quarta-feira, agosto 29, 2007

Ruim, "ma non tanto"

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Henrique Moretti

A temporada 2007/08 do Campeonato Italiano começou para o Palermo com um paradoxo. A derrota na estréia diante da Roma, em pleno Renzo Barbera, ficou claramente aquém das expectativas da fanática torcida rosanera. Ao mesmo tempo, porém, o bom segundo tempo deixa boas perspectivas para a seqüência da competição.

Alguns motivos podem ser apontados a fim de que palermitano tenha confiança no futuro de sua equipe. Primeiro porque perder para a Roma não é demérito algum – inclusive na última Série A, os sicilianos sofreram um 4 a 0 no Olímpico, quando figuravam entre os líderes do Calcio. Derrota que viria a se repetir, por 2 a 1, no returno. Além do mais, esta nova Roma está fortíssima, pois praticamente manteve a base (exceção feita a Chivu) e ainda trouxe jogadores que dão profundidade ao plantel de Luciano Spalletti. Desse modo, tem tudo para, desta vez, brigar pelo scudetto de igual para igual com os financeiramente mais poderosos Inter e Milan.

Em segundo lugar, falando mais especificamente do desempenho rosanero, a equipe mostrou bom futebol na segunda etapa, depois do péssimo início de jogo – em 27 minutos a Roma já tinha construído o placar final. O fato é que Stefano Colantuono escalou mal a equipe, ao jogar com 4 volantes de origem, dois deles efetuando funções a que não estão acostumados (Tedesco e Jankovic). Simplicio e Guana protegiam à zaga, ou deveriam fazê-lo, já que também não obtiveram sucesso. Um Miccoli apagado e um Amauri sem seu melhor ritmo de jogo ainda contribuíram para a derrocada, bem como a atuação de Capuano. O lateral-esquerdo barrou Dellafiore, mas na verdade nem os dois, nem Pisano conseguem suprir a carência na posição, que necessita de ao menos um reforço.

Na segunda etapa, o ex-técnico da Atalanta fez boas substituições, sacando Tedesco e Jankovic para as entradas de Bresciano (que mesmo sem estar 100% fisicamente não pode ser reserva) e Cavani. O Palermo melhorou bastante, apesar de os primeiros minutos terem sido dominados novamente pela squadra da capital, que obrigou o goleiro Fontana a pelo menos duas boas intervenções. Migliaccio entrou em seguida, no lugar de Guana, em mais uma alteração ofensiva de Colantuono.

Com o tempo os rosaneri se ajustaram em campo, tendo Cavani aberto pela direita e Miccoli pela esquerda, com Migliaccio organizando melhor o jogo. Desse modo, Amauri não esteve tão isolado e passou a participar mais, especialmente em arrancadas. No mínimo, três chances claras de gol foram criadas: Miccoli acertou a trave de Doni, que ainda fez milagre em chute à queima-roupa de Cavani e viu Rinaudo, sozinho, desperdiçar cabeceio após cobrança de escanteio.

O maior volume de jogo fez o Palermo merecer ao menos um gol, que, entretanto, não veio. Mesmo assim, ficam boas perspectivas para a próxima partida, contra o Livorno, que estreou sofrendo goleada da Juventus; a volta do “selecionável” Diana, que estava suspenso, pode ajudar, enquanto Bresciano não deve ficar novamente no banco, o que aumenta de forma considerável o poder de fogo do clube quinto colocado na última temporada.


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segunda-feira, agosto 13, 2007

O ceu e o inferno "rosanero"

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Henrique Moretti

Começou no céu e terminou quase no inferno. Assim pode ser resumida a temporada 2006/07 do Palermo, maior clube da Sicilia na primeira divisão do Campeonato Italiano. No começo da competição, os rosaneri chegaram a formar a única equipe capaz de fazer frente à superlíder Internazionale. Porém, um péssimo segundo turno deixou o time treinado por Francesco Guidolin na decepcionante quinta colocação, fora da zona de classificação à próxima UEFA Champions League, espaço ocupado pelo Palermo durante quase toda a Série A.

Alguns fatores podem ser apontados como decisivos nessa grande derrocada do clube siciliano. Deles, destoam dois: as contusões de seus dois melhores jogadores, o volante Corini e o atacante Amauri. O primeiro, capitão e ponto de equilíbrio da equipe, demorou para se recuperar de uma lesão no nariz, enquanto o segundo, que era um dos líderes da artilharia do primeiro turno, sofreu grave contusão no joelho e ainda não atuou em 2007.

Maurizio Zamparini, milionário que controla o Palermo desde 2002, quando os sicilianos estavam na Série B e longe da elite desde a longínqua temporada de 1972/73, ainda tentou contornar a lesão de seu principal atacante, contratando, na inter-temporada, dois jogadores para o setor: o talentoso Cavani, destaque do Uruguai no Sulamericano e no Mundial sub-20, e o dinamarquês Matusiak, com passagens pela seleção do país escandinavo. Como a maré de azar pelos lados do Renzo Barbera teimava em passar, o jovem uruguaio também acabou lesionando justamente quando seu futebol começava a sobressair.

Mas nem só de problemas com lesões conviveram os rosaneri no segundo turno do Italiano. Guidolin não conseguiu encontrar um esquema de jogo eficiente e, sem contar com seu principal volante e atacante, mudava taticamente a equipe em praticamente todos os jogos. Houve um momento em que o torcedor palermitano não sabia mais se o time jogava com 2 ou 3 zagueiros, ou se com apenas 1 atacante. Mais rodízio via-se no gol, em que inexplicavelmente o treinador dava chances ao irregular Agliardi, em detrimento do veterano, e mais seguro, Fontana. As pressões de Zamparini, que não costuma deixar as comissões técnica que controla em paz, também atrapalharam a caminhada do Palermo, e Guidolin viveu na corda-bamba em toda a segunda metade da temporada, tendo sido inclusive demitido e, logo depois, recontratado.

Visando à temporada 2006/07, o que há nas bandas do Renzo Barbera são incógnitas. Os torcedores sabem que, sem a punição a equipes como Milan, Lazio e Fiorentina, e com a volta da poderosa Juventus, junto às promoções dos também tradicionais Genoa e Napoli, o Palermo inicia a nova época muito mais distante do sonho de disputar pela primeira vez a UCL. Zamparini também aparece menos arrojado neste mercado de verão, e contratações de impacto, como na última temporada (quando vieram Bresciano, Diana, Fábio Simplício e Amauri, entre outros), estão mais raras.

A equipe que entrará em campo na primeira rodada, em 26 de agosto diante da Roma, deve ser bem diferente da que encerrou a última Série A na quinta posição, qualificando-se para a Copa da UEFA. A começar pelo banco de reservas, em que Stefano Colantuono, que levou a Atalanta a uma honrosa oitava colocação no último Nacional, substitui o sempre criticado Guidolin. O capitão também mudou de ares: Corini deixou o clube que defendeu por 4 anos para voltar a jogar no norte do país, na equipe do Torino. Um dos principais atacantes, Di Michele, rumou ao clube grená de Turim. Nesse mesmo setor, Caracciolo também se transferiu. O antigo camisa 10 do Palermo irá jogar na Sampdoria, e deixa a Sicília sem deixar muitas saudades, já que se esperava muito dele quando saiu do Brescia com a boa referência do título europeu sub-21 conquistado pela Seleção Italiana, em 2004.

Para o lugar das baixas no ataque, veio Miccoli, que pintou como uma grande promessa do futebol italiano e, depois de não convencer na Juventus, perambulou por Fiorentina e Benfica, sem atingir grande sucesso. Para o meio-campo, uma promessa: Bosko Jankovic, destaque da Sérvia no último Campeonato Europeu Sub-21 e ex-jogador do Mallorca. Outros jogadores também se juntaram ao plantel rosanero, dentre eles o goleiro Ujkani, ex-Anderlecht, o zagueiro Rinaudo, ex-Siena, o meia Migliaccio, ex-Atalanta, e o atacante Matteini, ex-Empoli.

A tarja de capitão ficará em boas mãos se o zagueiro Barzagli, campeão do mundo pela Itália em 2006, rechaçar as especulações que o colocam nos tradicionais Juventus e Fiorentina, o que deve acontecer. Já Bresciano pode ir para o Manchester City e será uma grande perda se a transação se confirmar.

Para completar, a lateral-esquerda ainda é problema, com a falta de boas opções para Colantuono, já que Pisano e Dellafiore não conseguem suprir a lacuna deixada na lateral-esquerda após a saída de Fabio Grosso para a Inter, ocorrida 1 ano atrás.

E assim, com objetivos mais modestos que os do ano passado, o Palermo começará sua caminhada na temporada 2007/08 do Campeonato Italiano. Zaccardo chegou a afirmar que a nova meta é se firmar na “zona da Europa”, com uma nova classificação à Copa da UEFA – que seria a terceira seguida do clube –, ou, num sonho mais distante, alcançar uma vaga na fase preliminar da UCL.


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sexta-feira, agosto 10, 2007

Pontapé inicial na Copa Sulamericana

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Henrique Moretti

Talvez você ainda não saiba, mas a edição 2007 da Copa Sulamericana já começou. Foi sem muito alarde, é verdade, em 31 de julho, com Audax Italiano, do Chile 2, e Jorge Wilstermann, da Venezuela, 0.
A competição, que no Brasil e na Argentina começa apenas com confrontos domésticos, teve, de lá para cá, mais 7 jogos.
Na última quinta-feira, o Audax passou pelo Wilstermann, ao empatar o jogo de volta por 1 a 1. A equipe chilena se qualificou para disputar uma vaga nas oitavas de final contra quem se sair melhor entre Defensor Sporting, do Uruguai, e Libertad, do Paraguai.
Na primeira partida, disputada também na terça, em Montevidéu, melhor para os donos da casa, que venceram por 2 a 1.
Na quinta-feira, os chilenos do Colo Colo também garantiram vaga na segunda fase eliminatória, ao baterem em Santiago o Real Potosí, da Bolívia, por 3 a 1. As duas equipes haviam empatado o jogo de ida, na semana passada.
O Nacional de Medelín ainda abriu com vitória o mata-mata diante do Universitário, do Peru. Os colombianos venceram fora de casa por 1 a 0.
Na quarta-feira, houve o primeiro duelo argentino, o mais esperado da rodada, já valendo vaga nas oitavas de final. Melhor para o Lanús, que venceu em casa o Estudiantes de la Plata, campeão nacional em 2006, por 2 a 0. Pelletieri e Sand marcaram os gols, enquanto Verón, lesionado, foi substituído ainda no primeiro tempo. Com o resultado, sua equipe ficou em situação difícil para a partida de volta, a ser disputada somente em setembro.
O vencedor desse confronto encara Atlético Paranaense ou Vasco da Gama, que estréiam na próximo meio de semana, na Arena da Baixada.
Figueirense e São Paulo, no Orlando Scarpelli, e Goiás e Cruzeiro, no Serra Dourada, também inauguram a participação brasileira na competição. Os outros dois canarinhos, Botafogo e Corinthians, só se enfrentam no dia 22 de Agosto.
Esta é a sexta edição da Copa Sulamericana, que substituiu a extinta Mercosul em 2002. Naquele ano, o argentino San Lorenzo se sagrou campeão. Daquela data em diante, foram duas conquistas argentinas (ambas com o Boca Juniors), uma peruana, do até então inexpressivo Cienciano, e uma mexicana, do Pachuca, que bateu na decisão do ano passado o Colo Colo.

Ou seja, nenhuma equipe brasileira conseguiu ser campeã do segundo torneio sulamericano em importância. Será dessa vez que a competição irá "pegar" por aqui?

sexta-feira, agosto 03, 2007

Altos e baixos no Lyon

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Henrique Moretti

A temporada que se encerrou na França terminou de modo parecido com as cinco edições anteriores. O Lyon, equipe dos brasileiros Juninho Pernambucano, Fred, Caçapa, Cris e Fábio Santos, garantiu seu sexto título da história, todos conquistados de forma consecutiva, na maior hegemonia da história do futebol francês. Os lioneses não deram chance aos adversários desde o início do campeonato, encerrando o primeiro turno com 15 pontos de vantagem para o segundo colocado, na época o Lens. Tamanha vantagem não tinha como ser tirada na seqüência da competição, e nem a queda no rendimento da equipe, desgastada após ser eliminada nas oitavas da Copa dos Campeões da Europa contra a Roma, em casa, fez com que o caneco mudasse de mãos. Porém, a dramática eliminação trouxe problemas disciplinares, e jogadores como Caçapa, Fred e Diarra foram suspensos. O desgaste culminou no pedido de demissão do treinador Gerard Houllier, que estava há dois anos no cargo.

Ao final, a Ligue 1 terminou com o Olimpique de Marselha no segundo lugar, 17 pontos atrás do time campeão. Desse modo, o tradicional clube atingiu o objetivo de voltar a disputar a maior competição de clubes da Europa. Em terceiro, também com vaga garantida na Copa dos Campeões, ficou o Toulouse, apenas um ponto à frente de Rennes e Lens, que garantiram participação na próxima Copa da Uefa. Troyes, Sedan e Nantes caíram para a Ligue 2.

Os destaques da competição foram Malouda, que já deixou o Lyon rumando ao Chelsea, e Nasri, meia do Marselha que pode se transferir para o Real Madrid. De origem argelina, o jovem jogador é considerado o sucessor de Zinedine Zidane.

Se a hegemonia do Lyon no Campeonato Francês continua intacta, os problemas da equipe tiveram conseqüências nas Copas Nacionais. Na Copa da Liga, em que participam apenas equipes profissionais, os lioneses foram derrotados na final pelo Bordeaux, time que era dirigido por Ricardo Gomes, hoje no Mônaco.

Na Copa da França, que abriga inclusive clubes amadores, o clube supercampeão também decepcionou, caindo de forma precoce. Melhor para o Sochaux, que conquistou o torneio pela segunda vez em sua história, ao bater nos pênaltis o Olympique de Marselha, no Stade de France. O confronto, que encerrou um jejum de 70 anos do Sochaux e ainda lhe garantiu uma vaga na Copa da Uefa, havia acabado empatado por 2 a 2, após tempo normal e prorrogação. O herói da conquista foi o goleiro Richert, que defendeu duas penalidades.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Erros e acertos do Brasil nesta Copa América

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Luiz Mendes Junior


Não é segredo para o maior leigo em futebol que a seleção brasileira teve um pífio começo nessa competição, algo enfatizado em meu último post. Um time mal convocado e mal escalado que, diferentemente de 2006, conseguiu encontrar uma combinação competitiva e um conjunto na hora certa. Se tudo esteve a ponto de dar errado em diversas ocasiões neste torneio por vacilos do treinador e de alguns atletas, não podemos ignorar também seus méritos. O esforço e a aplicação tática de jogadores dedicados, inteligentes, capazes de elevar suas claras limitações técnicas ao limite máximo da eficiência. Se não ostentaram o talento diferenciado das estrelas ausentes, compensaram nos fundamentos que nelas sempre faltam, mostrando que é possível também vencermos pelo conjunto, pela tática, força física, estratégia, repetição e conhecimento do adversário. Fizemos domingo com a Argentina mais ou menos o que a França fez conosco em 2006. Fomos o antídoto contra o veneno deles. E nisso entram também, e muito, os méritos de um treinador que tem muito a aprender, mas já dá sinais de uma nova visão para nosso futebol. Não pense você que sou dos que imaginam um futuro sem Ronaldinho, Kaká ou mesmo Ronaldo. Precisamos e sempre precisaremos de estrelas. Todo time grande precisa, e Dunga não é idiota em achar que conseguirá manter uma seleção do nível desta que disputou a Copa América nas eliminatórias, seleção que só fez uma grande partida em todo o torneio, que dependeu de um penalty chutado na trave e outro com o goleiro absurdamente adiantado para seguir adiante e poder fazer sua despedida de gala.
Esta Copa América me alegrou por tudo de novo que Dunga e sua mentalidade poderão trazer ao Brasil, ainda que ele não permaneça no cargo até 2010, todavia, não podemos, como na copa das confederações de 2005, qualificar um elenco pela performance de uma partida, ou correremos o risco de tomar outra vez o susto da última Copa.
Triunfos como o do Internacional sobre o Barcelona ou o do Brasil B sobre a Argentina A acontecem quando se tem consciência da necessidade de conhecer seu adversário e elaborar métodos para neutralizá-lo, pensar no antídoto contra o jogo dele antes que se desenvolva o próprio jogo ofensivo. Quando se reconhece o poderio do oponente e as próprias limitações - E o Brasil, como qualquer outra seleção, sempre teve limitações, por mais estrelas que ostente em campo - minimiza-se a possibilidade de amargas surpresas pelo plano A ou B do adversário. Muitos cronistas, técnicos e torcedores insistem em avaliar futebol tendo uma mentalidade clássica como referência, onde técnica, criatividade e talento individual bastam para se ter um grande time. Jogar bem numa partida implica também em não deixar o outro jogar bem, em destruir a criatividade do outro para que se tenha um campo fértil onde fazer fluir a própria criatividade. Essa lição, freqüentemente esquecida por nossos entendidos dentro e fora das quatro linhas, é esporadicamente lembrada em momentos de crise ou quando estamos diante de um adversário reconhecidamente forte como a Argentina. Não é a toa que os vencemos 4 vezes nos cinco últimos confrontos, com direito a 3 "chocolates".



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sexta-feira, julho 27, 2007

Palmeiras e Juventude se enfrentam com objetivos distintos

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Henrique Moretti

Vencer e reembalar no Campeonato Brasileiro. Esses são os objetivos do Palmeiras para o duelo contra o Juventude, neste domingo, no estádio Alfredo Jaconi. Depois de ver sua invencibilidade de cinco jogos quebrada no último fim de semana, na derrota diante do Paraná, o Verdão conseguiu uma excelente vitória na quarta-feira, ao vencer o Vasco da Gama de virada por 3 a 2,. Agora, se prepara para encarar a equipe da serra gaúcha, apenas décima-sétima na classificação e afundada na zona do rebaixamento. Ocupando a outra ponta da tabela, o clube paulista está em sexto lugar e tem novamente a chance de ingressar no grupo dos quatro primeiros, que vão disputar a Taça Libertadores do ano que vem.

Na Academia de Futebol, o clima é de alívio após o suado triunfo contra os cariocas, e os holofotes se viraram novamente para o atacante Luiz Henrique. Ele marcou o gol que decidiu o confronto nos minutos finais, assim como havia feito em sua estréia, no 1 a 0 diante do Náutico.

Para enfrentar o Juventude, em partida válida pela décima-quinta rodada do Brasileirão, Caio Júnior tem desfalques importantes. Além do reserva Makelele, expulso no meio de semana, o técnico não vai contar com Valdivia e Edmundo, suspensos pelo terceiro cartão amarelo. Rodrigão, que não teve uma boa estréia diante do Paraná, será poupado, a fim de melhorar sua condição física. Mesmo com os problemas, Caio Júnior não está tão preocupado quanto ficaria em outras ocasiões, já que hoje o Palmeiras tem a disposição um plantel grande e com opções variadas. Desse modo, o novo talismã Luiz Henrique deve entrar na vaga do Animal para formar o ataque com Max, enquanto o meia Deyvid ocupará a posição do Mago, com Caio ficando no banco de reservas. Na zaga, Dininho retorna de suspensão e retoma o lugar que foi do jovem David na partida contra o Vasco.

Pelos lados do Juventude, novidades na comissão técnica. O treinador Flávio Campos abandonou o posto após a derrota para o Botafogo, na última quinta, por 3 a 1. Assim, o coordenador técnico Valteir Franco, que já dirigiu a equipe de forma interina em outras oportunidades, assume o cargo contra o Palmeiras até que um substituto seja anunciado.

Para tentar afastar do clube o fantasma do rebaixamento, a diretoria gaúcha se mexeu e trouxe dois reforços para a seqüência da competição. O primeiro deles é o zagueiro Régis, aquele mesmo revelado no Internacional e que teve passagens por São Paulo e Fluminense. Ele estava no Viborg, da Dinamarca. O outro é o volante uruguaio Marco Vanzini, capitão e ídolo do Nacional, de Montevidéu. Os jogadores, como vieram do futebol estrangeiro, só poderão estrear no início de agosto.

terça-feira, julho 24, 2007

Zebras na Alemanha

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Henrique Moretti

A temporada 2006/2007 do Campeonato Alemão foi absolutamente sensacional. Disputada até a última rodada, a competição contou com várias trocas na liderança da tabela e uma grande surpresa levantando a taça. No fim, melhor para o Stuttgart, que, com uma virada sobre o Energie Cottbus na última rodada, conquistou a terceira Bundesliga de sua história. Para encerrar com um jejum de 15 anos sem títulos do Campeonato Nacional, a equipe do sudoeste alemão teve de superar os poderosos Bayern de Munique, Werder Bremen e Schalke 04. Sem precisar se dividir entre Liga e competição européia, como seus grandes rivais, o Stuttgart teve na revelação Mário Gómez seu grande nome. Filho de espanhóis e autor de 14 gols na competição, Gómez apresentou grande evolução e garantiu vaga cativa nas últimas convocações da Seleção Alemã. Outros destaques da equipe dirigida por Armin Veh foram o volante mexicano Pavel Pardo, o meia Hitzlsperger e o atacante brasileiro Cacau.

O Bayern, detentor de 6 dos últimos 10 Nacionais, encarou um ano muito irregular, que incluiu troca de técnico (saiu Feliz Magath e entrou Ottmar Hitzfeld) e acabou culminando na não-classificação à Copa dos Campeões da Europa após 10 anos consecutivos. O Werder, equipe dos brasileiros Diego e Naldo, liderou quase toda a primeira metade do campeonato dando show e perdeu o rumo no fim, muito em função de problemas pessoais do artilheiro Miroslav Klose. Já o Schalke, time de Lincoln e Kuranyi, teve a Bundesliga em suas mãos até a penúltima rodada, quando a derrota por 2 a 0 para o Borussia Dortmund deu a liderança, e posteriormente o título, ao Stuttgart.

Schalke e Bremen garantiram vaga na próxima Copa dos Campeões, enquanto o Bayern de Munique terá de se contentar apenas com a Copa da Uefa, junto a Leverkusen e Nuremberg. Alemania Aachen, Mainz 05 e Borussia Mönchengladbach vão disputar a segunda divisão. A artilharia ficou com o grego Gekas, do, autor de 20 gols, que levou o pequeno Bochum a um honroso oitavo lugar na classificação.

Na Copa da Alemanha, nova surpresa. O sexto colocado da Bundesliga Nuremberg levantou o quarto caneco de sua história. Na finalíssima, disputada em jogo único no Estádio Olímpico de Berlim, a equipe da Baviera bateu o Sttugart, que buscava uma inédita dobradinha entre Liga e Copa, por 3 a 2. O herói da conquista foi o dinamarquês Christiansen, autor do terceiro gol, que veio apenas na prorrogação, quando a decisão parecia seguir rumo aos pênaltis. Logo após o apito final, duzentas mil pessoas invadiram a praça central de Nuremberg para comemorar o título, que coroou a temporada do tradicional clube, nove vezes campeão da Bundesliga e que passava por maus bocados: sua última taça havia sido conquistada no longínquo ano de 1968.

quinta-feira, julho 05, 2007

Wimbledon parado no tempo

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Henrique Moretti

Que o torneio de Wimbledon é o mais tradicional de um dos mais tradicionais esportes de todos os tempos, ninguém duvida. O Grand Slam da grama foi criado em 1877, na primeira competição de tênis de que se tem notícia, e tem como supercampeões lendas como o sueco Bjorn Borg (cinco títulos seguidos), o norte-americano Pete Sampras (sete troféus ao todo) e tcheca naturalizada americana Martina Navratilova (novo conquistas). Que o torneio londrino é um dos mais atrasados do mundo do tênis, também poucos duvidam.

Neste ano, com chuvas e mais chuvas rondando o complexo do All England Lawn Tennis Club, o evento chega à sexta-feira com todas as partidas de quartas-de-final ainda a fazer, sendo que o certo seria a disputa das semis, para a final acontecer no próximo domingo, dia 8. Apesar da correria, a organização do charmoso torneio preferiu não mandar jogos no primeiro domingo de competição, o chamado “mid-Sunday”, dia de descanso dos atletas, por pura tradição – apenas três vezes na história a data sagrada foi utilizada. O pior é que o último dia 1º de julho amanheceu com sol em Londres, enquanto a previsão para as próximas datas era de chuva. Nada feito, o mau tempo se confirmou, e o imenso atraso aconteceu.

Para se ter uma idéia, a partida entre Robin Soderling e Rafael Nadal precisou ser interrompida nada menos que oito vezes em virtude do mau tempo. Assim, o confronto de terceira rodada, que se iniciou na segunda-feira, só pôde ser terminado na última quarta. O espanhol, com razão, não poupou críticas à organização de Wimbledon, ao ver o rival Roger Federer descansar por cinco dias seguidos. “Terei de jogar vários dias seguidos. E o Roger parece que está tirando uma semana de férias", afirmou.

Por essas e outras, a verdade é que parece que o Grand Slam da grama está parado no tempo. Foi, por exemplo, o último dos torneios desse nível a igualar a premiação entre homens e mulheres – apenas neste ano se fez justiça, com ambos os campeões recebendo cerca de 650 mil libras. Demorou muito, também, para enxergar o que não podia ser mais nítido: a necessidade de se instalar um teto retrátil na quadra central do All England, por causa das constantes chuvas que assolam Londres no verão. Ainda obriga, por incrível que pareça, os tenistas a usarem roupas predominantemente brancas, sendo que outros eventos do circuito eliminaram essa rega na década de 1980. Outra peculiaridade em Wimbledon é na escolha dos cabeças-de-chave. O torneio é o único do circuito que não respeita o Ranking de Entradas da ATP, utilizando um ranqueamento próprio que leva em conta o histórico dos jogadores em piso de grama, critério que já recebeu várias críticas de tenistas sul-americanos, dentre eles Gustavo Kuerten.

Com tradições que, a rigor, de nada acrescentam e só servem para atrasar a vida dos atletas, o mais tradicional torneio de tênis do mundo segue. Em 2007, jogos de cinco sets serão programados em dias consecutivos, e é provável que a final aconteça, pela quarta vez em 120 anos de história, numa segunda-feira, como não manda a tradição. A última vez que isso ocorreu foi em 2001, quando o croata Goran Ivanisevic se sagrou campeão ao bater o australiano Patrick Rafter.


foto: www.wimbledon.org

quarta-feira, julho 04, 2007

Time bamba de um homem só

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Luiz Mendes Junior

Já faz quase um ano que não menciono neste blog nada sobre o assunto futebol. Passado o fiasco de 2006, fica o legado do erro, que às vezes se mostra pior do que este erro.
Como já cansei de escrever aqui, escapamos dessa sina em 2002 ao vencer a Bélgica nas oitavas de final em uma partida que deveríamos ter perdido em função de um simples erro de escalação. Se Marcos não fizesse apenas um dos milagres que executou, ou se o árbitro validasse o gol legítimo de Wilmots no primeiro tempo, talvez Parreira se visse forçado a mudar o time todo tão logo assumisse o cargo em vez de dar continuidade à geração do penta. Seríamos hexa? Não sei. Certamente não passaríamos pela eliminatória com a facilidade com que passamos.
Hoje, 2007, testemunhamos a repetição do dilema de 90. Faz-se uma faxina nas más lembranças de 2006. Renova-se a todo custo, acreditando no falso folclore de que o futebol brasileiro possui talentos infinitos. Eterna inverdade.
Não acho absurdo ver um Brasil severamente desfalcado nessa copa América, visto que a história se repetiu nas últimas duas edições do evento. O que me aflige talvez esteja mais em certos erros de escalação e posicionamento que não precisavam existir.
Não me lembro de uma seleção brasileira desprovida de cobradores de falta e de pênalti. Robinho (confesso não saber se ele bate pênaltis com regularidade pelo Real Madrid, mas sei que isso não lhe ocorre na Seleção) olhou para os “coleguinhas” e viu que ninguém a sua volta se destacava como exímio chutador de penalidade. Pensou em Ronaldo, Ronaldinho, Alex e Rogério Ceni e viu que só tinha ele ali. Assumiu o risco e quase se deu mal. Bateu pessimamente, mas pôde contar com a sorte.
Nossos laterais nos fazem ter saudades da dupla Cafu e Roberto Carlos em seu auge - não a de 2006, já decadente -, mas a que brilhou entre 98 e 2004. Gilberto e Maicon estão longe de ostentar o poderio e a presença dos predecessores.
Vagner Love nos traz saudades do Ronaldo magro. Anderson e Elano são esforçados, correm, marcam, cooperam, mas falham no que o futebol brasileiro sempre se destacou: o refinamento com a bola nos pés, o diferencial que faz o Brasil ser Brasil. Disso, só resta Robinho, possivelmente único a sair por cima entre os “amarelos” quando este torneio terminar. Aproveitou a ausência de estrelas para engrandecer seu brilho e presença entre os demais, relembrando-nos do que poderia ter elaborado contra a França se entrasse mais cedo em campo e gerando até elucubrações sobre um futuro como capitão da equipe. Por que não?
Para o treinador Dunga, cujo potencial e visão sempre me agradaram, mas que ainda pagará pela inexperiência no cargo, ficarão as lições, caso continue comandando o Brasil.


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sexta-feira, junho 29, 2007

A temporada do "Calciocaos"

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Henrique Moretti

A temporada que terminou recentemente na Itália foi considerada por muitos como a pior de todos os tempos. A razão tem muito a ver com o chamado “Calciocaos”, escândalo de manipulação de resultados que envolveu dirigentes, árbitros e até jogadores. A partir dele, a tradicional Juventus acabou rebaixada à Série B pela primeira vez em sua história. De quebra, ainda perdeu os títulos nacionais de 2006 (dado a Internazionale) e 2005 (que ficou sem dono). Seu diretor-geral, Luciano Moggi, envolvido dos pés à cabeça com o esquema, acabou demitido, e inclusive o técnico campeão do mundo pela Azzurra, Marcello Lippi, foi acusado de ilegalidades. A crise, comparada à de 1980, o “Totonero”, que na época afastou dos gramados jogadores como Paolo Rossi, ameaçou a participação do goleiro Buffon na Copa 2006, e dela afastou o árbitro indicado pela Federação Italiana, Massimo de Santis.

Outros grandes da Série A, Milan, Fiorentina e Lazio, acabaram punidos com perda de pontos, o que aumentou ainda mais o desnível da competição, dominada do início ao fim pela Inter. A equipe de Milão se sagrou campeã com 5 rodadas de antecedência e 22 pontos de vantagem sobre a Roma, segunda colocada. A artilharia ficou com o meia-atacante Totti, autor de 26 gols e que ainda ficou com a Chuteira de Ouro européia. As outras vagas na Uefa Champions League ficaram com Lazio e Milan, enquanto Palermo, Fiorentina e Empoli vão disputar a próxima Copa da Uefa. Chievo, Ascoli e Messina foram rebaixados.

Ainda em decorrência da queda da “Velha Senhora”, o pais tetracampeão do mundo perdeu alguns de seus destaques, como Cannavaro, Thuram e Zambrotta, que foram para o futebol espanhol. Para aumentar ainda mais o desinteresse pela competição, comprovado pela baixíssima média de público, a menor dos últimos 10 anos, brigas entre torcidas aconteceram. A do clássico siciliano entre Catania e Palermo, por exemplo, resultou na morte do policial Filippo Raciti e em paralisação temporária do campeonato.

Em contra-partida, a Série B italiana teve provavelmente sua melhor edição da história. A Juventus, mesmo iniciando a competição com 9 pontos negativos, conseguiu uma brilhante escalada e subiu com sobras, dirigida pelo francês Didier Deschamps. Outras duas tradicionais equipes voltaram à elite, Napoli e Genoa, prometendo uma Série A 2007/08 eletrizante, bem superior ao campeonato manchado que acabou no fim de maio.

Se na Primeirona a Inter conseguiu acabar com seu jejum de 18 anos sem títulos (no campo), na Copa Itália o domínio da equipe de Milão acabou. Atuais bicampeões, os comandados de Roberto Mancini não conseguiram segurar o ímpeto da Roma, que já havia eliminado o poderoso Milan nas semifinais. Na decisão, o time da capital aplicou um incrível 6 a 2 na partida de ida. Em San Siro, os 2 a 1 da Inter não foram suficientes, e só serviram para tirar a invencibilidade dos romanistas na competição, que conseguiram erguer seu sétimo título da Copa Itália. A Juventus é a maior campeã do mata-mata nacional, com 9 conquistas.

quinta-feira, junho 21, 2007

Riquelme, o Boca e o Grêmio

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Henrique Moretti

Mesmo sem ser brilhante, o Club Atlético Boca Juniors é, pela sexta vez, o grande campeão da Libertadores da América. Agora, em número de títulos na competição, o Boca só está atrás do rival Independiente, que tem uma conquista a mais. Contando com a inspiração do meia Juan Roman Riquelme, este sim, com lampejos de brilhantismos, a equipe xeneize aplicou, no placar agregado, 5 a 0 sobre o Grêmio. Em todos os gols, direta ou indiretamente, houve a participação do camisa 10, fazendo parecer bem investidos os cerca de 2 milhões de dólares que a diretoria argentina gastou para trazê-lo por esses 6 últimos meses.

No jogo da última quarta-feira, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, a equipe gaúcha não pôs em prática, em nenhum momento, a pressão que se esperava dela. Por sua vez, o Boca soube cadenciar o jogo e levar a partida de forma morna, tendo sua meta ameaçada por duas vezes, com Diego Souza e Schiavi, que acertaram a trave do goleiro Caranta.

Os argentinos souberam também decidir a partida. Aos 23 minutos do segundo tempo, Riquelme aprontou das suas em lance que parecia despretensioso, acertando um tirombaço do bico da grande área no ângulo de Saja, que nada pôde fazer. Com o Grêmio já atordoado, e indo à frente de maneira desordenada, o meia ainda aproveitou para fazer o segundo. Aos 36 minutos, ele puxou contra-ataque e serviu Palacio, que chutou. Saja defendeu com o pé e a bola sobrou para o jogador vinculado ao Villarreal, que apenas completou para o gol livre. Em seguida, os argentinos ainda tiveram a chance de repetir o placar de La Bombonera, quando o ex-boquense Schiavi agarrou Palermo acintosamente na grande área. Pênalti que o próprio atacante bateu, e perdeu, chutando pra fora.

Ao fim, palmas para a torcida gremista, que não deixou de apoiar o time durante os 90 minutos, inclusive após o término da partida, reconhecendo os esforços da equipe, que há dois anos começava sua caminhada na Série B do Brasileirão. Pelo lado azul e ouro, o Boca ultrapassou o Milan, seu possível adversário no Mundial de Clubes do fim do ano, sendo agora o maior detentor de títulos internacionais no planeta. Quanto a Riquelme, ele aceitou convite para voltar a defender a seleção Argentina e vai disputar a Copa América, voltando, posteriormente, ao futebol europeu.


foto: UOL

sexta-feira, maio 25, 2007

Santos, Grêmio, Cúcuta e Boca disputam as semifinais da Libertadores

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Henrique Moretti

A Taça Libertadores da América chega à fase semifinal com uma grande surpresa colombiana, um supercampeão argentino e duas tradicionais equipes brasileiras.

A surpresa diz respeito ao Cúcuta Deportivo, que fez cair mais um favorito, o Nacional, tri-campeão da competição. Os cafeteros se aproveitaram da vantagem obtida na partida de ida, quando venceram por 2 a 0, para se classificar. No jogo da última terça-feira, no Centenário, os uruguaios estiveram na frente do placar por duas vezes, mas não conseguiram sair de um empate por 2 a 2. O último gol foi marcado por Pajoy, já nos acréscimos.

Agora o Cúcuta, para continuar sonhando em ser o terceiro time colombiano campeão da Libertadores, precisa bater o pentacampeão Boca Juniors, que foi buscar sua vaga no estádio Defensores del Chaco. Enfrentando a boa equipe do Libertad, o Boca conseguiu reverter a vantagem dos paraguaios, que haviam conquistado um bom empate por 1 a 1 na Bombonera. A classificação foi garantida com gols de Riquelme, em grande jogada individual, e de Palacio, após cobrança de escanteio.

O novo regulamento da competição, que não permite duas equipes de um mesmo país na finalíssima, acabou antecipando um confronto brasileiro para as semifinais. O Grêmio conseguiu mais uma de suas façanhas na quarta-feira, ao repetir, em Porto Alegre, o placar da primeira partida frente ao Defensor: 2 a 0.Sem Diego Souza, expulso em Montevidéu, e Lucas, ainda no departamento médico, o Tricolor gaúcho sufocou os uruguaios desde o início da partida, construindo o placar já no primeiro tempo, com gols do meia Tcheco e do zagueiro Teco. Na segunda etapa, a equipe desperdiçou boas chances de marcar e perdeu Amoroso, expulso após agressão. O uruguaio Pereira ainda carimbou o travessão de Saja antes de a decisão seguir rumo aos pênaltis, em que os gremistas se aproveitaram de dois erros do Defensor para vencer por 4 a 2.

O adversário dos gaúchos, o Santos, teve dificuldades para passar pelo time reserva do América, que, assim como no empate sem gols da partida de ida, focava suas atenções na fase decisiva do Campeonato Mexicano. Contando com apenas 3 suplentes, o América segurou a pressão inicial santista e marcou em contra-ataque, por meio do argentino Bilos. O time da Vila Belmiro veio para o segundo tempo com três atacantes, e a mudança deu resultado, com a virada acontecendo em 26 minutos. Marcaram Jonas, que havia errado no gol mexicano, e Rodrigo Souto, que anotou pela primeira vez com a camisa alvinegra.

Os confrontos semifinais da Libertadores ocorrem nos próximos dias 30 e 31 de maio. As partidas de ida serão em Porto Alegre, no Olímpico Monumental, e em Cúcuta, no Genereal Santander.

terça-feira, maio 22, 2007

Quem segura Casey Stoner?

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Henrique Moretti

No último fim de semana ocorreu a quinta etapa da temporada 2007 de MotoGP. Na corrida disputada em Le Mans, na França, melhor para o australiano Chris Vermeulen, da Suzuki, que conseguiu a primeira vitória na carreira – e a primeira da equipe desde 2001. Entretanto, vencedor mesmo foi outro australiano, Casey Stoner, da Ducati Marlboro, atual líder do campeonato que terminou em terceiro lugar, em boa prova de recuperação.

Stoner é a grande surpresa do campeonato. Oitavo lugar no ano passado, quando estreava na MotoGP guiando uma LCR Honda, o piloto de 21 anos resolveu apostar para 2007 na ascendente Ducati, escuderia que sempre contou com um ótimo motor, mas de baixa confiabilidade. E deu certo. A equipe continua em evolução e Stoner venceu três das cinco primeiras corridas deste ano, liderando o campeonato com 21 pontos de vantagem para o supercampeão italiano Valentino Rossi.

O atual campeão da principal categoria do motociclismo mundial é o norte-americano Nicky Hayden, que vive mau momento e é apenas o 11º colocado da tabela. Na pista escorregadia de Le Mans, o garoto de Kentucky perdeu o controle de sua Repsol Honda nas voltas finais, quando detinha a quarta colocação. Os atuais resultados de Hayden dão ainda mais desconfiança à conquista de 2006, que pareceu ser fruto da irregularidade da Yamaha de Rossi e do incrível erro do italiano na última corrida, quando ele caiu na pista seca de Valencia, perdendo assim a vantagem de 8 pontos que ostentava até então.

Nesta temporada, o problema de Rossi são os pneus Michelin, que vêm mostrando um rendimento bem inferior aos Bridgestone usados por Stoner. Com o temporal despejado no GP da França, a diferença entre os dois aumentou ainda mais, e o italiano nada pôde fazer senão terminar num modesto sexto lugar. O brasileiro Alexandre Barros, da equipe secundária da Ducati (a Pramac d’antin), vinha bem enquanto o traçado esteve seco, porém também perdeu rendimento na chuva e acabou abandonando a corrida.


foto: www.caseystoner.com.au

sexta-feira, maio 11, 2007

Definidos os confrontos de quartas-de-final da Taça Libertadores da América

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Henrique Moretti

A decisiva rodada de volta das oitavas foi disputada no último meio de semana. Na terça-feira, o Colo-Colo bateu o América do México, em Assunção, por 2 a 1, mas o resultado de nada adiantou, já que os mexicanos haviam vencido por 3 a 0 o jogo de ida, no estádio Azteca. O América, que não conta mais com o veterano meia Blanco, transferido ao futebol dos EUA, agora enfrenta o Santos, que teve mais dificuldades que o esperado para passar pelos venezuelanos do Caracas, na Vila Belmiro.

Outra equipe que ganhou mas não levou foi o Toluca, também do México. Os 2 a 0 aplicados diante do Cúcuta Deportivo, no estádio Miguel Hidalgo, não foram suficientes para reverter a vantagem dos colombianos, que podiam perder por até 3 gols de diferença. Assim, o Cúcuta, grande zebra da Libertadores até aqui, terá pela frente o tradicional Nacional, tricampeão da competição, que bateu o Necaxa em plena Cidade do México. Os uruguaios devem a classificação ao goleiro Buruazza, que salvou a equipe em várias oportunidades. A vitória veio aos 43 minutos do segundo tempo, quando Martinez fez o único gol da partida, mas nem era necessário, pois o 0 a 0 bastava para a classificação.

No clássico argentino da rodada, o Boca Juniors, penta-campeão da Libertadores, fez valer a vantagem adquirida na partida de ida, quando bateu o Vélez Sarsfield na Bombonera por 3 a 0. Jogando no José Almafitani, o Vélez até conseguiu assustar os xeneizes, que jogaram a maior parte do jogo com 1 jogador a menos, porém a vitória por 3 a 1 não foi suficiente. A equipe de Riquelme, autor de um gol olímpico na partida, agora enfrenta o Libertad, que empatou com o Paraná Clube por 1 a 1, no Defensores del Chaco, e acabou beneficiado pela vitória na partida de ida. A equipe paraguaia, semifinalista da Libertadores 2006, abriu o placar logo no início do primeiro tempo, em falha do goleiro Flávio, e conseguiu se segurar no segundo, sofrendo o gol de empate paranista, de Joelson, já bem perto do apito final.

O jogo mais esperado para os brasileiros aconteceu na noite de quarta-feira, envolvendo São Paulo e Grêmio num estádio Olímpico abarrotado. Com poucas chances de gol criadas, quem se saiu melhor foi o Tricolor Gaúcho, que confirmou a fama de “copeiro” e se classificou ao vencer por 2 a 0, gols dos meias Tcheco, que recentemente acendeu polêmica com os são-paulinos, e Diego Souza, revelado no Fluminense e que já havia sido destaque na partida disputada no Morumbi.

A chance de novo confronto canarinho nas quartas-de-final não se concretizou por causa do Defensor, do Uruguai, que conseguiu segurar o Flamengo e seus 57 mil torcedores que lotaram o Maracanã. Os rubro-negros ganharam por 2 a 0, gols de um inspirado meia Renato, mas precisavam de mais 1 gol para levar a decisão aos pênaltis. Os uruguaios ainda assustaram no fim da partida em contra-ataques, obrigando o goleiro Bruno a praticar grandes defesas.

Os confrontos de quartas-de-final da Libertadores já se iniciam na próxima semana, com as partidas de ida acontecendo nos dias 15, 16 e 17 de maio.

quinta-feira, maio 10, 2007

Quando o colunista queima a língua

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Henrique Moretti

Resolvi fazer do título deste post uma referência à coluna anterior, na qual Vanderlei Luxemburgo foi duramente criticado pelas dispensas de Pedro e Rodrigo Tiuí. É claro que não me arrependo e continuo pensando que os dois farão falta na fase decisiva da Libertadores, bem como na disputa simultânea do Campeonato Brasileiro.

Porém, tendo em pauta o segundo jogo da final do Campeonato Paulista, disputada no último domingo, o treinador santista merece todos os elogios. Primeiro, por iniciar a partida numa formação ultra-ofensiva, com Pedrinho, Jonas e Marcos Aurélio juntos, e com apenas um volante de origem, Rodrigo Souto, empurrando o chileno Maldonado para fazer as vezes de lateral-direito “europeu” (ou seja, um zagueiro por esse lado do campo). Segundo, por ter lançado mão do atacante Moraes, de 20 anos, filho e irmão de ex-santistas (os também dianteiros Aluísio e Bruno Moraes), na metade do primeiro tempo, o que culminou no cabeceio certeiro do jovem cuja presença no banco de reservas, no jogo de ida, havia sido considerada um erro, por parte deste blogueiro.

Pelos lados do Azulão, aponto o principal erro de Dorival Júnior: acreditar que uma formação que deu certo na primeira partida (ler “Desfalque que faz bem”) pudesse causar o mesmo efeito quando composta por jogadores diferentes - os que voltavam de suspensão. Trocando em miúdos, Dorival fez a equipe jogar novamente com Luiz Alberto de terceiro zagueiro, empurrando Glaydson à direita do meio-campo e Canindé à esquerda. Entretanto, o ex-santista não tem a capacidade de marcação que Ademir Sopa demonstrou naqueles 2 a 0, sobrecarregando assim o meia Douglas, que não conseguiu espaço para armar o time e fazer a bola chegar aos atacantes. Ao mesmo tempo, Glaydson não conseguiu repetir a boa atuação que Galiardo teve no setor.

Somando-se isso à péssima partida de Canindé também no âmbito ofensivo, o resultado não poderia ser outro, mesmo por que quando Dorival percebeu a falha e tentou copiar o esquema vitorioso do dia 29, colocando Sopa e Galiardo, o destino da partida já estava selado.

Para finalizar, parabéns a Vanderlei, a Moraes, e principalmente ao Santos, que desbancou o “provável” campeão São Caetano, em outra citação da coluna da discórdia. Como ainda não sou ninguém no mundo do jornalismo esportivo, reconheço aqui quando queimo a língua, e o mesmo desejo fazer quando obtiver meu espaço (que, obviamente, sonho em conquistar), afinal, dificilmente um jornalista estará a salvo de “barrigadas”.

sábado, maio 05, 2007

Quando a vaidade entra em campo

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Henrique Moretti

Rodrigo Tiuí está longe de ser um craque. O atacante, de 22 anos, nunca conseguiu se firmar no Fluminense, clube que o revelou, e chamou a atenção do Santos, de Vanderlei Luxemburgo, após ter destaque no Paulistão 2006, atuando pelo Noroeste. Sua estada no time da Vila Belmiro, no mesmo ano, nunca agradou 100% à torcida. No entanto, Tiuí vinha tendo um bom desempenho nesta temporada, assumindo a titularidade no rápido ataque santista, ao lado de Marcos Aurélio.

Pedro, por sua vez, também nunca foi uma unanimidade. Tachado como boa promessa das categorias de base do Palmeiras, o lateral-direito, de 26 anos, acabou saindo queimado na péssima fase do alviverde, à época na Série B do Brasileirão. Ainda chegou a ser emprestado ao Vitória, retornando ao Parque Antártica e sendo dispensado em setembro passado. Foi contratado pelo Santos no início deste ano cercado de grande desconfiança, mas comprovou ser muito útil no decorrer do Campeonato Paulista, aproveitando-se da lesão de Denis, que era o titular da posição.

Apesar de todo esse destaque obtido ao decorrer da corrente temporada, Rodrigo Tiuí e Pedro não fazem mais parte do elenco do Santos. E pelo mesmo motivo: desavenças envolvendo o técnico Vanderlei Luxemburgo e Theodoro Fonseca, empresário dos atletas: segundo estes, o treinador afirmou que só os manteria no elenco se trocassem a assessoria de Theodoro pela de Ângelo Pimentel, procurador do também santista Rodrigo Tabata.

Para piorar, toda essa crise foi criada quando a equipe da Baixada começava a entrar na fase final da Taça Libertadores e a decidir o Campeonato Paulista. A situação do ataque santista ficou tão crítica que, na primeira partida da final contra o São Caetano, Luxa ficou sem opções, utilizando para o banco de reservas Moraes, que disputou apenas duas partidas com a camisa alvinegra. Para a lateral-direita a situação é tão ruim quanto, uma vez que Denis lesionou o joelho diante do Caracas, da Venezuela, em encontro válido pelas oitavas de final da competição sul-americana, e ficará de fora dos gramados até o final do ano. A opção, nesse setor, foi improvisar o jovem volante Dionísio.

Ao colocar suas desavenças com o empresário de Pedro e Tiuí acima, em grau de importância, das necessidades da equipe, o renomado Vanderlei Luxemburgo acabou prejudicando a equipe do Santos. A dispensa dos jogadores, como já comentado, pode ter interferido na provável conquista do Paulistão pelo São Caetano, e agora Luxa ficará sem eles nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, em que um elenco mais numeroso seria de vital importância para uma boa conciliação com o “mata-mata” da Libertadores.

Vale lembrar que não é a primeira vez que o treinador se desentende com atletas em momentos importantes – pelo Corinthians, brigou com Marcelinho Carioca às vésperas da final da Copa do Brasil 2001, perdida para o Grêmio. Também não é algo inédito se suspeitar do envolvimento de Luxemburgo com empresários – em 2006 vários jogadores do modesto Iraty, equipe de seu amigo Juan Figer, foram trazidos para a Vila Belmiro. Assim, fica a impressão, pelos lados da Baixada Santista, de que a vaidade de Vanderlei Luxemburgo entrou em campo, prevalecendo. E, nesse caso, quem perde não é outro senão o próprio Santos.


foto: AS

quarta-feira, maio 02, 2007

Desfalque que faz bem

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Henrique Moretti

Posso até estar sendo radical, mas no intervalo, ao fim e no decorrer da decisão do Campeonato Paulista, entre São Caetano e Santos, não consegui deixar de pensar que o desfalque de Canindé para o time do ABC não estava sendo sentido. E mais, a entrada de Ademir Sopa em seu lugar foi providencial para o placar ser construído do modo com que foi: um 2 a 0 sem grandes sustos.

Imaginar que um suposto desfalque acabou se tornando um trunfo de uma equipe qualquer, ainda mais quando a ausência refere-se a um dos principais jogadores do time parece de difícil aceitação, porém a entrada de Sopa deu um poder de marcação ao São Caetano a tal ponto que o assemelhou ao sistema defensivo montado pelo Bragantino, nas semifinais, contra o próprio Santos. Sistema esse que impediu o melhor ataque do campeonato de marcar, em 180 minutos jogados.

Analisando taticamente, o Azulão do técnico Dorival Júnior se caracterizou no Paulistão por atuar em um 4-4-2 “quadrado”, que contava sempre com dois volantes (Glaydson e Luís Alberto) e dois meias (Douglas e Canindé). Este, ex-jogador do próprio Santos, chegava ao ataque em alguns momentos como um terceiro atacante, enquanto Douglas, ex-Criciúma, fazia as vezes de um autêntico “camisa 10”, organizando a maioria das jogadas da equipe. Na parte defensiva, Thiago e Maurício se mostraram uma dupla segura, enquanto Paulo Sérgio é um lateral-direito que não compromete e não se lança muito ao ataque, deixando essa tarefa para o companheiro da esquerda, Triguinho, tecnicamente superior. O ataque, formado pelo rápido Luiz Henrique e a referência de área Somália, bem como a meta, defendida por um Luiz Silva que cresceu muito durante a competição, não mudaram.

Então, qual foi a transformação notada com a entrada de Sopa? A explicação: o jogador que se destacou na Série B 2006 pelo Avaí atuando de meia, entrou nesse domingo mais recuado, atuando como um terceiro volante pelo lado esquerdo, enquanto Galiardo (outro que substituía um desfalque, dessa vez de Glaydson) não comprometia mais à direita. No centro, atuando como um terceiro zagueiro do esquema do Bragantino, Luís Alberto.

Foi assim que Marcelo Veiga parou o Santos. E assim também que Dorival Júnior fez mais ainda. A diferença? Enquanto o primeiro contou com uma grande disposição em um time tecnicamente limitado, o segundo tem material humano em mãos para agredir o Santos, especialmente nos contra-ataques.

Para a segunda partida, parecem bem prováveis as entradas de Glaydson e de Canindé, o personagem desta coluna. Nada mais justo: com uma boa vantagem já construída, o ex-santista será importantíssimo em suas escapadas pela esquerda do gramado. Ao mesmo tempo, Ademir Sopa talvez nem precise comparecer ao estádio do Morumbi no próximo fim-de-semana, às 4h da tarde. Afinal, o volante-meia já fez sua parte.


(1)Canindé na segunda semifinal contra o São Paulo: foto FOLHA
(2)Ademir Sopa na marcação de Rodrigo Tabata: foto REUTERS

terça-feira, maio 01, 2007

Super tira-teima entre Federer e Nadal

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Henrique Moretti


De um lado da quadra o Rei da Grama, o suíço Roger Federer. Do outro lado o Rei do Saibro, o espanhol Rafael Nadal. Até aí nada de mais. Entretanto, acredite você, essa tal quadra não é comum, sendo que um lado dela será de relva e o outro de terra batida.

Em iniciativa histórica, a agência publicitária Del Campo Saatchi & Saatchi convidou os dois maiores tenistas da atualidade para uma partida com dois tipos de pisos diferentes, a ser realizada em ginásio coberto para 7 mil pessoas em Palma de Mallorca, na Espanha. O grande duelo já tem até nome: “batalha das superfícies”.

Roger Federer, 25 anos, é atual tetracampeão de Wimbledon, o Grand Slam da grama, além de já ter conquistado outros quatro títulos nesse tipo de piso, todos em Halle. Está invicto a 48 partidas na relva e lidera o ranking de entradas da ATP desde 2004. Ostenta 47 títulos na carreira e o recorde no número de Masters Series conquistados (12). É também o atual tricampeão do US Open e bicampeão do Australian Open, disputados em superfície sintética. Já venceu 10 Grand Slams, marca só menor que a do norte-americano Pete Sampras, considerado por muitos o maior tenista da história até o surgimento do suíço, que possui 14 títulos desse escalão. Na terra batida, foi vice-campeão de Roland Garros em 2006, perdendo a final para Rafa.

Rafael Nadal, 20 anos, é atual bicampeão de Roland Garros, o Grand Slam do saibro, além de já ter conquistado outros 13 títulos nessa superfície, sendo cinco Masters Series (Monte Carlo, três vezes, e Roma, duas). Ostenta outras três conquistas desse porte, em piso rápido, e é o atual líder da Corrida dos Campeões da ATP, ranking que só leva em conta os resultados da temporada corrente, à frente justamente de Federer. Na grama, foi vice-campeão de Wimbledon em 2006, sendo derrotado na final pelo próprio suíço.

No confronto direto a vantagem é de Nadal, que venceu sete dos dez duelos realizados até aqui. Desses, metade foram realizados no saibro, todos vencidos pelo espanhol, incluindo o mais recente, em Monte Carlo, há duas semanas (duplo 6-4). Na grama, um confronto até aqui disputado, com vitória de Federer na final de Wimbledon (6-0 7-6(5) 6-7(2) 6-3). Os outros quatro embates aconteceram em piso duro.

Com o atrativo de juntar os dois maiores tenistas da atualidade nas quadras em que obtêm seus melhores resultados e são considerados imbatíveis, a “Batalha das superfícies” tem tudo para ser um grande evento, que chamará muito a atenção no mundo do tênis. A partida será disputada em melhor de três sets, com os jogadores trocando de calçados durante as trocas de lado – para se jogar na grama são usados tênis especiais, com pequenas travas. A transmissão está garantida por parte do canal pago SPORTV, que a anuncia, ao vivo, para a próxima quarta-feira, dia 2, às 11 horas.

Nadal terá a vantagem de jogar em casa, já que reside e nasceu na região de Palma de Mallorca. Sendo assim, que seja dada a “largada” para o histórico jogo. Façam suas apostas. Quem vence o super tira-teima entre o número 1 e o número 2 do mundo?


Imagem: cartaz promocional do evento
Foto da quadra mista: Terra

domingo, abril 29, 2007

Popó cai pela segunda vez

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Henrique Moretti

Acelino “Popó” Freitas acenou com a aposentadoria. Mais: acabou decretando-a há pouco tempo. Resolveu voltar aos ringues pelo sonho de poder disputar o cinturão do Conselho Mundial de Boxe (CMB). Porém, na no primeiro desafio que poderia lhe render o direito de lutar pelo sonhado título, o pugilista peso-leve falhou e perdeu a chance de realizar novamente uma unificação – campeão pela Organização Mundial de Boxe (OMB), enfrentou o mexicano naturalizado norte-americano Juan Diaz, detentor do cinturão pela Associação Mundial de Boxe (AMB).

O baiano, que não lutava há praticamente um ano, desde que recuperou o cinturão da OMB batendo Zahir Raheem por pontos, pareceu sentir a falta de ritmo e a juventude do adversário, 9 anos mais jovem. Pior: a estratégia ofensiva de Diaz, conhecido por “El Torito”, surpreendeu Popó, que esperava um combatente mais cauteloso, pelo menos nos primeiros assaltos. Essa estratégia “suicida” do norte-americano lembrou a adotada por Diego Corrales, até então único boxeador a bater Popó na luta que tirou do brasileiro o título dos leves pela OMB em 2004, após nocaute técnico.

Nesse sábado, Acelino Freitas foi totalmente dominado por Juan Diaz, chegando a acusar os duros golpes do norte-americano por várias vezes até abandonar a luta no final do oitavo assalto, chegando assim à sua segunda derrota na carreira, contra 38 vitórias (32 por nocaute) e quatro títulos mundiais (dois na categoria super-pena e dois na leve). “El Torito”, por sua vez, garantiu a unificação dos cinturões e manteve-se invicto, ostentando um cartel de 32 vitórias, sendo seis delas em defesa de título, e nenhuma derrota.


foto: Terra

sábado, abril 28, 2007

As duas éticas de Zidane

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Henrique Moretti


Permitam-me voltar no tempo. Gostaria de ir a 9 de julho de 2006. Pense um pouco... exato! O fatídico dia da final da Copa do Mundo 2006, entre Itália e França – ou melhor, o dia da fatídica cabeçada que Zidane desferiu em Materazzi. Acalme-se, você, que não gosta de futebol. Não é este o assunto que quero tratar aqui. A pauta neste texto é ética, longe do sensacionalismo com que a imprensa brasileira tratou do ocorrido em Berlim. Sim, ética... você pode se estar perguntando agora: “como?”.

Tudo se explica: quase dez meses depois do grande evento disputada na Alemanha, tento tocar aqui num assunto pouco comentado nos dias seguintes àquele 09/07. Três dias depois da final, Zinedine Zidane concedeu entrevista à emissora francesa de TV Canal Plus, com o intuito de explicar o, talvez, inexplicável. A frase do craque que resume aquela conversa foi a seguinte: “Desculpo-me pelas crianças que viram a cena, mas não posso lamentar meu gesto porque isso mostraria que ele (Materazzi) teve razão ao dizer tudo aquilo”. Ou seja, Zidane tem duas éticas. Isso pode parecer estranho. É possível alguém seguir duas doutrinas diferentes?

Segundo a definição, ética (palavra originada diretamente do latim ethica, e indiretamente do grego Ηθική, ethiké) é um ramo da filosfia que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Teoricamente, portanto, só é possível cada ser humano ter sua própria, e única, ética. Na “vida real”, entretanto, o que Zidane declarou é plausível e, indo além, parece ser até correto, analisando o caso, porque ele consegue pedir desculpas pela agressão frente às crianças, que o tem como exemplo (cabe aqui a explicação de que o francês sempre teve um comportamento polido, sendo considerado um gentleman dos gramados, além de ser um dos maiores jogadores dos últimos tempos), e, ao mesmo tempo, pode continuar recriminando a atitude de Materazzi, que o teria ofendido e até realizado ofensas racistas – descendente de argelinos, Zidane é muçulmano.

Parece bem provável, seguindo a linha de raciocínio, que Zizou abriu mão de um encerramento de carreira épico dentro de campo para realizar um fecho histórico fora dele. Em outras palavras, o craque mostrou que a consagração de levantar a taça de sua segunda Copa do Mundo de nada vale se contrabalanceada com a manutenção de seus princípios e de sua honra. Mais: o francês atacou a idéia corrente no futebol de que xingamentos e ofensas são normais.

Para encerrar, talvez eu esteja sendo romântico demais, porém não consigo deixar de pensar que, se Zidane tivesse deixado passar o lance com Materazzi - seja lá o que o italiano disse -, não estaríamos aqui hoje discutindo essa porção de assuntos interessantes. Sendo assim: obrigado, Zizou.


Foto: UOL

Publicado originalmente no blog Sardinha em Lata, projeto experimental de filosofia do 1º JoC - Faculdade Cásper Líbero: www.sardinhaemlata.blogspot.com