sexta-feira, junho 29, 2007

A temporada do "Calciocaos"

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Henrique Moretti

A temporada que terminou recentemente na Itália foi considerada por muitos como a pior de todos os tempos. A razão tem muito a ver com o chamado “Calciocaos”, escândalo de manipulação de resultados que envolveu dirigentes, árbitros e até jogadores. A partir dele, a tradicional Juventus acabou rebaixada à Série B pela primeira vez em sua história. De quebra, ainda perdeu os títulos nacionais de 2006 (dado a Internazionale) e 2005 (que ficou sem dono). Seu diretor-geral, Luciano Moggi, envolvido dos pés à cabeça com o esquema, acabou demitido, e inclusive o técnico campeão do mundo pela Azzurra, Marcello Lippi, foi acusado de ilegalidades. A crise, comparada à de 1980, o “Totonero”, que na época afastou dos gramados jogadores como Paolo Rossi, ameaçou a participação do goleiro Buffon na Copa 2006, e dela afastou o árbitro indicado pela Federação Italiana, Massimo de Santis.

Outros grandes da Série A, Milan, Fiorentina e Lazio, acabaram punidos com perda de pontos, o que aumentou ainda mais o desnível da competição, dominada do início ao fim pela Inter. A equipe de Milão se sagrou campeã com 5 rodadas de antecedência e 22 pontos de vantagem sobre a Roma, segunda colocada. A artilharia ficou com o meia-atacante Totti, autor de 26 gols e que ainda ficou com a Chuteira de Ouro européia. As outras vagas na Uefa Champions League ficaram com Lazio e Milan, enquanto Palermo, Fiorentina e Empoli vão disputar a próxima Copa da Uefa. Chievo, Ascoli e Messina foram rebaixados.

Ainda em decorrência da queda da “Velha Senhora”, o pais tetracampeão do mundo perdeu alguns de seus destaques, como Cannavaro, Thuram e Zambrotta, que foram para o futebol espanhol. Para aumentar ainda mais o desinteresse pela competição, comprovado pela baixíssima média de público, a menor dos últimos 10 anos, brigas entre torcidas aconteceram. A do clássico siciliano entre Catania e Palermo, por exemplo, resultou na morte do policial Filippo Raciti e em paralisação temporária do campeonato.

Em contra-partida, a Série B italiana teve provavelmente sua melhor edição da história. A Juventus, mesmo iniciando a competição com 9 pontos negativos, conseguiu uma brilhante escalada e subiu com sobras, dirigida pelo francês Didier Deschamps. Outras duas tradicionais equipes voltaram à elite, Napoli e Genoa, prometendo uma Série A 2007/08 eletrizante, bem superior ao campeonato manchado que acabou no fim de maio.

Se na Primeirona a Inter conseguiu acabar com seu jejum de 18 anos sem títulos (no campo), na Copa Itália o domínio da equipe de Milão acabou. Atuais bicampeões, os comandados de Roberto Mancini não conseguiram segurar o ímpeto da Roma, que já havia eliminado o poderoso Milan nas semifinais. Na decisão, o time da capital aplicou um incrível 6 a 2 na partida de ida. Em San Siro, os 2 a 1 da Inter não foram suficientes, e só serviram para tirar a invencibilidade dos romanistas na competição, que conseguiram erguer seu sétimo título da Copa Itália. A Juventus é a maior campeã do mata-mata nacional, com 9 conquistas.

quinta-feira, junho 21, 2007

Riquelme, o Boca e o Grêmio

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Henrique Moretti

Mesmo sem ser brilhante, o Club Atlético Boca Juniors é, pela sexta vez, o grande campeão da Libertadores da América. Agora, em número de títulos na competição, o Boca só está atrás do rival Independiente, que tem uma conquista a mais. Contando com a inspiração do meia Juan Roman Riquelme, este sim, com lampejos de brilhantismos, a equipe xeneize aplicou, no placar agregado, 5 a 0 sobre o Grêmio. Em todos os gols, direta ou indiretamente, houve a participação do camisa 10, fazendo parecer bem investidos os cerca de 2 milhões de dólares que a diretoria argentina gastou para trazê-lo por esses 6 últimos meses.

No jogo da última quarta-feira, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, a equipe gaúcha não pôs em prática, em nenhum momento, a pressão que se esperava dela. Por sua vez, o Boca soube cadenciar o jogo e levar a partida de forma morna, tendo sua meta ameaçada por duas vezes, com Diego Souza e Schiavi, que acertaram a trave do goleiro Caranta.

Os argentinos souberam também decidir a partida. Aos 23 minutos do segundo tempo, Riquelme aprontou das suas em lance que parecia despretensioso, acertando um tirombaço do bico da grande área no ângulo de Saja, que nada pôde fazer. Com o Grêmio já atordoado, e indo à frente de maneira desordenada, o meia ainda aproveitou para fazer o segundo. Aos 36 minutos, ele puxou contra-ataque e serviu Palacio, que chutou. Saja defendeu com o pé e a bola sobrou para o jogador vinculado ao Villarreal, que apenas completou para o gol livre. Em seguida, os argentinos ainda tiveram a chance de repetir o placar de La Bombonera, quando o ex-boquense Schiavi agarrou Palermo acintosamente na grande área. Pênalti que o próprio atacante bateu, e perdeu, chutando pra fora.

Ao fim, palmas para a torcida gremista, que não deixou de apoiar o time durante os 90 minutos, inclusive após o término da partida, reconhecendo os esforços da equipe, que há dois anos começava sua caminhada na Série B do Brasileirão. Pelo lado azul e ouro, o Boca ultrapassou o Milan, seu possível adversário no Mundial de Clubes do fim do ano, sendo agora o maior detentor de títulos internacionais no planeta. Quanto a Riquelme, ele aceitou convite para voltar a defender a seleção Argentina e vai disputar a Copa América, voltando, posteriormente, ao futebol europeu.


foto: UOL

sexta-feira, maio 25, 2007

Santos, Grêmio, Cúcuta e Boca disputam as semifinais da Libertadores

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Henrique Moretti

A Taça Libertadores da América chega à fase semifinal com uma grande surpresa colombiana, um supercampeão argentino e duas tradicionais equipes brasileiras.

A surpresa diz respeito ao Cúcuta Deportivo, que fez cair mais um favorito, o Nacional, tri-campeão da competição. Os cafeteros se aproveitaram da vantagem obtida na partida de ida, quando venceram por 2 a 0, para se classificar. No jogo da última terça-feira, no Centenário, os uruguaios estiveram na frente do placar por duas vezes, mas não conseguiram sair de um empate por 2 a 2. O último gol foi marcado por Pajoy, já nos acréscimos.

Agora o Cúcuta, para continuar sonhando em ser o terceiro time colombiano campeão da Libertadores, precisa bater o pentacampeão Boca Juniors, que foi buscar sua vaga no estádio Defensores del Chaco. Enfrentando a boa equipe do Libertad, o Boca conseguiu reverter a vantagem dos paraguaios, que haviam conquistado um bom empate por 1 a 1 na Bombonera. A classificação foi garantida com gols de Riquelme, em grande jogada individual, e de Palacio, após cobrança de escanteio.

O novo regulamento da competição, que não permite duas equipes de um mesmo país na finalíssima, acabou antecipando um confronto brasileiro para as semifinais. O Grêmio conseguiu mais uma de suas façanhas na quarta-feira, ao repetir, em Porto Alegre, o placar da primeira partida frente ao Defensor: 2 a 0.Sem Diego Souza, expulso em Montevidéu, e Lucas, ainda no departamento médico, o Tricolor gaúcho sufocou os uruguaios desde o início da partida, construindo o placar já no primeiro tempo, com gols do meia Tcheco e do zagueiro Teco. Na segunda etapa, a equipe desperdiçou boas chances de marcar e perdeu Amoroso, expulso após agressão. O uruguaio Pereira ainda carimbou o travessão de Saja antes de a decisão seguir rumo aos pênaltis, em que os gremistas se aproveitaram de dois erros do Defensor para vencer por 4 a 2.

O adversário dos gaúchos, o Santos, teve dificuldades para passar pelo time reserva do América, que, assim como no empate sem gols da partida de ida, focava suas atenções na fase decisiva do Campeonato Mexicano. Contando com apenas 3 suplentes, o América segurou a pressão inicial santista e marcou em contra-ataque, por meio do argentino Bilos. O time da Vila Belmiro veio para o segundo tempo com três atacantes, e a mudança deu resultado, com a virada acontecendo em 26 minutos. Marcaram Jonas, que havia errado no gol mexicano, e Rodrigo Souto, que anotou pela primeira vez com a camisa alvinegra.

Os confrontos semifinais da Libertadores ocorrem nos próximos dias 30 e 31 de maio. As partidas de ida serão em Porto Alegre, no Olímpico Monumental, e em Cúcuta, no Genereal Santander.

terça-feira, maio 22, 2007

Quem segura Casey Stoner?

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Henrique Moretti

No último fim de semana ocorreu a quinta etapa da temporada 2007 de MotoGP. Na corrida disputada em Le Mans, na França, melhor para o australiano Chris Vermeulen, da Suzuki, que conseguiu a primeira vitória na carreira – e a primeira da equipe desde 2001. Entretanto, vencedor mesmo foi outro australiano, Casey Stoner, da Ducati Marlboro, atual líder do campeonato que terminou em terceiro lugar, em boa prova de recuperação.

Stoner é a grande surpresa do campeonato. Oitavo lugar no ano passado, quando estreava na MotoGP guiando uma LCR Honda, o piloto de 21 anos resolveu apostar para 2007 na ascendente Ducati, escuderia que sempre contou com um ótimo motor, mas de baixa confiabilidade. E deu certo. A equipe continua em evolução e Stoner venceu três das cinco primeiras corridas deste ano, liderando o campeonato com 21 pontos de vantagem para o supercampeão italiano Valentino Rossi.

O atual campeão da principal categoria do motociclismo mundial é o norte-americano Nicky Hayden, que vive mau momento e é apenas o 11º colocado da tabela. Na pista escorregadia de Le Mans, o garoto de Kentucky perdeu o controle de sua Repsol Honda nas voltas finais, quando detinha a quarta colocação. Os atuais resultados de Hayden dão ainda mais desconfiança à conquista de 2006, que pareceu ser fruto da irregularidade da Yamaha de Rossi e do incrível erro do italiano na última corrida, quando ele caiu na pista seca de Valencia, perdendo assim a vantagem de 8 pontos que ostentava até então.

Nesta temporada, o problema de Rossi são os pneus Michelin, que vêm mostrando um rendimento bem inferior aos Bridgestone usados por Stoner. Com o temporal despejado no GP da França, a diferença entre os dois aumentou ainda mais, e o italiano nada pôde fazer senão terminar num modesto sexto lugar. O brasileiro Alexandre Barros, da equipe secundária da Ducati (a Pramac d’antin), vinha bem enquanto o traçado esteve seco, porém também perdeu rendimento na chuva e acabou abandonando a corrida.


foto: www.caseystoner.com.au

sexta-feira, maio 11, 2007

Definidos os confrontos de quartas-de-final da Taça Libertadores da América

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Henrique Moretti

A decisiva rodada de volta das oitavas foi disputada no último meio de semana. Na terça-feira, o Colo-Colo bateu o América do México, em Assunção, por 2 a 1, mas o resultado de nada adiantou, já que os mexicanos haviam vencido por 3 a 0 o jogo de ida, no estádio Azteca. O América, que não conta mais com o veterano meia Blanco, transferido ao futebol dos EUA, agora enfrenta o Santos, que teve mais dificuldades que o esperado para passar pelos venezuelanos do Caracas, na Vila Belmiro.

Outra equipe que ganhou mas não levou foi o Toluca, também do México. Os 2 a 0 aplicados diante do Cúcuta Deportivo, no estádio Miguel Hidalgo, não foram suficientes para reverter a vantagem dos colombianos, que podiam perder por até 3 gols de diferença. Assim, o Cúcuta, grande zebra da Libertadores até aqui, terá pela frente o tradicional Nacional, tricampeão da competição, que bateu o Necaxa em plena Cidade do México. Os uruguaios devem a classificação ao goleiro Buruazza, que salvou a equipe em várias oportunidades. A vitória veio aos 43 minutos do segundo tempo, quando Martinez fez o único gol da partida, mas nem era necessário, pois o 0 a 0 bastava para a classificação.

No clássico argentino da rodada, o Boca Juniors, penta-campeão da Libertadores, fez valer a vantagem adquirida na partida de ida, quando bateu o Vélez Sarsfield na Bombonera por 3 a 0. Jogando no José Almafitani, o Vélez até conseguiu assustar os xeneizes, que jogaram a maior parte do jogo com 1 jogador a menos, porém a vitória por 3 a 1 não foi suficiente. A equipe de Riquelme, autor de um gol olímpico na partida, agora enfrenta o Libertad, que empatou com o Paraná Clube por 1 a 1, no Defensores del Chaco, e acabou beneficiado pela vitória na partida de ida. A equipe paraguaia, semifinalista da Libertadores 2006, abriu o placar logo no início do primeiro tempo, em falha do goleiro Flávio, e conseguiu se segurar no segundo, sofrendo o gol de empate paranista, de Joelson, já bem perto do apito final.

O jogo mais esperado para os brasileiros aconteceu na noite de quarta-feira, envolvendo São Paulo e Grêmio num estádio Olímpico abarrotado. Com poucas chances de gol criadas, quem se saiu melhor foi o Tricolor Gaúcho, que confirmou a fama de “copeiro” e se classificou ao vencer por 2 a 0, gols dos meias Tcheco, que recentemente acendeu polêmica com os são-paulinos, e Diego Souza, revelado no Fluminense e que já havia sido destaque na partida disputada no Morumbi.

A chance de novo confronto canarinho nas quartas-de-final não se concretizou por causa do Defensor, do Uruguai, que conseguiu segurar o Flamengo e seus 57 mil torcedores que lotaram o Maracanã. Os rubro-negros ganharam por 2 a 0, gols de um inspirado meia Renato, mas precisavam de mais 1 gol para levar a decisão aos pênaltis. Os uruguaios ainda assustaram no fim da partida em contra-ataques, obrigando o goleiro Bruno a praticar grandes defesas.

Os confrontos de quartas-de-final da Libertadores já se iniciam na próxima semana, com as partidas de ida acontecendo nos dias 15, 16 e 17 de maio.

quinta-feira, maio 10, 2007

Quando o colunista queima a língua

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Henrique Moretti

Resolvi fazer do título deste post uma referência à coluna anterior, na qual Vanderlei Luxemburgo foi duramente criticado pelas dispensas de Pedro e Rodrigo Tiuí. É claro que não me arrependo e continuo pensando que os dois farão falta na fase decisiva da Libertadores, bem como na disputa simultânea do Campeonato Brasileiro.

Porém, tendo em pauta o segundo jogo da final do Campeonato Paulista, disputada no último domingo, o treinador santista merece todos os elogios. Primeiro, por iniciar a partida numa formação ultra-ofensiva, com Pedrinho, Jonas e Marcos Aurélio juntos, e com apenas um volante de origem, Rodrigo Souto, empurrando o chileno Maldonado para fazer as vezes de lateral-direito “europeu” (ou seja, um zagueiro por esse lado do campo). Segundo, por ter lançado mão do atacante Moraes, de 20 anos, filho e irmão de ex-santistas (os também dianteiros Aluísio e Bruno Moraes), na metade do primeiro tempo, o que culminou no cabeceio certeiro do jovem cuja presença no banco de reservas, no jogo de ida, havia sido considerada um erro, por parte deste blogueiro.

Pelos lados do Azulão, aponto o principal erro de Dorival Júnior: acreditar que uma formação que deu certo na primeira partida (ler “Desfalque que faz bem”) pudesse causar o mesmo efeito quando composta por jogadores diferentes - os que voltavam de suspensão. Trocando em miúdos, Dorival fez a equipe jogar novamente com Luiz Alberto de terceiro zagueiro, empurrando Glaydson à direita do meio-campo e Canindé à esquerda. Entretanto, o ex-santista não tem a capacidade de marcação que Ademir Sopa demonstrou naqueles 2 a 0, sobrecarregando assim o meia Douglas, que não conseguiu espaço para armar o time e fazer a bola chegar aos atacantes. Ao mesmo tempo, Glaydson não conseguiu repetir a boa atuação que Galiardo teve no setor.

Somando-se isso à péssima partida de Canindé também no âmbito ofensivo, o resultado não poderia ser outro, mesmo por que quando Dorival percebeu a falha e tentou copiar o esquema vitorioso do dia 29, colocando Sopa e Galiardo, o destino da partida já estava selado.

Para finalizar, parabéns a Vanderlei, a Moraes, e principalmente ao Santos, que desbancou o “provável” campeão São Caetano, em outra citação da coluna da discórdia. Como ainda não sou ninguém no mundo do jornalismo esportivo, reconheço aqui quando queimo a língua, e o mesmo desejo fazer quando obtiver meu espaço (que, obviamente, sonho em conquistar), afinal, dificilmente um jornalista estará a salvo de “barrigadas”.

sábado, maio 05, 2007

Quando a vaidade entra em campo

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Henrique Moretti

Rodrigo Tiuí está longe de ser um craque. O atacante, de 22 anos, nunca conseguiu se firmar no Fluminense, clube que o revelou, e chamou a atenção do Santos, de Vanderlei Luxemburgo, após ter destaque no Paulistão 2006, atuando pelo Noroeste. Sua estada no time da Vila Belmiro, no mesmo ano, nunca agradou 100% à torcida. No entanto, Tiuí vinha tendo um bom desempenho nesta temporada, assumindo a titularidade no rápido ataque santista, ao lado de Marcos Aurélio.

Pedro, por sua vez, também nunca foi uma unanimidade. Tachado como boa promessa das categorias de base do Palmeiras, o lateral-direito, de 26 anos, acabou saindo queimado na péssima fase do alviverde, à época na Série B do Brasileirão. Ainda chegou a ser emprestado ao Vitória, retornando ao Parque Antártica e sendo dispensado em setembro passado. Foi contratado pelo Santos no início deste ano cercado de grande desconfiança, mas comprovou ser muito útil no decorrer do Campeonato Paulista, aproveitando-se da lesão de Denis, que era o titular da posição.

Apesar de todo esse destaque obtido ao decorrer da corrente temporada, Rodrigo Tiuí e Pedro não fazem mais parte do elenco do Santos. E pelo mesmo motivo: desavenças envolvendo o técnico Vanderlei Luxemburgo e Theodoro Fonseca, empresário dos atletas: segundo estes, o treinador afirmou que só os manteria no elenco se trocassem a assessoria de Theodoro pela de Ângelo Pimentel, procurador do também santista Rodrigo Tabata.

Para piorar, toda essa crise foi criada quando a equipe da Baixada começava a entrar na fase final da Taça Libertadores e a decidir o Campeonato Paulista. A situação do ataque santista ficou tão crítica que, na primeira partida da final contra o São Caetano, Luxa ficou sem opções, utilizando para o banco de reservas Moraes, que disputou apenas duas partidas com a camisa alvinegra. Para a lateral-direita a situação é tão ruim quanto, uma vez que Denis lesionou o joelho diante do Caracas, da Venezuela, em encontro válido pelas oitavas de final da competição sul-americana, e ficará de fora dos gramados até o final do ano. A opção, nesse setor, foi improvisar o jovem volante Dionísio.

Ao colocar suas desavenças com o empresário de Pedro e Tiuí acima, em grau de importância, das necessidades da equipe, o renomado Vanderlei Luxemburgo acabou prejudicando a equipe do Santos. A dispensa dos jogadores, como já comentado, pode ter interferido na provável conquista do Paulistão pelo São Caetano, e agora Luxa ficará sem eles nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, em que um elenco mais numeroso seria de vital importância para uma boa conciliação com o “mata-mata” da Libertadores.

Vale lembrar que não é a primeira vez que o treinador se desentende com atletas em momentos importantes – pelo Corinthians, brigou com Marcelinho Carioca às vésperas da final da Copa do Brasil 2001, perdida para o Grêmio. Também não é algo inédito se suspeitar do envolvimento de Luxemburgo com empresários – em 2006 vários jogadores do modesto Iraty, equipe de seu amigo Juan Figer, foram trazidos para a Vila Belmiro. Assim, fica a impressão, pelos lados da Baixada Santista, de que a vaidade de Vanderlei Luxemburgo entrou em campo, prevalecendo. E, nesse caso, quem perde não é outro senão o próprio Santos.


foto: AS

quarta-feira, maio 02, 2007

Desfalque que faz bem

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Henrique Moretti

Posso até estar sendo radical, mas no intervalo, ao fim e no decorrer da decisão do Campeonato Paulista, entre São Caetano e Santos, não consegui deixar de pensar que o desfalque de Canindé para o time do ABC não estava sendo sentido. E mais, a entrada de Ademir Sopa em seu lugar foi providencial para o placar ser construído do modo com que foi: um 2 a 0 sem grandes sustos.

Imaginar que um suposto desfalque acabou se tornando um trunfo de uma equipe qualquer, ainda mais quando a ausência refere-se a um dos principais jogadores do time parece de difícil aceitação, porém a entrada de Sopa deu um poder de marcação ao São Caetano a tal ponto que o assemelhou ao sistema defensivo montado pelo Bragantino, nas semifinais, contra o próprio Santos. Sistema esse que impediu o melhor ataque do campeonato de marcar, em 180 minutos jogados.

Analisando taticamente, o Azulão do técnico Dorival Júnior se caracterizou no Paulistão por atuar em um 4-4-2 “quadrado”, que contava sempre com dois volantes (Glaydson e Luís Alberto) e dois meias (Douglas e Canindé). Este, ex-jogador do próprio Santos, chegava ao ataque em alguns momentos como um terceiro atacante, enquanto Douglas, ex-Criciúma, fazia as vezes de um autêntico “camisa 10”, organizando a maioria das jogadas da equipe. Na parte defensiva, Thiago e Maurício se mostraram uma dupla segura, enquanto Paulo Sérgio é um lateral-direito que não compromete e não se lança muito ao ataque, deixando essa tarefa para o companheiro da esquerda, Triguinho, tecnicamente superior. O ataque, formado pelo rápido Luiz Henrique e a referência de área Somália, bem como a meta, defendida por um Luiz Silva que cresceu muito durante a competição, não mudaram.

Então, qual foi a transformação notada com a entrada de Sopa? A explicação: o jogador que se destacou na Série B 2006 pelo Avaí atuando de meia, entrou nesse domingo mais recuado, atuando como um terceiro volante pelo lado esquerdo, enquanto Galiardo (outro que substituía um desfalque, dessa vez de Glaydson) não comprometia mais à direita. No centro, atuando como um terceiro zagueiro do esquema do Bragantino, Luís Alberto.

Foi assim que Marcelo Veiga parou o Santos. E assim também que Dorival Júnior fez mais ainda. A diferença? Enquanto o primeiro contou com uma grande disposição em um time tecnicamente limitado, o segundo tem material humano em mãos para agredir o Santos, especialmente nos contra-ataques.

Para a segunda partida, parecem bem prováveis as entradas de Glaydson e de Canindé, o personagem desta coluna. Nada mais justo: com uma boa vantagem já construída, o ex-santista será importantíssimo em suas escapadas pela esquerda do gramado. Ao mesmo tempo, Ademir Sopa talvez nem precise comparecer ao estádio do Morumbi no próximo fim-de-semana, às 4h da tarde. Afinal, o volante-meia já fez sua parte.


(1)Canindé na segunda semifinal contra o São Paulo: foto FOLHA
(2)Ademir Sopa na marcação de Rodrigo Tabata: foto REUTERS

terça-feira, maio 01, 2007

Super tira-teima entre Federer e Nadal

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Henrique Moretti


De um lado da quadra o Rei da Grama, o suíço Roger Federer. Do outro lado o Rei do Saibro, o espanhol Rafael Nadal. Até aí nada de mais. Entretanto, acredite você, essa tal quadra não é comum, sendo que um lado dela será de relva e o outro de terra batida.

Em iniciativa histórica, a agência publicitária Del Campo Saatchi & Saatchi convidou os dois maiores tenistas da atualidade para uma partida com dois tipos de pisos diferentes, a ser realizada em ginásio coberto para 7 mil pessoas em Palma de Mallorca, na Espanha. O grande duelo já tem até nome: “batalha das superfícies”.

Roger Federer, 25 anos, é atual tetracampeão de Wimbledon, o Grand Slam da grama, além de já ter conquistado outros quatro títulos nesse tipo de piso, todos em Halle. Está invicto a 48 partidas na relva e lidera o ranking de entradas da ATP desde 2004. Ostenta 47 títulos na carreira e o recorde no número de Masters Series conquistados (12). É também o atual tricampeão do US Open e bicampeão do Australian Open, disputados em superfície sintética. Já venceu 10 Grand Slams, marca só menor que a do norte-americano Pete Sampras, considerado por muitos o maior tenista da história até o surgimento do suíço, que possui 14 títulos desse escalão. Na terra batida, foi vice-campeão de Roland Garros em 2006, perdendo a final para Rafa.

Rafael Nadal, 20 anos, é atual bicampeão de Roland Garros, o Grand Slam do saibro, além de já ter conquistado outros 13 títulos nessa superfície, sendo cinco Masters Series (Monte Carlo, três vezes, e Roma, duas). Ostenta outras três conquistas desse porte, em piso rápido, e é o atual líder da Corrida dos Campeões da ATP, ranking que só leva em conta os resultados da temporada corrente, à frente justamente de Federer. Na grama, foi vice-campeão de Wimbledon em 2006, sendo derrotado na final pelo próprio suíço.

No confronto direto a vantagem é de Nadal, que venceu sete dos dez duelos realizados até aqui. Desses, metade foram realizados no saibro, todos vencidos pelo espanhol, incluindo o mais recente, em Monte Carlo, há duas semanas (duplo 6-4). Na grama, um confronto até aqui disputado, com vitória de Federer na final de Wimbledon (6-0 7-6(5) 6-7(2) 6-3). Os outros quatro embates aconteceram em piso duro.

Com o atrativo de juntar os dois maiores tenistas da atualidade nas quadras em que obtêm seus melhores resultados e são considerados imbatíveis, a “Batalha das superfícies” tem tudo para ser um grande evento, que chamará muito a atenção no mundo do tênis. A partida será disputada em melhor de três sets, com os jogadores trocando de calçados durante as trocas de lado – para se jogar na grama são usados tênis especiais, com pequenas travas. A transmissão está garantida por parte do canal pago SPORTV, que a anuncia, ao vivo, para a próxima quarta-feira, dia 2, às 11 horas.

Nadal terá a vantagem de jogar em casa, já que reside e nasceu na região de Palma de Mallorca. Sendo assim, que seja dada a “largada” para o histórico jogo. Façam suas apostas. Quem vence o super tira-teima entre o número 1 e o número 2 do mundo?


Imagem: cartaz promocional do evento
Foto da quadra mista: Terra

domingo, abril 29, 2007

Popó cai pela segunda vez

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Henrique Moretti

Acelino “Popó” Freitas acenou com a aposentadoria. Mais: acabou decretando-a há pouco tempo. Resolveu voltar aos ringues pelo sonho de poder disputar o cinturão do Conselho Mundial de Boxe (CMB). Porém, na no primeiro desafio que poderia lhe render o direito de lutar pelo sonhado título, o pugilista peso-leve falhou e perdeu a chance de realizar novamente uma unificação – campeão pela Organização Mundial de Boxe (OMB), enfrentou o mexicano naturalizado norte-americano Juan Diaz, detentor do cinturão pela Associação Mundial de Boxe (AMB).

O baiano, que não lutava há praticamente um ano, desde que recuperou o cinturão da OMB batendo Zahir Raheem por pontos, pareceu sentir a falta de ritmo e a juventude do adversário, 9 anos mais jovem. Pior: a estratégia ofensiva de Diaz, conhecido por “El Torito”, surpreendeu Popó, que esperava um combatente mais cauteloso, pelo menos nos primeiros assaltos. Essa estratégia “suicida” do norte-americano lembrou a adotada por Diego Corrales, até então único boxeador a bater Popó na luta que tirou do brasileiro o título dos leves pela OMB em 2004, após nocaute técnico.

Nesse sábado, Acelino Freitas foi totalmente dominado por Juan Diaz, chegando a acusar os duros golpes do norte-americano por várias vezes até abandonar a luta no final do oitavo assalto, chegando assim à sua segunda derrota na carreira, contra 38 vitórias (32 por nocaute) e quatro títulos mundiais (dois na categoria super-pena e dois na leve). “El Torito”, por sua vez, garantiu a unificação dos cinturões e manteve-se invicto, ostentando um cartel de 32 vitórias, sendo seis delas em defesa de título, e nenhuma derrota.


foto: Terra

sábado, abril 28, 2007

As duas éticas de Zidane

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Henrique Moretti


Permitam-me voltar no tempo. Gostaria de ir a 9 de julho de 2006. Pense um pouco... exato! O fatídico dia da final da Copa do Mundo 2006, entre Itália e França – ou melhor, o dia da fatídica cabeçada que Zidane desferiu em Materazzi. Acalme-se, você, que não gosta de futebol. Não é este o assunto que quero tratar aqui. A pauta neste texto é ética, longe do sensacionalismo com que a imprensa brasileira tratou do ocorrido em Berlim. Sim, ética... você pode se estar perguntando agora: “como?”.

Tudo se explica: quase dez meses depois do grande evento disputada na Alemanha, tento tocar aqui num assunto pouco comentado nos dias seguintes àquele 09/07. Três dias depois da final, Zinedine Zidane concedeu entrevista à emissora francesa de TV Canal Plus, com o intuito de explicar o, talvez, inexplicável. A frase do craque que resume aquela conversa foi a seguinte: “Desculpo-me pelas crianças que viram a cena, mas não posso lamentar meu gesto porque isso mostraria que ele (Materazzi) teve razão ao dizer tudo aquilo”. Ou seja, Zidane tem duas éticas. Isso pode parecer estranho. É possível alguém seguir duas doutrinas diferentes?

Segundo a definição, ética (palavra originada diretamente do latim ethica, e indiretamente do grego Ηθική, ethiké) é um ramo da filosfia que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Teoricamente, portanto, só é possível cada ser humano ter sua própria, e única, ética. Na “vida real”, entretanto, o que Zidane declarou é plausível e, indo além, parece ser até correto, analisando o caso, porque ele consegue pedir desculpas pela agressão frente às crianças, que o tem como exemplo (cabe aqui a explicação de que o francês sempre teve um comportamento polido, sendo considerado um gentleman dos gramados, além de ser um dos maiores jogadores dos últimos tempos), e, ao mesmo tempo, pode continuar recriminando a atitude de Materazzi, que o teria ofendido e até realizado ofensas racistas – descendente de argelinos, Zidane é muçulmano.

Parece bem provável, seguindo a linha de raciocínio, que Zizou abriu mão de um encerramento de carreira épico dentro de campo para realizar um fecho histórico fora dele. Em outras palavras, o craque mostrou que a consagração de levantar a taça de sua segunda Copa do Mundo de nada vale se contrabalanceada com a manutenção de seus princípios e de sua honra. Mais: o francês atacou a idéia corrente no futebol de que xingamentos e ofensas são normais.

Para encerrar, talvez eu esteja sendo romântico demais, porém não consigo deixar de pensar que, se Zidane tivesse deixado passar o lance com Materazzi - seja lá o que o italiano disse -, não estaríamos aqui hoje discutindo essa porção de assuntos interessantes. Sendo assim: obrigado, Zizou.


Foto: UOL

Publicado originalmente no blog Sardinha em Lata, projeto experimental de filosofia do 1º JoC - Faculdade Cásper Líbero: www.sardinhaemlata.blogspot.com

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Beckham na América

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Henrique Moretti

O mercado de inverno europeu – que se encerra no fim de Janeiro – está mais movimentado que de costume nesta temporada, com contratações milionárias como as dos argentinos Gago e Higuaín pelo Real Madrid, que ainda trouxe o brasileiro Marcelo; houve ainda a chegada da revelação chilena Matías Fernández ao Villareal e o empréstimo de três meses conseguido pelo Manchester para ter o bom sueco Larsson, entre outras aquisições. Entretanto, o que mais chama a atenção não é uma assinatura de contrato, e sim o anúncio de que o meia David Beckham jogará nos Los Angeles Galaxy, da liga norte-americana, a partir de agosto, após o término de seu compromisso com o Real Madrid.

Sem espaço no clube merengue desde que o técnico Fabio Capello foi contratado, Beckham foi titular em apenas cinco partidas na Liga Espanhola, e procurou, segundo especulações, uma transferência para a Inter de Milão, pois agradava à sua esposa Victoria Adams a possiblidade de se viver na "capital da moda". Com a negativa do clube de San Siro, apareceu a oportunidade de jogar nos EUA, onde inclusive ele já possui uma escola de futebol. Na seleção inglesa o meia também não vinha obtendo sucesso, sendo que depois da eliminação frente a Portugal na Copa do Mundo nunca mais fora convocado.

Estima-se que o “Spyce Boy” receberá algo em torno de U$1 milhão por semana para jogar em Los Angeles, na soma de salários, acordos comercias e demais rendimentos. Mas a transferência não tem motivos financeiros, garante o jogador, e é explicada pelo grande desafio de alavancar o futebol nos Estados Unidos.

O inglês é a contratação de maior impacto da história da Major League Soccer, a liga de futebol americana, que já abrigou jogadores como Djorkaeff, Valderrama e Stoichkov, e "é o único indivíduo capaz de construir a 'ponte' entre o futebol nos Estados Unidos e no resto do mundo", conforme afirmou Timothy Leiweke, presidente da empresa proprietária do LA Galaxy.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Com gol no fim, Brasil sub-20 passa pelo Peru

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Henrique Moretti


Apresentando um futebol bem abaixo do esperado, a Seleção Brasileira sub-20 ganhou do Peru em sua segunda partida no Campeonato Sul-Americano, disputado no Paraguai.

A partida realizada na noite desta terça-feira foi apenas morna, que começou com o Brasil esboçando um bom início, em belo passe de Leandro Lima para o gremista Lucas, aniversariante do dia, abrir o placar. Após o gol, entretanto, a equipe se acomodou e permitiu o empate peruano, que veio com o meia Ismodes, em falha da zaga brasileira.

Na segunda etapa, assim como no jogo anterior, o técnico Nelson Rodrigues providenciou a entrada de Alexandre Pato, a fim de melhorar o ataque até então formado pelos inoperantes Edgar, do Joinvile, e Fabiano Oliveira, do Flamengo. Ainda assim, o escrete canarinho não melhorou, e só não sofreu o gol da virada porque o volante Roberto impediu-o sobre a marca do pênalti, em chute do mesmo Ismodes.

Com fracas atuações do lateral-direito Amaral e do meia Wilian, o Brasil não criava oportunidades, mas aos 45 minutos, quando a partida já se encaminhava para o empate, Carlinhos fez cruzamento despretensioso, a zaga peruana furou e a bola sobrou livre para o segundo gol de Lucas.

Ao conquistar mais três pontos na Chave A, os brasileiros praticamente já garantiram uma das três vagas para o hexagonal final: têm 6, contra 4 dos vice-líderes paraguaios; o Peru, que estreava na competição, fica com 0.

domingo, janeiro 07, 2007

Brasil estréia bem no Sul-Americano sub-20

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Henrique Moretti

Mesmo com um primeiro tempo ruim, a Seleção Brasileira sub-20 bateu o Chile, neste domingo, em sua estréia no Campeonato Sul-Americano da categoria, realizado no Paraguai. A competição deste ano oferece duas vagas aos Jogos Olímpicos de Pequim, já que o Torneio Pré-Olímpico não será realizado, portanto é importantíssima ao projeto brasileiro de conquista do inédito ouro. Os quatro primeiros também se qualificam para o Mundial sub-20, a ser disputado no Canadá.

Dentro das quatro linhas, o Brasil teve um início ruim, sendo dominado pela equipe chilena e sofrendo o primeiro gol em grande jogada do volante Isla; na segunda etapa, porém, o técnico Nelson Rodrigues acertou o time, e com um grande segundo tempo de Leandro Lima (foto), do São Caetano, autor de dois gols em belas jogadas individuais, e de Alexandre Pato, do Internacional, que entrou no lugar de Edgar para anotar também por duas vezes - uma delas de letra. O atacante Sánchez ainda descontou para os chilenos.

O meia corintiano Wilian e o lateral-esquerdo santista Carlinhos também se destacaram, com duas assistências cada um. Chama a atenção que eles, tal qual Lima, Pato e a maioria dos atletas dessa seleção, já estrearam nos profissionais de seus respectivos times, mostrando a rápida ascensão das categorias de base, característica do futebol nacional moderno; ainda existem atletas brasileiros que com essa idade já estão no exterior, como Denílson, do Arsenal, e Marcelo, do Real Madrid, convocadas ao sub-20, mas não liberados pelas diretorias européias.

No Sul-Americano, o Brasil encontra-se no Grupo A, ao lado de Bolívia, Paraguai e Peru, além do próprio Chile. Os três primeiros de cada grupo classificam-se para o hexagonal final, que definirá as vagas.

sábado, janeiro 06, 2007

Paulistão 2007

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Henrique Moretti

São Paulo

O Campeonato Paulista começa no próximo dia 17 com uma grande incógnita pairando sobre três dos quatro clubes grandes do estado. A exceção é o São Paulo, clube bem administrado e maior vencedor do estado nos dois últimos anos, que mantém o técnico Muricy e, apesar de perder jogadores importantes como Mineiro, Danilo e Fabão, reforçou-se convincentemente com Hugo e Jadílson. Ainda foi trazido o atacante Borges. O principal objetivo do clube em 2007 é o tetra da Libertadores.

Dos outros gigantes, o Corinthians, se realmente mantiver Nilmar, tem uma boa equipe, mesmo tendo contratado jogadores de qualidade duvidosa, como Gustavo, Daniel, Jaílson e Arce. O maior problema do alvinegro continua sendo o extra-campo, em que o racha com a MSI interfere diretamente dentro das quatro linhas.

O Santos é um dos times que realizou pior mercado até agora, ao perder 10 jogadores (alguns deles importantes, como Reinaldo e Luiz Alberto) e contratar apenas três, os zagueiros Antônio Carlos e Adaílton, além do volante Rodrigo Souto. Trabalho duro à vista para Luxemburgo, que pretende conquistar sua primeira Libertadores; à torcida santista, resta torcer para que ele não contrate novamente “o time inteiro” do Iraty.

Quanto ao Palmeiras, nada pode se afirmar com precisão, já que o início de 2007 alviverde é cheio de apostas, começando com o técnico Caio Jr., ex-Paraná. Contratados, o volante Pierre e o zagueiro Edmílson parecem não estar à altura da grandeza do clube. Além deles, vieram Leandro e Martinez, envolvidos numa boa troca com Marcinho, que não estava rendendo no Palestra Itália, e ainda o centroavante paraguaio Florentín, outro tiro no escuro. Para piorar, a briga pela presidência está fervendo, às portas da eleição.

Assim, com dois grandes focados na Libertadores, e os outros dois enfrentando problemas em suas diretorias, os times do interior podem se aproveitar, apesar de estarem longe de ostentar a força de outras épocas; nesse contexto, apresentam-se os 8 paulistas da Segundona, entre eles a Ponte Preta, que jogará a responsabilidade para seus garotos, comandados por Wanderlei Paiva; o Marília, o qual tem confiança no trio formado por Fabiano Gadelha, Wellington Amorim e Basílio; o Paulista, de Vágner Mancini, que quase conseguiu ascender à Primeirona no ano passado e espera repetir boas campanhas na nova temporada; o São Caetano, rebaixado no último Brasileirão, que tem de volta Sílvio Luiz e Somália para tentar reerguer-se.

Fora da segunda divisão nacional, o Noroeste continua com Paulo Comelli no comando da equipe e, presidido pelo empresário Damião Garcia, tem bom elenco a fim de ser pela segunda vez consecutiva a melhor equipe do interior no Paulistão; enfim, os recém-promovidos Barueri, Guaratinguetá, Sertãozinho e Rio Claro, todos estreantes na Série A-1, são outros destaques do estadual mais forte do país.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Estaduais - Sul

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Henrique Moretti

Paraná

A grande surpresa do último Brasileirão atende pelo mesmo nome do estado. O Paraná Clube terminou o ano passado numa honrosa 5ª colocação e com a vaga na “pré-libertadores” assegurada, em que enfrentará o Cobreloa, do Chile. Entretanto, o time tem revezes para a temporada que se inicia: perdeu o técnico Caio Jr., que acertou com o Palmeiras, e mais quase um time inteiro, dentre os quais os zagueiros Edmílson e Gustavo, o meia Maicossuel e o atacante Leonardo. No ano que pode ser o mais importante da história do clube de apenas 17 anos, a aposta é no instável treinador Zetti e na manutenção da política de “pés no chão”.

O Atlético-PR teve um ano atípico em 2006, chegando a brigar contra o rebaixamento em parte do último campeonato nacional. Graças à boa campanha na Copa Sul-americana, Vadão foi mantido na equipe, que tem novidades para a época como o bom e jovem lateral-direito Nei, oriundo da Ponte Preta. O futuro do atacante Dagoberto também está em pauta pelos lados do Furacão, numa negociação que já se assemelha a uma novela.

Na última Série B, o Coritiba foi o responsável pelo grande fracasso, e não conseguiu voltar à elite do futebol nacional. Para desta vez conseguir o acesso o “Coxa” aposta suas fichas no treinador Gilberto Pereira, de boas campanhas pela Adap, de Campo Mourão. Das contratações, os mais conhecidos são o meia Caíco e o bom goleiro Marcelo Bonan, ex-Santo André e Bragantino; a própria ADAP e o J. Malucelli (ex-Malutrom), de São José dos Pinhais, podem ser as surpresas do interior.


Santa Catarina

O estado cuja capital é Florianópolis é um dos que mais cresceu no cenário recente do futebol nacional. O Figueirense é seu maior representante, e vem realizando boas campanhas na Série A, ao chegar inclusive perto de uma vaga à Libertadores, no ano passado. Apesar disso, o técnico Waldemar Lemos foi demitido, trocado por Heriberto Cunha, responsável pelo acesso à primeira divisão do América-RN. O mercado realizado pela equipe por enquanto é ruim, no qual o time-base foi desfeito, ao perder jogadores como Cícero, Soares, Marquinhos Paraná e Rodrigo Souto.

Pela segunda divisão, a eterna promessa Avaí partirá para uma nova temporada de caça a uma vaga para a Série A do Brasileirão. O time da Ressacada chegou a liderar a última Segundona, porém não conseguiu se manter entre o G-4. Para piorar, perdeu o destaque Carlinhos, lateral-direito; outro representante do estado na Série B é o Criciúma, que chega com status de campeão da Terceirona, e promete voltar a fazer frente aos grandes; ainda, o Joinville é mais uma equipe tradicional do interior catarinense, e deve focar seus esforços numa boa campanha na próxima Série C, na qual não obteve sucesso em 2006.

Gaúchão 2007

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Henrique Moretti


Rio Grande do Sul

Como dito anteriormente na “carta ao leitor”, o colorado é o time brasileiro a ser batido na temporada 2007. Campeão do mundo, terá a árdua tarefa de manter seu status em elevado patamar. Para isso, mantém o técnico Abel Braga, um dos principais responsáveis pela grande temporada 2006 vivida pela equipe, e espera ficar com o zagueiro Fabiano Eller, o qual ainda não renovou contrato, estudando uma proposta do futebol francês.

O rival Grêmio também conquistou vaga à Libertadores, e mesmo perdendo nove jogadores da boa campanha realizada no último Brasileirão (entre eles os meias Rafinha e Hugo, além do atacante Rômulo), não deve fazer feio na nova época. Tuta vem para ser o camisa 9, enquanto a transferência do bom goleiro uruguaio Carini estava prestes a ser concretizada ao fechamento desta coluna; o veterano zagueiro argentino Schiavi é outra das apostas gremistas.

Com o maior foco das duas maiores potências do estado dedicado à competição sul-americana, abrem-se espaços para Juventude e outras equipes do interior gaúcho fazerem bonito na competição estadual, que tem início no dia 20 de Janeiro. Os alviverdes têm o comando de Ivo Wortmann, que trouxe três reforços empestados pelo Fluminense: Radamés, Juliano e Ulisses. Além deles, Alex Alves veio da Portuguesa para suprir a ausência do centroavante Christian, agora no Corinthians.

Outras equipes também podem se aproveitar de um possível descaso da dupla Gre-nal com a competição, e são esses o 15 de Novembro, vice-campeão gaúcho em metade dos últimos 6 campeonatos; o tradicional, embora decadente, Caxias; e o Brasil de Pelotas, detentor de boa campanha na última Série C do Brasileirão, quando chegou ao octagonal final.

Fanáticos por Copa

Depois de quase seis meses ausente, estou voltando a postar no “Fanáticos por Copa”, criado há um ano e meio e que já publicou mais de 180 postagens. Por motivos de ordem superior (estudos de quem vos escreve e ausências dos colunistas companheiros), o blog esteve desatualizado por tanto tempo, mais exatamente desde o título da Libertadores conquistado brilhantemente pelo Internacional. Coincidência ou não, é o time colorado quem ainda está em foco agora, neste momento em que estou esboçando a volta do “Fanáticos”.

Também pensei em formas para melhorar o site, e cheguei à conclusão de que textos mais curtos e objerivos serão de melhor valia de agora em diante, visando a uma melhor dinâmica para o "Fanáticos por Copa", e evitando ao leitor a tarefa - às vezes árdua - de ter de ler linhas que parecem intermináveis.

Enfim, peço desculpas aos leitores, assíduos ou não, pela falta de atualização, e espero que o site siga avante, sempre se valendo de seriedade e qualidade, contando, é claro, com a companhia de todos.


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*Henrique Moretti

sábado, agosto 19, 2006

O Grande Vendedor

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Ricardo Stabolito Junior

O futebol brasileiro é uma vitrine. Os grandes times europeus olham a vitrine, vêem os jogadores que gostam e os compram. Então, os times do Leste Europeu e do Oriente chegam e levam da vitrine o melhor do que sobrou. Depois, ainda chega o pessoal do “mundo árabe” e leva mais um ou outro. O que sobrou dessa venda em massa são os jogadores que assistimos no Campeonato Brasileiro toda semana.

Quando um time brasileiro é campeão de algum torneio importante, a visibilidade aumenta de tal forma que o desmanche do elenco se torna quase uma conseqüência natural do título. É como se o time brasileiro campeão tivesse seus jogadores colocados em destaque na vitrine.

O Internacional acabou de ser campeão da Copa Libertadores da América. Em meio à alegria do título estava também um ar de despedida, já que o zagueiro Bolívar e o meio-campo Tinga (abaixo) já estavam praticamente negociados com clubes europeus (Mônaco e Borussia Dortmund, respectivamente). No São Paulo, adversário do Inter na final, a despedida era do zagueiro Lugano – negociado com o Fenerbahçe. No Inter ainda pairam também os rumores de possíveis saídas de jogadores como Rafael Sóbis (que já estaria em negociações adiantadas com o Milan) e Edinho.

É triste constatar que um time que vá disputar o Mundial de Clubes, no fim do ano, esteja passando por um início de desmonte. Pior, alguns já estavam negociados antes mesmo de a Libertadores acabar. Enquanto reforços começam a ser cogitados para o torneio intercontinental, alguns se esquecem de que os jogadores que conquistaram a vaga para o Mundial para o clube estão sendo vendidos.

Além de triste, não deixa de ser preocupante também a saída desses atletas. O time do Internacional tinha como ponto mais forte seu conjunto, assim como o São Paulo do ano passado tinha. Para quem assistiu a última edição do Mundial ficou claro que o clube paulista não jogou tão bem, ganhou muito mais pela sua harmonia e entrosamento dos jogadores dentro de campo do que, necessariamente, pelo futebol apresentado. Se o desmonte for além dos dois jogadores já citados anteriormente, é muito provável que os aspectos que favoreceram o time na conquista da Libertadores da América já não sejam trunfos na disputa do Mundial de Clubes.

O exemplo para o clube gaúcho estava jogando contra ele na final: o São Paulo não desmontou seu elenco após a conquista do torneio continental ano passado. O clube manteve a base vencedora do primeiro semestre para disputar o Mundial de Clubes. E a prova do bom trabalho dos dirigentes são-paulinos está na venda de Lugano esse ano, pois o mesmo tinha propostas do futebol do exterior desde meados de 2005 e foi “segurado”.

Toda essa situação prova que quando se fala em “planejamento” em um clube do futebol brasileiro, isso vai além de ganhar títulos. Um segundo capítulo, tão ou até mais difícil do que a conquista de um título, se inicia após a competição: a manutenção de um elenco vencedor. E nessa etapa os grandes clubes têm que tomar muito cuidado, para que o Grande Vencedor não se torne também o Grande Vendedor.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Abelão sem vice

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Henrique Moretti

Não sou pontepretano, muito menos já morei em Campinas, mas desde 2003 admiro o técnico Abel Braga. Foi no Campeonato Brasileiro daquele ano que Abelão, como é conhecido, tomou uma atitude demonstrativa de grande caráter. Como muitos se lembram, no comando da Ponte Preta, o treinador foi um dos únicos a não abandonar o barco da equipe campinense no decorrer da competição, já que mais de 15 jogadores saíram acusando salários atrasados.

Mesmo sem receber, Braga honrou seu compromisso até o fim e superou as grandes dificuldades de trabalho, conseguindo manter a Ponte na Série A nacional, na última rodada, após vitória sobre o Fortaleza, em casa, rebaixando os nordestinos, e fazendo a festa da torcida da Macaca. E a imagem dos pontepretanos invadindo o gramado do Moisés Lucarelli para agradecer ao treinador foi muito marcante.

De lá pra cá, o treinador foi colecionando bons trabalhos e mesmo assim não conseguia sair do estigma de ser sempre vice-campeão. O que era meia-verdade, já que conquistou o bicampeonato carioca, com Flamengo e Fluminense, em 2004 e 2005, além dos vices - que o marcaram bastante -, da Copa do Brasil, com os respectivos times e nos respectivos anos.

Penso que um pouco desse estigma de Abel Braga vinha de preconceito por parte da imprensa, principalmente da paulista, que tem lá seus integrantes “bairristas”. O jeito do técnico - meio boleiro, sem papas na língua, e até mesmo boêmio – contribuiu para se criar uma imagem ruim, ou não tão boa, de Abelão. Frases marcantes, como a em que ele elogia indiscretamente a bandeirinha Ana Paula Oliveira, também contribuem para a formação da figura Abel.

Além do bi-vice da Copa do Brasil, seu Fluminense do ano passado rumava bem no Brasileirão, integrando a zona de classificação à Libertadores durante a competição inteira e apresentando por alguns momentos o futebol mais vistoso do país, porém o péssimo fim de returno fez com que a equipe caísse para a quinta posição, fazendo com que todo o bom trabalho realizado por Abel fosse por água abaixo.

Para superar o tabu de não se classificar para a mais importante competição das Américas sempre por muito pouco, o treinador resolveu encarar um clube já garantido na competição, e com uma belíssima estrutura: o Internacional. Mesmo Inter que ele dirigiu em 1989, quando caiu na própria Libertadores em sua reta final, depois de uma eliminação trágica ante o paraguaio Olímpia, em pleno gigante da Beira-rio.

E é em Porto Alegre que Abelão, aos 56 anos de idade, está atingindo o ápice de sua carreira. Porém como tudo na vida do carioca, o trabalho começou duro, e ele quase se viu demitido depois da “derrota” na final do Campeonato Gaúcho, para o rival Grêmio (a derrota vem em aspas porque o título foi perdido com dois empates na decisão, pelo critério de gols marcados na casa do adversário). A pressão da torcida colorada foi grande, e injusta, visto que a campanha na Libertadores e no próprio Gaúchão eram irrepreensíveis até então.

Fernando Carvalho, presidente do Inter, resolveu resistir à torcida, o que se mostrou a decisão realmente mais acertada, agora que ao visitar o Morumbi a equipe bateu o São Paulo por 2x1, ficando muito próxima do que seria (ou será) a maior glória da história colorada, o título sulamericano.

Título que viria também a coroar o trabalho do lutador Abel Braga, para dar um basta em todos os preconceitos e estigmas contra a sua pessoa, e mais, mostrar que quem vos escreve não errou ao colocá-lo como um bom postulante ao cargo de técnico da Seleção Brasileira, nesta mesma coluna, poucas semanas atrás.

Enfim, o treinador mais sincero do futebol brasileiro merece já há um tempo este lugar ao sol; não sou colorado, nem nunca visitei Porto Alegre, mas os torcedores são-paulinos que me perdoem, porque nesta grande decisão estou com Abel Braga e não abro.