sábado, junho 07, 2008

Zeballos: um paraguaio entre os astecas

___________________________________________________________
Henrique Moretti


A data é 2 de fevereiro de 2008. A partida, entre Cruz Azul e San Luis era válida pelo Clausura do Campeonato Mexicano e estava empatada por 0 x 0. É então que, aos 10min da segunda etapa, o técnico dos Cementeros, Sergio Markarián, lança mão de um atacante desconhecido para a torcida local. Um minuto depois de ter entrado, em sua primeira intervenção já na estréia, o jogador de 21 anos faz explodir o estádio Azul.

Difícil imaginar que um jogador possa ter uma estréia tão perfeita por uma equipe, mas a descrição foi exatamente o que aconteceu com Pablo Zeballos. Contratado no início deste ano do Sol de América, modesta equipe de Assunção, o paraguaio logo em sua primeira aparição mostrou porque é considerado uma das principais promessas para a Seleção Albirroja.

Para chegar a esse patamar, Zeballos precisou, primeiro, destacar-se como o artilheiro da segunda divisão do Paraguai (Intermedia), sagrando-se campeão da competição com o Sol de América. Em seguida, em uma transferência bastante curiosa, o atacante seguiu rumo ao Oriente Petrolero, da Bolívia, clube que defendeu por empréstimo de seis meses.

O tempo que morou no exterior parece ter feito bem ao jogador, que se adaptou rapidamente e continuou mostrando seu faro de goleador – balançou as redes 16 vezes em apenas 14 partidas. Finda a curta passagem na Bolívia, Zeballos retornou para se consolidar como ídolo do Sol de América. Vice-artilheiro da temporada paraguaia de 2007 com 14 gols, ele foi o principal fator para a permanência da equipe na primeira divisão.

A rápida ascensão do paraguaio o tornou um dos principais alvos do mercado ao fim do ano passado, chamando a atenção de equipes da Europa e da América Latina (especialmente a do River Plate que começava a ser montado pelo técnico Diego Simeone). Ao final, o Cruz Azul venceu a concorrência e assinou contrato válido até 2010 com a promessa.

Dentro de campo, o jogador vem correspondendo às expectativas e teve muitos motivos para comemorar seu 22º adversário, no último mês de março, visto que, desde que iniciou sua trajetória no México com raríssima felicidade, ele já se destaca como um dos homens de confiança do uruguaio Markarián.

A partir daquela partida, que terminou em uma vitória por 4 x 0 sobre o San Luis, o paraguaio participou de todos os outros 13 jogos disputados até aqui pelo Cruz Azul no Clausura. Para se firmar entre os 11 preferidos do técnico, o talento também contou com a sorte: o mexicano Miguel Sabah, principal goleador da equipe, acabou sofrendo uma suspensão de seis jogos da Liga Mexicana. A chance foi muito bem aproveitada por Zeballos, que somou mais três tentos para a sua coleção e outras nove partidas como titular.

Apesar dos bons números em se tratando de bola na rede, vale frisar que o jovem não é propriamente um jogador de área. Com 1,78m de altura, o atacante não se destaca pelo jogo aéreo e costuma procurar as laterais do campo, de onde inicia jogadas que podem terminar em assistências perfeitas para os companheiros de equipe. Assim, ele reúne características que o fazem atuar perfeitamente em qualquer posição do ataque.

Além de causar frisson no México, o atacante também foi recompensado na Seleção Paraguaia, em que recebeu sua primeira oportunidade no amistoso diante de Honduras, disputado em fevereiro passado e que terminou com um placar de 2 x 0 desfavorável à Albirroja. Na ocasião, o treinador Gerardo Martino preferiu conceder chances a jovens jogadores a escalar a equipe que atualmente lidera as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa 2010. Desse modo, atacantes como Roque Santa Cruz, Salvador Cabañas e Nelson Haedo Valdez foram poupados, fazendo com que sobrasse uma vaga para Zeballos.


confira o texto completo em http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=393


terça-feira, maio 20, 2008

Muntari: driblando problemas

___________________________________________________________
Henrique Moretti


O nome de Sulley Ali Muntari já está há tanto tempo no noticiário internacional que é difícil acreditar que ele tem apenas 23 anos de idade. Também pudera: com 16, o jogador já era uma das estrelas do Liberty Professionals, de Gana, a ponto de ser constantemente convocado para a seleção sub-20 do país.

Na seqüência, o passo até o futebol europeu, primeiro na Udinese e depois no Portsmouth, foi dado rapidamente, e a sua precoce presença como titular em uma Copa do Mundo só veio a contribuir com a afirmação do meio-campista no cenário futebolístico, em um destino que fatalmente deve acabar em uma grande equipe européia.

Formação

Nascido na pequena cidade de Konongo em 27 de agosto de 1984, Muntari protagonizou uma ascensão meteórica rumo aos maiores gramados do mundo. Já aos 16 anos, firmou-se como titular do Liberty e rapidamente foi enfrentar rivais até quatro anos mais velhos ao passo que ia colecionando convocações para a seleção sub-20 de Gana.

Antes, seu primeiro momento-chave como jogador das “Estrelas Negras” já havia acontecido. Foi em janeiro de 2001, quando impressionou na disputa da Meridian Cup, competição disputada na Itália naquela temporada e que é organizada entre a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a UEFA para jogadores de até 17 anos.

Três meses depois, Muntari já estava garantido no Africano Sub-20. O torneio acabaria se mostrando decisivo para o avanço da carreira do meia, que brilhou especialmente na semifinal contra a arqui-rival ganesa, a Nigéria, marcando dois gols, um deles em um sensacional voleio, até hoje lembrado.

A surpreendente derrota para Angola na decisão do evento não impediu o jogador de agradar aos olheiros dos clubes da europa. Entre eles, destacou-se o Manchester United, que o levou para um período de testes a cerca de 30 dias antes de completar 17 anos. Podendo atuar como winger-esquerdo, a imprensa da Inglaterra logo atrelou o estilo de jogar ao de Ryan Giggs, grande ícone da equipe dirigida por Sir Alex Ferguson – cabe ressaltar que a porte físico avantajado e o forte arremate que saltam aos olhos em Muntari se diferem bastante do galês, acostumado a se destacar por habilidosas jogadas de infiltração e passes precisos.

Embora o jovem de Konongo tenha agradado e recebido tratamento vip na cidade inglesa, ainda não se daria desta vez sua data de partida rumo à Europa. À época, foi especulado que a proposta dos Red Devils chegou a 1 milhão de libras, valor considerado baixo pelo Liberty.

O fato de não ter permanecido em Old Trafford não abalou o ganês. Ao contrário. A primeira experiência em terras européias parece ter dado ainda mais confiança ao jogador, que passou pela prova de fogo definitiva na disputa do Mundial Sub-20 da Argentina, ainda em 2001. Em julho daquele ano, Muntari foi peça-chave da equipe das “Estrelas Negras”, que foram à uma inédita final, perdida diante da Argentina.


confira o texto completo em http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=444

sexta-feira, abril 18, 2008

Adiel: o brilho que se apagou

___________________________________________________________
Henrique Moretti


Caso você não seja torcedor do Santos, é provável que não reconheça o nome de Adiel de Oliveira Amorim. Hoje um ilustre desconhecido no futebol do Japão, o meia-atacante já chegou a ser um motivo constante de debates quando, há cerca dez anos, apresentou-se como uma das principais promessas da base na Vila Belmiro.

Sucesso inicial

Jogador rápido, driblador e com boa desenvoltura para cair pelos flancos do gramado, Adiel apareceu pela primeira vez na equipe profissional do Santos em 1998, promovido por Emerson Leão. No Campeonato Paulista daquele ano, saiu das categorias de base do clube para ser uma das sombras do problemático meia Caíco que, como ficou comprovado em toda a carreira, tem tanta habilidade quanto acomodação.

As chances de atuar para o jovem, contudo, não eram grandes e só foram aparecer realmente a partir do segundo semestre daquela temporada, na disputa da extinta Copa Conmebol. Adiel foi peça importante na conquista do último título internacional do clube, garantido na épica decisão diante do Rosário Central disputada no Gigante de Arroyito, na Argentina.

À época, a promoção de Adiel ao plantel de Leão tinha relação direta com as qualidades que ele apresentava desde as categorias de base. Antes de subir, havia se destacado na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em um Santos que contava ainda com jogadores como os meias Fumagalli e Eduardo Marques e o lateral-esquerdo Gustavo Nery, todos que nunca atingiram grande brilho entre os profissionais.

Principal destaque daquela equipe, Adiel tinha tudo para ser a exceção dessa regra, mesmo porque levava consigo um diferencial por ter colecionado boas passagens pela categoria de base. No título do Brasil no Mundial sub-17 de 1997, por exemplo, ele esteve presente, fazendo parte da equipe cujos destaques eram Ronaldinho Gaúcho e Fábio Pinto.

Na competição de base disputada no Egito, o então jovem santista era reserva na maioria das vezes, mas isso não o impediu de marcar um dos quatro gols na goleada canarinha sobre a Alemanha, por 4 a 0, válida pelas semifinais. Durante a primeira fase, ele já havia saído do banco de reservas para ir às redes, comandando uma importante virada por 2 a 1 sobre os Estados Unidos.


confira o texto completo em http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=370


quarta-feira, abril 02, 2008

Sergio Ramos: sucesso meteórico

___________________________________________________________
Henrique Moretti


Cerca de 27 milhões de euros, em agosto de 2005, foram pagos pelo Real Madrid para tirar um zagueiro de 19 anos do Sevilla. Muitos se assustaram. O nome da vez era Sergio Ramos, então uma jovem promessa que, passados quase três anos, desabrochou, e ninguém mais duvida de que o negócio fechado por Florentino Pérez, na época o sexto maior da história do clube merengue, foi excelente.

Um prodígio desde muito cedo, Ramos estreou pelo Sevilla com apenas 17 anos, em fevereiro de 2004, posteriormente completando uma temporada em que ainda disputaria mais seis partidas. Porém, foi em 2004/05, com a titularidade na equipe andaluz já assegurada, que o talento do zagueiro começou a sobressair. Nos 38 jogos daquele Campeonato Espanhol, Ramos esteve presente em 31, o que fez com que fosse nomeado a revelação da temporada.

Nesse meio tempo, em 26 março de 2005, o jovem realizou sua primeira partida pela Seleção Espanhola principal, em um amistoso contra a China. Prestes a completar 19 anos, ele se tornou o jogador mais novo a defender a Fúria desde o goleiro Juan Acuna, no longínquo ano de 1941.

Uma lesão de Michel Salgado proporcionou a Ramos, três dias depois, estrear como titular da Espanha em um confronto decisivo com a Sérvia, em Belgrado, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. O fato de o jogador ter correspondido mais uma vez às expectativas só aumentou as especulações acerca de seu futuro.

O sucesso na Seleção, que continuou e o levou à disputa do Mundial da Alemanha, foi apenas mais um passo na carreira internacional do andaluz, pois, antes, ele já havia se tornado um dos pilares da equipe sub-19 em 2004, quando o selecionado espanhol faturou o Campeonato Europeu da categoria, na Suíça.

Um espanhol entre os “galácticos”

Após cumprir esse trajeto meteórico, a chegada ao Real Madrid seria a prova decisiva para Ramos, que de novo não decepcionou. Já em sua primeira temporada pela equipe da capital, começou a mostrar suas qualidades, destacando-se pela garra e disposição aliada a um excelente controle de bola em progressão.

Tal característica o faz atuar com facilidade também na lateral-direita, posição da qual ele virou dono no time de Luis Aragonés e no Real Madrid desde 2007, a partir da saída de Cicinho e das posteriores contratações dos zagueiros Pepe e Metzelder, no último mercado de verão. Apresentando também um ótimo porte físico e não bastando todas as qualidades defensivas, Sergio Ramos também se destaca pela qualidade na subida ao ataque e pelo número de gols – foram cinco apenas em 2005/06, sendo quatro de cabeça.

Não deixa de ser curioso que um dos maiores legados da administração de Florentino Pérez no Real Madrid seja um jogador espanhol. Presidente do clube entre 2000 e 2006, Pérez foi o grande responsável pela “Era Galáctica”. Sob seu comando, os merengues viveram uma época de rejuvenescimento econômico que resultou nas contratações de estrelas como Zinedine Zidane, Luis Figo, David Beckham, Michael Owen e Ronaldo. A única aquisição oriunda da Espanha no período do “Rei Midas” espanhol? Justamente Sergio Ramos.

O zagueiro e lateral, primeiro jogador local a chegar ao clube desde o atacante Pedro Munitis em 2000, acabou se tornando uma das contratações mais acertadas da gestão que foi conhecida por títulos no início (dois Campeonatos Espanhóis e uma Liga dos Campeões) e pela falta deles no final – o que resultou no pedido de demissão de Pérez.


confira o texto completo em http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=342


sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Uma Copinha de histórias e lições

___________________________________________________________
Gustavo Vargas e Henrique Moretti


Surpresas. Decepções. Mais de 160 partidas coloridas por emoção e gols, muitos gols. O futuro do futebol brasileiro. Foi diante desse contexto que o trilhar do apito do árbitro Welton Orlando Wohnrath encerrou, no último dia 25, mais uma edição da Copa São Paulo, a principal competição de base do país. Ao todo, foram 21 dias de pelejas que culminaram no inédito e inesperado título do Figueirense. Dias que nos proporcionaram várias histórias e lições.

Desde 05 de janeiro, quando Cruzeiro e Mirassol inauguraram o certame, até a decisão entre os catarinenses e o Rio Branco de Americana, o Olheiros esteve atento ao que aconteceu dentro das quatro linhas. Com o passar dos jogos, fomos apreciando o surgimento de valorosas promessas – entre elas os precoces Nicão e Neymar – e a queda gradativa dos times considerados favoritos. Alguns decepcionaram. Outros, porém, acabaram não tendo sorte.

Também ficou comprovada a importância dos pequenos. Como não saudar o vice-campeonato do Rio Branco? O que falar da campanha do São Carlos, que eliminou o Cruzeiro (campeão em 2007) nas oitavas-de-final? E de que maneira esquecer-se do Marília-MA, responsável pela queda do Atlético-MG na primeira fase? Exemplos que denotam uma das tantas quebras de clichês por nós verificadas. Sim, o tão combatido “inchaço” da Copinha é benéfico.

Outro aspecto importante do torneio foi a presença de inúmeros camisas dez de qualidade e grande potencial. Ao contrário do mito imposto por diversos segmentos da imprensa dita especializada, o Brasil continua sim possuindo uma excelente matéria-prima no que diz respeito a meias armadores. Os finalistas Felipe e Maicon Talhetti, o colorado Tales, o são-paulino Sérgio Mota, o santista Paulo Henrique e o flamenguista Erick Flores são alguns exemplos.

A partir de agora, o Olheiros destrincha tudo isso e muito mais. É o encerramento de uma cobertura que começou em dezembro passado, através do levantamento de informações de cada uma das 88 equipes participantes, e que ainda contou com entrevistas, boletins diários e previews das partidas decisivas. Um trabalho árduo, mas, acima de tudo, recompensante. Um trabalho que, indubitavelmente, nos orgulhou e nos trouxe um imensurável amadurecimento. Confira![GV]

Os grandes ficaram pelo caminho

Em termos de favoritos não chegarem às fases finais, fatalmente a Copa São Paulo de 2008 será comparada à de 2006. Naquele ano, América-SP e Comercial-SP disputaram a decisão, sendo que desses dois nenhum jogador seguiu bom rumo na carreira. Entretanto, como numa competição de base mais valem jogadores talentosos do que o próprio título, esta Copinha foi bem servida – assim como aquela que muitos desprezam, em que desfilaram Ilsinho, Alexandre Pato e Keirrison, entre outros.

O primeiro grande a cair jogou em Barueri. Após um empate com o Marília-MA, uma das revelações do torneio, e uma vitória sobre o Fluminense-BA, o Atlético-MG precisava bater a equipe da casa. Entretanto, no intuito desordenado de ir às redes, o Galinho acabou sofrendo um solitário gol de Juan, aos 48 minutos do segundo tempo, que mandou a equipe de volta a Minas e que de nada adiantou ao Grêmio Barueri. No Atlético, o veloz atacante Renan foi um dos poucos a se salvar da decepcionante campanha, com quatro gols marcados.

Logo no início da segunda fase, caíram mais duas equipes que nunca chegaram a convencer na competição. Como já era previsto, apenas as boas atuações do goleiro Dida e do atacante Daniel Lovinho não foram capazes de levar o Palmeiras, eliminado pelo campeão Figueirense, adiante. Do mesmo modo, o Vasco não conseguiu superar o hat-trick de Gauchinho, do União São João, ficando clara a falta que fez o meia-atacante Alex Teixeira, alçado aos profissionais aos 18 anos.

Nas oitavas, foi a vez de Corinthians e Flamengo darem adeus. Muito dependente dos gols do rápido Marcelinho e das jogadas do versátil Caju, o Timãozinho caiu frente ao Fortaleza, dos bons Marcos Bambam, atacante, e Bismarck, meia. Já o Fla mostrou muita qualidade na primeira fase, mas a irregularidade do atacante Paulo Sérgio (com passagens pelo time principal) e do meia Erick Flores acabou sendo decisiva para o time perder para o Internacional. O promissor Erick, inclusive, foi expulso na partida, enquanto o artilheiro Pedro Beda também não conseguiu contribuir.

Apontado antes do início da competição como um dos favoritos ao título, o Fluminense foi outro a não decolar, caindo nas oitavas diante do São Paulo. Curiosamente, a derrota veio em uma das únicas boas partidas do tricolor carioca, em que Mayaro e João Paulo mostraram qualidade. Destaque também para Dalton, comandante da defesa que sofreu apenas dois gols nos cinco jogos disputados. O Cruzeiro viveu história parecida. Na primeira fase, a Raposa pouco mostrou além do bom volante Bernardo. Após passar pelo Guarani com um placar mínimo, os mineiros não conseguiram furar a defesa do São Carlos, caindo nos pênaltis.

O tricolor paulista também foi o carrasco do Grêmio, nas quartas. Os gaúchos haviam sido destaque na primeira fase após aplicar a segunda maior goleada do torneio (diante do Ypiranga-PE), apresentando um dos artilheiros da competição, Rafael Martins, além do lateral-direito Thiago e do meia Maylson. Após eliminar dois grandes, porém, o São Paulo sucumbiu ao surpreendente Figueirense, em uma partida que foi decidida por um pênalti discutível e pelas boas defesas do goleiro Gustavo. No confronto válido pelas semifinais, atrapalharam a lesão de Eric e a pouca inspiração de Sérgio Mota.

Apesar do resultado final razoável (eliminado nas quartas para o Inter), o Santos é provavelmente a equipe que mais tem a comemorar. Junto aos já conhecidos Thiago Carleto e Alemão, apareceram o líbero Diego Monar, o cerebral Paulo Henrique e o rápido e letal Thiago Luís. O colorado, por sua vez, caiu nas semifinais, perdendo nos pênaltis para o Rio Branco. Grande destaque do último Brasileiro Sub-20, o meia Tales não esteve tão participativo, e o voluntarioso Walter não conseguiu salvar a equipe como fez contra o Santos.[HM]


confira o texto completo em http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=234

sexta-feira, janeiro 25, 2008

A consagração de Messi

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Na terça-feira, 28 de junho de 2005, as seleções sub-20 de Argentina e Brasil abriam uma série de três confrontos entre equipes oriundas dos países rivais. Ao final, a única vitória hermana foi no sub-20, passando pelos canarinhos comandados por Rafinha, Arouca e Rafael Sóbis. Ainda no dia seguinte, a seleção brasileira principal levaria a melhor na final da Copa das Confederações, por 4 x 1, e o São Paulo garantiria classificação à final da Libertadores ao passar pelo River Plate no Monumental de Nuñez por 4 X 2.
Depois de uma semana, a bela equipe sub-20 da Argentina acabaria conquistando o quinto título mundial do país na categoria, diante da Nigéria, de Taye Taiwo e John Obi Mikel, por 2 x 1.
A campanha para alcançar o caneco na Holanda, porém, havia começado mal, em uma derrota pelo placar mínimo para os Estados Unidos, comandados por Freddy Adu. Mas nada que abalasse a estrutura de garotos como Fernando Gago e Lionel Messi, que ajudaram a Argentina a passar por Egito e Alemanha para ficar com a segunda posição do grupo D – atrás dos norte-americanos.
Nas oitavas-de-final, clássico sul-americano com outro país que costuma revelar bons jogadores e ainda era a atual campeã do continente, a Colômbia: vitória por 2 x 1. Na fase seguinte, o desafio era superar a Espanha, um país ainda mais tradicional em termos de torneios de base. Veio um triunfo por 3 x 1 sobre a equipe de Fàbregas, fazendo a albiceleste entrar de vez no caminho do quinto título mundial. O teste de fogo contra o então invicto Brasil, que também lutava pelo pentacampeonato sub-20, só foi decidido aos 47 minutos do segundo tempo, com Zabaleta aproveitando assistência de Messi. Os dois gols de pênalti que garantiram o título sobre a Nigéria também foram marcados pelo barcelonista, maior estrela daquele certame.
Título “sem Pekerman”
Pode-se afirmar que o título no Mundial sub-20 da Holanda foi um momento de afirmação do futebol argentino de base. Notório revelador de talentos, o país só havia levantado uma taça até 1995, quando teve início a era José Pekerman. Desde a competição daquele ano, disputada no Catar, a Argentina passou a dominar a categoria, vencendo também os eventos de 1997, na Malásia, e 2001, em casa. As três conquistas foram sempre com equipes dirigidas por Pekerman, conhecido pela grande capacidade de trabalhar com jovens jogadores – Riquelme, Cambiasso e Aimar figuram entre os talentos lapidados.
Em 2005, ocorreu o primeiro Mundial Sub-20 sem a batuta do “mestre”, que finalmente havia passado a dirigir a equipe principal, depois de recusar o cargo por mais de uma vez. A partir daí, a história de Pekerman é bastante conhecida: substituiu o campeão olímpico Marcelo Bielsa, mas não conseguiu acabar com o jejum da albiceleste na Copa do Mundo da Alemanha, em uma doída eliminação nos pênaltis frente aos donos da casa. Na oportunidade, o treinador foi duramente criticado justamente por não ter colocado para jogar garotos como Messi, que esquentou o banco de reservas durante todo aquele confronto de quartas-de-final.
Voltando ao sub-20, o trabalho no Mundial da Holanda foi muito bem conduzido por Francisco “Pacho” Ferraro, treinador que já tinha uma boa experiência em categorias de base. Portanto, mesmo que não possa ser considerado um título sem nenhuma participação de Pekerman, essa afirmação para o futebol argentino era necessária. E ela acabou confirmada dois anos depois, no Mundial do Canadá, com os hermanitos levando para casa o sexto caneco, já comandados por Hugo Tocalli. Com o terreno tão bem preparado, era possível haver vida longe do antecessor que marcou época.

confira o texto completo em http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=224

terça-feira, dezembro 18, 2007

Larsson: o homem dos golaços

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Quando, no último dia 3 de dezembro, Sebastian Larsson fez um dos mais belos gols da Premier League até aqui, selando a vitória do Birmingham sobre o Tottenham, em pleno White Hart Lane, muitos se impressionaram com o potencial do garoto sueco. A pancada, desferida já nos acréscimos daquela partida e que atingiu cerca de 110 km/h, marcou a primeira vitória fora de casa dos Blues, desde agosto, quando a equipe passara pelo lanterna Derby County..

Entretanto, quem havia acompanhado a bela temporada realizada por ele na campanha que levou o Birmingham de volta à elite inglesa, já sabia quão bom jogador era aquele que estava pintando.
Nascido na pequena cidade sueca de Eskilstuna em 1985, Larsson (de nenhum parentesco com o já consagrado atacante Henrik, hoje no Helsingborg) iniciou sua carreira juvenil no time da cidade. Entretanto, nunca chegou a jogar como profissional no IFK Eskilstuna, chamando a atenção do Arsenal logo aos 16 anos de idade.
Depois de três anos atuando na equipe sub-19 do gigante inglês, Larsson teve sua primeira chance no time principal diante do Manchester City, em partida válida pela Carling Cup. Realizaria mais duas partidas naquela temporada, e outras nove na de 2005/06, em que realizou seu debute na Premier League e na Liga dos Campeões.
Conhecido pela qualidade no passe e pontaria em faltas e tiros de longa distância, ali Larsson já se sobressaia também pela versatilidade. Meio-campista clássico, chegou a atuar pela esquerda na linha de quatro defensiva dos Gunners.
Foi defendendo o Birmingham, para onde se encaminhou emprestado em 2006, que Larsson alcançou maior destaque na curta carreira como profissional. Com nove gols nas mais de 40 aparições que realizou na temporada (um deles, diante do Sheffield Wednesday, coroado como o “Goal of the Season”), foi um dos principais nomes da equipe na campanha do vice-campeonato da Championship League, que carimbou o acesso de volta à primeira divisão – havia sido rebaixado em 2005/06.
O bom rendimento do sueco provocou sua transferência em definitivo, fechada em janeiro deste ano, por cerca de 1 milhão de libras e com quatro anos de contrato. Hoje efetivado como winger-direito, continua, em caso de necessidade, cumprindo funções mais defensivas, por ambos os lados. Também pode atuar na meia central, papel que exerceu após a chegada de Alex McLeish, treinador contratado no fim de novembro após boa passagem na seleção escocesa.
Na carreira internacional, Seb, como também é chamado, coleciona 12 partidas pela equipe sub-21 da Suécia. Em outubro passado, foi lembrado pela primeira vez pelo técnico Lars Lagerbäck, comandante da equipe principal. O jovem jogador, porém, não entrou em campo nas partidas contra Liechtenstein e Irlanda do Norte, válidas pelas Eliminatórias da Eurocopa 2008.


confira o texto completo em www.olheiros.net

segunda-feira, dezembro 17, 2007

O onze da Copinha

___________________________________________________________
Olheiros.Net

* Jardel

Jardel começou a mostrar seu faro de goleador ao Brasil na Copa São Paulo de 1993, em que faturou a artilharia com nove gols marcados. Sua equipe, o Vasco, não conseguiu repetir o título do ano anterior, sendo eliminada na segunda fase de grupos. Na carreira, Jardel seguiu como goleador por onde passou, destacando-se na conquista da Libertadores de 1995 com o Grêmio e no tricampeonato português, de 96/97 a 98/99, com o Porto. Foi em Portugal que viveu a melhor fase da carreira, ao alcançar médias superiores a um gol por jogo e algumas convocações para a seleção brasileira.


- confira o especial completo em www.olheiros.net

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Diego: Há tempo ainda?

___________________________________________________________
Henrique Moretti

"Os xodós da torcida são mesmo os gêmeos Diego e Diogo. Filhos de João Carlos, ex-lateral-direito do Inter de 1979, estão no clube desde os 12 anos. E desde essa época, os fanáticos colorados esperam os dois crescerem. Diego já é titular do time de Muricy Ramalho (...). Apesar de sondagens de PSG, Arsenal, Barcelona e Feyenoord, a dupla preferiu permanecer e garante que só deixa o Inter depois de um título nacional como o do pai. ‘Queremos dar ao clube o Brasileirão, a Libertadores e o Mundial’”, afirma Diego.

A passagem, que data de 2004 e é de autoria da revista Placar, retrata bem as expectativas geradas por Diego desde a época em que freqüentava as categorias de base do Internacional. Três anos depois, ao traçar um paralelo entre o que o atacante prometia e o que hoje se tornou, chega-se à conclusão de que Diego não passa de uma eterna promessa. Entender os motivos que fazem com que essa promessa nas divisões inferiores não consiga engrenar entre os profissionais é o desafio proposto por este texto.


Trajetória

Atacante destro e driblador, Diego sempre foi considerado o “malabarista” da base colorada. Como a matéria de Placar destaca, surgiram até sondagens do futebol europeu para levar o jogador, lançado na equipe principal do Inter aos 18 anos, pelo técnico Muricy Ramalho, no Campeonato Gaúcho de 2003. Ele logo causou boa impressão, aparecendo bem em duas partidas contra o rival Grêmio. Por sua habilidade, chegou a ser comparado a Denílson, e, muitas vezes, os adversários só conseguiam pará-lo com faltas. No ano seguinte, teve destaque ao deixar sua marca no lendário estádio do Boca Juniors, La Bombonera, em confronto válido pelas semifinais da Copa Sul-Americana.

Por ter causado frisson desde cedo na carreira, passagens na seleção de base também não faltaram a Diego. No Sul-Americano sub-20 de 2005, por exemplo, ele era o camisa 9 do Brasil e fazia dupla de ataque com o então companheiro Rafael Sóbis; no Mundial da categoria, disputado no mesmo ano, também iniciou como titular, terminando a competição no banco de reservas.

É logo após o Campeonato Gaúcho de 2005, do qual o atacante participou de 10 jogos, que começa o seu calvário. O empréstimo ao Santos, para a disputa do Campeonato Brasileiro, poderia ter sido bom para o desenvolvimento de Diego, já que era a primeira experiência longe do clube que o revelou, mas acabou por se mostrar ineficiente. Ao não conseguir emplacar uma seqüência, também em função de uma contusão na virilha, o jogador deixou a Vila Belmiro com apenas um gol marcado.

Como faltava espaço para Diego na equipe do Inter, que, em 2006, conquistou a Taça Libertadores, o atacante foi novamente emprestado, desta vez para o Figueirense. E o que era para ser outra boa experiência na vida de Diego se tornou novamente uma decepção. Na bela campanha da equipe catarinense no Brasileirão daquele ano – em que terminou no sétimo lugar, a apenas três pontos de uma vaga para a Libertadores –, o filho de João Carlos até conseguiu ser titular em algumas partidas, anotando em três delas. Porém, encerrou o ano com um desempenho apenas discreto, ofuscado pelo ataque formado por Scwenk, Soares e Cícero.

O ano de 2007 levaria Diego a tentar espaço em mais um novo centro, o Nordeste. Foi campeão pernambucano pelo Sport, e, com a deficiência na finalização ficando cada vez mais clara, chegou a ser aproveitado como meia. Mais uma vez, sem emplacar uma seqüência de jogos, acabou dispensado após um gol marcado em 10 partidas disputadas.

De volta ao Inter, Diego até esperava ter alguma chance no elenco colorado, mas acabou disputando jogos pelo time B até ser emprestado novamente, agora para o Marília. Um dos motivos para a sua saída tem relação com a chegada a Porto Alegre do técnico Alexandre Gallo, o mesmo que Diego não havia conseguido convencer no Sport. Com Abel Braga, o atleta ainda voltou a ser relacionado para a equipe principal, no entanto, o plantel inchado fez a diretoria optar por um novo e longo empréstimo – deve ficar no interior paulista até o fim de 2009.



- confira o texto completo em www.olheiros.net

terça-feira, novembro 20, 2007

Thiago Neves: 2008 é com ele

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Thiago Neves é um bom exemplo da safra recente de bons jogadores do futebol brasileiro. Tão jovens já atingem destaque e tão logo já se apressam em sair do país. Ter retornado rapidamente também não é privilégio de Neves, tampouco ter encontrado dificuldades na administração da carreira.

Ainda assim, o talento tem se sobressaído: com apenas 22 anos, o paranaense constitui as principais esperanças do Fluminense, que jogará a Libertadores em 2008. Com um ótimo Campeonato Brasileiro, Thiago Neves é, hoje, ao lado do também jovem Arouca, a maior referência técnica do time de Renato Gaúcho. Sem dúvidas, um legítimo prodígio.


Início de trajetória

Ainda que promovido em 2004, foi no ano seguinte que Thiago Neves passou a atuar na equipe profissional paranista, chegando a figurar entre os melhores do torneio estadual. Naquela temporada, já apresentava problemas disciplinares, tanto que, em novembro, acabou afastado da equipe após chegar atrasado a treinamentos. O então técnico paranista, Luiz Carlos Barbieri, não teve dúvidas ao punir o jogador, que também havia tido problemas com o treinador anterior, Lori Sandri.

Thiago, porém, havia feito um ótimo primeiro turno no Brasileirão de 2005. Na surpreendente campanha do Paraná, foi bastante efetivo e se valorizou. Ainda que, depois, os problemas disciplinares tenham minado seu espaço no clube. Barbieri deixou o caso nas mãos da direção e, assim, Thiago Neves foi para o Vengata Sendai.

No clube da segunda divisão japonesa, foi treinado por Joel Santana e teve, ainda, as companhias de Borges, outro ex-paranista, além do meia Lopes, ex-Palmeiras, Juventude e Cruzeiro.


O renascimento

De volta ao Brasil, Neves partiu para o Fluminense, onde atingiu o ponto alto da curta carreira. Primeiramente ofuscado pela grande leva de jogadores contratados pelo clube (foram 16, no total), o jovem meia custou a obter uma chance. Na verdade, o empecilho para ele tinha nome: Carlos Alberto, contratado junto ao Corinthians como o grande trunfo da parceria entre Fluminense e Unimed para 2007.

Com Renato Gaúcho como novo treinador, a melhora nos resultados foi visível. O padrão de jogo passava a existir, e a equipe, apesar de eliminada precocemente no Campeonato Carioca, caminhava, ainda que sob dificuldades, na Copa do Brasil.

Desde o início do Brasileirão, jogadores titulares começaram a ser poupados, no planejamento traçado por Renato. Foi então que Thiago Neves passou a fazer belas partidas, como diante do Internacional, em que começava a mostrar uma de suas fortes características: o chute de longa distância, especialmente em cobranças de falta.Naquela partida, válida pela terceira rodada, o colorado Renan sofreu o primeiro dos 11 gols que Thiago Neves soma, até aqui, neste Brasileirão.

Uma grande seqüência de boas atuações já credenciava Thiago a ser o camisa 10 também da “equipe A” do Flu. Carlos Alberto, porém, sob hipótese alguma poderia perder o lugar no time. Nesse contexto, a transferência do ex-portista - para o Werder Bremen - veio a calhar.

Meio-campo moderno, rápido, com boa aproximação ao ataque e lapidado nos fundamentos, Thiago é nome certo entre os dois meias da seleção do Campeonato Brasileiro, especialmente pelo que fez no primeiro turno. E pode, ainda, integrar o elenco que irá buscar a inédita medalha de ouro em Pequim.

A partir da segunda metade da competição, porém, os problemas extra-campo voltaram a atrapalhar Thiago Neves. Com o contrato expirando com o Fluminense (se encerra em dezembro deste ano), a diretoria carioca esforçava-se para mantê-lo, visando a Taça Libertadores 2008. Entretanto, a possibilidade do meia acertar um pré-contrato, com qualquer outro clube, gerou sondagens de Palmeiras, São Paulo e equipes estrangeiras.

Renato Gaúcho, porém, entrou em ação. O treinador, talvez orientado pela diretoria, decidiu que Thiago Neves só voltaria a jogar quando tivesse o vínculo renovado. Sem pretensões dentro do Campeonato Brasileiro, o Flu se viu em posição cômoda, já que pôde, assim, priorizar a temporada 2008 e pressionar Thiago pela extensão do contrato.

Thiago Neves, porém, já tinha um pré-contrato com o Palmeiras. O vínculo fora acertado em 18 de agosto. Em entrevista, o meia confirmou também o recebimento de luvas no valor de R$400 mil. Dizendo-se arrependido, Neves afirmou ter confiado em algumas pessoas e “ficou cego”.



- confira o texto completo em www.olheiros.net


sábado, setembro 29, 2007

Avante, guerreiras da bola!

___________________________________________________________
Luiz Mendes Junior

Há trinta anos, quando Pelé aceitou jogar futebol nos Estados Unidos pelo extinto New York Cosmos, a empreitada tinha como objetivo popularizar esse esporte por lá. Não deu certo. Pelo menos não para os homens. Às mulheres, foi sucesso total. Do fim da década "disco" até hoje, nosso soccer virou a opção esportiva light popular do "sexo frágil" em solo yankee. Se na America Latina e boa parte da Europa, o futebol foi esporte bruto, "para macho" até pouco tempo, nos lados do Tio Sam era "jogo de mulherzinha", pois "homem que era homem praticava baseball, futebol americano, hóquei ou basquete."

Tal popularidade precoce tornou os Estados Unidos uma espécie de potência mundial precursora. Se, com os marmanjos, passaram quarenta anos sem ir a uma Copa, com as moçoilas figuraram sempre entre os três primeiros, ostentando dois títulos em quatro dos mundiais disputados. Nomes como Michelle Akers, Joy Fawcett e Shannon McMillan logo alçariam condição de referência global.

Abaixo do equador, o clima era outro. Mulheres jogando bola taxadas de lésbicas ou coisa pior. Falta de incentivo à formação e profissionalização de atletas tornaram a América do Sul terceiro mundo no futebol de saias, e a coisa pouco mudou desde então, exceto por um detalhe.

Um detalhe chamado Seleção Brasileira.

Ocorreu devagar. Lampejos de uma geração prodigiosa e guerreira que, desde sempre, lutou contra tudo e contra todos para não perecer. Marta, Formiga, Pretinha... surgiram como curiosidades, ganharam simpatia pública e viraram ícones de garra e perseverança, heroínas nacionais. No começo, tiravam onda nos trópicos com homéricas goleadas, mas caíam ante as "gigantes" chinesas, norueguesas e americanas. Para cada mundial perdido, um choro por apoio e meses de esquecimento até o próximo compromisso importante. Promessas não cumpridas, mal-entendidos, “crocodilagens” e a eterna superação de um time que de zebra virou "pedreira" e agora quer ser grande. Mereceu ganhar ouro em Atenas, faturou dois Pan-americanos e por fim, enfim, desbancou o antigo carrasco, candidato a freguês. Nosso Brasil também quer ser potência entre as meninas, e pode, se nós aqui deixarmos.

Torcerei por elas na decisão, claro, e ainda mais depois. Torcerei para não serem esquecidas. Para que a TV, empresas, federações, e nós, o público "pagante", não as deixemos de lado, ou viverão sempre comendo migalhas dos rapazes, apesar do esforço e glória alcançados.

Nos "estates", o fenômeno é inverso. A velha zebra yankee da seleção masculina, ressurgida às copas de 90 para cá, mostra sinais evolutivos claros. Fez bonito em 2002, deu azar em 2006 com uma chave difícil e hoje consegue encarar o Brasil de Kaká e Ronaldinho quase de igual para igual. Não duvido que em alguns anos os homens, e não as mulheres, sejam o sexo forte no futebol de lá. A pergunta é: Isso bastaria para popularizar o "soccer for men"? E aqui? Algo inverso ocorreria com um título feminino em copa do mundo?

Bom... vamos aguardar.


Texto também publicado no blog: http://www.noticiasdofront3.blogspot.com

quinta-feira, setembro 27, 2007

Em busca do equilíbrio

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Passadas cinco rodadas do Campeonato Italiano, o Palermo faz uma boa campanha. Tem 10 pontos e está no quinto lugar, empatado em pontuação com terceiro e quarto colocados, Juventus e Napoli. Na rodada do meio de semana, conquistou um grande resultado.

O 2 a 1 diante do Milan não só significou a primeira vitória da temporada no Renzo Barbera, mas também o gostinho especial de bater um grande time e, mais, ter a oportunidade de encaixar um bom histórico recente diante dos rossoneri – já havia conquistado uma vitória e um empate na última Serie A.

Antes, no domingo, a equipe de Stefano Colantuono bateu o Cagliari, mantendo o 100% de aproveitamento quando joga longe da Sicília: são três vitórias, uma na Copa da Uefa, diante do Mlada Boleslav. O placar obtido na Sardenha também foi importante por tirar a pedra Cagliari do sapato palermitano, já que o time que à época tinha David Suazo venceu os dois confrontos do Calcio 2006/07.

Voltando ao jogo contra o Milan, é verdade que o Palermo não passou de uma atuação média. Foi pressionado na maior parte da peleja, especialmente no primeiro tempo. Aliás, os primeiros minutos lembraram os da derrota diante da Roma, na primeira rodada, parecendo que o gol do adversário seria questão de tempo. E foi, com Seedorf, aos 10 minutos. A partir daí, foram vistas boas defesas de Fontana, em tentativas de Kaká, e duas bolas na trave, com Pirlo e Seedorf.

Entretanto, os sicilianos cresceram na partida após a volta do intervalo, quando as substituições de Colantuono mudaram o esquema de jogo – que ainda não foi definido. Este ainda é um dos problemas da equipe, já que o treinador implantou, até aqui, cinco escalações diferentes em seis jogos disputados (dois onze jogadores que alinharam na última quarta-feira, apenas seis foram titulares contra a Roma). Ganhador do prêmio Il Torrazzo, de técnico revelação das Series A e B da temporada passada, Colantuono iniciou a temporada com um 4-2-2-2, com dois volantes e dois externos; depois, resolveu improvisar o atacante Cavani como um desses wingers, pela direita; atualmente, desde a vitória sobre o Cagliari, a equipe joga num 4-3-1-2, com três volantes e apenas Bresciano como homem de ligação, função que não é o seu forte.

Aos 16 minutos do segundo tempo, quando o encontro contra o Milan começou a mudar, Cavani entrou no lugar de Caserta para jogar na externa esquerda, com Bosko Jankovic, substituto de Bresciano, fazendo essa mesma função do outro lado. A partir da velocidade do jovem uruguaio, os rosaneri subiram de produção e passaram a incomodar Kalac – o suficiente para sair os gols de Diana, com uma “mãozinha” de Amauri, e Miccoli, com uma “mãozinha” do goleiro australiano.

Mas nem todos as indecisões do Palermo estão na escolha tática. Outra dor de cabeça para o torcedor continua sendo a lateral-esquerda, em que Cassani, destro, jogou improvisado diante do Milan. Pior, acabou errando muitos passes, além de subir muito ao ataque, o que não combina com sua função de terzino (que tem como prioridade a defesa).

Assim, buscando ainda um equilíbrio ideal, o Palermo pode assustar novamente no Cálcio atual, tendo como trunfo a vantagem de já ter enfrentado dois candidatos ao título. O próximo adversário é o Empoli, na Toscana.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Ruim, "ma non tanto"

___________________________________________________________
Henrique Moretti

A temporada 2007/08 do Campeonato Italiano começou para o Palermo com um paradoxo. A derrota na estréia diante da Roma, em pleno Renzo Barbera, ficou claramente aquém das expectativas da fanática torcida rosanera. Ao mesmo tempo, porém, o bom segundo tempo deixa boas perspectivas para a seqüência da competição.

Alguns motivos podem ser apontados a fim de que palermitano tenha confiança no futuro de sua equipe. Primeiro porque perder para a Roma não é demérito algum – inclusive na última Série A, os sicilianos sofreram um 4 a 0 no Olímpico, quando figuravam entre os líderes do Calcio. Derrota que viria a se repetir, por 2 a 1, no returno. Além do mais, esta nova Roma está fortíssima, pois praticamente manteve a base (exceção feita a Chivu) e ainda trouxe jogadores que dão profundidade ao plantel de Luciano Spalletti. Desse modo, tem tudo para, desta vez, brigar pelo scudetto de igual para igual com os financeiramente mais poderosos Inter e Milan.

Em segundo lugar, falando mais especificamente do desempenho rosanero, a equipe mostrou bom futebol na segunda etapa, depois do péssimo início de jogo – em 27 minutos a Roma já tinha construído o placar final. O fato é que Stefano Colantuono escalou mal a equipe, ao jogar com 4 volantes de origem, dois deles efetuando funções a que não estão acostumados (Tedesco e Jankovic). Simplicio e Guana protegiam à zaga, ou deveriam fazê-lo, já que também não obtiveram sucesso. Um Miccoli apagado e um Amauri sem seu melhor ritmo de jogo ainda contribuíram para a derrocada, bem como a atuação de Capuano. O lateral-esquerdo barrou Dellafiore, mas na verdade nem os dois, nem Pisano conseguem suprir a carência na posição, que necessita de ao menos um reforço.

Na segunda etapa, o ex-técnico da Atalanta fez boas substituições, sacando Tedesco e Jankovic para as entradas de Bresciano (que mesmo sem estar 100% fisicamente não pode ser reserva) e Cavani. O Palermo melhorou bastante, apesar de os primeiros minutos terem sido dominados novamente pela squadra da capital, que obrigou o goleiro Fontana a pelo menos duas boas intervenções. Migliaccio entrou em seguida, no lugar de Guana, em mais uma alteração ofensiva de Colantuono.

Com o tempo os rosaneri se ajustaram em campo, tendo Cavani aberto pela direita e Miccoli pela esquerda, com Migliaccio organizando melhor o jogo. Desse modo, Amauri não esteve tão isolado e passou a participar mais, especialmente em arrancadas. No mínimo, três chances claras de gol foram criadas: Miccoli acertou a trave de Doni, que ainda fez milagre em chute à queima-roupa de Cavani e viu Rinaudo, sozinho, desperdiçar cabeceio após cobrança de escanteio.

O maior volume de jogo fez o Palermo merecer ao menos um gol, que, entretanto, não veio. Mesmo assim, ficam boas perspectivas para a próxima partida, contra o Livorno, que estreou sofrendo goleada da Juventus; a volta do “selecionável” Diana, que estava suspenso, pode ajudar, enquanto Bresciano não deve ficar novamente no banco, o que aumenta de forma considerável o poder de fogo do clube quinto colocado na última temporada.


também publicado em www.futeboleuropeu.com.br

segunda-feira, agosto 13, 2007

O ceu e o inferno "rosanero"

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Começou no céu e terminou quase no inferno. Assim pode ser resumida a temporada 2006/07 do Palermo, maior clube da Sicilia na primeira divisão do Campeonato Italiano. No começo da competição, os rosaneri chegaram a formar a única equipe capaz de fazer frente à superlíder Internazionale. Porém, um péssimo segundo turno deixou o time treinado por Francesco Guidolin na decepcionante quinta colocação, fora da zona de classificação à próxima UEFA Champions League, espaço ocupado pelo Palermo durante quase toda a Série A.

Alguns fatores podem ser apontados como decisivos nessa grande derrocada do clube siciliano. Deles, destoam dois: as contusões de seus dois melhores jogadores, o volante Corini e o atacante Amauri. O primeiro, capitão e ponto de equilíbrio da equipe, demorou para se recuperar de uma lesão no nariz, enquanto o segundo, que era um dos líderes da artilharia do primeiro turno, sofreu grave contusão no joelho e ainda não atuou em 2007.

Maurizio Zamparini, milionário que controla o Palermo desde 2002, quando os sicilianos estavam na Série B e longe da elite desde a longínqua temporada de 1972/73, ainda tentou contornar a lesão de seu principal atacante, contratando, na inter-temporada, dois jogadores para o setor: o talentoso Cavani, destaque do Uruguai no Sulamericano e no Mundial sub-20, e o dinamarquês Matusiak, com passagens pela seleção do país escandinavo. Como a maré de azar pelos lados do Renzo Barbera teimava em passar, o jovem uruguaio também acabou lesionando justamente quando seu futebol começava a sobressair.

Mas nem só de problemas com lesões conviveram os rosaneri no segundo turno do Italiano. Guidolin não conseguiu encontrar um esquema de jogo eficiente e, sem contar com seu principal volante e atacante, mudava taticamente a equipe em praticamente todos os jogos. Houve um momento em que o torcedor palermitano não sabia mais se o time jogava com 2 ou 3 zagueiros, ou se com apenas 1 atacante. Mais rodízio via-se no gol, em que inexplicavelmente o treinador dava chances ao irregular Agliardi, em detrimento do veterano, e mais seguro, Fontana. As pressões de Zamparini, que não costuma deixar as comissões técnica que controla em paz, também atrapalharam a caminhada do Palermo, e Guidolin viveu na corda-bamba em toda a segunda metade da temporada, tendo sido inclusive demitido e, logo depois, recontratado.

Visando à temporada 2006/07, o que há nas bandas do Renzo Barbera são incógnitas. Os torcedores sabem que, sem a punição a equipes como Milan, Lazio e Fiorentina, e com a volta da poderosa Juventus, junto às promoções dos também tradicionais Genoa e Napoli, o Palermo inicia a nova época muito mais distante do sonho de disputar pela primeira vez a UCL. Zamparini também aparece menos arrojado neste mercado de verão, e contratações de impacto, como na última temporada (quando vieram Bresciano, Diana, Fábio Simplício e Amauri, entre outros), estão mais raras.

A equipe que entrará em campo na primeira rodada, em 26 de agosto diante da Roma, deve ser bem diferente da que encerrou a última Série A na quinta posição, qualificando-se para a Copa da UEFA. A começar pelo banco de reservas, em que Stefano Colantuono, que levou a Atalanta a uma honrosa oitava colocação no último Nacional, substitui o sempre criticado Guidolin. O capitão também mudou de ares: Corini deixou o clube que defendeu por 4 anos para voltar a jogar no norte do país, na equipe do Torino. Um dos principais atacantes, Di Michele, rumou ao clube grená de Turim. Nesse mesmo setor, Caracciolo também se transferiu. O antigo camisa 10 do Palermo irá jogar na Sampdoria, e deixa a Sicília sem deixar muitas saudades, já que se esperava muito dele quando saiu do Brescia com a boa referência do título europeu sub-21 conquistado pela Seleção Italiana, em 2004.

Para o lugar das baixas no ataque, veio Miccoli, que pintou como uma grande promessa do futebol italiano e, depois de não convencer na Juventus, perambulou por Fiorentina e Benfica, sem atingir grande sucesso. Para o meio-campo, uma promessa: Bosko Jankovic, destaque da Sérvia no último Campeonato Europeu Sub-21 e ex-jogador do Mallorca. Outros jogadores também se juntaram ao plantel rosanero, dentre eles o goleiro Ujkani, ex-Anderlecht, o zagueiro Rinaudo, ex-Siena, o meia Migliaccio, ex-Atalanta, e o atacante Matteini, ex-Empoli.

A tarja de capitão ficará em boas mãos se o zagueiro Barzagli, campeão do mundo pela Itália em 2006, rechaçar as especulações que o colocam nos tradicionais Juventus e Fiorentina, o que deve acontecer. Já Bresciano pode ir para o Manchester City e será uma grande perda se a transação se confirmar.

Para completar, a lateral-esquerda ainda é problema, com a falta de boas opções para Colantuono, já que Pisano e Dellafiore não conseguem suprir a lacuna deixada na lateral-esquerda após a saída de Fabio Grosso para a Inter, ocorrida 1 ano atrás.

E assim, com objetivos mais modestos que os do ano passado, o Palermo começará sua caminhada na temporada 2007/08 do Campeonato Italiano. Zaccardo chegou a afirmar que a nova meta é se firmar na “zona da Europa”, com uma nova classificação à Copa da UEFA – que seria a terceira seguida do clube –, ou, num sonho mais distante, alcançar uma vaga na fase preliminar da UCL.


também publicado em www.futeboleuropeu.com.br

sexta-feira, agosto 10, 2007

Pontapé inicial na Copa Sulamericana

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Talvez você ainda não saiba, mas a edição 2007 da Copa Sulamericana já começou. Foi sem muito alarde, é verdade, em 31 de julho, com Audax Italiano, do Chile 2, e Jorge Wilstermann, da Venezuela, 0.
A competição, que no Brasil e na Argentina começa apenas com confrontos domésticos, teve, de lá para cá, mais 7 jogos.
Na última quinta-feira, o Audax passou pelo Wilstermann, ao empatar o jogo de volta por 1 a 1. A equipe chilena se qualificou para disputar uma vaga nas oitavas de final contra quem se sair melhor entre Defensor Sporting, do Uruguai, e Libertad, do Paraguai.
Na primeira partida, disputada também na terça, em Montevidéu, melhor para os donos da casa, que venceram por 2 a 1.
Na quinta-feira, os chilenos do Colo Colo também garantiram vaga na segunda fase eliminatória, ao baterem em Santiago o Real Potosí, da Bolívia, por 3 a 1. As duas equipes haviam empatado o jogo de ida, na semana passada.
O Nacional de Medelín ainda abriu com vitória o mata-mata diante do Universitário, do Peru. Os colombianos venceram fora de casa por 1 a 0.
Na quarta-feira, houve o primeiro duelo argentino, o mais esperado da rodada, já valendo vaga nas oitavas de final. Melhor para o Lanús, que venceu em casa o Estudiantes de la Plata, campeão nacional em 2006, por 2 a 0. Pelletieri e Sand marcaram os gols, enquanto Verón, lesionado, foi substituído ainda no primeiro tempo. Com o resultado, sua equipe ficou em situação difícil para a partida de volta, a ser disputada somente em setembro.
O vencedor desse confronto encara Atlético Paranaense ou Vasco da Gama, que estréiam na próximo meio de semana, na Arena da Baixada.
Figueirense e São Paulo, no Orlando Scarpelli, e Goiás e Cruzeiro, no Serra Dourada, também inauguram a participação brasileira na competição. Os outros dois canarinhos, Botafogo e Corinthians, só se enfrentam no dia 22 de Agosto.
Esta é a sexta edição da Copa Sulamericana, que substituiu a extinta Mercosul em 2002. Naquele ano, o argentino San Lorenzo se sagrou campeão. Daquela data em diante, foram duas conquistas argentinas (ambas com o Boca Juniors), uma peruana, do até então inexpressivo Cienciano, e uma mexicana, do Pachuca, que bateu na decisão do ano passado o Colo Colo.

Ou seja, nenhuma equipe brasileira conseguiu ser campeã do segundo torneio sulamericano em importância. Será dessa vez que a competição irá "pegar" por aqui?

sexta-feira, agosto 03, 2007

Altos e baixos no Lyon

___________________________________________________________
Henrique Moretti

A temporada que se encerrou na França terminou de modo parecido com as cinco edições anteriores. O Lyon, equipe dos brasileiros Juninho Pernambucano, Fred, Caçapa, Cris e Fábio Santos, garantiu seu sexto título da história, todos conquistados de forma consecutiva, na maior hegemonia da história do futebol francês. Os lioneses não deram chance aos adversários desde o início do campeonato, encerrando o primeiro turno com 15 pontos de vantagem para o segundo colocado, na época o Lens. Tamanha vantagem não tinha como ser tirada na seqüência da competição, e nem a queda no rendimento da equipe, desgastada após ser eliminada nas oitavas da Copa dos Campeões da Europa contra a Roma, em casa, fez com que o caneco mudasse de mãos. Porém, a dramática eliminação trouxe problemas disciplinares, e jogadores como Caçapa, Fred e Diarra foram suspensos. O desgaste culminou no pedido de demissão do treinador Gerard Houllier, que estava há dois anos no cargo.

Ao final, a Ligue 1 terminou com o Olimpique de Marselha no segundo lugar, 17 pontos atrás do time campeão. Desse modo, o tradicional clube atingiu o objetivo de voltar a disputar a maior competição de clubes da Europa. Em terceiro, também com vaga garantida na Copa dos Campeões, ficou o Toulouse, apenas um ponto à frente de Rennes e Lens, que garantiram participação na próxima Copa da Uefa. Troyes, Sedan e Nantes caíram para a Ligue 2.

Os destaques da competição foram Malouda, que já deixou o Lyon rumando ao Chelsea, e Nasri, meia do Marselha que pode se transferir para o Real Madrid. De origem argelina, o jovem jogador é considerado o sucessor de Zinedine Zidane.

Se a hegemonia do Lyon no Campeonato Francês continua intacta, os problemas da equipe tiveram conseqüências nas Copas Nacionais. Na Copa da Liga, em que participam apenas equipes profissionais, os lioneses foram derrotados na final pelo Bordeaux, time que era dirigido por Ricardo Gomes, hoje no Mônaco.

Na Copa da França, que abriga inclusive clubes amadores, o clube supercampeão também decepcionou, caindo de forma precoce. Melhor para o Sochaux, que conquistou o torneio pela segunda vez em sua história, ao bater nos pênaltis o Olympique de Marselha, no Stade de France. O confronto, que encerrou um jejum de 70 anos do Sochaux e ainda lhe garantiu uma vaga na Copa da Uefa, havia acabado empatado por 2 a 2, após tempo normal e prorrogação. O herói da conquista foi o goleiro Richert, que defendeu duas penalidades.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Erros e acertos do Brasil nesta Copa América

___________________________________________________________
Luiz Mendes Junior


Não é segredo para o maior leigo em futebol que a seleção brasileira teve um pífio começo nessa competição, algo enfatizado em meu último post. Um time mal convocado e mal escalado que, diferentemente de 2006, conseguiu encontrar uma combinação competitiva e um conjunto na hora certa. Se tudo esteve a ponto de dar errado em diversas ocasiões neste torneio por vacilos do treinador e de alguns atletas, não podemos ignorar também seus méritos. O esforço e a aplicação tática de jogadores dedicados, inteligentes, capazes de elevar suas claras limitações técnicas ao limite máximo da eficiência. Se não ostentaram o talento diferenciado das estrelas ausentes, compensaram nos fundamentos que nelas sempre faltam, mostrando que é possível também vencermos pelo conjunto, pela tática, força física, estratégia, repetição e conhecimento do adversário. Fizemos domingo com a Argentina mais ou menos o que a França fez conosco em 2006. Fomos o antídoto contra o veneno deles. E nisso entram também, e muito, os méritos de um treinador que tem muito a aprender, mas já dá sinais de uma nova visão para nosso futebol. Não pense você que sou dos que imaginam um futuro sem Ronaldinho, Kaká ou mesmo Ronaldo. Precisamos e sempre precisaremos de estrelas. Todo time grande precisa, e Dunga não é idiota em achar que conseguirá manter uma seleção do nível desta que disputou a Copa América nas eliminatórias, seleção que só fez uma grande partida em todo o torneio, que dependeu de um penalty chutado na trave e outro com o goleiro absurdamente adiantado para seguir adiante e poder fazer sua despedida de gala.
Esta Copa América me alegrou por tudo de novo que Dunga e sua mentalidade poderão trazer ao Brasil, ainda que ele não permaneça no cargo até 2010, todavia, não podemos, como na copa das confederações de 2005, qualificar um elenco pela performance de uma partida, ou correremos o risco de tomar outra vez o susto da última Copa.
Triunfos como o do Internacional sobre o Barcelona ou o do Brasil B sobre a Argentina A acontecem quando se tem consciência da necessidade de conhecer seu adversário e elaborar métodos para neutralizá-lo, pensar no antídoto contra o jogo dele antes que se desenvolva o próprio jogo ofensivo. Quando se reconhece o poderio do oponente e as próprias limitações - E o Brasil, como qualquer outra seleção, sempre teve limitações, por mais estrelas que ostente em campo - minimiza-se a possibilidade de amargas surpresas pelo plano A ou B do adversário. Muitos cronistas, técnicos e torcedores insistem em avaliar futebol tendo uma mentalidade clássica como referência, onde técnica, criatividade e talento individual bastam para se ter um grande time. Jogar bem numa partida implica também em não deixar o outro jogar bem, em destruir a criatividade do outro para que se tenha um campo fértil onde fazer fluir a própria criatividade. Essa lição, freqüentemente esquecida por nossos entendidos dentro e fora das quatro linhas, é esporadicamente lembrada em momentos de crise ou quando estamos diante de um adversário reconhecidamente forte como a Argentina. Não é a toa que os vencemos 4 vezes nos cinco últimos confrontos, com direito a 3 "chocolates".



Texto também publicado no blog: http://www.noticiasdofront3.blogspot.com

sexta-feira, julho 27, 2007

Palmeiras e Juventude se enfrentam com objetivos distintos

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Vencer e reembalar no Campeonato Brasileiro. Esses são os objetivos do Palmeiras para o duelo contra o Juventude, neste domingo, no estádio Alfredo Jaconi. Depois de ver sua invencibilidade de cinco jogos quebrada no último fim de semana, na derrota diante do Paraná, o Verdão conseguiu uma excelente vitória na quarta-feira, ao vencer o Vasco da Gama de virada por 3 a 2,. Agora, se prepara para encarar a equipe da serra gaúcha, apenas décima-sétima na classificação e afundada na zona do rebaixamento. Ocupando a outra ponta da tabela, o clube paulista está em sexto lugar e tem novamente a chance de ingressar no grupo dos quatro primeiros, que vão disputar a Taça Libertadores do ano que vem.

Na Academia de Futebol, o clima é de alívio após o suado triunfo contra os cariocas, e os holofotes se viraram novamente para o atacante Luiz Henrique. Ele marcou o gol que decidiu o confronto nos minutos finais, assim como havia feito em sua estréia, no 1 a 0 diante do Náutico.

Para enfrentar o Juventude, em partida válida pela décima-quinta rodada do Brasileirão, Caio Júnior tem desfalques importantes. Além do reserva Makelele, expulso no meio de semana, o técnico não vai contar com Valdivia e Edmundo, suspensos pelo terceiro cartão amarelo. Rodrigão, que não teve uma boa estréia diante do Paraná, será poupado, a fim de melhorar sua condição física. Mesmo com os problemas, Caio Júnior não está tão preocupado quanto ficaria em outras ocasiões, já que hoje o Palmeiras tem a disposição um plantel grande e com opções variadas. Desse modo, o novo talismã Luiz Henrique deve entrar na vaga do Animal para formar o ataque com Max, enquanto o meia Deyvid ocupará a posição do Mago, com Caio ficando no banco de reservas. Na zaga, Dininho retorna de suspensão e retoma o lugar que foi do jovem David na partida contra o Vasco.

Pelos lados do Juventude, novidades na comissão técnica. O treinador Flávio Campos abandonou o posto após a derrota para o Botafogo, na última quinta, por 3 a 1. Assim, o coordenador técnico Valteir Franco, que já dirigiu a equipe de forma interina em outras oportunidades, assume o cargo contra o Palmeiras até que um substituto seja anunciado.

Para tentar afastar do clube o fantasma do rebaixamento, a diretoria gaúcha se mexeu e trouxe dois reforços para a seqüência da competição. O primeiro deles é o zagueiro Régis, aquele mesmo revelado no Internacional e que teve passagens por São Paulo e Fluminense. Ele estava no Viborg, da Dinamarca. O outro é o volante uruguaio Marco Vanzini, capitão e ídolo do Nacional, de Montevidéu. Os jogadores, como vieram do futebol estrangeiro, só poderão estrear no início de agosto.

terça-feira, julho 24, 2007

Zebras na Alemanha

___________________________________________________________
Henrique Moretti

A temporada 2006/2007 do Campeonato Alemão foi absolutamente sensacional. Disputada até a última rodada, a competição contou com várias trocas na liderança da tabela e uma grande surpresa levantando a taça. No fim, melhor para o Stuttgart, que, com uma virada sobre o Energie Cottbus na última rodada, conquistou a terceira Bundesliga de sua história. Para encerrar com um jejum de 15 anos sem títulos do Campeonato Nacional, a equipe do sudoeste alemão teve de superar os poderosos Bayern de Munique, Werder Bremen e Schalke 04. Sem precisar se dividir entre Liga e competição européia, como seus grandes rivais, o Stuttgart teve na revelação Mário Gómez seu grande nome. Filho de espanhóis e autor de 14 gols na competição, Gómez apresentou grande evolução e garantiu vaga cativa nas últimas convocações da Seleção Alemã. Outros destaques da equipe dirigida por Armin Veh foram o volante mexicano Pavel Pardo, o meia Hitzlsperger e o atacante brasileiro Cacau.

O Bayern, detentor de 6 dos últimos 10 Nacionais, encarou um ano muito irregular, que incluiu troca de técnico (saiu Feliz Magath e entrou Ottmar Hitzfeld) e acabou culminando na não-classificação à Copa dos Campeões da Europa após 10 anos consecutivos. O Werder, equipe dos brasileiros Diego e Naldo, liderou quase toda a primeira metade do campeonato dando show e perdeu o rumo no fim, muito em função de problemas pessoais do artilheiro Miroslav Klose. Já o Schalke, time de Lincoln e Kuranyi, teve a Bundesliga em suas mãos até a penúltima rodada, quando a derrota por 2 a 0 para o Borussia Dortmund deu a liderança, e posteriormente o título, ao Stuttgart.

Schalke e Bremen garantiram vaga na próxima Copa dos Campeões, enquanto o Bayern de Munique terá de se contentar apenas com a Copa da Uefa, junto a Leverkusen e Nuremberg. Alemania Aachen, Mainz 05 e Borussia Mönchengladbach vão disputar a segunda divisão. A artilharia ficou com o grego Gekas, do, autor de 20 gols, que levou o pequeno Bochum a um honroso oitavo lugar na classificação.

Na Copa da Alemanha, nova surpresa. O sexto colocado da Bundesliga Nuremberg levantou o quarto caneco de sua história. Na finalíssima, disputada em jogo único no Estádio Olímpico de Berlim, a equipe da Baviera bateu o Sttugart, que buscava uma inédita dobradinha entre Liga e Copa, por 3 a 2. O herói da conquista foi o dinamarquês Christiansen, autor do terceiro gol, que veio apenas na prorrogação, quando a decisão parecia seguir rumo aos pênaltis. Logo após o apito final, duzentas mil pessoas invadiram a praça central de Nuremberg para comemorar o título, que coroou a temporada do tradicional clube, nove vezes campeão da Bundesliga e que passava por maus bocados: sua última taça havia sido conquistada no longínquo ano de 1968.

quinta-feira, julho 05, 2007

Wimbledon parado no tempo

___________________________________________________________
Henrique Moretti

Que o torneio de Wimbledon é o mais tradicional de um dos mais tradicionais esportes de todos os tempos, ninguém duvida. O Grand Slam da grama foi criado em 1877, na primeira competição de tênis de que se tem notícia, e tem como supercampeões lendas como o sueco Bjorn Borg (cinco títulos seguidos), o norte-americano Pete Sampras (sete troféus ao todo) e tcheca naturalizada americana Martina Navratilova (novo conquistas). Que o torneio londrino é um dos mais atrasados do mundo do tênis, também poucos duvidam.

Neste ano, com chuvas e mais chuvas rondando o complexo do All England Lawn Tennis Club, o evento chega à sexta-feira com todas as partidas de quartas-de-final ainda a fazer, sendo que o certo seria a disputa das semis, para a final acontecer no próximo domingo, dia 8. Apesar da correria, a organização do charmoso torneio preferiu não mandar jogos no primeiro domingo de competição, o chamado “mid-Sunday”, dia de descanso dos atletas, por pura tradição – apenas três vezes na história a data sagrada foi utilizada. O pior é que o último dia 1º de julho amanheceu com sol em Londres, enquanto a previsão para as próximas datas era de chuva. Nada feito, o mau tempo se confirmou, e o imenso atraso aconteceu.

Para se ter uma idéia, a partida entre Robin Soderling e Rafael Nadal precisou ser interrompida nada menos que oito vezes em virtude do mau tempo. Assim, o confronto de terceira rodada, que se iniciou na segunda-feira, só pôde ser terminado na última quarta. O espanhol, com razão, não poupou críticas à organização de Wimbledon, ao ver o rival Roger Federer descansar por cinco dias seguidos. “Terei de jogar vários dias seguidos. E o Roger parece que está tirando uma semana de férias", afirmou.

Por essas e outras, a verdade é que parece que o Grand Slam da grama está parado no tempo. Foi, por exemplo, o último dos torneios desse nível a igualar a premiação entre homens e mulheres – apenas neste ano se fez justiça, com ambos os campeões recebendo cerca de 650 mil libras. Demorou muito, também, para enxergar o que não podia ser mais nítido: a necessidade de se instalar um teto retrátil na quadra central do All England, por causa das constantes chuvas que assolam Londres no verão. Ainda obriga, por incrível que pareça, os tenistas a usarem roupas predominantemente brancas, sendo que outros eventos do circuito eliminaram essa rega na década de 1980. Outra peculiaridade em Wimbledon é na escolha dos cabeças-de-chave. O torneio é o único do circuito que não respeita o Ranking de Entradas da ATP, utilizando um ranqueamento próprio que leva em conta o histórico dos jogadores em piso de grama, critério que já recebeu várias críticas de tenistas sul-americanos, dentre eles Gustavo Kuerten.

Com tradições que, a rigor, de nada acrescentam e só servem para atrasar a vida dos atletas, o mais tradicional torneio de tênis do mundo segue. Em 2007, jogos de cinco sets serão programados em dias consecutivos, e é provável que a final aconteça, pela quarta vez em 120 anos de história, numa segunda-feira, como não manda a tradição. A última vez que isso ocorreu foi em 2001, quando o croata Goran Ivanisevic se sagrou campeão ao bater o australiano Patrick Rafter.


foto: www.wimbledon.org