz dois desconhecidos sentarem e discutirem sobre essa paixão nacional. Se não existisse o conservador que adora a boa e velha final e o que defende o novo, o justo, qual seria o papo do botequim no dia seguinte?

É, este acabou, mas ano que vem tem mais (ainda bem), os paulistas e não paulistas aguardam.

quarta-feira, abril 05, 2006

Pequenos sim, fracos não!

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Bruno de Oliveira

No encerramento dos Estaduais de 2006, comecei a analisar os resultados e cheguei a uma conclusão óbvia, até. Mas que chamou muito minha atenção. O número de times pequenos em destaque aumentou de forma considerável. Foi-se o tempo em que Campeonato Baiano significava final ente Bahia e Vitória. Ou que Campeonato Carioca era decidido em um Fla-Flu, ou num Vasco e Botafogo. Foi-se o tempo, amigo, em que Cruzeiro e Atlético lotavam o Mineirão para um duelo final.

O real significado de tal fenômeno divide-se entre a total incompetência de nossos grandes clubes, se é que ainda podemos chamá-los assim, e a ousadia de determinados pequenos. É o retrato perfeito de nosso futebol. Enquanto dirigentes corruptos insistem em comandar e afundar a elite, trabalhos sérios são realizados em times, até então, sem expressão. E os resultados começam a aparecer. É o caso do Ipatinga, de Minas, do Adap, do Paraná, do Colo-Colo, de Ilhéus, Bahia, e de tantos outros espalhados pelo país.

Campeão mineiro do ano passado, o Ipatinga ficou conhecido como “filial” do Cruzeiro, graças a uma parceria entre os clubes. Manteve sua estrutura, reduziu o número de jogadores emprestados da “matriz” e conseguiu destaque novamente esse ano. Liderou a fase de classificação de seu estadual, eliminou o América na semifinal e chegou à decisão, por incrível que pareça, como favorito. Antes, aliás, eliminou o Botafogo da Copa do Brasil com duas vitórias convincentes. Não foi campeão estadual, mas provou que pode ameaçar a hegemonia da Raposa e do Galo.

Já no Paraná, a surpresa foi o Adap. O pequeno time de Campo Mourão terminou na modesta quarta posição de seu grupo, conquistando vaga para as quartas de final contra o poderoso Atlético, campeão da outra chave. As duas vitórias sobre o atual vice-campeão da América garantiram a Associação Desportiva Atlética do Paraná na semifinal. Dessa vez, o Coritiba foi a vítima. Após perder o primeiro jogo, a zebra do campeonato venceu o segundo confronto e levou a vaga nos pênaltis. Mais um grande caía. Se o título não vier, e provavelmente não virá, já que perdeu a primeira partida da final por 3 a 0 para o Paraná, a Adap já se sentirá satisfeita por ter derrubado os dois clubes com mais tradição do estado.

No Rio, a situação é ainda pior. Com exceção feita ao glorioso América, nenhum time pequeno preza por organização e planejamento. Mas mesmo assim, Fluminense, Flamengo e Vasco sequer disputaram finais. Coube aos modestos Madureira, Cabofriense e Americano fazerem companhia ao Diabo na luta pelas primeiras posições. O único grande minimamente organizado é o Botafogo, virtual campeão. De resto, só decepções. A situação catastrófica acena para resultados ainda piores quando o Brasileiro começar.

Outros exemplos poderiam ser dados pelo país. No Pará, o Ananindeua ameaça o título do Paysandu. Na Bahia, o Colo-Colo é o campeão do primeiro turno. Como exceções, os campeonatos Paulista e Gaúcho foram os únicos, dos grandes do Brasil, a terem a elite na frente. Em São Paulo, apesar do Noroeste mostrar boa organização e ameaçar no começo, o título vai ficar entre o Tricolor e o Peixe. Já no Sul, o bom e velho Gre-Nal decide o campeão. Se estas situações não servirem como lição, poderemos ver, novamente, grandes times lutando contra o rebaixamento no Brasileirão. Ou pequenos conquistando a Copa do Brasil, como aconteceu nos últimos dois anos, com Santo André e Paulista. A verdade é que os Estaduais desse ano serviram para mostrar aos grandes que pequenos são aqueles que fraquejam ano após ano. E mesmo assim não aprendem.

segunda-feira, abril 03, 2006

Tricolor adia festa santista

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Daniele Pechi

Quem se preparou para comemorar hoje teve que guardar os fogos para a semana que vem. O São Paulo entrou em campo com uma vontade impressionante: atacou a todo momento, foi superior em todo o jogo e ainda contou com um jogador a mais no segundo tempo (o santista Luiz Alberto foi expulso). Apesar de tudo isso, o Tricolor saiu atrás no placar, por uma falta de sorte, ou melhor, de competência da arbitragem.

O trio desta tarde superou qualquer outro desde o início do campeonato, foi um festival de erros que prejudicaram tanto santistas como são-paulinos. Se fôssemos contabilizar todos, não caberiam na página do blog...lamentável. Seria mais fácil perguntar o que foi marcado corretamente.

Após isso, o tricolor teve um pênalti a seu favor, vamos tomar todas as marcações como verdade, pois os parênteses tornariam o texto muito cansativo.

O segundo tempo começou com o mesmo ritmo do primeiro e o São Paulo fez mais dois, ganhando de virada. O jogo acabou 3x1 e adiou a comemoração do título pelo Santos, que continua dependendo só dele para ser campeão. Domingo é o grande dia.

A vitória tricolor deu ânimo ao campeonato dado por muitos como já vencido.

Quanto aos outros grandes clubes, Corinthians e Palmeiras, estes estão apenas cumprindo tabela. Com o time “B”, que foi mal hoje, o Corinthians arrancou um 1x0 sofrido pra cima da macaca e o Verdão apanhou do Rio Branco em casa, por 2x0.

Mais uma vez, um espaço dedicado ao futebol se indigna com a má preparação dos árbitros e assistentes, que influenciam diretamente nos resultados. O que se viu hoje foi o resultado de anos de descaso, má administração nas Federações (infelizmente, não se pode falar só da paulista) e ligação dos dirigentes dos próprios clubes. No país do futebol, onde o mesmo poderia gerar cifras muito maiores do que geram e que talentos continuam escondidos por falta de investimento, é triste saber que todos sabem disso, eles fingem que tudo é mesmo assim e a gente finge que acredita!

sábado, abril 01, 2006

RUMO A 2006: Trinidad e Tobago

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Henrique Moretti

Numa Copa do Mundo com tantos estreantes (são seis, ao todo), Trinidad e Tobago é um dos mais renegados. Apontado por muitos como o pior time da competição, o pequeno país do Caribe não fará mais que número pelos gramados alemães, se der a lógica.

A classificação para o Mundial, na verdade, só foi conseguida graças ao generoso (para dizer o mínimo) número de vagas concedido aos países da CONCACAF – Américas Central e do Norte. São três vagas diretas e uma para a repescagem.

E foi dessa “brecha” no regulamento da FIFA que Trinidad soube se aproveitar. A campanha nas eliminatórias não foi nenhuma maravilha, com quatro vitórias e cinco derrotas no hexagonal final e disputa até a última rodada com a Guatemala pela concessão da repescagem.

Os Soca Warriors, como são conhecidos, levaram a melhor, e tiveram o direito de disputar classificação à Copa contra o representante asiático Bahrein. Os jogos, em ida-e-volta, mostraram-se emocionantes, com um empate por 1x1 em Porto de Espanha, e uma vitória tobaguenha por 1x0 em plena casa do adversário, garantindo a estadia na Alemanha no mês de Junho.

O técnico da seleção é o experiente holandês Leo Beenhakker, que já levou a Laranja a uma Copa do Mundo, em 1990. Ele pode ser considerado responsável direto pela inédita classificação da menor nação da história a chegar a uma competição desse porte (possui aproximadamente 1,1 milhões de habitantes). O ex-treinador do Ajax substituiu o demitido Bertille Saint Clair já com o hexagonal final das eliminatórias em andamento e reabilitou a equipe, que chegou a vencer três de seus últimos quatro jogos.

Outros heróis da classificação caribenha são os veteranos Dwight Yorke, ex-artilheiro do Manchester United (foto abaixo), Russell Latapy e Stern John (este goleador da equipe na campanha para a Copa, com 12 gols). Os três podem formar a linha de frente da seleção, que joga em um 4-4-2 disfarçado de 4-3-3, já que o (ex)atacante Yorke não possui mais a velocidade dos tempos áureos de Premier League e, como pôde se observar na disputa do Mundial de Clubes pelo Sydney, ele agora costuma atuar pela faixa do meio de campo, armando jogadas. O defensor Kenwyne Jones é outro que também já teve passagem pelo Campeonato Inglês.

Infelizmente, os Soca Warriors acabaram não dando muita sorte no sorteio das chaves da Copa da Alemanha e estarão no Grupo B, junto de Inglaterra, Suécia e Paraguai. Assim, suas antes já remotas chances de classificação caem ainda mais, considerando a qualidade dos jogadores ingleses e suecos, e a maior experiência dos paraguaios. Uma zebra rubro-negra, nesse caso, é praticamente descartada.

Apesar desse rótulo de azarão, Trinidad e Tobago não tem do que reclamar. Afinal, o simples fato de estar na maior competição esportiva do mundo já é um grande feito, que lembra àquele obtido pela sua vizinha Jamaica no Mundial 98. Como daquela vez, animação e excentricidade por parte dos caribenhos, ao menos, devem estar garantidas.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1908
Afiliação à FIFA: 1963
Participações em Mundiais: Estreante
Melhor Resultado: Estreante
Última Copa: Não disputou
Campanha nas Eliminatórias: 4º colocado no Zonal da CONCACAF
Títulos Continentais: Nenhum
Ranking FIFA: 49º
Time-Base: Kelvin Jack, Avery John, Andrews, Jones, Lawrence; Edwards, Spann, Whitley (Latapy), Yorke; Birchall e Stern John
Formação: 4-4-2
Técnico: Leo Beenhakker
Principal Destaque: Dwight Yorke (Sydney)

Avaliação: * (Mero Participante)

sexta-feira, março 31, 2006

O desabafo de um pseudo-escritor

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Christian Avgoustopoulos


Certamente a maioria dos que me conhece bem já tiveram a oportunidade de bater um longo papo comigo, daqueles cheio de ramificações, que vão vertendo em outros assuntos sem uma aparente relação, tomando um sentido tão complexo quanto essa confusa idéia que deixo registrada aqui, nessas linhas. Outros não tão conhecidos podem eventualmente num dia ocioso terem lido algum texto meu, seja este de caráter esportivo, o tema que tenho explorado nas minhas ultimas construções literárias, ou sobre um outro tema qualquer.

Neste mundo cheio de patentes, diplomas e certificações em geral, peço licença aos jornalistas, filósofos, escritores, professores, historiadores e etc. por estar utilizando do poder de escrever esse texto, já que não sou formado e não tenho nenhuma das qualificações acima para ser conceituado capaz de redigir um. Mas por outro lado, me sinto incentivado por algumas poucas pessoas que num momento esporádico qualquer dedicam 5 minutos de suas vidas para lerem o que escrevo, para compartilharem (ou não) de minhas idéias, ou apenas pra me dar uma força, por pura camaradagem mesmo.

Não é fácil escrever analisando uma posição que vá de encontro àquilo que as pessoas já têm como informação. Pouca gente se interessa em saber sobre o futebol na Romênia, sobre a Copa UEFA, sobre os times menos cotados dos principais campeonatos ou sobre jogadores que fazem sucesso em times médios. É de certa forma até compreensível, pois geralmente as pessoas gostam de falar sobre o melhor, sobre o mais importante. Mas muitas vezes perdem a oportunidade de averiguar se de fato o melhor é aquilo mesmo que acreditam ser. E, talvez o principal, perdem a oportunidade de conhecer o trabalho de muitos profissionais que têm recursos demasiadamente escassos e ainda assim tentam alcançar o mais alto nível, de forma até heróica.

Mas o que me deixa mais chateado é ver pessoas com qualificação, que dedicaram anos e anos a estudos e que teriam tudo para serem bons cronistas e jornalistas serem medíocres e limitados, e ainda assim “auxiliarem” as pessoas a formarem sua opinião tendo uma base muito mais poderosa que a minha. Jornalistas que acima de tudo mostram uma visão sempre ufanista e parcial, preterindo clubes e jogadores em detrimento de uma crença cega de que, se não é brasileiro não é bom, salvo as exceções dos estrangeiros que realmente tenham um potencial muito, muito grande. Por outras vezes também mostram total desconhecimento sobre o jogo ou as equipes envolvidas em suas matérias e transmissões. Por questões éticas prefiro guardar os nomes desses profissionais comigo mesmo, para não interferir ainda mais na sua opinião, leitor. Mas tenho certeza que alguns nomes passaram pela sua cabeça nesse instante.

Obviamente, há muita gente qualificada, que tem capacidade e que faz jus a seus títulos, mas estes por outro lado, com todo o perdão da força do termo, se prostituem em alguns momentos ao terem que concordar com seus colegas de trabalho, para manter um clima agradável e de perfeita harmonia em suas coberturas, até mesmo nas não esportivas. E há também alguns que têm excelente capacidade e não conseguem trabalhar num sistema que não acreditam. Muitos desses perdem seu espaço e passam a ser pouco valorizados, talvez tanto quanto eu, um cidadão comum, sem diploma, sem credibilidade, sem cultura ou base técnica naquilo que está desenvolvendo, que por um instante tem seus lampejos poéticos e só pode estar delirando quando pensa que pode ser um escritor.


Detalhe para a ilustração: Alguns profissionais, mesmo que sem esse objetivo em mente, acabam deixando o futebol, em algumas circunstâncias, com sua mística arranhada. Essas crianças fazem o contrário. Mesmo vivendo num plano com um monte de dificuldades e privações, neste isolado momento de diversão brincam de fazer embaixadinhas com a bola, mostrando ao mundo que mesmo com todos seus problemas ainda conseguem promover esta cena de rara beleza ao esporte. Penso que aqueles que vivem direta ou indiretamente do esporte tem por obrigação honrar esta imagem, e lembrar que o que fazem está servindo de exemplo e formando opiniões de pessoas de todo mundo, das mais distintas raças e classes sociais..

segunda-feira, março 27, 2006

Empate no clássico gera polêmica

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Daniele Pechi

O jogo entre Corinthians e Palmeiras estava, apesar de disputado, calmo até os 30 do primeiro tempo. Foi quando Carlitos recebeu um lançamento, avançou, driblou, fez um golaço saiu comemorando o tento que feito no maior rival alvinegro e que deixaria o Timão na frente de novo (o jogo já estava 1x1). Após apontar o centro do campo (o que validaria o gol), o juiz Cleber Wellington Abade anulou sua decisão e deu falta de Tevez em Leonardo...Aí a confusão armou-se: os jogadores partiram para cima do árbitro, que foi tirar suas dúvidas com a assistente Ana Paula, sendo que o lance era do outro assistente. Resumindo, a falha de comunicação entre eles resultou numa marcação muito tardia, independentemente se certa ou errada, e a confusão só comprova a tese de que a arbitragem brasileira realmente anda muito mal preparada. A partida ficou mesmo no empate que empurrou o Verdão para o terceiro lugar, com 33 pontos.

Se teve alguém que não reclamou e, pelo contrário, está rindo à toa, é Vanderlei Luxemburgo. O Santos venceu o Juventus no sábado e viu o empate de hoje aumentar sua vantagem, que agora é de quatro pontos.

O Tricolor do Morumbi ainda não se entregou e venceu o Rio Branco, em Americana, por 4x2. Apesar dos erros infantis cometidos pela defesa, o São Paulo se recuperou no segundo tempo, o qual passou inteiro com um jogador a mais - Júnior Paulista foi expulso aos 42 da primeira etapa. Com os mesmos 33 pontos do Palmeiras, o Tricolor, que agora ocupa a segunda colocação e ainda conta com um confronto direto com o Santos. mantém a esperança de conseguir o bi. Para isso acontecer o Peixe teria que perder dois de seus últimos três jogos. Porém é difícil para uma equipe que tem 77% de aproveitamento, perder duas de suas últimas três partidas, não? É melhor os são-paulinos começarem a rezar desde hoje...


Zona de rebaixamento

Parece inevitável a queda do Mogi Mirim, que soma apenas nove pontos. Só tem mais nove a ser disputados, o que somaria 18. O mais bem colocado da “zona da morte”, o Guarani, já tem 17. Marília e Portuguesa precisam ganhar todas e contar com tropeços de Portuguesa Santista, Santo André e São Bento, que estão livres por muito pouco.

O Guarani respira um pouco mais aliviado, pois tem o mesmo número de pontos da Briosa. Essa “vaga” ainda não está decidida e parece que só será na última rodada do campeonato.

domingo, março 26, 2006

Bola na rede

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Ricardo Stabolito Junior

Em 1997, Gustavo Kuerten se tornou o primeiro tenista brasileiro a ganhar um torneio de Grand Slam – Roland Garros. Ele foi para a França quase como um desconhecido no país e voltou como um herói nacional, impulsionando uma grande moda entre os garotos e garotas do Brasil: praticar tênis.

Acreditava-se que o empurrão de Guga serviria para colocar definitivamente o Brasil no mapa do esporte, criando uma nova geração de campeões. Quando o tenista chegou ao seu terceiro e último título em Roland Garros (2001), jogar tênis já não era mais frisson que fora um dia.

Hoje, três tenistas se revezam na briga pelo posto de melhor do Brasil: Flávio Saretta, Ricardo Mello e Marcos Daniel. No entanto, nenhum alçou vôos mais longos do que meados da posição 50 no ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) em seus melhores momentos. Além disso, quando os melhores tenistas do Brasil se rebelaram contra o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás (foto acima), e não disputaram a Copa Davis, as jovens promessas do esporte assumiram a seleção, mas não conseguiram vencer jogadores de países de terceiro escalão do tênis no continente.

Esses fatos nos permitem concluir que aquela nova geração que acreditávamos estar em formação no país provavelmente não existe, ou, se existe, não se desenvolveu de maneira correta. Mas por que será que ela não se desenvolveu?

O principal motivo parece ser a não interferência do governo, através do ministério dos esportes, na época áurea de Guga. Quando não se interfere no ciclo de uma “moda” (como foi o tênis entre os jovens no Brasil) é inevitável seu prematuro final e ela não se torna uma tendência. Ao invés do ministério buscar formas de profissionalizar o esporte no país, criar um forte e estruturado circuito nacional ou dar apoio financeiro para os jovens talentos para que eles não abandonassem o esporte, a única ação ligada ao tênis foi o início de uma campanha (bem sucedida, por sinal) para trazer um torneio do ATP Tour ao país - o Brasil Open. Assim, o que se iniciou como uma moda, acabou como uma moda.

Outro motivo, de natureza incontrolável, foi a própria carreira de Gustavo Kuerten. O tenista conseguiu se manter competitivo por, mais ou menos, cinco anos – de 1997 (primeiro torneio de Roland Garros) até 2002. Uma sucessão de contusões que o persegue até hoje fez com que ele não conseguisse mais se manter entre os melhores e mais constantes desde tal época tenistas do circuito desde tal época. No fim, cinco anos parecem não ter sido tempo suficiente para que se criasse uma geração de campeões.

Além disso, o tênis é um esporte que requer equipamentos muito caros para a maioria da população brasileira. Diferente do futebol, que pouco os exige e pode ser jogado em praticamente qualquer local, o tênis é um esporte de caráter elitista praticado em clubes e campos especializados. Logo, o tênis se mostra fora da realidade econômica brasileira.

Não é possível dizer com certeza que o Brasil “desperdiçou passivamente” uma geração de campeões porque faz apenas nove anos que a “explosão” do tênis no Brasil ocorreu. É possível que uma safra de talentos que insistiram no esporte esteja agora competindo em torneios juvenis por aqui ou aproveitando um patrocínio e treinando no exterior. Mas, o mais provável, é que a bola do tênis brasileiro parou na rede.