sábado, dezembro 17, 2005

Liverpool x São Paulo: Análise da final

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Pedro Galindo


Nesse domingo, a partir das 8h da manhã, será definido o segundo Mundial de Clubes da FIFA, que começou no domingo passado. A final, ratificando o previsto, será entre São Paulo e Liverpool. O primeiro, chegou a essa fase do curto torneio depois de uma vitória apertada sobre o Al Ittihad, da Arábia Saudita, por 3x2. Já o time inglês venceu o Deportivo Saprissa, da Costa Rica, sem dificuldades, pelo placar de 3x0.

Cada equipe tem os seus trunfos: os dois times contam com os artilheiros da competição: Amoroso, pelo São Paulo, e o grandalhão Peter Crouch, pelos ‘Reds’, ambos com dois gols (empatados também com o atacante Noor, do Al Ittihad). No meio-campo, os dois também têm bons jogadores, como Josué e Mineiro, do time paulista, que formam uma grande dupla de volantes. Nesse setor, o Liverpool parece ter mais qualidade: tem dois meias marcadores de altíssima qualidade, o francês Sissoko, considerado o “novo Vieira”, e o jogador da seleção espanhola Xabi Alonso. Conta também com dois armadores de nível mundial: Luís Garcia, também da "Fúria", e o craque inglês Steven Gerrard. Apesar da superioridade britânica na meia-cancha, essa partida promete um jogo enrolado no meio, visto que o São Paulo joga com um homem a mais nesse setor (3-5-2) – além do fato de que o futebol inglês há tempos não é mais apenas aquele do lançamento e do “chutão pra frente”.

O Liverpool joga num esquema típico do futebol inglês: um 4-4-2 clássico, com dois volantes e dois armadores. Nesse esquema, o sistema defensivo fica fixo, com poucas subidas dos laterais ao ataque (a regra vale mais para Finnan do que Riise). Também é comum o uso freqüente da linha de impedimento – que no futebol europeu geralmente funciona, devido à grande inteligência tática dos defensores do Velho Continente. Essa tática também tem como característica a confiança plena nos dois ‘playmakers’ (no caso, Luis Garcia e, principalmente, Gerrard), que têm grande liberdade para criar, e dois pontas-de-lança típicos, à moda antiga, de preferência altos e trombadores. Apenas ultimamente atacantes modernos, que se posicionam à entrada da área, têm tido chances no futebol inglês, como por exemplo Milan Baros, ex-Liverpool e Cissé, não jogando tão presos à grande área. Esse modo de jogar da equipe inglesa tem trazido muitos frutos: uma incrível estabilidade no seu sistema defensivo, mostrada principalmente nos últimos jogos – número de partidas em que o time da terra dos Beatles não sofre gols. Essa incrível marca de sua defesa, juntada à competência de seu ataque, tem trazido ao time resultados excelentes.

Já o tricolor paulista, teve um grande começo de ano, o que pode ter levado a equipe a um enorme relaxamento em relação ao campeonato brasileiro. O time terminou na modesta – pelo menos para um campeão da Libertadores – décima primeira posição, atrás de algumas equipes que, no começo do campeonato, foram apontadas como inferiores, apesar de ter um dos mais fortes times daquela competição (talvez o mais forte).

O treinador do São Paulo, Paulo Autuori, já declarou várias vezes que prefere escalar o time em um 4-4-2. Porém, como ele assumiu o time depois de uma brilhante estadia no Morumbi de Emerson Leão (que escalava o time num 3-5-2 altamente estável, em que ele conseguia tirar o máximo desempenho de todos os jogadores), foi "forçado" a prosseguir utilizando o esquema de Leão, apesar de às vezes tentar fazer sua própria tática. Mas o time demonstrou que joga muito melhor sob o antigo padrão, o que levou o atual treinador a não arriscar e, na estréia do Mundial, tentar fazer o time render o máximo possível, usando o velho esquema.

Esse sistema, apesar de ser rigorosamente o mesmo de Émerson Leão, não parece funcionar da mesma forma sólida do começo do ano. Para provar isso, basta observar um exemplo recente: na semifinal do Mundial, contra o Al Ittihad, foi suficiente apenas o técnico adversário colocar três atacantes em campo para acabar com a sobra da defesa são-paulina e deixar um zagueiro por atacante, o que acabou complicando-a. Isso significa que, se Rafa Benítez, treinador do Liverpool, resolver escalar o polivalente Luis Garcia um pouco mais avançado, como um atacante, o esquema de Autuori pode ruir. Nas outras posições, esse sistema de jogo deve ser suficiente para conter os ‘Reds’. O avanço dos alas é a grande arma tricolor. São dois excelentes atletas, ambos com passagem pela seleção brasileira. A zaga é uma das melhores do Brasil, mas vai ter que suar para segurar o gigante Crouch e o ultra-rápido Cissé.

A final do Mundial de Clubes da FIFA, pelo menos até agora, parece que será definida em detalhes. Ambos os times têm, no geral, boa qualidade, embora o inglês pareça ter um pouco mais. Mas o que pode determinar o resultado é a confiança de cada equipe. O Liverpool, além do fato de ter uma origem mais, digamos, “nobre”, e ter mais jogadores reconhecidos internacionalmente, ainda tem a seu favor a facilidade com que venceu o Saprissa, e o jogo apertado que foi o duelo do São Paulo. Isso deu muita moral aos britânicos, que já chegarão com confiança mais que suficiente para bater o tricolor (vide declarações recentes de Gerrard). Tudo indica que teremos um grande jogo, com todos os ingredientes de uma verdadeira final.

créditos: www.fifa.com

sexta-feira, dezembro 16, 2005

RUMO A 2006: Holanda

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Henrique Moretti

Nas eliminatórias para a Copa 2002, Irlanda e Portugal cometeram um crime contra os amantes de um futebol bem jogado. Eliminaram a Holanda, que ficou sem chance até de ir para a repescagem. Para o Mundial 2006, República Tcheca nem Romênia foram capazes de parar a Laranja, que quer voltar a ser “mecânica”.

Marcada para sempre como a seleção que encantou o mundo nas copas de 74 e 78, onde foi vice-campeã, perdendo para os donos da casa da época Argentina e Alemanha, no revolucionário “carrossel holandês” de Rinus Michels. O título não veio em tais oportunidades e até hoje. O máximo que a equipe dos Paises Baixos conseguiu foi o título da Euro 88, num grande time que tinha Ruud Gullit, Frank Rijkard e Marco van Basten como destaques. Este último é o novo treinador holandês. Ex-craque do Milan, assumiu o desafio de renovar a seleção, depois da chegada às semifinais da Euro 2004, perdendo para Portugal. E impressionantemente vem muito bem, terminando em primeiro em seu grupo nas Eliminatórias e chegando a estar 15 jogos invicto, até perder para a Itália em amistoso recente.

Agora, se você espera ver na Alemanha jogadores conhecidos como Clarence Seedorf, do Milan, Mark van Bommel, do Barcelona, Edgar Davids, do Tottemham, e Roy Makaay, do Bayern, ficará decepcionado. Nenhuma seleção no mundo abriria mão de tantos bons jogadores ao mesmo tempo. Nenhuma exceto a holandesa. Na grande renovação imposta por van Basten, o primeiro nunca esteve nos planos, enquanto os demais ainda têm chances , não muito grandes, de ir à Alemanha.

Quem impera hoje no time laranja são jovens como o lateral Kromkamp, do Villareal, o zagueiro Opdam, da surpresa holandesa Az Alkmaar, o ponta direita Dirk Kuyt, do Feyenoord e o esquerda Arjen Robben, do Chelsea. A criação no meio-campo fica por conta de Rafael van der Vaart, tão novo quanto, e que vem em grande fase no Hamburgo, da Alemanha.

É claro que a equipe tem suas pilastras de experiência: o goleiro Edwin van der Sar, do Manchester, e o volante Philip Cocu, do PSV, continuam seu reinado na seleção, e são os únicos remanescentes da Copa 98. No ataque, o centroavante Van Nistelrooy, também do Manchester, é goleador e experiente.

A Holanda, para a alegria dos fãs, deve ser a única equipe no Mundial a jogar num 4-3-3 típico, com dois pontas abertos, Kuyt e Robben, e um centroavante, Nistelrooy. Quando ataca o esquema laranja lembra o do Barcelona. Quando defende, o do Chelsea, num 4-3-2-1, com os pontas fechando o meio. Força na marcação e saída rápida no contra-ataque são freqüentemente vistas.

A geração é tão boa que bons jogadores como Wesley Sneijder, meia, e Ryan Babel, atacante, ambos do Ajax, devem figurar no banco, assim como os delanteiros Castelen, que forma dupla de ataque com Kuyt (foto) no Feyenoord, e Robbie van Persie, do Arsenal, reserva imediato de Robben.

Por tudo isso, a Holanda chega à Alemanha com rótulo de favorita ao título. Isso mesmo. E no grupo da morte da Copa espera, junto com a Argentina, não ser surpreendida por Sérvia e Montenegro e Costa do Marfim. Se isso realmente acontecer, a Laranja chegará às oitavas mais do que confiante. Num time inexperiente como o atual isso seria essencial. Assim, a segunda seleção no coração de muitos torcedores tentaria cravar seu nome entre os grandes, com um inédito título. A extrema juventude de van Basten e seus comandados é o único temor.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1889
Afiliação à FIFA: 1904
Participações em Mundiais: 7 (1934, 1938, 1974, 1978, 1990, 1994, 1998)
Melhor Resultado: Vice-campeã (1974 e 1878)
Última Copa: Semifinais (1998)
Campanha nas Eliminatórias: 1º colocada do Grupo 1 da Zona Européia
Títulos continentais: Campeã da Eurocopa (1988)
Ranking FIFA: 3º
Time-Base: van der Sar, Kromkamp, Opdam, Boulahrouz
(Vlaar), van Bronckhorst; Cocu, Landzaat, van der Vaart; Kuyt, Robben e van Nistelrooy
Técnico: Marco van Basten
Principal Estrela: Ruud van Nisteltooy (Manchester United)
Formação: 4-3-3
Avaliação: **** (Boas chances de título)

FALTAM 175 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
créditos: www.fifaworldcup.com

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Por que não Rivaldo?

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Pedro Galindo

Com o pouco tempo que falta para a Copa da Alemanha começa a bater dúvidas na cabeça de todos os apaixonados por futebol – leia-se todos, apenas da nação - e, principalmente, do treinador da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira. Apesar do grupo já parecer fechado, ainda restam alguns jogadores lutando por posições, como, por exemplo, a lateral-esquerda, que tem uma boa briga entre Gustavo Nery, do Corinthians, Gilberto, do alemão Hertha Berlim, pela reserva de Roberto Carlos. Outra posição que ainda está em aberto é a quarta vaga no ataque. Adriano, Ronaldo e Robinho já têm suas vagas certas, mas com a lesão de Ricardo Oliveira, que parecia ser o mais cotado para a última vaga, apareceram novas caras: Fred e Nilmar brigam para ser convocados.

Mas a posição que parece gerar mais dúvidas na cabeça do tetracampeão Parreira é a quarta vaga no meio campo. A verdade é que, nos últimos vinte anos, o Brasil nunca teve uma geração tão recheada de excelentes jogadores, principalmente do meio-campo para frente. Os dois maiores favoritos para ocupar essa posição são Alex, ex-Cruzeiro e Palmeiras, e hoje no Fenerbahçe da Turquia, e principalmente Ricardinho, que joga no Santos. Ambos são excelentes jogadores, e certamente merecem a convocação. Mas há um nome que devia, no mínimo, se
r cotado, principalmente pelo seu incontestável talento e por tudo que fez nas últimas duas copas: Rivaldo.

Não é possível entender como um dos dois maiores – talvez o maior – jogadores brasileiros das últimas duas copas, não é nem lembrado por ninguém, nem da imprensa nem da comissão técnica. Só um motivo pode ser descartado: não é por falta de futebol. Rivaldo, atualmente no Olympiakos, da Grécia, é um dos principais jogadores do time, o dono da camisa 10. Levou-o à “dobradinha” (título da Copa e do Campeonato Helênicos) nessa temporada, e é um dos maiores ídolos da torcida local. Fez o time ter uma campanha decente na Liga dos Campeões, terminando no 3o lugar de um grupo difícil, que tinha o excelente Olympique Lyon e o gigante Real Madrid, chegando inclusive a ajudar a equipe a bater o clube espanhol, em casa, por 2x1, com o gol da virada.

Os fatores que o atrapalham são, certamente, a falta de ‘marketing’ e seu perfil desengonçado, o que gera uma certa repulsão por parte da imprensa. Não é nenhuma novidade que ele nunca deixou de ser contestado na seleção, mesmo sendo uma unanimidade no mundo todo. A mídia sempre reclamou de suas atuações, a não ser quando ele jogava irretocavelmente bem. Um momento chave para o esquecimento desse jogador, que foi o vencedor do título de Melhor do Mundo de 99, foi sua passagem pelo Milan. Não conseguiu se firmar no "rossoneri" milanês, então, depois de ficar um mês sem clube, se transferiu para o Cruzeiro, depois do interesse de vários clubes do Brasil e do mundo. E esse tempo sem clube foi a desculpa para mandá-lo embora da seleção e para praticamente acabar com suas chances de voltar a vestir a canarinha. Teve uma péssima passagem pelo time mineiro, que terminou com uma conturbada saída, em consideração ao treinador Vanderlei Luxemburgo, que havia sido demitido. Depois desse semestre conturbado, foi bater na Grécia, onde conseguiu reencontrar seu grande futebol.

Rivaldo precisa de uma nova chance na seleção, para mostrar que ele ainda tem capacidade de grandes feitos. Provavelmente ele não teria vaga no time titular, pois é impossível afirmar que haja dois meias melhores no Brasil do que Kaká e Ronaldinho. Mas pelo menos para o banco ele deveria ser convocado; o Brasil ficaria com suplentes ainda mais fortes do que já tem – um meio-campo reserva que a maioria das seleções gostaria de ter como titular: Gilberto Silva, Renato, Juninho e Rivaldo, todos excelentes jogadores. Certamente, ele tem mais capacidade de decidir um jogo do que Ricardinho, e se fosse convocado provavelmente não iria decepcionar; seria um excelente referencial para sua carreira, que está chegando ao fim. Infelizmente, o mundo do futebol está perdendo mais um craque.
FALTAM 176 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!

terça-feira, dezembro 13, 2005

RUMO A 2006: México

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Henrique Moretti

México cabeça-de-chave da Copa do Mundo 2006. A afirmação poderia soar muito estranho há 10 anos, mas hoje a terra da Tequila ganhou respeito internacional e está se firmando como uma força da América (da parte do Norte, sempre foi).

Nos critérios da FIFA que consideraram o ranking da entidade (o México aparece em 7º lugar no mês de Dezembro) somado com a participação dos últimos dois mundiais (oitavas em 98 e 2002) levaram os mexicanos a deixarem de fora do rol dos cabeças uma seleção do nível da Holanda.

De agora em diante, resta ao México provar que merece realmente tal condição. A equipe é realmente boa, e provou isso ao derrotar o Brasil na Copa das Confederações, na Alemanha, 1x0 gol de Jared Borgetti (foto). Borgetti aliás que é a grande esperança mexicana, exímio cabeceador e garantia de presença na área, conseguiu transferir-se para o inglês Bolton nesta temporada, e foi o artilheiro isolado do Zonal da Concacaf nas eliminatórias.

Mas a seleção mexicana não se resume apenas ao centroavante. Começa com um grande goleiro, Oswaldo Sánchez, principal responsável pela classificação do Chivas Guadalajara às semifinais da Libertadores 2005. Salcido, bom lateral do mesmo Chivas, e Rafa Márquez, do Barcelona, passam confiança à defesa. O meio tem o brasileiro naturalizado Zinha, que também pode jogar de atacante, e a boa opção Torrado. No ataque, Lozano deve ser o companheiro de Borgetti.

O otimismo do México pode ser ainda maior se analisarmos seu grupo na Copa, o D, que lhe é altamente favorável, com Portugal, Irã e Angola. Os dois últimos não assustam e a briga será pela liderança da chave, com a equipe de Felipão.

Por essas e outras, nova presença nas oitavas de finais para os mexicanos é quase certa. Conseguir mais que isso a equipe do argentino Ricardo Lavolpe sabe que é muito difícil, já que enfrentaria um dos classificados da chave C, a mais equilibrada do mundial. Mas, quem sabe... Afinal, se nos últimos anos eles se tornaram a pedra no sapado brasileiro, muito ousado seria pleitear uma vitória diante de argentinos ou holandeses?


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1927
Afiliação à FIFA: 1929
Participações em Mundiais: 12 (1930, 1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1978, 1986, 1994, 1998, 2002)
Melhor Resultado: Quartas de finais (1970 y 1986)
Última Copa: Oitavas de finais (2002)
Campanha nas Eliminatórias: 2º colocado da Zona Norte-americana
Títulos Continentais: Tricampeão da Copa Ouro (1993, 1996, 1998)

Ranking FIFA: 7º
Time-Base:
Sánchez; Salcido, Márquez, Osório e Mendez; Pineda, Pardo, Zinha (Torrado) e Morales; Lozano e Borgetti
Técnico: Ricardo Lavolpe
Pincipal Estrela: Jared Borgetti (Bolton)
Formação: 4-4-2
Avaliação: ** (passa da Primeira Fase)

FALTAM 178 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
créditos: www.fifaworldcup.com

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Ascensão do futebol romeno

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Christian Avgoustopoulos


Hagi, (foto) Raducioiu, Popescu, Petrescu, Moldovan, Munteanu... quem não se lembra da seleção romena de 1994, que jogava um futebol alegre e encantava a todos com suas grandes atuações? Aquela seleção, que eliminou a Argentina nas oitavas de final e que só parou nas quartas, nos penais, perdendo para a boa seleção sueca.

Porém, de lá pra cá a Romênia entrou em queda livre. Uma atuação mais discreta na Copa de 98, sendo eliminada pela surpreendente Croácia, sacramentaria um jejum de 8 anos sem participar de copas do mundo, inclusive nesta de 2006 que virá. Talvez a suspensão de seu maior jogador na atualidade, Adrian Mutu, por 7 meses, envolvido com o uso de cocaína tenha sido o xeque-mate para as aspirações do selecionado balcânico.

Mas além da forte seleção, que ficou em 3º lugar em seu grupo nas Eliminatórias para a Copa, atras de 2 das melhores seleções européias na atualidade, Holanda e República Checa, os romenos tem motivos para verem com bons olhos o futuro de seu futebol, através de seus clubes. Os três grandes da capital, Steaua, Dínamo e Rapid, todos de Bucareste, seguem firme na Copa Uefa, sendo que apenas o Dínamo não está garantido, antes da 5ª e ultima rodada, para a próxima fase. Seguem abaixo algumas informações de cada um desses times, e sua situação na Copa Uefa:

Steaua Bucuresti: Fundado em 1947, o Steaua é o time de mais tradição da Romênia. Com 22 conquistas nacionais, é o maior vencedor de campeonatos romenos, e também o que tem mais tradição no cenário internacional, sagrando-se campeão europeu em 1986, batendo o Barcelona em solo espanhol, mais precisamente na cidade de Sevilha. Teve em sua história jogadores de grande importância no cenário europeu, como Gheorghe Hagi e Angel Iordanescu. Na atual copa Uefa, eliminou o Valerenga, na 1ª fase e esta com 7 pontos em 3 jogos em seu grupo, com nenhum gol sofrido nessas 3 partidas. Já esta classificado para a fase final da competição. Destaque para o meia Dica, com 2 gols marcados na fase de grupos.

Dínamo Bucaresti: O atual líder do campeonato romeno já conta com 17 títulos nacionais em sua história. Fundado 1 ano após o Steaua, em 1948, o Dínamo já conseguiu alcancar 2 semifinais em torneios europeus, sendo uma na Copa Uefa, e um na Copa Européia, atual UCL. O time, que era o preferido dos comunistas na época em que esse regime era vigente na Romenia, já contou com Raducioiu e Munteanu em seu plantel, dois dos melhores e mais famosos jogadores da seleção de 1994. O time ainda necessita de 1 vitória para depender apenas de si para seguir em frente na Copa Uefa, porém pode passar de fase mesmo perdendo, se o Heereveen da Holanda não bater o Levski da Bulgaria.

Rapid Bucaresti: O mais antigo e menos vitorioso dos 3 times. Fundado em 1923, teve apoio de companhias ferroviárias locais e chegou a ter algumas mudanças de nome, até voltar a ser chamado de Rapid. Ao longo de sua historia venceu 3 campeonatos romenos e foi vice campeão em 11. Porém nesta versão da Copa Uefa o Rapid é o time romeno com melhor campanha, mantendo 100% dos pontos possíveis. Antes já havia eliminado o Feyenoord da competição, na 1ª fase. Também não sofreu gols na fase de grupos e já está classificado para a fase final da competição. Para sagrar-se campeão do grupo, necessitando apenas de um empate com o Stuttgart, da Alemanha.

É importante frisar que na fase de grupos, os 3 times romenos juntos sofreram apenas 1 gol, por intermédio do Dínamo, o que merece uma atenção especial em relação ao sistema defensivo que esses times apresentam, o que foge um pouco da característica ofensiva que os romenos apresentaram no futebol ao longo de suas participações de todos os tempos. Quem sabe os romenos voltem a sorrir com mais uma taça em sua história, 19 anos depois de sua primeira e única conquista? E espero que possamos acompanhar uma safra nova de jogadores que encantem a milhares de amantes do futebol tal qual a seleção de 94. Vamos aguardar as surpresas dos deuses do futebol, e admirar o espetáculo que eles reservaram para nós, reles mortais aficionados e fanáticos por esse esporte.
créditos: www.wcupw.com
www.romaniansoccer.ro

domingo, dezembro 11, 2005

Vai dar "Showman", de novo!

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Pedro Galindo

Na tarde dessa segunda 28 de Novembro, pelo horário de Brasília, o futebol brasileiro, que parece ser uma fonte inesgotável de craques, acabou por conseguir mais uma grande conquista. Ronaldo de Assis Moreira, o Ronaldinho Gaúcho, ganhou a Bola de Ouro, o prêmio dado pela revista francesa France Football ao melhor jogador atuando na Europa.

Disputando com jogadores de peso, como os meias ingleses Lampard e Gerrard, o brasileiro ganhou o troféu com sobras – uma diferença de quase cem pontos. Essa foi a quarta vez que um jogador canarinho ganhou esse título. Os outros foram Ronaldo, em 1997 e 2002, e Rivaldo, em 1999. O que deixa muita gente otimista é a possibilidade, agora mais real do que nunca, do gaúcho ganhar mais uma vez o prêmio de melhor do ano da FIFA.

A razão para tanta esperança no bi é simples: a Bola de Ouro costuma ser uma prévia da escolha da FIFA, visto que os maiores jogadores do mundo atuam na Europa. Raramente o vencedor do “Ballon d’Or” , como é chamado na França, não leva também o prêmio de melhor do mundo. Porém, um exemplo de que a regra pode dar errada é o ano passado, e envolve o próprio Ronaldinho, quando o ganhador do prêmio da revista francesa foi o ucraniano Schevchenko, enquanto quem faturou o da entidade máxima do futebol foi o “Showman”.

A diferença do ano passado para este é que está cada vez mais berrante a enorme distância entre Ronaldinho e os outros jogadores atuando mundo afora. À medida que passam-se os jogos, ele conquista mais a torcida azul-grená do Barça, chegando inclusive a ser aplaudido pelos aficcionados rivais, como na partida contra o Real Madrid, arqui-inimigo da equipe catalã. A torcida madrilenha deixou a rivalidade de lado e aplaudiu de pé o craque brasileiro, depois de ele deixar sua marca no jogo, em duas pinturas. Resumindo, é cada vez mais incontestável sua superioridade em relação aos outros atletas.

Um fator pelo qual o Gaúcho era criticado era por seu teórico “desinteresse em fazer gols”, que por muitas vezes apareceu na temporada passada. Ele preferia deixar os companheiros na cara do gol a concluir as jogadas, coisa que esse ano não vem acontecendo. Praticamente em todos os jogos ele vem guardando o seu, e é hoje o vice-artilheiro da Liga Espanhola, com nove gols em treze partidas.

Apesar de Ronaldinho ter como adversários na disputa pelo título da FIFA os mesmos que concorreram com ele no prêmio europeu, como Schevchenko, Henry, Ronaldo, Drogba, Eto’o, Lampard (estes dois últimos também na fase final) e muitos outros, tudo leva a crer que ele sairá dessa como o melhor do mundo, mais uma vez. A torcida de todos é para que isso aconteça, pois caso contrário será praticamente um crime ao futebol-arte. A escolha da FIFA sai neste mês de dezembro, no dia 16, e, enquanto isso, nos deliciamos com o esforço dele para levar essa parada.
FALTAM 180 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!

créditos: www.uol.com.br

sábado, dezembro 10, 2005

RUMO A 2006: Sorteio dos grupos

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Henrique Moretti

Nesta sexta, há exatos 182 dias para a Copa do Mundo 2006, foi realizado em Leipzig (ex-Alemanha Oriental) o pontapé inicial para a fase final do Mundial da Alemanha, o sorteio dos grupos.

A cerimônia foi demorada, com início a partir das 17h15 e encerramento apos às 19h30. Música, show de magia, aparições do mascote da competição, Goleo, e muitos clipes sobre as copas passadas preencheram o espaço de tempo anterior ao ponto alto da festa, o sorteio, e tentaram apaziguar os ânimos de quase 350 milhões de pessoas em todo o mundo assistindo ao vivo pelo televisor, além dos mais de 6 mil presentes no Centro de Convenções de Leipzig. A apresentação ficou por conta do apresentado Reinhold Beckmann e da modelo Heidi Klum, ambos alemães.

E os resultados das bolinhas, que saíram das mãos de ex-craques como Johan Cruyff, Pelé, Lothar Matthäus e Roger Milla, não foram nada bons para a Argentina. Do mesmo modo que em 2002, nossos vizinhos ficaram no grupo mais difícil dentre os 8 do Mundial 2006.

Vamos às chaves e suas respectivas análises:


Grupo A: Alemanha, Costa Rica, Polônia e Equador
O panorâma prevê facilidade para os donos da casa, que terão a boa Polônia (que deu trabalho para os ingleses nas Eliminatórias) como principal adversário. O Equador vai bem na América do Sul muito em parte por jogar na altitude de Quito, e sem ela não costuma dificultar. Os costa-riquenhos do brasileiro Alexandre Guimarães devem ser meros participantes.


Grupo B: Inglaterra, Paraguai, Trinidad & Tobago e Suécia
Previsão de chave complicada. Inglaterra e Suécia reeditam o embate do "grupo da morte" de 2002, onde saíram-se muito bem, e são os favoritos dessa vez. Paraguai corre sérios riscos de ficar de fora da Segunda Fase, o que não ocorreu em 98 e 2002. Trinidad & Tobago só deve apenas fazer número.


Grupo C: Argentina, Costa do Marfim, Sérvia e Montenegro, e Holanda
O "grupo da morte" pode não ser tão difícil quanto o de 2002, mas mesmo assim é muito forte. A Nigéria dá lugar à Costa do Marfim, teoricamente a melhor africana desse mundial, e que pode aprontar. A Holanda vem muito forte no ataque e Sérvia e Montenegro tem uma grande defesa, a melhor das Eliminatórias Européias. Os argentinos terão muito trabalho.


Grupo D: México, Irã, Angola e Portugal
Um dos grupos mais fáceis, onde Portugal e México devem conquistar facilmente os dois primeiros lugares. Irã, do artilheiro Ali Daei, pode tentar dificultar. Angola é carta fora do baralho. Como em 2002, a equipe comandada por Felipão dá sorte no sorteio.


Grupo E: Itália, Gana, EUA e República Tcheca
A segunda chave mais forte do mundial, onde os tchecos, segundos colocados do Ranking FIFA, vem sob a batuta do craque Nedved. Gana é uma equipe forte africana e tentará surpreender. Os americanos vêm em grande ascensão e fizeram boa campanha em 2002. Dificuldades à vista para os italianos.


Grupo F: Brasil, Croácia, Austrália e Japão
Um grupo bem equilibrado, onde o Brasil é favorito, porém não venceu Croácia e Japão quando os enfrentou nesse ano, e a Austrália vem esperançosa, comandada por Guss Hiddink, técnico que levou a Coréia ao quarto lugar da última copa. Adversários muito mais difíceis para os brasileiros em relação a 2002. Mesmo assim, Pelé parece ter novamente dado sorte ao Brasil, trazendo para o seu grupo os croatas ao invés de holandeses, tchecos ou portugueses.


Grupo G: França, Suíça, Coréia do Sul e Togo
O Grupo G conta com uma grande seleção, a França, e dois bem razoáveis, Suiça e Coréia, que brigarão pela segunda vaga. Togo é uma equipe fraca, deve ser eliminado. Sofrimento amenizado para os franceses, eliminados na primeira fase em 2002, mas que têm grandes chances de garantir o primeiro lugar.


Grupo H: Espanha, Arábia Saudita, Tunísia e Ucrânia
Outra chave das mais fracas, onde os espanhóis deverão ter tranqüilidade para passar de fase, assim como os ucranianos, de grande campanha nas Eliminatórias. Tunísia é a representante mais tradicional da África, mas mesmo assim é uma equipe fraca. A Arábia Saudita é fortíssima candidata ao último posto do Mundial.


Grupos e jogos definidos. A angústia da espera para a Copa do Mundo aumenta, e continuará crescendo até chegar o dia 9 de Junho, ás 13h, data e horário do jogo de abertura da competição, entre Alemanha e Costa Rica.

São 181 dias até lá. Está tudo pronto para o maior evento esportivo do Planeta ter início. O Goleo dá as boas vindas às 32 seleções classificadas. Agüenta coração!

FALTAM 181 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
créditos: www.ole.com.ar
www.pele.net

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Futebol Europeu: Já virou rotina!

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Jackson de Paula

Líder disparado, 8, 9, 10, até 11 pontos na frente do 2º colocado! Isso já virou rotina em dois países: França e Itália.
Começando pelo lado francês, a equipe de Lyon (43) caminha a passos largos para mais um título no campeonato nacional, está 11 pontos à frente do segundo colocado, o Auxerre (32). Caso alcance o objetivo, será o 5º título seguido da equipe, fato inédito no futebol do país.
E o sucesso dos brasileiros na Europa é comprovado mais uma vez, o meia Juninho Pernambucano e o atacante Fred vêm sendo os destaques do Lyon, o meia inclusive é tratado como rei na França; Já o atacante vem marcando muitos gols, atendendo assim todas as expectativas da torcida pelo seu futebol.
Pelo lado italiano, a Juventus (39) também está caminhando forte para mais um “scudetto”, a equipe de Turim está 8 pontos à frente do rival Milan (31). Este pode ser o 29º título nacional da popular “Juve”.
O brasileiro Emerson também faz sucesso entre os torcedores, e é peça fundamental no esquema do técnico Capello.
E não é só nos torneios nacionais que Lyon e Juventus fazem bonito!
Na Copa dos Campeões, torneio de maior prestígio europeu, a equipe francesa é líder do grupo F com 16 pontos, 6 a mais que os galácticos do Real Madrid, além de estar invicta na competição (5 vitórias e 1 empate); A Juventus não fica atrás, líder do grupo A com 15 pontos, 2 a mais que os alemães do Bayern Munich, que foram os únicos a derrotar os italianos até então (2 a 1).
Como pode-se ver as duas equipes imperam em seus respectivos países e devem faturar mais um título; Pela Copa dos Campeões podem ser consideradas favoritas e não será nenhuma surpresa que uma delas seja eliminada apenas num possível confronto entre ambas.
Agora nos resta esperar e torcer para um confronto entre Lyon e Juventus, sem dúvidas um grande espetáculo!
FALTAM 182 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
créditos: arquivo

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Mundial de Clubes da FIFA: Preparem o cafezinho

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Pedro Galindo

A partir do dia 11 de dezembro, Domingo, começa o torneio mais esperado pelos clubes de todo o mundo (com exceção, talvez, dos europeus): o Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, que será realizado pela segunda vez e terá a participação de clubes de todos os continentes do Planeta: o Sydney, da Austrália, o Deportivo Saprissa, da Costa Rica, o Al-Ahly, do Egito, o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, o Liverpool, da Inglaterra, e o São Paulo, do Brasill. O campeonato, que se realizará no Japão, – e por isso, serão mais alguns jogos madrugada adentro – terminará no dia 18 do mesmo mês, com a final ocorrendo no Estádio de Yokohama.

Os clubes dos “continentes secundários”, como pode-se chamar Ásia, Oceania, África e América do Norte, basicamente só têm uma pretensão: se firmar no cenário internacional. Alguns desses times se reforçaram, como o Al-Ittihad, que foi montado com os famosos petrodólares. A equipe conseguiu reforçar seu plantel com vários jogadores brasileiros, entre eles Tcheco, ex-Santos, Pedrinho, ex-Palmeiras e Marcão e Lima, ex-Atlético Paranaense. Já o Al-Ahly conta com um time entrosado, sem maiores destaques, mas com um grande feito: está há 50 jogos invicto, contando o Campeonato Nacional e a Copa dos Campeões Africana. Já os outros dois não prometem muita coisa, a não ser que ocorra uma grande zebra. O Saprissa, que forma a base da seleção da Costa Rica que vai à Copa 2006, deve vencer o Sydney, com alguma dificuldade, visto que os dois têm elencos muito parelhos, porém o pequeno favoritismo do time costa-riquenho deve-se ao fato dos australianos terem tudo para serem o pior time do campeonato: não possuem uma origem muito tradicional (apenas 1 ano de vida), como o Al-Ittihad, não tem uma marca importante, como o representante egípcio, muito menos disputou um campeonato difícil, como o Saprissa. Devem ser eliminados logo na primeira fase, mesmo tendo um trunfo: o atacante tobaguenho Dwight Yorke, que já teve uma excelente passagem pelo futebol inglês, no Manchester United.

O maior favorito para vencer a competição, se der a ela o seu devido respeito, é o Liverpool. O time inglês vive uma boa fase, tanto na Premier League, na qual está na terceira colocação, perdendo apenas para o quase imbatível Chelsea e para o também favorito Manchester United, quanto na Liga dos Campeões, em que acabou a primeira fase na liderança do seu grupo, inclusive à frente dos "Blues". A equipe inglesa conta com um elenco invejável, com bons jogadores em todas as áreas do campo (Reyna, Hyypia, Luis Garcia, Cissé e Morientes, entre outros), e com um craque: Steven Gerrard, eleito o terceiro melhor jogador do mundo pela France Football, o cérebro do meio-campo dos ‘Reds’, que irá enfrentar o vencedor do confronto entre Deportivo Saprissa e Sydney, e certamente não deve ter problemas para chegar à final.

Outro grande favorito é o São Paulo, que também possui um bom elenco, mas que não parece ser de nível mundial, como o maior rival na luta pelo caneco. A impressão que todos têm à primeira vista é que o Tricolor enfrentará problemas para vencer esse Mundial, principalmente numa provável final com o Liverpool. O time inglês parece ser superior, mas o São Paulo tem razoáveis chances de buscar o tricampeonato. As qualidades do time do Morumbi todos já sabem: tem um bom goleiro (Rogério Ceni), uma zaga que passa segurança, uma excelente dupla de volantes (Josué e Mineiro), dois grandes alas (Cicinho e Júnior) e bons atacantes, incluindo um que pode fazer a diferença: Amoroso. O ponto mais fraco do time parece ser a armação, que não está tão bem quanto deveria, nos pés de Danilo. O time também tem algumas boas opções no banco: o excelente goleiro Bosco, recém-contratado, o polivalente Souza e os bons atacantes Aloísio e Thiago, este que parece ser uma boa promessa tricolor. Grafite está voltando de contusão e é presença certa. O São Paulo, se não arrumar problemas com o vencedor de Al-Ittihad e Al-Ahly, deve mesmo enfrentar o Liverpool na final. Resta saber se esse time será suficiente para conquistar o título.

O torneio promete ser bem disputado (especialmente a partir das semifinais), e será uma alegria em particular para os brasileiros – faz tempo que um clube nacional não disputa um campeonato com times europeus, o último foi o Corinthians, que disputou a primeira edição desse mesmo torneio em 2000 e foi campeão, vencendo o Vasco da Gama na final. Desde então, só times de outros países da América do Sul têm conseguido essa façanha, na antiga Copa Intercontinental. Espera-se que o campeonato seja no nível que os clubes demonstram ter, como São Paulo e Liverpool, com grandes jogos, e se possível com uma boa campanha do representante brasileiro. Mas sabemos das dificuldades que ele terá: enfrentar equipes de alto nível, que certamente trarão problemas. Em 7 jogos, a bola vai rolar no país do Sol Nascente. Que vença o melhor!


Tabela de Jogos (horários de brasília)
Transmissão: Globo, Sportv e ESPN Brasil


Quartas-de-finais:




Data


Estádio


Partida

111 Dez 08:20Tokio Al Ittihad x Al Ahly
212 Dez 08:20Toyota Sydney FC x Saprissa


Semifinais:


#DataEstádio Partida
314 Dez 08:20Tokio Vencedor-J1 x Sao Paulo FC
415 Dez 08:20Yokohama Vencedor-J2 x Liverpool FC


Decisão do 5º lugar:


#DataEstádio Partida
516 Dez 08:20Tokio Perdedor-J1 x Perdedor-J2


Decisão do 3º lugar:


#DataEstádio Partida
618 Dez 05 :20Yokohama Perdedor-J3 x Perdedor-J4


Final:


#Data
Estádio Partida
718 Dez 08:20Yokohama Vencedor-J3 x Vencedor-J4
FALTAM 183 DIAS PARA A COPA DO MUNDO 2006!
créditos:www.fifa.com

terça-feira, dezembro 06, 2005

Campeonato Brasileiro 2005 - 42ª rodada

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Rubens Junior

Acabou o Campeonato Brasileiro 2005!

Na 42ª rodada, a última do torneio, houve muitas surpresas, desilusões, criticas e muita festa.

Relembrando a final da libertadores, São Paulo e Atlético-PR fizeram um belo jogo e com a vitória por 3x1 a equipe paulista acabou se classificando para a Copa Sul-Americana.

O Juventude que ainda sonhava em disputar a Sul-Americana do próximo ano acabou sendo derrotado em casa pelo já rebaixado Atlético-MG por 3x1.

Em mais um 3x1 o Figueirense venceu o Santos.

3x1 também foi o resultado entre Ponte Preta e Brasiliense. A Macaca que com a vitória se livrou do rebaixamento.

O Papão abandonou a Série A com mais uma derrota em casa, desta vez o Flamengo venceu por 4x1.

No jogo em que Romário decidiu a artilharia do campeonato o Vasco venceu o Paraná. Mesmo beirando os 40 anos, o "Baixinho" continua sendo o rei da pequena área. Grande feito do camisa 11 vascaíno.

Em um jogo que todos esperavam uma grande partida do Internacional, o Coritiba venceu por 1x0, mas mesmo com a vitória o Coxa foi rebaixado, pois dependia de outros dois resultados. A equipe colorada mesmo com a derrota foi aclamada pela torcida e acabou recebendo a taça de campeão moral, pois na antiga tabela sem a anulação dos 11 jogos o time gaúcho seria o campeão.

O Botafogo venceu o Fortaleza no Rio por 2x0 e garantiu sua vaga na Sul-Americana.

O Cruzeiro em casa perdeu para o São Caetano e a equipe do ABC paulista com a vitória por 3x1 sobre os mineiros, garantiu sua permanência na Série A.

Em um grande jogo o Palmeiras venceu de virada com o placar de 3x2 o Fluminense (que literalmente pipocou na reta final da competição), e garantiu a vaga na Copa Libertadores do ano que vem.

No jogo do campeão, o Goiás tentou minimizar a festa corintiana com a vitória de 3x2 sobre a equipe paulista, mas mesmo com a derrota o Corinthians consagrou-se Tetra campeão brasileiro, pois seu rival Internacional perdeu seu jogo também. A Fiel fez muita festa em Goiânia e depois nas ruas de São Paulo.

Acabou o campeonato que mesmo marcado por muitos episódios vergonhosos, trouxe grandes emoções, esperemos uma bela competição em 2006 e acreditamos que depois desta edição pessoas superiores nas entidades futebolísticas brasileiras comecem a melhor selecionar seus profissionais e deixem que somente os jogadores dentro de campo decidam a competição. Muito obrigado leitores!

PARABÉNS CORINTHIANS, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2005!
créditos: www.uol.com.br
www.gazetapress.com.br

segunda-feira, dezembro 05, 2005

RUMO A 2006: Brasil

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Henrique Moretti

4 anos atrás, o Brasil chegava ao Mundial Coréia/Japão cercado de grande desconfiança. 6 derrotas nas Eliminatórias Sul-americanas, 2 trocas de técnico, e classificação na última rodada, e apenas no 3º posto. Ainda assim, esse mesmo time, como todos sabemos, sagrou-se pentacampeão do mundo, na chamada "Família Scolari".

Hoje, a situação mudou e o Brasil entra na Copa da Alemanha mais favorito do que nunca e jogando um futebol bonito e convincente, fato que o aproxima àquela equipe maravilhosa de 1982. Naquele ano, mesmo com o clima de favoritismo, os brasileiros acabaram eliminados nas quartas-de-finais pela Itália, o que para 2006 ninguém quer nem pensar que aconteça.

A equipe conta com craques do quilate de Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo, Adriano, Robinho, o chamado "quinteto mágico", que não deve entrar em campo, apesar da imprensa e torcida saudosistas. O ex-jogador santista ficará de fora, entrando em cena o quarteto que já fez tanto sucesso, responsável direto pelo título da Copa das Confederações em 2005, numa goleada de 4x1 na final contra a Argentina.

Taticamente, o scratch canarinho joga com dois volantes, um mais fixo, Emerson, e dois meias muito ofensivos, Ronaldinho e Kaká. No ataque, dois centroavantes, Adriano e Ronaldo, que apesar da desconfiança inicial, mostraram que podem jogar juntos. Na defesa, Lucio e Juan, apesar de serem bons em seus clubes, continuam não passando confiança, enquanto Roberto Carlos está em má fase e Cafu, aos 35 anos, jogará sua última Copa. No gol, Dida, titular absoluto do Milan, é certeza de segurança.

Mesmo com tantas mudanças, ainda existe uma pequena semelhança entre as seleções de Felipão e Parreira. Guardadas as devidas proporções, Alex, meia do Fenerbahçe, é o "Romário de 2002". Imprensa e público são unânimes em pedir a convocação do craque, que parece realmente não agradar ao treinador. Só na equipe brasileira um jogador de tanto talento pode ficar de fora. Indo além, deve.

Deixando comparações de lado, o Brasil é apontado favorito por todos e assumido inclusive por Parreira, e resta saber se esse peso terá efeito negativo ou não. Exemplos mostram que "salto alto" não pode ser permitido, e que, por mais que pareça um chavão surrado, ninguém ganha véspera. A seleção seguindo à risca os ensinamentos do experiente treinador campeão em 94, leva a taça do hexa até com sobras, o que a tornaria inalcançável a curto-médio prazo. Caso contrário, pode-se complicar.


FICHA TÉCNICA

Fundação: 1914
Afiliação à FIFA: 1923

Participações em Mundiais: 17 (1930, 1934, 1938, 1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002)
Melhor Resultado: Campeão (1958, 1962, 1970, 1994, 2002)

Última Copa: Campeão (2002)

Campanha nas Eliminatórias: 1º colocado da Zona Sul-americana

Títulos Continentais: Hepta-campeão da Copa América (1919, 1922, 1949, 1989, 1993, 1997, 1999)

Ranking FIFA: 1º
Time-Base: Dida, Cafu, Juan, Lucio, Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Ronaldinho e Kaká; Ronaldo e Adriano
Técnico: Carlos Alberto Parreira
Pincipal Estrela: Ronaldinho (Barcelona)
Formação: 4-4-2
Avaliação: ***** (Favorito)

domingo, dezembro 04, 2005

Série C: Remo e América (RN) escapam do limbo

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Pedro Galindo


A
chamada “guerra” da Terceira Divisão chegou ao fim há duas semanas. E deu a tradição no quadrangular final. As duas equipes mais conhecidas da fase final – Remo e América de Natal – conseguiram o acesso. Ambas conseguem voltar ao escalão intermediário do futebol brasileiro um ano depois do rebaixamento, fazendo boas campanhas em um torneio que costuma ser bastante difícil.

O Remo conseguiu a promoção depois de uma campanha praticamente impecável. Foi primeiro lugar na primeira fase, terminando essa etapa invicto, com quatro vitórias e dois empates. Na segunda fase, uma surpresa no jogo de ida: uma derrota para o Tocantinópolis por 2x0, fora de casa. No jogo de volta, não teve zebra. O Remo conseguiu uma vitória convincente por 4x1, no Mangueirão. O clube paraense prosseguiu à terceira fase, e passou por ela invicto. Empatou em casa com o Abaeté (PA) em 1x1, e venceu “suado” fora de casa, por 3x2. Na última eliminatória antes do quadrangular final, venceu o Nacional (AM) por 2x0, em Manaus, e foi derrotado em casa pelo placar de 1x0, mas o resultado garantiu a classificação do Leão para a última fase.

Já o Mecão, como é conhecido o time potiguar, também fez uma boa campanha, apesar de ter um pouco mais de polêmica. Envolveu-se em uma confusão jurídica com o Nacional de Patos (PB), logo na primeira fase. O time paraibano, que tinha ficado três pontos à frente, teve que pagar pela escalação irregular do jogador Alisson. Com isso, a equipe alvi-rubra ficou com a vaga. No resto do torneio, o América eliminou Ferroviário (CE), Coruripe (AL) e Treze (PB), com apenas uma derrota, para o Treze, no último jogo da Quarta Fase, mas isso não serviu para eliminar o Mecão: eles já estavam classificados, devido a uma vitória em casa por 2x0 sobre os paraibanos.

Depois de todas essas eliminatórias, chegaram ao quadrangular final América, Ipatinga (MG), Novo Hamburgo (RS) e Remo. Um grupo marcado pelo equilíbrio entre as equipes, jogos disputadíssimos e um título decidido pelo saldo de gols. Potiguares e paraenses terminaram com exatamente a mesma campanha (3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, num total de 10 pontos), sendo que o Clube do Remo terminou com um gol a mais de saldo e levou o caneco. Vale ressaltar também a importância da torcida do Leão durante todo o torneio. A equipe paraense teve a maior média de público das três divisões, levando, em média, 30.869 pagantes por jogo.

Ambos os times tentam se reestruturar para a disputa da Série B de 2006. A grande dificuldade está em manter os destaques das equipes, que estão sendo assediados por equipes de maior porte. Os dois já começaram a fazer contratações para o próximo ano, e esperam obter sucesso na Segundona, pois são equipes de certa tradição no cenário nacional e merecem ao menos esse lugar.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Futebol Europeu: A onda dos patrocínios

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Jackson de Paula

A cada dia que passa, nos deparamos com a gigantesca onda de um futebol cada vez mais globalizado.
Altas transferências, jogadores de diversas partes do mundo atuando em uma mesma equipe, isto vem se tornando algo comum no mundo da bola, porém a indústria dos patrocínios vem ganhando espaço e dando um charme a mais no futebol.
O Manchester United pode ser considerado um belo exemplo da atualidade. Após romper o contrato com a Vodafone, a equipe inglesa está em negociações com diversas empresas para firmar um novo patrocínio; E pasmem, o Google, ele mesmo, o tão conhecido site de busca da Internet pode ter sua marca estampada na camisa dos “diabos vermelhos” em 2006. Yahoo e IBM, duas concorrentes diretas, correm por fora e tentam fechar um acordo. Coca-Cola e Levi Strauss, dona da marca de jeans Levis, completam o grupo de possíveis candidatos.
Existe toda uma expectativa em torno deste novo patrocínio, a imprensa local divulgou que o valor ultrapassará a marca de 9 milhões de libras (R$ 36 milhões) por ano, valor que a Vodafone pagava ao Manchester pela parceria.
Falando em patrocínio, o CSKA Moscou dos brasileiros Vágner Love e Daniel Carvalho, perdeu seu principal patrocinador. A empresa petrolífera Sibneft já anunciou que irá rescindir o contrato de US$ 54 milhões (R$ 119 milhões) por três anos, que terminaria no fim de 2006. A empresa russa voltou a ser estatal, depois de ser vendida pelo bilionário Roman Abramovich, sendo assim, não pretende mais investir em clubes do futebol.
Isso prova que o patrocínio é uma faca de dois gumes, pode beneficiar como prejudicar uma equipe de futebol.
Já estou sentindo cheiro de desmanche pelos lados da Rússia...

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A “industrialização” do Futebol

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Christian Avgoustopoulos

Nos tempos atuais, a evolução nos diversos segmentos em que o homem atua vem se tornando indispensáveis. Um ponto marcante desse processo, é sem duvida nenhuma a especialização dos profissionais de cada área, onde cada vez mais são exigidos em sua função, que deve ser executada com extrema autoridade, técnica, ciência e competência.

Mas o que isso tem a ver com o futebol? Tudo! Nessa nova era mundial, o futebol também sofreu suas metamorfoses. Não é recente o fato dele ser considerado como uma profissão. Em meados de 60, 70, já era bem nítido isso nos países onde o esporte era mais difundido, principalmente na Europa e América do Sul.

Bem, os parâmetros do atual futebol, no entanto, nos condicionam a uma situação bem mais complexa e profissional do que nas épocas passadas. Os clubes são praticamente empresas, que prestam o serviço do futebol através de seus funcionários, os jogadores, e também vendem seus produtos para todos aqueles que se interessarem em adquirir.

Isso de certa forma é um tanto preocupante, por um simples motivo: esporte não é comércio, nem marketing, nem administração, nem serviço a ser prestado. Esporte é pura e simplesmente esporte. Sua base vem do espírito olímpico, da garra, da raça, da superação de limites, da psicologia, da técnica, da habilidade...dentre outros diversos fatores.

E há também que se levar em conta um dos personagens mais importantes do futebol, o torcedor. Sem o torcedor, o futebol não teria sequer um pouquinho do brilho que tem. Afinal, é o torcedor que propaga o tal esporte, é ele que dedica o seu tempo a algo em que não vai ganhar nada. Nada de material, mas a emoção de se ter um time para torcer e de acompanhar as partidas de futebol é simplesmente indescritível. E esse sujeito aí, o tal de torcedor, tem que ser respeitado e considerado, o que pode ser conflitante com essa idéia “industrial” em que o futebol vive.

Imagine você leitor, ver o principal jogador do seu time transferido para um time mais rico, ou até mesmo para o seu principal rival e adversário. Isso certamente lhe deixará aborrecido, e você não hesitará em dizer que o tal jogador é mau-caráter e outras coisas que nem posso mencionar aqui, para manter o bom nível da matéria.

Como também aceitar que, após ver seu time com uma excelente safra, indo o mais longe possível nas competições que disputa, sofrer o famoso “desmanche” no ano seguinte, com seus principais jogadores migrando para outras equipes, pura e simplesmente por dinheiro?

É verdade que o profissional tem o direito de escolher a empresa onde pretende trabalhar, aquela que lhe dará um maior retorno e melhores condições de serviço, mas meu espírito romantista jamais entenderá o futebol como negócio, “business”. Pra mim, e acredito que também para os torcedores em geral, a fidelidade e o amor à camisa são qualidades imprescindíveis, que talvez possam ser levemente amenizadas se o jogador for um craque, um gênio da bola. Mas quando ele partir do seu clube você ficará com o mesmo sentimento de indignação e de que foi apunhalado pelas costas por aquele que você, debaixo de chuva, frio, as vezes sem dinheiro e até mesmo viajando longínquas distancias, incentivou naqueles 90 minutos em que ele esteve atuando por seu time, ou como sugere a realidade, pura e simplesmente trabalhando.

Os clubes pequenos e médios têm bastante dificuldade em manter os seus medalhões e pratas-da-casa. Esses jogadores, promissores, são seduzidos por ofertas tentadoras de clubes de maior expressão, e muitas vezes antes mesmo de atingir a maioridade, são influenciados por seus empresários (outra palavra que não combina com o futebol) para aceitarem as propostas milionárias que são feitas por outros clubes com mais poder aquisitivo. Os clubes de menor expressão se vêem obrigados a concretizar o negócio, já que também tem dificuldades para gerir o orçamento de sua instituição, e até mesmo por um motivo óbvio, se o jogador não está contente onde joga ele cairá de produção.

Existem alguns raros jogadores espalhados pelo mundo, contudo, que jogam em seu clube por uma identificação pessoal com a instituição, enfim, torcedores do time em que jogam. Alguns exemplos conhecidos são Rogério Ceni e Marcos, respectivamente jogadores de São Paulo e Palmeiras, que estão nesses clubes por ter uma ligação emocional muito fortes com as equipes onde jogam. Na Itália, temos o atacante Cristiano Lucarelli (foto), do Livorno Cálcio, que ostenta uma tatuagem do distintivo do clube no braço, e diz que só sairá do Livorno no dia em que o clube entender que ele não tem mais condições de defender a equipe. Há também Francesco Totti, torcedor do Roma, que vai prolongando seu contrato por mais e mais tempo. Há ainda outros casos espalhados pelo mundo, porém são raros e nem sempre com jogadores da mais alta qualidade.

Outro fator que também merece destaque é o inflacionamento dos atletas e de seus salários. Na busca pelo que há de melhor, os grandes clubes não se importam em gastar quantias estratosféricas por um ou outro jogador. As multas contratuais são cada vez mais altas, para que ambos, clube e jogador, honrem seu compromisso até o final. Recentemente, Ronaldinho Gaúcho, um dos melhores do planeta no esporte, teria recebido um convite do Chelsea pelo valor de 140 milhões de euros por 9 anos de serviço, sem falar no pagamento da multa de 120 milhões que o ligava ao Barcelona, o que foi recusado pelo atleta. Para se ter uma idéia, em 1974, nada menos que Pelé (foto) teria recebido 7 milhões de dólares para defender o Cosmos, dos EUA, na maior transação da história até aquele momento.

Talvez o futebol pudesse ser mais divertido ou emocionante se tivesse mantido seu aspecto romantista, que hoje parece ser utópico. Não temos como saber. O fato é que essa foi a evolução natural do esporte, combinada com as mudanças que o mundo e a forma de vê-lo foram acontecendo. Contudo, mesmo sofrendo essas grandes mudanças, a magia do esporte continua a mesma, e dentro das quatro linhas ainda podemos ver uma das mais belas artes produzidas pelo homem.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Ser ídolo do tênis no país do futebol

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Henrique Moretti

20 títulos de simples na carreira. 11 de duplas. 52 semanas como o número 1 do mundo, posição que só perdeu devido a uma contusão. 3 Grand Slams conquistados. Indicado a ser garoto propaganda da campanha de Paris aos Jogos Olímpicos de 2012, superando Zinedine Zidane. Melhor tenista brasileiro de todos os tempos.

Soma-se a isso ter nascido num país como Brasil, sem nenhuma tradição no seu esporte escolhido, o tênis, exceção feita a Maria Esther Bueno nos anos 50 e 60.

É, os números são muitos na carreira de Gustavo Kuerten, o “manezinho da ilha”, o filho de Florianópolis, Santa Catarina, o surfista, o queridinho da capital francesa, o herói brasileiro.

Guga, por seus títulos, por seu passado, por sua grandeza, podia, e devia, ser muito mais reconhecido pela mídia esportiva do país. Diz que não liga mais pra isso, mas na época áurea isso pesava. Com o seu surgimento, na conquista de seu primeiro Roland Garros, em 1997, milhares de pessoas que se diziam jornalistas passaram a opinar em seu esporte. E pior, alguns sem saber nada sobre o assunto o criticavam a cada derrota, achando que tênis era igual a futebol. Quando vencia era idolatrado. Quando perdia, execrado. Bobagens.

Gustavo Kuerten superou a tal desconfiança e a pressão por cada vez mais vitórias na quadra, na raça, amadurecendo. Depois de vencer o Grand Slam francês mais duas vezes em 2000 e 2001, se tornando o número 1 do mundo após a conquista da Masters Cup 2000 (a Copa do Mundo do tênis), o surfista começou a penar.

As derrotas, após o US Open 2001, vieram. E vieram aos montes. Foram 9 em 10 jogos no fim da mesma temporada, o que culminou com a perda da liderança do ranking para o jovem australiano Lleyton Hewitt. Sinais de contusão.

Nova fase para o tenista. Guga passou a lutar contra si mesmo, e após inicio de temporada pífia em 2002, apelou para a temida cirurgia no quadril. As dificuldades chegaram ao clímax e Kuerten pode ter pensado em abandonar a carreira. O que ainda lhe motivava, depois de ter chegado ao ápice do esporte.? No tênis, esporte de muita pressão, é corriqueiro ocorrer aposentadorias precoces, seja devido as severas contusões, seja a cansaço mental, seja ter por ter alcançado a fama muito jovem. Esses foram os casos da suíça Martina Hingis, campeã de um Grand Slam com apenas 16 anos e aposentada aos 24. Caso também do chileno Marcelo Rios, que abandonou o esporte antes também de chegar aos 30.

Gustavo voltou meses antes do prazo estipulado para sua recuperação. As dores não desapareceram e ele não conseguia mais voltar a ser o mesmo. Derrotas em primeiras rodadas dos mais diversos torneios passaram a ser corriqueiras. Conseguir se manter a semana inteira numa mesma cidade, no mesmo torneio, passou a ser fato raro.

Decepções e mais decepções. Guga mesmo assim não era um tenista qualquer. Mesmo com as dificuldades, conseguia manter-se entre os 20 melhores tenistas do mundo, o que não é de modo algum fácil de alcançar. É só perguntar para Flávio Saretta, para Ricardo Mello, para Fernando Meligeni, brasileiros que nunca alçaram vôo tão alto.

Veio 2003 e a esperança ressurgiu. Título logo no primeiro torneio do ano, em Auckland e chegada a uma final de Masters Series, em Indian Wells. Perdeu a final de maneira facílima para Hewitt. Mesmo assim, era um grande feito. Parecia que Guga despontaria novamente. Ledo engano. Veio Roland Garros e o tenista não conseguia mais passar das oitavas, sendo eliminado nessa fase no mesmo ano. Claro que acabou não conseguindo se classificar para a Masters Cup, que só reúne os 8 melhores classificados no Ranking de Entradas, mas ainda assim se mantinha entre os cabeças-de-chave das maiores competições.

Depois de um início de 2004 deprimente, boa campanha em Roland Garros no meio do ano, batendo o número 1 do mundo Roger Federer por incríveis 3 sets a 0 e derrota apenas nas quartas-de-finais. Mesmo com ninguém esperando tal feito, era uma grande chance para o tetra-campeonato em Paris, mas a lesão não permitiu novamente. Kuerten voltou a sentir. Chegando à temporada de quadras rápidas, ele não conseguiu resistir e as derrotas vieram à tona novamente, como na eliminação vexatória na primeira rodada do US Open. Nessa época, o tenista aparecia mais fora da quadra do que dentro, pois tinha liderado o boicote ao presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Nelson Nastás, que resultou no boicote de todos os principais jogadores à Copa Davis, competição em que os tenistas jogam por equipes, defendendo as cores de seus países. Novamente, Guga podia ficar ali parado, tranqüilamente, pois já era tenista formado, já tinha muito dinheiro no banco, enfim, já tinha a vida ganha. Mas não, ele preferiu lutar por melhorias na estrutura geral de seu esporte no Brasil, pensando sempre na formação de novos talentos. Esse feito seria comparável a se um grande jogador de futebol brasileiro, como Ronaldo, decidisse boicotar a Seleção Brasileira até o presidente da CBF Ricardo Teixeira resolvesse abandonar o cargo. Está provada aí a grande importância do tenista, também na política.

O resultado provou ao brasileiro que talento ele ainda tinha para competir de igual pra igual com os melhores do mundo, porém faltava condições físicas. Com isso, Guga foi consultar um cirurgião americano pensando em nova cirurgia no quadril. A resposta foi boa e o tenista partiu novamente para o desafio de “entrar na faca”. Ele podia ficar tranqüilamente rondando a zona dos 30 melhores do mundo, ganhando seu dinheirinho, chegando a semifinais, a quartas, mas não. Guga queria mais, queria tentar voltar a ser o que era antes.

A cirurgia, realizada no fim de 2004, prejudicou todo o corrente ano de 2005. Dessa vez, Guga não apressou seu retorno, que só ocorreu às vésperas de seu torneio predileto, Roland Garros. De imediato, Guga sofreu com a já esperada falta de ritmo e foi obrigado a ver sua pior participação no torneio parisiense, perdendo na primeira rodada. Então Guga, ainda em fase de recuperação, preferiu se dedicar aos treinamentos, à fisioterapia, e disputar menos torneios, terminando o ano sem títulos, fato inédito na carreira do tenista, desde sua explosão.

Hoje, Kuerten continua tentando ser aquele tenista campeão, aquela certeza de alegria ao povo brasileiro sempre que entra na quadra, aquele manezinho desleixado e despreocupado, de bem com a vida, de riso fácil, que cativa as crianças (e os adultos também!), enfim, aquele campeão que o Brasil todo se acostumou a ver.

O treinamento é duro. O caminho, cheio de obstáculos, mas Guga, que inclusive desmanchou seu "casamento" com o técnico que o guiava desde os 15 anos de idade, Larri Passos, espera passá-los por eles com muita dedicação e força de vontade. Senão, de que valeria a pena duas cirurgias, mudança de treinador, confusão na política, tudo o que Gustavo Kuerten passou nos difíceis tempos de recuperação. A volta por cima é difícil, mas o campeão quer provar a todos, e a si mesmo, que é possível voltar a vencer no mundo do tênis. Voltar a sorrir. Em todo caso, Guga tem crédito.

Coluna também publicada no site voleio.com - O seu esporte em pauta.