domingo, junho 11, 2006

Elefantes em maus lençóis

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Luiz Mendes Junior

Espero pouco da África nessa copa. Assisti a alguns jogos do campeonato continental, realizado este ano, e não faço fé em seleções como Togo, Tunísia e Angola. Gana, para mim, é uma incógnita, e a Costa do Marfim, se tivesse desfrutado de mais sorte com as bolinhas (Gana também não teve muita), poderia despontar como o grande representante africano na Alemanha, capaz de igualar campanhas históricas como a de Camarões em 90 e Senegal em 2002.

Infelizmente, a roda da fortuna não ajudou. Os "Elefantes", como são mundialmente conhecidos, prepararam-se bem e possuem um elenco com estrelas experientes de calibre internacional, como Didier Drogba, do Chelsea, e Emmanuel Eboué, do Arsenal. Impuseram ritmo forte e frenético contra uma Argentina mentalmente focada em não repetir seu recente fiasco e também ciente de que não podia errar, de que cada jogo de primeira fase precisa ser encarado como uma final.

Mas, como a Nigéria de 2002 (aliás, melhor), os elefantes acabaram injustiçados pelo destino. Possuem um time que se caísse na chave da França ou da Alemanha, certamente chegaria às oitavas, mas cercado por Holanda, Argentina e Sérvia, precisaria, além de jogar muito, errar pouco (ou quase nada) e ter bastante sorte para ir além da fase de classificação.

Com uma derrota já decretada, só um auxílio significativo dos deuses futebolísticos somado a uma extrema competência para evitar que saiam na primeira fase. Foram eficientes contra os argentinos, mas não o bastante, e perderam gols imperdoáveis num confronto deste calibre, ao contrário dos adversários, que já deixaram claro estarem entre os favoritos ao título, tanto em termos técnicos, quanto físicos e psicológicos. Não pretendem deixar que as bolinhas os impeçam de seguir adiante outra vez.

Presenciar tal atitude mental dos jogadores argentinos me fez temer pelo destino do Brasil, que, como os portenhos, possui uma esquadra tecnicamente muito forte (talvez a mais forte da Copa), mas pode ainda não ter adquirido o ar guerreiro que uma seleção campeã precisa ostentar desde a primeira partida.

Croácia, Austrália e Japão não constituem um grupo da morte, mas estão bem acima das babas que pegamos em 2002 durante a primeira fase. Discursos como o de Parreira, alegando que sua seleção não pode estrear com 100% da capacidade podem até fazer sentido, mas são perigosos, pois partem do princípio histórico de que o Brasil "sempre passa" da primeira fase, e isso não existe. Passar da primeira fase requer extrema preocupação em passar da primeira fase.

Como consolo anti-portenho (por mais que eu admire a seleção Argentina, não consigo torcer por ela) resta saber que eles também venceram uma equipe africana na estréia de 2002, também num "grupo da morte", e, ainda assim, caíram antes das oitavas. Ocorrerá de novo? Algo me diz que não.

Agora, pulando para o grupo B, Inglaterra e Paraguai disputaram uma partida razoável, sendo que os sul-americanos pagaram caro pelo mau início e, mesmo evoluindo e "mordendo" no segundo tempo, não conseguiram quebrar a marcação inglesa, usufruindo de pouquíssimas chances de gol. Sem Rooney, os britânicos não encantaram, mas fizeram partida sóbria, souberam assustar e complicar o Paraguai no começo, e também travar seu poderio ofensivo, evitando espaço para boas conclusões. Mesmo na etapa final, quando o oponente teve mais posse de bola e iniciativa, desfrutaram número superior de chances claras em gol.

Alguns comentaristas podem criticar Eriksson e seus pupilos por quererem administrar a vantagem em vez de se arriscar demais buscando ampliá-la, porém, partindo de uma ótica futebolística inglesa e considerando seus focos no título - semelhante àquele nosso de 1994 após jejum de 24 anos -, penso que a turma de Beckham foi inteligente e melhor na maior parte do jogo, apesar das raras pixotadas da defesa e do atrapalhado Crouch. Quem, afinal, pode garantir que sua altura (e o medo que ela provoca em defesas nas bolas aéreas) não fez com que Gamarra se precipitasse um pouco ao interceptar o chute de Beckham de qualquer maneira, marcando contra?

Sobre Trinidad e Tobago, pouco de bom para falar. Time aguerrido, não temeu a camisa sueca, mostrou aplicação, empenho, mas pouco poder de fogo. Pode passar da fase de grupos, e, contando com a divina sorte de cruzar com um Equador nas oitavas (algo pouco provável), sonhar em ficar entre os oito, mas é, indubitavelmente, fraco, e deve menos seu pontinho atual na competição a grandes méritos defensivos do que à falta de mira dos atacantes suecos (Allback em especial), que devem estar possessos em desperdiçar dois pontos quase certos.

Luiz Mendes Junior também escreve no blog:www.noticiasdofront3.blogspot.com

A Família Scolari

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Ricardo Stabolito Junior

É inegável o grande trabalho feito por Luiz Felipe Scolari ao futebol brasileiro na Copa de 2002. O treinador pegou a seleção nacional em um de seus piores revezes da história e conseguiu transformá-la num time vencedor novamente. O grupo que ficou conhecido como “Família Scolari” era um time ciente de suas fraquezas e empenhado em fazer o Brasil vencedor mais uma vez, após a decepção da Copa de 1998 e das eliminatórias para a Copa de 2002.

Injetando confiança nos jogadores, cercando a seleção em um clima de união há muito tempo não visto, Scolari conseguiu recuperar a auto-estima de um grupo que rumava para o fracasso. O treinador ficou alheio à opinião popular – quando o Brasil inteiro clamava pela convocação de Romário, ele apostou na recuperação de Ronaldo, que ninguém sabia se seria concluída com sucesso. O treinador, indo de encontro ao histórico brasileiro em Copas e a própria filosofia do futebol moderno, escalou três zagueiros e dois volantes entre seus onze titulares – um time defensivo – para jogar a Copa do Mundo, identificando e tentando corrigir um problema na defesa que já se tornara crônico na seleção.

No fim, Felipão não poderia ter sido mais bem sucedido, tornando o Brasil campeão mundial e vencendo todos os jogos que disputou. E esse sucesso se deu porque a “Família Scolari” era muito mais do que um time de futebol: era toda uma filosofia de trabalho e convivência.

Qual não foi a minha surpresa quando, ouvindo repórteres portugueses, a expressão “Família Scolari” voltou a ser proferida de forma confiante. Isso mesmo, a “Família Scolari” está de volta.

O treinador, reverenciado pelos bons resultados, implanta fórmula parecida à aplicada em 2002 no Brasil para fortalecer o selecionado português. Os portugueses estão cercados por uma confiança muito grande: um clima muito agradável e tranqüilo impera na concentração lusitana. Mesmo com o regime de poucas entrevistas coletivas (uma por semana) que Felipão cede, os profissionais de imprensa confiam piamente no treinador. Em Portugal, o trabalho de Scolari é muito respeitado e uma pesquisa comprovou que cerca de 80% da população aprovou integralmente a convocação da seleção local.

Em seu episódio mais notório à frente da seleção de Portugal, Scolari barrou o experiente goleiro Vitor Baía (ao lado) para colocar o jovem Ricardo como titular. Se na época, a decisão foi contestada, hoje ela se mostra mais do que acertada, em vista que Baía não passa mais pela fase que fez dele um goleiro respeitado no futebol europeu.

Além disso, o treinador atendeu a uma reivindicação popular e, mostrando o quão coeso e forte ele pretende que esse grupo seja, convocou o machucado e sem condições de disputar a Copa zagueiro Jorge Andrade, do Deportivo La Coruña, fazendo dele o vigésimo quarto integrante do elenco. O jogador, que participou de toda a campanha de Portugal em busca da classificação para o Mundial, se tornou um símbolo de uma nova etapa da “Família Scolari”.

Outro ponto interessante é que, agora, Felipão pode integrar sua “Família Scolari” com muito mais calma. Isso porque ele não tem, como teve no Brasil de 2002, o peso sobre as costas de ser um Salvador da Pátria. Em Portugal, a pressão sobre o treinador é bem menor. Se a chegada às quartas-de-final ou semifinal da Copa era quase uma obrigação quando comandava o Brasil, em Portugal seria conseguir o melhor resultado da sua seleção em 40 anos. Scolari tem em mente que sua meta no Mundial é mais do que possível de ser alcançada.

Assim sendo, não se surpreendam se Portugal chegar mais longe do que imaginam. Afinal, a “Família Scolari” está de volta. O único perigo é que agora ela está contra nós.

Portugal faz sua estréia na Copa 2006 neste domingo, em Colônia, diante de Angola, às 16h00 (de Brasília)

sábado, junho 10, 2006

Uma Alemanha diferente

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Luiz Mendes Junior

Eis uma estréia atípica de Copa do Mundo e de seleção alemã, que em muito me fez lembrar, em performance, aquela que estreou contra a Austrália, meses atrás, pela copa das confederações.
O técnico Jurgen Klismann impôs nova filosofia ao time, procurando quebrar um pouco a vocação defensiva e conservadora que marcou sua seleção nos últimos Mundiais. Como na estréia de meses atrás, tivemos um jogo de muitos gols, com uma Alemanha infinitamente mais preocupada em pontuar do que em não levar, falhando clamorosamente no que sempre soube fazer, defender e segurar resultados, mas também jogando um futebol ofensivo, mesmo dentro das já conhecidas limitações técnicas, aproveitando-se, claro, da fragilidade e da falta de ousadia de um adversário que pouco fez, senão usufruir bem as pouquíssimas oportunidades que teve.
O placar foi justo e contrariou o mau agouro que aflige grandes seleções em jogos inaugurais de copa, mas esta Alemanha que vimos hoje é tão frágil quanto a da Copa das Confederações. Fazia muitos gols, mas também os tomava em demasia.
Agradou-me
ver a esquadra de Klismann abrindo espaço para chutes de longa distância e não insistindo tanto no velho chuveirinho de sempre. Conseguirão eles fugir de suas velhas tendências contra adversários mais fortes, e, principalmente, quando estiverem atrás no marcador?

Polônia e Equador, por sua vez, fizeram um jogo equilibrado (e fraco), que não justificou a margem de vitória equatoriana. Os sul-americanos foram inteligentes, administrando bem a vantagem adquirida no primeiro tempo com um jogo cadenciado, procurando brechas na linha de impedimento adversária, mas também tiveram sorte no fim da partida, tomando duas bolas na trave que poderiam ter mudado a história da copa.

De impressões marcantes, duas. Primeira: este Mundial pode ser um campeonato de muitos gols por partida, bem diferente daquele panorama medroso de 90 e 94, que até ensaiou uma volta em 2002, mas que talvez fique de fora em 2006. Segunda: algumas linhas de impedimento vão sofrer na Alemanha, sendo constantemente surpreendidas por aparições-relâmpago, como a do atacante costa-riquenho Wanchope na partida de abertura.

Aliás, por favor, nada de reclamar quando o árbitro validar um gol impedido por centímetros. É justo que, na dúvida, se deixe a jogada correr, pois um gol anulado por impedimento inexistente é mais cruel e anti-futebolístico do que outro validado com o atacante centímetros à frente do último zagueiro. A regra do impedimento foi criada para evitar "banheiras", e não para ser usada como ferramenta anti-jogo pelas defesas.

sexta-feira, junho 09, 2006

Futebol = Paixão (Especial)

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Henrique Moretti

A uma hora do início da Copa do Mundo 2006, creio que não há melhor momento para republicar aqui a coluna que inaugurou este blog "Fanáticos por Copa", no dia 27 de Setembro de 2005.
Nos próximos 30 dias caros fãs do futebol, animem-se! O maior evento do esporte mundial está prestes a começar! A posse Taça Copa do Mundo FIFA está novamente em aberto. Quem sairá dos gramados alemães com o privilégio de repetir o gesto que Cafu realizou quatro anos atrás?

Por que o futebol é o que é? Pergunta difícil. Como explicar essa paixão que assola todos os cidadãos no mundo todo? O esporte mais praticado, o mais assistido, o mais popular.


O futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes. Uma boa definição, proveniente do jornalista Milton Neves. Quem vive sem futebol? O Brasil é o país deste esporte, onde todos estão envolvidos, direta ou indiretamente, querendo ou não querendo. Ele apaixona as pessoas e, de 4 em 4 anos, quando é realizada uma Copa do Mundo, essa paixão fica ainda mais evidente. Quem não pára tudo para ficar na frente da Tv torcendo para sua pátria? Ali, dentro de campo, 11 contra 11, mais, quem sabe, 60 mil pessoas no estádio e mais, quem sabe ainda, milhões de pessoas envolvidas através do aparelho televisor. Todos com os olhos voltados para o zagueiro botinudo, o volante brucutu, o centroavante desengonçado que às vezes se torna o herói. Mas voltadostambém pro goleiro milagroso, pro zagueiro talentoso, pro meia habilidoso, pro craque, esperando o momento de explosão de alegria, o chute, a falha, o drible, o gol.


Ah, o futebol! O mais importante dentre os menos importantes, o mais popular, o mais praticado, 11 contra 11 correndo atrás de uma bola...que seja. Ah, o futebol! Agradeço aos céus por te ter conhecido, rezo todos os dias para que nunca sejas esquecido.

O maior espetáculo da Terra

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Alden Calviño

Faltando menos de uma semana para o início do maior espetáculo da Terra, a Copa do Mundo de futebol, os grandes apaixonados pelo esporte bretão já não conseguem mais manter os nervos no lugar.

O mundo todo já está de olho na Alemanha, palco da 18ª edição, e, segundo a imprensa esportiva, a edição que talvez seja a mais difícil e equilibrada dos últimos tempos.

Os grandes craques dos maiores clubes europeus e sul-americanos estarão presentes, e a grande ausência será a do camaronês Samuel Eto’o, estrela do Barcelona, que não conseguiu carimbar o passaporte para a Alemanha.

Talvez nunca uma Copa do Mundo apresentou um leque tão diversificado de grandes jogadores. Na Copa de 1994, tivemos grandes jogadores desfilando nos gramados norte-americanos, tais como, Diego Maradona, Romário, Hristo Stoichkov, Gheorghe Hagi, Lothar Matthäus, Jürgen Klinsmann, Roberto Baggio, Franco Baresi, Frank Rijkard, entre outros. Alguns em final de carreira, é verdade, mas que ainda demonstravam grande capacidade técnica e poder de decisão.

E nessa Copa, teremos um arsenal fantástico de jogadores, do calibre de Pavel Nedved, Andriy Shevchenko, Thierry Henry, Zlatan Ibrahimovic, Francesco Totti, Frank Lampard, Kaká, Ruud van Nistelrooy, Lionel Messi, e a grande estrela da atualidade, Ronaldinho Gaúcho.

Outro grande atrativo dessa Copa será a presença mais uma vez de Zinedine Zidane, grande astro da seleção francesa, que havia deixado a seleção, mas acabou retornando durante as Eliminatórias e levando os Blues a mais uma Copa, depois de muitas dificuldades antes de seu retorno. E essa será a última participação dele, para tristeza dos amantes do futebol arte, pois após a Copa ele encerra definitivamente sua brilhante carreira futebolística.

Outra prova de que essa Copa promete ser equilibrada, é o grande equilíbrio entre as seleções. No bloco das favoritas temos Brasil, Itália, Inglaterra, Argentina, França e a anfitriã Alemanha, que apesar de não contar com uma equipe tão forte como em outras Copas, terá o apoio de sua fanática torcida.

Nesse bloco, com exceção da Alemanha, o equilíbrio entre as seleções é incrivelmente igual, todas contam com grandes jogadores, que a qualquer momento podem decidir uma partida.

No bloco intermediário se encontra o que talvez seja o fiel da balança, são seleções que mostram times fortes, que podem realmente complicar e muito as seleções consideradas favoritas ao título e porque não até brigar pelo lugar mais alto.

Podemos destacar equipes como Holanda, Espanha, Portugal, Suécia, e a temida Rep.Tcheca (foto), 2ª colocada no ranking da Fifa, que promete um futebol vistoso e ousado.

Outras equipes nessa Copa merecem uma atenção especial, casos de Ucrânia do craque Shevchenko, da Suíça do ótimo zagueiro Senderos, a Polônia que fez uma grande campanha durante as Eliminatórias, e pretende reviver 1974, época em que o carequinha Lato aterrorizava as defesas adversárias.

Além de Croácia, 3ª colocada em 1998, e da Sérvia e Montenegro que sempre prezou pelo futebol bem jogado, ainda quando se chamava Iugoslávia.

Há também as seleções “emergentes”, como o México, que pela primeira vez na história é cabeça-de-chave, os EUA, os asiáticos Japão e Coréia do Sul, e o sul-americano Equador, em sua 2ª Copa consecutiva, que vem fazendo bons papéis nas Eliminatórias Sul-americanas. A grande pergunta em torno do Equador é: o time sabe jogar sem a altitude de Quito?

Essas seleções nos apresentam bons jogadores, que podem fazer a diferença numa partida. No Japão podemos destacar Nakamura e Nakata, já os sul-coreanos contam com o bom Park Ji-sung, jogador extremamente veloz e hábil.

O México conta com o bom zagueiro Rafa Márquez, além de alguns jogadores que vem se destacando em seus clubes, como Santiago Salcido e Ramoncito Morales, ídolo da torcida mexicana, mas que vem lutando por sua titularidade este ano.

Outras seleções são absolutamente incógnitas nessa Copa, como o Irã, que apesar de contar com Ali Karimi e Mehdi Mahdavikia, podem tanto surpreender em seu grupo como serem facilmente eliminados.

Guus Hiddink, dessa vez na Austrália, tenta algo parecido com o que fez com os sul-coreanos em 2002. Levar os australianos o mais longe possível, tarefa nada fácil, mesmo contando com a maioria dos jogadores atuando na Europa, e com o bom Harry Kewell, do Liverpool da Inglaterra.

Mas a maior incógnita nessa Copa talvez seja Costa do Marfim: a equipe realizou uma boa campanha na Copa da África esse ano, chegando à final e sendo derrotada pelo anfitrião Egito.

A equipe conta com Didier Drogba (abaixo), astro do Chelsea, além de Kolo Touré do Arsenal. Muitos acreditam que os Elefantes são os únicos representantes do continente da África que podem fazer uma boa campanha, mas não terão vida fácil na sua jornada, pois enfrentarão ninguém menos que Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro.

Mas os africanos têm por natureza a superação em suas veias, e ela pode ser extremamente útil na caminhada de Costa do Marfim.

Já Gana, equipe com a menor média de idade, possui alguns jogadores técnicos, e com a já habitual força física, mas nenhum deles no nível de Anthony Yeboah e Abedi Pelé, grande astro da seleção nos anos 90 e do Marseille.

Os ganeses apostam tudo em Michael Essien, Sthephen Appiah e Sammuel Kuffour, zagueiro da Roma, que por muitos anos atuou no Bayern de Munique.

Algumas seleções habituadas a disputar Copas do Mundo sabem que não terão vida fácil na Alemanha: são os casos de Paraguai e Tunísia.

O Paraguai vem para sua 3ª Copa consecutiva, mas sem a mesma esperança de sucesso dos outros anos. Mesclando experiência e juventude a torcida paraguaia, não acredita que a equipe possa sequer passar de fase.

A grande chance será arrancar um empate contra Inglaterra ou Suécia, e golear Trinidad & Tobago, e esse é o objetivo do time. Carlos Gamarra, Roque Santa Cruz, Julio dos Santos são as armas do técnico Aníbal Ruiz.

A Tunísia é outra seleção que chega novamente desacreditada em uma Copa. Não pelo time, que nem é tão fraco como em anos anteriores, mas pelo difícil grupo em que caíram. Ucrânia e Espanha ainda são equipes superiores aos tunisianos, mas a fanática torcida acredita que o brasileiro Francileudo dos Santos possa levá-los as oitavas de final, tarefa difícil, mas não impossível para as Águias de Cartago, como é carinhosamente chamada a seleção.

E como é de praxe, depois que a Fifa aumentou o número de seleções de 24 para 32 seleções, neste ano, contaremos com várias equipes frágeis e debutantes.

Algumas como a Arábia Saudita e a Costa Rica, contam com participações em outras edições.

O jovem Noor do Al-Ittihad é uma esperança para os sauditas, um jogador muito ágil, e de bom drible. Além é claro dos eternos Sami-Al Jaber e Al-Deayea, que participam provavelmente da última Copa.

A Costa Rica, comandado pelo brasileiro Alexandre Guimarães, sonha em repetir o feito de 1990, quando ainda jogador, conseguiu a façanha de eliminar Suécia e Escócia. O grupo não é dos mais complicados, Equador e Polônia não são adversários imbatíveis, e o clima na Costa Rica é de extremo entusiasmo.

Paulo Wanchope e Gilberto Martinez são os destaques da equipe que não sabem jogar defensivamente, e abusam do toque de bola e do jogo ofensivo. Os jogos da Costa Rica prometem gols, muitos gols, tanto a favor quanto contra.

E por fim as seleções que provavelmente irão com outros objetivos traçados. A jovem equipe do Togo (foto) conta com apenas um jogador capaz de intimidar os adversários, o grandalhão Emmanuel Adebayor do Arsenal, muito pouco contra equipes do nível de França, Suíça e Coréia do Sul.

A pequena ilha de Trinidad & Tobago está em festa. Desde a classificação obtida diante de Bahrein, a torcida não vê a hora de poder ver seus jogadores atuando em solo alemão. Sim, eles estão cientes de que sua equipe não tem a pretensão de passar de fase. Um ponto já será motivo de comemoração, e se não forem goleados em todos os jogos a festa será maior ainda.

A expectativa dos adversários e do público em geral é saber se o artilheiro da Copa sairá nos confrontos contra Trinidad, tamanha fragilidade de sua defesa. Dwight Yorke é o grande astro da seleção, ele que por um tempo foi um dos bons nomes do Manchester United, no final da década de 90.

Angola, que até 30 anos atrás ainda era colônia portuguesa, com certeza terá a torcida de muitos países, e ela tem tudo para ganhar a simpatia de todos, devido à alegria e irreverência de seu povo. Seus jogadores na grande maioria atuam na 2º divisão de Portugal, demonstrando o baixo nível técnico da equipe. O que ninguém ainda entende é como eles conseguiram eliminar os nigerianos nas Eliminatórias Africanas.

A curiosidade de Angola fica por conta dos nomes de seus jogadores. Nomes incomuns e de certa forma engraçados para nós brasileiros, como Love, Zé Kalanga, Loco e talvez o mais curioso: Lebo-Lebo.

Mas o destino reservou para estes jogadores algo que talvez eles jamais tivessem imaginado em suas vidas: enfrentar Portugal, logo na 1ª partida. Esse jogo para os angolanos é mais que uma partida, envolve sentimentos políticos, civis e familiares. Resta saber se esses sentimentos podem levar os angolanos a algum lugar de destaque. Mas não será uma tarefa fácil, aliás, será muito complicada.

As cartas estão na mesa, a sorte está lançada. Tudo o que dissermos aqui pode cair por terra logo depois da 1ª rodada.

Mas isso pouco importa. O que realmente importa é se teremos uma Copa tão brilhante como de 1994, ou uma Copa tão decepcionante quanto 1990, onde o pragmatismo das seleções imperou.

Que os deuses do futebol nos encham de gols, que possamos ter uma Copa de alto nível técnico, tático, mas acima de tudo, uma Copa de respeito ao próximo, de paz, afinal no maior espetáculo da Terra, não há espaço para o racismo, ideologias neonazistas, atos terroristas.

E que venha a Copa!

quarta-feira, junho 07, 2006

Esquentando os tamborins

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Renato Bosi de Magalhães

E a Copa do Mundo da Alemanha começa nessa sexta-feira. Apesar de a maioria dos jornalistas apontar o Brasil como grande favorito, não vejo as coisas bem assim.

A seleção brasileira é a melhor, mas, numa Copa do Mundo de mata-mata, qualquer tropeçozinho e a “vaca vai pro brejo”. Em 2002, não nos esqueçamos, o Brasil vinha muito mal na primeira fase. Ganhou da Turquia num pênalti mal marcado sobre Luizão. Nas oitavas-de-final, um gol da Bélgica mal anulado, quando a partida estava 0 a 0, poderia ter mudado o rumo da história.

Acredito que a Argentina e a Inglaterra serão nossos principais rivais. Vejo nessas duas equipes vários jogadores que podem decidir. Nosso rival sul-americano virá com muita vontade de apagar a má impressão da Copa passada. Eles caíram em um grupo muito complicado (novamente). Porém, se a Argentina passar por Holanda, Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro, será complicado de segura-la.

Já o time inglês tem um arsenal de boas jogadas. Há a jogada de bola parada de David Beckham para, principalmente, os zagueiros Terry e Ferdinand. As faltas cobradas diretamente ao gol do marido de Victoria Adams também são perigosas. Há também os chutes de fora da área dos meias Lampard e Gerrard, os lançamentos para o rápido Owen, uma cabeçada ou um chute do bom Crouch...

Há ainda as equipes que podem surpreender. Apesar de não ter ido bem nos amistosos, acredito que o México, que fez uma preparação de dois meses, se sairá satisfatoriamente nesse Mundial. Quando se fala em bom goleiro as pessoas logo lembram do italiano Buffon ou do tcheco Peter Cech e se esquecem do ótimo goleiro mexicano Oswaldo Sanchez.

Gosto também da Holanda. Mas o problema é que a seleção dirigida por Van Basten é muito jovem. Gosto de reformulação, mas houve exagero. Concordo que jogadores como Stam e Davids não deveriam ser convocados, estão numa fase descendente de suas carreiras. Mas Seedorf e Roy Makaay, por exemplo, seriam muito importantes.

Portugal deve passar tranqüilo pela primeira fase. Caiu no grupo do México, adversário que, como escrevi anteriormente, é perigoso. Mas Angola e Irã não devem dar trabalho. O problema é que depois enfrentará nas oitavas alguma seleção do “grupo da morte”, também já visto aqui. E não acredito que a equipe do Felipão possa passar por uma Argentina, por exemplo. Apesar de ter jogadores habilidosos, como Deco e Cristiano Ronaldo, falta um cara que faça gols. Figo e Pauleta não são maus jogadores, mas também não são grandes finalizadores.

Agora é esperar a Copa do Mundo começar e constatar se minhas opiniões tiveram algum acerto.

segunda-feira, junho 05, 2006

Justiça por linhas tortas

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Henrique Moretti

Na última quinta-feira o técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira teve que anunciar uma notícia que não agradou a ninguém.

Edmílson, volante/zagueiro do Barcelona e campeão do mundo pelo Brasil em 2002, foi cortado da equipe devido a uma lesão no menisco lateral do joelho direito.

Para seu lugar, Parreira de certa forma surpreendeu, chamando Mineiro, do São Paulo: o jogador de 30 anos era considerado zebra na disputa contra Renato, do Sevilla, e Julio Baptista, do Real Madrid, pelo maior número de aparições entre os listados dos dois “estrangeiros”.

De qualquer forma, a convocação de Mineiro é justa, e foi muito bem explicada por Parreira, que usou o fato de Renato e Julio Baptista já estarem no mínimo há duas semanas parados (a temporada européia se encerrou no dia 20 de maio), enquanto o jogador são-paulino está em plena atividade, inclusive participando da partida da última quarta-feira, diante do Fluminense, pelo Brasileirão. É claro que o modo como se deu a convocação não foi das mais alegres, como o próprio Mineiro observou em entrevista, mas ele se diz muito feliz.

Jogador extremamente discreto e avesso às badalações, Carlos Luciano da Silva, que na verdade é gaúcho de Porto Alegre (herdou o apelido de “Mineiro”, do irmão mais velho), iniciou sua carreira profissional no Rio Branco, de Americana, passando pelo Guarani e ganhando projeção na Ponte Preta, onde alcançou as semifinais do Paulistão e da Copa do Brasil em 2001. Transferiu-se para o São Caetano, conquistando o título estadual de 2004 e chegando, numa idade já avançada (29 anos), a um time grande, o São Paulo. Estreou pela Seleção em 2001, com Leão.

Taticamente, Parreira perde Edmílson, que era sua primeira opção para a reserva dos volantes Emerson e Zé Roberto, cargo que agora deve ficar com Gilberto Silva. Por outro lado, o treinador ganha um volante que pode tanto sair para o jogo com eficiência quanto grudar no principal jogador adversário, feito um “carrapato”.

Enfim, todos se lamentam pela saída do volante do Barcelona, principalmente pelo modo o qual ela se deu, e pelo grande esforço do atleta para alcançar tal vaga na seleção brasileira – Edmílson chegou a ficar 8 meses parado, por conta de outra contusão. Mas cortes fazem parte da rotina das seleções em preparação para uma Copa do Mundo, e como Romário em 98 e Emerson em 2002, Edmílson não poderá disputar a competição. Agora, a bola está nos pés de Mineiro.

Nepotismo?

Já Ilija Petkovic, técnico da seleção de Sérvia e Montenegro, convocou seu filho, Dusan Petkovic (ao lado), para o lugar do bom Mirko Vucinic, atacante que se lesionou durante a disputa do Campeonato Europeu Sub-21, pela própria Sérvia.

O detalhe é que Dusan, jogador de 32 anos do OFK Belgrado, além de não ter participado de boa parte das Eliminatórias para a Copa do Mundo, é zagueiro, portanto de função completamente diferente da do jogador cortado.

O ex-integrante da seleção Dragan Stojkovic considerou a atitude "escandalosa", e vários torcedores a chamaram de "uma vergonha" e de "nepotismo". O atacante do Getafe Veljko Paunovic, preterido na lista sérvia e montenegrina, também não se conformou com a escolha.

A entrada de Dusan na Sérvia lembra o caso da seleção croata, que também vai ao Mundial 2006, em que o treinador Zlatko Kranjcar foi duramente criticado por também chamar seu filho, Niko Kranjcar, para integrar a equipe e ainda mantê-lo como titular do meio-campo.

Porém, no caso croata, a situação é diferente: o jovem Niko, foi eleito o melhor jogador do país em 2004 e vem provando dentro de campo que merece estar na competição da Alemanha.

sábado, junho 03, 2006

A Copa dos grandes jogadores

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Renato Bosi de Magalhães

Essa Copa do Mundo na Alemanha reunirá uma quantidade de grandes jogadores comparável aos Mundiais de 82 e 86, quando desfilavam no gramado craques do quilate de Zico, Maradona e Platini.

Na década de 90 poucas seleções tinham em seu elenco jogadores capazes de decidir uma partida. No Brasil campeão de 94 Romário decidia, mas era só ele. Atualmente a seleção brasileira têm, pelo menos, cinco atletas que fazem a diferença: Kaká, Robinho, Adriano e os Ronaldos. Na Copa de 98 consideravam-se estrelas jogadores apenas esforçados como o francês Djorkaeff e o holandês Kluivert.

Na Copa do Mundo desse ano teremos Totti, Cristiano Ronaldo, Lampard, Gerrard, Riquelme, Messi... É de se lamentar apenas a não classificação de Camarões e, conseqüentemente, a ausência do grande atacante Samuel Eto'o. Torço para que o Rooney, que não jogará a primeira fase, se recupere. Enfim, a presença de ótimos jogadores é mais um bom motivo para não se perder nada do Mundial da Alemanha.


Amistosos internacionais

Inglaterra X Hungria: Confesso que esperava mais da seleção inglesa. A velha jogada do “chuveirinho” foi, disparada, a mais utilizada. Se o atacante Rooney não voltar, a chance de a Inglaterra vencer a Copa diminui consideravelmente. O garoto Walcott, o mais jovem a disputar o Mundial da Alemanha, com apenas 17 anos, não deve ter muitas chances com o técnico Sven-Goran Eriksson. No amistoso contra a Bielorrússia, o ataque titular da Inglaterra foi formado por Owen e Crouch. Já no jogo contra a Hungria Eriksson colocou o meia Gerrard mais à frente, encostando-se a Owen. É engraçado assistir ao grandalhão Peter Crouch jogar. Com 2 metros de altura, ele está mais para um meio-de-rede do vôlei do que para um jogador de futebol. Porém, ele demonstra categoria, com toques de calcanhar, matadas no peito, passes de primeira. Seu terceiro gol contra os húngaros, na vitória por 3 a 1, em que ele, depois de receber um passe do Joe Cole, gira e bate no canto direito, comprova sua técnica.


Alemanha X Japão: O Japão abriu 2 a 0 e poderia ter feito mais. O time do técnico Zico perdeu muitos gols. A evolução da seleção nipônica é clara. Com tabelas rápidas e belos lançamentos, seus jogadores chegavam a toda hora na cara do goleiro alemão Lehmann. Faltou competência. Já a Alemanha jogou o que eu esperava. É uma seleção muito fraca. O ataque titular com Podolski e Klose já diz tudo. Tudo bem que a seleção alemã já era fraca em 2002 e, mesmo assim, fez a final contra o Brasil. Mas o caminho que ela fez até à decisão da Copa Coréia/Japão foi fácil. A Alemanha pegou nas oitavas-de-final o Paraguai. Nas quartas-de-final enfrentou os EUA (que por sinal foram roubados). E, na semifinal, o adversário foi a Coréia. As três vitórias foram por 1 a 0. Portanto, mesmo jogando em casa e contando com sua tradição, não acredito que a Alemanha possa ser campeã.


Lucerna X Brasil: Os depoimentos do Parreira (“foi um bom treino”) e do Juninho (“serviu para treinar”) já dizem tudo. Serviu apenas para a CBF encher mais ainda seus cofres.

sexta-feira, junho 02, 2006

Certas coisas eu não entendo…

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Guilherme Ferreira Ceciliano

Depois de ver Geninho escalando o volante Renato Ribeiro do Corinthians no ataque na última quarta feira e deixando apenas um atacante jovem no banco, fiquei pensando nas coisas que acontecem no futebol. O que será que passou na cabeça do pequeno gênio? Será que ele pensou que o jovem Renato era o novo Júlio Baptista? E Kia Joorabichian? Será que ninguém avisou a ele que um time não se faz apenas de jogadores de meio-campo? Cerca de 10 jogadores de ótimo nível para o setor central, 3 para o ofensivo e nenhum beque com grande qualidade.

Pior que isso só o Flamengo que demitiu Waldemar Lemos (acima). Aliás, não sei o que foi pior: a contratação do irmão de Oswaldo Oliveira ou a demissão do mesmo. O técnico chegou com a pompa de quem já deixou o Mengo em um "glorioso" 8º lugar em 2003 e nesse ano levou o time até a final da Copa do Brasil ante o Vasco. Kléber Leite achou que foi pouco e demitiu o treinador para trazer Ney Franco. Nada contra o técnico ex-juniores do Cruzeiro e Ipatinga, mas o que ele tem no currículo que Lemos não tem? A convivência com o habilidoso Minhoca? Mas a contratação do novo treinador já gerou resultados: o Rubro-Negro carioca já perdeu nesse final de semana e ao que tudo indica deve deixa a vaga da Libertadores com o arqui-rival da Colina.

Mas o pior de tudo que isso não acontece só no Brasil. Já li notícias que o Real Madrid quer torrar cerca de €51 milhões em Zlatan Ibrahimovic. Mas não é só isso: Ruud Van Nistelrooy já se ofereceu pra jogar no clube merengue. Eu já vejo o glorioso Lopez Caro entrando pra história como o criador do esquema 1-1-8. Se não bastasse isso, o Milan contratou o ridículo Favalli (ex-Internazionale), de 34 anos, pra “ajudar” a superar o trauma da aposentadoria de Maldini, 39. Bem um setor desprivilegiado do time: a esquerda (que conta com Serginho, 36, Kaladze, 27, e Jankulovski, 29).

Mas enfim, nem vou gastar meus dedos escrevendo sobre times. A moda é falar da Copa do Mundo. Os jornalistas brasileiros estão dizendo que o "quadrado mágico" não vai durar na seleção, pois o esquema deixa a defesa desprotegida. Eu acho que estou surtando, pois até a semana passada chamavam o Parreira de retranqueiro e clamavam por um quinteto mágico.

Na Argentina, arqui-rival canarinha, o técnico tem a classe de deixar o melhor jogador do país no banco, e ainda desprestigiado. Talvez as bolas que Pablito Aimar meteu na trave de letra não foram suficientes pra provar que ele é melhor que Tevez e Riquelme. E por que Diego Milito, que fez vários gols nessa temporada, ficou de fora? Pior que isso só a Espanha, que vai levar Iniesta e mais um monte de volantes, deixando Vicente de fora. Aragonés está de brincadeira.

De brincadeira também está Sven-Goran Eriksson. Se Rooney não se recuperar a tempo e Owen sentir sua lesão ou for expulso o ataque da toda poderosa seleção inglesa será Crouch e Walcott?

Já a Holanda deve ter muita confiança nos seus atacantes, pra deixar Huntelaar de fora. E a Polônia sem Dudek? E a Alemanha sem Kuranyi? E Quaresma reclamando com Felipão que não foi convocado. Se todos os promissores brasileiros reclamassem um lugar na seleção, teríamos Brasil A, Brasil B, Brasil C…

Certas coisas eu não entendo… mesmo!

quarta-feira, maio 31, 2006

Dois pesos e duas medidas

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Henrique Moretti

Na semana passada, o técnico Raymond Domenech surpreendeu após anunciar seus eleitos para representar a França na Copa do Mundo 2006. As ausências de Anelka, Pires e Giuly ficaram em segundo plano diante da declaração de que o dono da camisa 1 será Fabien Barthez (o 1 fica como força de expressão, já que na verdade ele usará a 16, a da sorte).

A longa batalha vencida por Barthez diante de Grégory Coupet, goleiro do Lyon, claramente em melhor fase que o decadente e irregular “carequinha” vem diretamente na contramão ao anúncio de Jurgen Klinsmann quando este convocou a seleção alemã, proclamando o goleiro em melhor momento, Lehmann, titular, e o experiente mas em pior fase, Kahn, reserva. Não há expressão melhor para definir as duas escolhas como “dois pesos e duas medidas”.

A explicação vem a galope: se no caso alemão Klismann optou pelo goleiro que nitidamente vem jogando melhor, Jens Lehmann, do Arsenal, que chegou a ficar quase 900 minutos sem tomar gol na UCL, preterindo o consagradíssimo Oliver Kahn, que já foi à três Mundiais, Domenech optou pela voz da experiência Barthez, titular em nas campanhas francesas de 98 e 2002, deixando Coupet, que brilha no pentacampeão francês Lyon, no banco.

Apesar de Fabien Barthez contar com toda experiência a seu lado, futebol é momento e o goleiro do Marseille não vive boa fase, e não é de hoje. Desde que aterrisou no Manchester United (na temporada 2000/01) ele não consegue manter uma boa regularidade, tanto é que saiu sem deixar muitas saudades na equipe inglesa. Quanto a Coupet, este, como o concorrente, também não é nenhum garotinho. Possui 33 anos, um a menos que Barthez, e uma boa fase de encher os olhos, tanto física quanto técnica.

Pelos lados bávaros, Kahn ameaçou abrir mão de disputar o Mundial por causa do banco de reservas, mas deixou de lado a opção pelos milionários contratos assinados com sua patrocinadora visando o maior evento futebolístico do planeta. Coupet, por outro lado, é acusado de criar confusão na concentração francesa. A imprensa européia chegou a noticiar no decorrer dessa semana uma briga entre o goleiro e o treinador Domenech, quando, reivindicando um lugar entre os 11 titulares, Coupet teria deixado o hotel onde os companheiros se hospedam em um carro particular, para retornar, arrependido, meia hora depois. Sendo assim, além do aparente “prejuízo técnico” da titularidade de Barthez, a opção aparece como problema para a boa harmonia do grupo francês, com a má conduta do futuro reserva.

Assim, os Blues, agora com problemas internos, ficam mais longe da histórica conquista do bicampeonato mundial, que consagraria ainda mais a geração de ouro francesa, de Zidane, Makelele, Vieira, Thuram e do próprio Barthez, que se despede da seleção nessa Copa. Quanto ao gol, resta aos torcedores que a escolha aparentemente errada de Domenech se apresente acertada, com o seu camisa 16 revivendo as grandes atuações da Copa de 98. Enquanto a resposta não vem, não há como se ignorar a impressão de que essas duas batalhas de tamanha importância poderiam ter sido vencidas a partir de critérios idênticos e mais justos. Não foram.

Coluna também publicada em www.voleio.com

segunda-feira, maio 29, 2006

Não gostou do que viu? Desligue a televisão!

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Daniele Pechi

Há 11 dias para o início da Copa do mundo, vendo os treinos e toda a badalação em cima da seleção me lembrei de uma coisa muito importante: quais são os canais em que os brasileiros poderão ver os jogos mesmo?

Levando em consideração que os assinantes de TV a cabo são uma minoria absoluta, não existe outra opção: Poderemos ver na Globo, ou na Globo e também na Globo.

Mais uma vez a grande emissora tem a prioridade, monopoliza a Copa e os torcedores, que já estão acostumados com isso, nem se dão conta do quanto essa exclusividade não é nada saudável.

Os conservadores podem alegar que essa emissora é a mais bem preparada, que possui os melhores profissionais, os melhores equipamentos... Será?

Quanto aos equipamentos pode até ser, mas pelo que me consta, a transmissão de uma Copa é mundial, ou seja, é gerada para todas as emissoras das mesmas câmeras. Então este argumento não vale!

Com relação aos profissionais, faça você mesmo o teste! Pergunte por aí os 3 ou até mesmo os 5 melhores jornalistas esportivos e veja quantos “globais” aparecem na lista.

O mesmo problema acontece com a cobertura do Paulista e do Brasileiro. Os jogos menos importantes são repassados à Record, mas apenas duas emissoras para cobrir tantos campeonatos (simultâneos) é muito pouco. É fato que a Record se sujeita: enquanto a poderosa transmite a Libertadores, a subordinada fica com a Copa do Brasil.

Por que não buscar uma outra alternativa então?

O órgão que negocia os direitos de transmissão, o famoso Clube dos 13, se acomoda com a situação. Será que emissoras como a Bandeirantes ou o SBT, que transmitiu o Paulista em 2003 (se bem ou mal já é outra discussão), não tem grana nem interesse em comprar esses campeonatos?

A iniciativa de 2003 do SBT, que não foi muito bem sucedida, comprova que o problema não é bem esse!

É importante deixar bem claro que o principal objetivo deste texto não é criticar a Rede Globo, que independentemente de como tenha conseguido esses privilégios, tem os seus méritos. A crítica aqui vai para a forma de como as negociações são feitas.

Se um dia a Globo não quiser comprar os jogos, as outras emissoras querem, mas e se acontecesse o contrário? Se o Clube dos 13 não quisesse vendê-los à Globo? A livre concorrência poderia trazer números melhores para os clubes, ofertas mais altas poderiam surgir.

Outra solução viável seria fazer como acontece na Europa onde cada time negocia com a emissora que tem interesse por suas partidas e aí sim, adquire a exclusividade.

A situação de hoje não é interessante para ninguém pois quem perde é o jornalismo esportivo, que fica resumido a 2 ou 3 emissoras detentoras de imagens, perdem os profissionais da área que poderiam ser em maior número, perdem-se talentos e principalmente perdem os torcedores, que não tem liberdade de escolha. Pensando bem, até que tem: ou seja amigo da Rede Globo ou fique sem futebol, amigo!

sexta-feira, maio 26, 2006

Acima do bem e do mal

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Ricardo Stabolito Junior

Antes do treino da seleção brasileira na última quarta-feira, o repórter da ESPN Brasil André Plihal perguntou ao zagueiro Juan se ele havia assistido, no dia anterior, o amistoso entre Croácia e Áustria. O jogador foi taxativo ao responder não. Quando a pergunta foi direcionada ao lateral Roberto Carlos, o mesmo respondeu que havia assistido apenas ao segundo tempo da partida e, já se adiantando ao repórter, disparou: “Jogar contra a Áustria é uma coisa, jogar contra o Brasil é outra”.

A verdade é que o lateral tem certa razão. O Brasil é um time que está anos-luz à frente do selecionado austríaco – que sequer para a Copa se classificou. No entanto, o que fica evidente em sua declaração, assim como na de Juan, é uma notável indiferença quanto ao jogo. Essa indiferença seria aceitável se o time croata não fosse o adversário do Brasil na estréia da Copa do Mundo, daqui a cerca de 20 dias.

Na cabine de transmissão da ESPN, os comentaristas José Trajano e Fernando Calazans ficaram preocupados. Na sede do canal, em São Paulo, vários e-mails de assinantes criticaram a postura dos dois jogadores. O grande questionamento que surgiu a partir dessas declarações foi: até que ponto o favoritismo brasileiro pode ser benéfico?

Essa discussão já havia sido levantada antes da Copa, mas as declarações dos jogadores foi o primeiro sinal concreto de acomodação no período pré-Mundial. E a preocupação dos comentaristas tem motivos. Apesar de um time com peças individuais invejáveis e muito acima dos outros selecionados, em conjunto esses talentos costumam não apresentar um futebol tão vistoso quanto poderiam. O “quadrado mágico”, que deverá estar no jogo de estréia da seleção contra os croatas, encanta pelas possibilidades, afinal só esteve em ação 60 minutos no jogo contra Venezuela, ainda pelas eliminatórias.

Além disso, favoritismo nunca declarou campeão de torneio nenhum. Ter os melhores jogadores não quer dizer vitória certa, ainda mais quando vemos tempos em que o futebol é “infectado” pelo pragmatismo exacerbado. Diferente de 2002, que mostrava uma Família Scolari empenhada e consciente de suas deficiências, a seleção de 2006 parece cada vez mais pensar que está acima do bem e do mal, apostando em um Ronaldinho Gaúcho que sempre deixou a desejar na seleção, em um Adriano que vem em péssima fase desde o fim da temporada na Itália e em um Ronaldo que vem se recuperando de mais uma contusão – apesar de esse último ser um jogador comprovadamente de decisão, que em 2002 foi machucado para o Mundial e, mesmo assim, foi um dos grandes responsáveis pela improvável conquista do penta.

Portanto, apesar de ser, indiscutivelmente, a melhor seleção do Mundial, o Brasil tem que ter muito cuidado. Assistir a jogos dos adversários – conhecendo o seu adversário – é um passo essencial na preparação de qualquer equipe, da mais forte a mais fraca, principalmente no caso de uma Copa do Mundo, uma competição de “tiro curto”. Afinal, ninguém pode vencer um inimigo que não conhece, ninguém está acima do bem e do mal.

terça-feira, maio 23, 2006

E Beckham responde

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Henrique Moretti

David Beckham não os conhece. Nem deve ligar para o que eles falam. Tampouco sabe que eles existem. Mas eles enchem a paciência de nós, fãs brasileiros, nas transmissões esportivas dos principais campeonatos europeus. Quem são eles? Luciano do Valle, Muller e Mário Sérgio.

Os três integrantes do Esporte Interativo da Band, principalmente os dois últimos, caracterizam-se por uma grande má vontade com o astro nascido na terra da Rainha, o que enraiva o pobre telespectador de TV Aberta, aqui no Brasil.

Por vários jogos, os ex-jogadores e agora comentaristas Muller e Mário pegaram no pé do jogador do Real Madrid, fazendo suposições de mau gosto, perguntando-se onde está o futebol do jogador, que para eles não passa de marketing, e comparando-o com Marcelinho Carioca em uma enquete grotesca. A perseguição era clara.

Gostaria de saber onde estão eles agora, na semana em que David comprovou (como se precisasse) ser um dos jogadores mais regulares da equipe merengue, com uma brilhante partida na despedida de Zidane do Bernabéu, contra o Villarreal, onde serviu duas belíssimas assistências, e com outra grande atuação diante do Sevilla (dessa vez na despedida definitiva do craque francês), em que fez dois gols.

O fato é que David Beckham nunca foi muito querido nas terras brasileiras. Não sei se por ele ser considerado bonito, não sei se é porque é casado com quem é – Victoria Adams, ex-Spice Girl -, ou ainda por ser metrossexual assumido ou por ser o jogador de futebol que mais vende camisas no mundo e atacar de modelo. Dentro de campo, o motivo talvez seja porque sua qualidade parece ser mais fruto de treinamento duro do que dom divino (como se isso fosse um demérito), ou então pelo camisa 7 do English Team não apresentar dribles desconcertantes em seu currículo. Outros ainda consideram-no “amarelão” por causa da partida das quartas-de-finais da Copa de 2002, onde o Brasil bateu a Inglaterra por 2x1, de virada. Até parece que o Spiceboy foi o único culpado.

Mas na verdade a qualidade de Beckham é incontestável. Nascido em 2 de maio de 1975, em Leytonstone, Inglaterra, o jogador iniciou sua carreira no Manchester United, em 93, teve uma pequena passagem de 1 ano pelo Preston North, por empréstimo, retornando ao Manchester em 95. Estreou na seleção inglesa já em 96 e se transferiu para o Real Madrid há três anos. Em sua carreira, ostenta seis títulos da Premier Legue, duas da F. A. Cup uma da UEFA Champions League e um do Mundial Intercontinental, todos pela equipe inglesa.

A derrocada dos Red Devils está inclusive ligada à saída do seu antigo camisa 7 (desde que Beckham se foi, a equipe só conquistou duas copas nacionais), num fato que não pode ser considerado mera coincidência.

Apesar de não ter conquistado um título de expressão pelo Real Madrid (uma Supercopa da Espanha foi o máximo que conseguiu), o futebol do astro cresceu e amadureceu nos gramados madrilenhos. Lá, David ficou ainda mais completo, jogando por várias vezes em posição onde ele não estava acostumado, de volante, sacrificando-se em prol do time. Ele foi sem dúvida um dos únicos que se salvaram da má fase merengue, que se alastra por no mínimo duas temporadas.

Enfim, com os “jornalistas” brasileiros querendo ou não, o Spiceboy seguirá trilhando seu vitorioso caminho na Europa, onde é largamente reconhecido, e aumentando ainda mais sua popularidade na Ásia, onde é, literalmente, amado.

E será o capitão da Inglaterra na Copa do Mundo 2006, onde sua seleção é uma das favoritas ao título, o que abrilhantaria ainda mais a carreira do jogador de toque refinado, lançamentos precisos e cobranças de falta indefensáveis, que mesmo sem ter nada a provar para ninguém no Brasil e no mundo, mostra, em semanas como essa, um pouco do que ainda pode oferecer aos amantes do futebol.

Coluna também publicada em www.voleio.com

sexta-feira, maio 19, 2006

Quem ficou fora da festa

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Dante Baptista


Eles são jogadores famosos, titulares em seus clubes, mas não disputarão a Copa de 2006 na Alemanha. Assim como em outros mundiais, surpresas marcaram a convocação das principais seleções do mundo.


A primeira surpresa foi a não-convocação de Giuly, da França. O atacante está em boa fase no Barcelona e foi o destaque do Monaco na campanha do vice-campeonato da Copa dos Campeões da UEFA em 2004. Nem mesmo o gol que classificou o Barça para a final desse ano credenciou o camisa 8 catalão.


O mesmo caso vale para outros dois atacantes que estão entre os melhores do mundo. Fernando Morientes, que já disputou dois mundiais pela Espanha, está fora da lista oficial da Fúria e Roy Makaay, atacante do Bayer de Munique, que não foi lembrado pelo técnico Van Basten para a seleção holandesa.


Van Basten, que sinalizou uma renovação na Laranja Mecânica, deixou de fora os experientes meio-campistas Clarence Seedorf e Edgar Davids, que seriam recebidos de braços abertos em boa parte dos times que disputam a Copa. Ainda no meio campo, Rivaldo, camisa 10 brasileiro em 98 e 2002, também está de fora.


No Brasil, outras ausências também serão notadas. Entre elas, Marcos, Roque Junior e Serginho, que vive excelente fase no Milan, assistirão a Copa pela TV. Porém, entre os nossos “hermanos”, vários bons jogadores também ficarão de fora. É o caso de Killy González, Veron e, principalmente, Javier Zanetti. Os três jogadores da Inter de Milan foram preteridos por José Pekerman, que levará uma equipe com 19 novatos em Copas.


Dois brasileiros naturalizados também ficaram de fora das convocações de suas respectivas equipes. Eduardo Silva, meio-campo da seleção da Croácia e Kevin Kuranyi, atacante alemão.


Todos esses craques formariam um time, no mínimo, competitivo para uma Copa. Marcos, Zanetti, Roque Junior, Samuel e Serginho; Davids, Verón e Seedorf; Makaay, Morientes e Giuly. O banco de reservas ainda teria jogadores como Lux, Baraja, Eduardo Silva, Kuranyi, Killy González...

terça-feira, maio 16, 2006

Por mudanças na Copa do Brasil

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Henrique Moretti

Imagine uma competição que em 12, 11 ou 10 jogos se conquista uma vaga na Libertadores. Compare com outra onde se tenha de encarar 38 partidas para alcançar o mesmo objetivo. Acrescente ao primeiro caso a ausência de pelo menos 4 das principais equipes nacionais. Some ainda a presença de equipes totalmente sem tradição em detrimento a algumas da Série A do Campeonato Brasileiro.

Agora, pense: se você pudesse optar entre as duas competições descritas acima, qual você escolheria, visando disputar a maior competição futebolística das Américas? A resposta, mais que óbvia, é a primeira.

Vendo assim, um leigo poderia pensar esse caso trata-se de uma utopia. Pois para a surpresa de todos, não! Ele existe, e chama-se Copa do Brasil.

A competição que foi criada pra ser a segunda em importância no cenário do futebol brasileiro, vem assumindo prioridade que não deveria. Tudo porque, em um número quase ridículo de partidas pode dar a seu campeão o mesmo triunfo do campeão do maior campeonato do país, o Brasileirão e mais, ultimamente vem até desvalorizando-o.

Tudo isso porque a Copa do Brasil, dita “caminho mais curto para a Libertadores”, não respeita padrões lógicos de justiça. Primeiro porque é a única copa do planeta que dá a seu campeão vaga direta à maior competição do continente, nos médios e grandes centros. Para traçar um paralelo, na Argentina as vagas para a Libertadores são destinadas aos primeiros colocados nos campeonatos nacionais, o Apertura e o Clausura. Na Europa, a classificação para a UCL é garantida também através dessas ligas, como na Espanha, onde a Copa do Rey garante o campeão “apenas” na Copa UEFA (competição secundária em relação à UCL), o mesmo acontecendo na Itália, com a Copa da Itália, e na Inglaterra, com a Copa da Liga Inglesa.

O que parece ser o cúmulo é ainda pior, considerando que as maiores equipes do Brasil no ano anterior não disputam a edição corrente da Copa do Brasil (os 4 primeiros do Brasileirão anterior e o atual campeão da copa ficam de fora). Um completo absurdo, o que diminui ainda mais o nível da competição, que nesse ano não conta por exemplo com Corinthians, Internacional, Goiás, Palmeiras, Paulista e São Paulo (este por ser o atual campeão da América).

Por fim, nem todos os representantes da Série A do Campeonato Brasileiro têm direito à vaga na copa, o que dirá os times da Segundona. Isso porque, diferente da Europa, onde, por exemplo, na Inglaterra até equipes amadoras podem participar da copa nacional, e porque, numa tentativa de aumentar o peso dos estaduais, os melhores colocados destes vão ao campeonato, sem antes deixar os grandes sempre dentro, num obscuro ranking.

Assim, equipes como Baraúnas e URT roubam vagas de Atlético-PR e Ponte Preta, equipes da Série A, como ocorrido há pouco tempo, e outras do quilate de Paulista de Jundiaí e Santo André sagram-se campeões nacionais, sem ao menos encontrar-se na elite brasileira, e disputando a Libertadores sem brilho algum, como nos dois últimos anos (que fique claro que o colunista nada tem contra os clubes menores, pelo contrário). Além disso, o crescimento dessas equipes pequenas não ocorre, pois uma classificação para um mata-mata como a Libertadores não dá visão a planejamento em longo prazo, como poderia ocorrer no caso de essas equipes alcançarem a primeira divisão nacional. Outro ponto é que estranhamente esses dois “campeões nacionais” não obtiveram sucesso na Série B do Brasileirão (o Paulista não chegou nem entre os 8 em 2005), o que comprova também que a priorização da Copa do Brasil às vezes não deixa tempo para recuperação num campeonato de pontos corridos (ou de um turno com quadrangulares, como era o sistema da Série B na época).

E na atual Copa do Brasil, os técnicos, como conseqüência do “caminho mais curto”, preferem poupar jogadores para o mata-mata de 64 clubes, tirando-os dos confrontos pelo Campeonato Brasileiro, o que deixa uma estranha impressão de que a competição secundária em importância rouba espaço da primária, esvaziando o que era pra ser o principal objetivo dos clubes.

Nos anos recentes, estranhamente também os que chegam às finais da copa não obtém o mesmo êxito no campeonato nacional, o que deixa dúvidas quanto à legitimidade da conquista. Por exemplo o Fluminense, finalista da Copa do Brasil 2005, não obteve classificação entre os quatro primeiros do Brasileirão do mesmo ano, enquanto Corinthians e Internacional, eliminados nas quartas-de-final do mata-mata, alcançaram a liderança e vice, respectivamente, do torneio de pontos corridos. O Corinthians talvez deva, ainda, vários méritos da conquista da Série A para a eliminação precoce na Copa do Brasil, já que esta tirou o técnico Daniel Passarella do clube e ainda ajudou a focar a equipe apenas numa competição, o que possibilitou uma reviravolta após um início ruim; em 2004, num fato ainda mais intrigante, o vice-campeão da Copa do Brasil Flamengo lutou ferozmente contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Pois bem, com os fatos todos devidamente levantados, esperemos para ver o resultado das duas competições nesse ano. O favorito ao título brasileiro, o Santos, já foi eliminado do mata-mata, e o que poderia ser má notícia pode tornar-se em boa, à exemplo de Inter e Corinthians. Dos que seguem, nas semifinais da Copa do Brasil, apenas um pequeno, o Ipatinga, e três grandes do Rio, Flamengo, Vasco e Fluminense. Ninguém ainda garante que, apesar dos bons resultados obtidos por essas três equipes até aqui, alguma delas não estará brigando pelo rebaixamento no Brasileirão ao decorrer do ano, num paradoxo incrível.

Assim, leitor, torço para que mudanças na Copa do Brasil aconteçam (a primeira parece que já vai ocorrer, com a inclusão dos representantes da Libertadores a partir do ano que vem), com pelo menos a adequação do calendário.sem a presença de duas competições nacionais desse porte ao mesmo tempo, pois quem sai perdendo é o futebol brasileiro. E tomara que a distorção seja corrigida, com quem sabe uma utópica vaga à Sulamericana para o campeão do mata-mata (utópica porque dificilmente acontecerá, em curto prazo), o que valorizaria ainda mais o Brasileirão, que é pra ser realmente o campeonato dos sonhos de jogadores, técnicos e torcedores.

Uma outra opção para melhorar o nível da segunda competição brasileira em importância seria inchá-la, fazendo com que ela alcance ao menos todos os times da Série A e B do Campeonato Brasileiro, usando os estaduais para definir quem da Série C participa, abolindo a relevância do Ranking da CBF, mas isso parece algo que os “coronéis” do futebol nacional não estão dispostos a realizar.

A se continuar assim, sou obrigado a refazer a pergunta que abre a coluna: você prefere atingir a Libertadores entre 10 e 12 jogos (subentende-se aqui as fases iniciais da copa, onde se pode eliminar as partidas de volta) ou em 38?

E cabe a réplica: é justo?

Coluna também publicada em www.voleio.com